A bolha asiática de IA estourou

Michael Roberts – The next recession blog – 29/10/2026

Parece que a bolha asiática de IA estourou. Tudo começou na Coreia do Sul, com o índice de ações KOSPI despencando mais de 8% em 15 de outubro. Isso só contribuiu para uma grande queda no índice coreano de 41% desde o pico do boom de investimentos em IA coreano em junho passado. Os preços das ações das duas grandes empresas de tecnologia coreanas, SK Hynix e a mega Samsung Electronics, caíram mais de 10% nesse mesmo dia.

Agora, o estouro da bolha se espalhou para a China. O índice de ações STAR50, que acompanha as principais empresas de IA e chips, caiu 40% desde sua máxima de julho, enquanto o CSI 300 mais amplo entrou em território de baixa após uma queda de 20% em relação a junho. Quando colocado junto com a queda de sete dias de Seul, no valor de 900 bilhões de dólares, em 15 de outubro, quase 1,4 trilhão de dólares em ‘capital fictício’ foi vaporizado por toda a cadeia de suprimentos de hardware do Leste Asiático só em outubro.

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A termodinâmica do capital

Autor: Te Li [1]

Do código à matéria

Na primavera de 2023, a Microsoft anunciou um investimento bilionário na OpenAI, apresentando a parceria como um salto para uma civilização mais limpa, inteligente e eficiente. As imagens que acompanham tais anúncios são invariavelmente etéreas: redes neuronais luminosas, fluxos de dados sem peso e algoritmos a dançar num espaço digital sem atrito. A Inteligência Artificial (IA), no registo dominante de Silicon Valley e do seu ecossistema mediático, apresenta-se como a apoteose da desmaterialização — uma tecnologia tão refinada, tão puramente cognitiva, que finalmente escapou ao mundo sujo e entrópico das máquinas a vapor, das minas de carvão e das fábricas.

Este artigo defende que tais representações são ideológicas no sentido marxista preciso: invertem a realidade, apresentando como imaterial um processo que é profunda e consequentemente material. Estima-se que a formação do GPT-4 tenha consumido energia equivalente ao consumo anual de eletricidade de milhares de casas (1).

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A ascensão da ultradireita na América Latina

Ela governa quase toda a região. Mas, quando se volta a falar em soberania, propõe um neoliberalismo mofado e recolonial. Espera em vão por capital externo. Não mobiliza esperanças, mas rancor. É individualista, não solidária; o seu desejo político é se ajoelhar ao imperialismo americano decadente.  

Álvaro García Linera [1] [2]

Uma onda reacionária varre a América Latina. Com exceção do México e Brasil (as duas maiores potências da região), Uruguai e Guatemala, os demais países (Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador, Paraguai, El Salvador, Honduras, Panamá etc.) elegeram governos autoritários de extrema-direita. Isso ocorreu no segundo turno das eleições, por uma margem estreita, mas esses governos estão no poder e expressam um sentimento de ressentimento e agressividade política anti-igualitária, forte em parcelas da população.

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Repensando o “capitalismo de vigilância”

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Shoshana Zuboff, em seu A era do capitalismo de vigilância [2], fez uma crítica devastadora ao desenvolvimento contemporâneo dessa forma de sociedade, ainda que da perspectiva das ilusões reais da democracia liberal, especialmente daquela que existiu por cerca de 30 anos após o término da II Guerra Mundial. Eis que se está agora “destruindo o contrato social centenário entre o capitalismo e a comunidade”, pois se está abandonando “a reciprocidade orgânica” entre o crescimento econômico e o bem-estar das pessoas. As grandes plataformas tecnológicas – diz – além de extraírem mais-valor dos indivíduos enquanto trabalhadores, estão sugando agora todos os aspectos de suas experiências de vida visando controlá-los.

A sua lógica de funcionamento, ainda segundo ela, está contrariando a mão invisível. Continua-se demandando como sempre liberdade para os negócios, mas se está concentrando agora todo o conhecimento, antes disperso e que orientava o funcionamento dos mercados, em empresas gigantes que se tornam, assim, instrumentárias.[3] A vida social ganha, assim, “uma orientação coletivista que diverge dos valores tradicionais do capitalismo de mercado e da democracia de mercado”. Se decorre da evolução do capitalismo neoliberal, sucessor da economia socialdemocrática que reinou do fim da II Grande Guerra até o fim dos anos 1970, vem também contrariá-lo porque está transformando a sociedade dos indivíduos numa “colmeia coletivista”.

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Ecosocialismo: novo rumo da esquerda

Antonin Horcica – Vento Sul [1] – 01/08/2026

Em um momento em que o mundo enfrenta crises ecológicas e sociais cada vez mais profundas, a busca por alternativas é mais urgente do que nunca. Nesse contexto, destaca-se o trabalho de Kohei Saito, professor da Universidade de Tóquio e autor de Marx no Antropoceno e Desacelerar: O Manifesto do Decrescimento. Saito foca nas dimensões ecológicas e ecossocialistas do pensamento de Marx e argumenta que contém ideias ecológicas que há muito foram negligenciadas ou mal compreendidas. Embora Marx não defendesse explicitamente o ecosocialismo, Saito observa que seu pensamento ecológico pode inspirar e apoiar movimentos e políticas ecossocialistas contemporâneas voltadas para enfrentar a injustiça social e ecológica.

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Economia da complexidade: uma revisão

Uma Nova Ciência com Raízes Históricas Profundas

Nick Johnson – 5/08/2026 – Blog do autor

Da mão invisível de Adam Smith à incerteza de Keynes e à causalidade cumulativa de Kaldor, esta postagem argumenta que a economia da complexidade não é uma ruptura radical com a história, mas o capítulo mais recente de uma longa e frequentemente negligenciada tradição intelectual.

A economia da complexidade é frequentemente apresentada como uma nova forma revolucionária de entender a economia. Em vez de enxergar os mercados como sistemas que naturalmente se estabilizam em equilíbrio, os economistas da complexidade veem as economias como redes em evolução de indivíduos, empresas, governos e instituições cujas interações geram continuamente inovação, instabilidade e mudanças estruturais. A economia, nessa visão, é menos uma máquina buscando equilíbrio e mais um ecossistema que está constantemente se adaptando.

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A Economia está evoluindo?

Publica-se abaixo um artigo de Michael Roberts criticando a pretensão de ciência rigorosa que recebe o nome de Economia (Economics), a teoria econômica que toma o sistema econômico como se fosse uma segunda natureza e que, ao fim e ao cabo, defende os interesses dos donos do capital em geral. E que para melhor fazer isso, apresenta-se como um suposto saber técnico que se vale da Matemática e da Estatística para construir argumentos. A crítica dele é fraca por dois motivos: ele a) fia-se numa visão positivista de ciência; b) desconhece o método da teoria crítica. 

Não se trata apenas de dizer que a Economia é vulgar (Marx) porque analise apenas as relações aparentes entre fenômenos. Tambem não se trata de afirmar que a Economia se contenta em fazer sinopse de fatos (Horkheimer) porque é teoria tradicional. Trata-se de apontar que cria sistemas econômicos imaginários visando sustentar a própria cientificidade e se capacitar para intervir na política econômica com douta sabedoria.  De qualquer modo, Roberts expõe o alto grau de arrogância e alienação de alguém que deve ser economista. 

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Ruy Fausto: juízos de reflexão e do sujeito

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Em nota anterior[2], mostrou-se que a apresentação dialética em sua versão marxiana consistia em um juízo existencial amplo sobre o modo de produção capitalista. Eis que busca apreendê-lo criticamente já que se trata de um sistema social complexo – intransparente – cuja natureza interna é desconhecida. Ao ser revelada, fica bem claro que, apesar de sua aparência, ela está em desacordo com valores universais da igualdade, liberdade etc.

 Para realizar essa tarefa, a teoria crítica original parte da forma elementar da riqueza capitalista, a saber, a mercadoria, e caminha passo a passo para reconstruir conceitualmente esse sistema até que ele apareça na forma de um “concreto pensado” em processo de devir. Nesse procedimento, alguns passos cruciais são dados por meio de juízos específicos que apreendem o ser social como tal; os juízos de constatação descobrem modos de ser imediatos e os juízos críticos vão da aparência à essência desvelando a realidade. Assim, a aparência imediata ou “dada” se torna aparência mediata, ou seja, expressão de uma essência que a contraria.

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O problema dos três corpos do capitalismo

Autor: Romaric Godin

Tradução do subtítulo: Sobre a gestão autoritária do desastre (e os meios para lidar com ele).

Publica-se abaixo uma tradução da introdução do livro de Romaric Godin, a qual foi disponibilizada no sítio da própria editora La découverte, em francês. Como o texto é extenso, a sua publicação encontra-se abaixo na forma de pdf que pode ser baixado pelos interessados. Segue-se o endereço do sítio da editora para os eventuais interessados: https://www.editionsladecouverte.fr/2

Ruy Fausto: produção capitalista sob circulação simples

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Faz-se um esforço aqui para apresentar didaticamente – e, portanto, de modo bem menos rico e, talvez, sem erro – a dialética do fundamento e da aparência que Ruy Fausto desenvolve no primeiro capítulo do livro A produção capitalista como circulação simples.[2] Como essa discussão tem por referência os três primeiros capítulos de O capital, para motivá-la, faz-se aqui, em sequência, uma citação famosa de John M. Keynes que se encontra no capítulo oitavo da Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.[3]

“O consumo — para repetir o óbvio — é o único fim e objetivo da atividade econômica. (…) A demanda agregada só pode ser derivada do consumo presente ou das reservas para o consumo futuro. (…) Não podemos, como sociedade, prover consumo futuro por meio de expedientes financeiros, mas apenas mediante a produção física corrente”.

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