A IA e o futuro do capitalismo

Branko Milanovic – 15/05/2026 – Blog Substack

Quais seriam os prováveis efeitos de uma introdução massiva de inteligência artificial na economia, do ponto de vista neoclássico e marxista? Curiosamente, essa pergunta, pelo que sei, não foi feita. [N. T. Será que é uma pergunta inteligente? Será preciso ler até o final.]

A princípio, as implicações para a teoria do valor do trabalho de Marx parecem contraditórias com os fatos ou nossas expectativas. IA implica a introdução de técnicas de produção extremamente intensivas em capital, ou, usando terminologia marxista, de processos com uma composição orgânica de capital muito alta. Em outras palavras, IA implica uma relação c/v muito alta. Essa é a razão entre o capital constante (c) e o capital variável, ou seja, aquele necessário para contratar força de trabalho (v).

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China ou Estados Unidos?

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

A resposta a essa pergunta, parece bem importante atualmente. Mesmo uma apresentação de fatos que ajudem a respondê-la pode ser útil.  Contudo, ela seria ainda mais importante se fosse capaz de indicar o significado histórico do poder relativo desses dois países. Contudo, mesmo ficando apenas nos fatos, não parece fácil obter uma resposta bem precisa. Mas é preciso tentar e aqui se fará um esforço nesse sentido.

 O primeiro modo – mas não o mais seguro – de chegar a uma definição consiste em comparar o “produto interno bruto” (PIB) desses países. Note-se, porém, que o PIB dos Estados Unidos é expresso em dólar enquanto o PIB da China é medido em yuan. Sendo assim, como é possível compará-los? Eis que é requirida uma taxa de câmbio que diga, por exemplo, quanto vale um yuan em dólar. Ora, duas taxas de câmbio são normalmente utilizadas com esse propósito: a taxa de câmbio comercial e a taxa de câmbio de paridade de poder de compra (PPC).

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Ilusões e perigos do keynesianismo militar

Romaric Godin – Mediapart/Viento Sur – 18/04/2026

Uma velha história

Após se esgotarem várias tentativas de reviver o crescimento e a produtividade, os líderes ocidentais encontraram uma nova saída milagrosa para garantir futuros supostamente mais felizes: o rearmamento. O aumento dos gastos militares, inicialmente apresentado como meio de defesa, agora também é visto como um meio de alcançar crescimento econômico maior. [Ora, uma história trágica vai se repetir? Esse caminho deve ou pode ser evitado?]

Esse keynesianismo militar tornou-se agora quase uma doutrina oficial da Alemanha, onde o governo de grande coalizão, liderado pelo conservador Friedrich Merz, não esconde o fato de que seu plano de investir 150 bilhões de euros entre agora e 2029 no setor militar deve permitir a retomada do crescimento.

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A inflação real e o custo de vida

Corbin Trent – America’s Undoing

Titulo original: “It Works, If You Work It”; 23/11/2025

Para que a economia americana possa proporcionar uma vida boa para todos são necessárias reformas estruturais. Ela está muito ruim? Sim, bem ruim! [Mas já foi melhor: aquilo que foi chamado de “american way of life” parece ter existido, sim…, em meados do século passado.]

Desapontamento: de Obama à Trump

As eleições do início deste mês indicam para onde a coisa está indo. Os democratas varreram a Virgínia, Nova Jersey e Nova York. Pesquisas de boca de urna mostraram que 49% dos eleitores da Virgínia colocavam a economia como sua principal questão. Em Nova York, 56% disseram que era o custo de vida. Os eleitores de Nova Jersey focaram em impostos e, portanto, em economia.

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A democracia governará o capitalismo?

Ou será consumida por ele? Segundo os autores abaixo mencionados, tributar a riqueza extrema e as multinacionais é essencial para derrotar o “cesarismo do século XXI” e recuperar a governança democrática da elite global.

Joseph Stiglitz [1] e Jayati Ghosh [2] – Social Europe – 17 de fevereiro de 2026

Esforços frustrados

Esforços contínuos para descarrilar a cooperação tributária multilateral estão no cerne de um programa global para substituir a governança democrática por um governo coercitivo dos indivíduos extremamente ricos – uma forma política que chamamos de cesarismo do século XXI. Qualquer estratégia para combater esse programa, portanto, deve reconhecer que tributar a riqueza extrema é essencial para salvar a democracia.

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Um “nobel” para um neoshumpteriano!

Autor: Cédric Durand [1]

A abordagem neoschumpeteriana de Philippe Aghion – coautor de O Poder da Destruição Criativa (2021), entre muitos outros livros – teve uma influência significativa na política econômica europeia desde a virada do século. No mês de outubro, ele recebeu, com dois outros economistas, o Prêmio Sveriges Riksbank em memória de Alfred Nobel, o prêmio de maior prestígio na disciplina. O comitê que o escolheu para recebê-lo elogiou a sua suposta teoria sobre como a inovação fornece o ímpeto para o crescimento.

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Crises geradas pelos criptoativos virão

Autor: Simon Johnson [1] – Project Syndicate – 4/08/2025

Tendo adotado uma importante legislação sobre moeda digital (a Lei GENIUS e a Lei CLARITY foram ou estão sendo aprovadas na Câmara dos Representantes), os Estados Unidos estão prestes a se tornarem um importante centro de atividades relacionadas às criptomoedas. Tomando literalmente o que o presidente Donald Trump, os Estados Unidos da América do Norte estão se tornando a “capital mundial da criptomoeda”. Mas aqueles que apoiam a nova legislação deveriam ter mais cuidado com aquilo que desejam.

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O que vem depois da globalização?

Introdução IHU

O mundo está entrando em uma nova era. Os países ricos adotarão uma política dupla: abandonar a globalização neoliberal internacionalmente e promover um projeto neoliberal internamente

Depois de duas fases de globalização [1ª onda e 2ª + 3ª ondas no gráfico abaixo], “o mundo está entrando em uma nova era [indicada pela 2ª reversão no segundo gráfico em sequência] na qual os países ricos adotarão uma política dupla incomum: abandonar a globalização neoliberal internacionalmente e promover resolutamente um projeto neoliberal internamente”, afirma o economista Branko Milanovic.

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Do anarcocapitalismo à auteridade

Michael Roberts – The next recession blog – 15/04/2025

No dia 14 de abril, o FMI anunciou que concordou em emprestar ao governo argentino Milei mais US$ 20 bilhões (além das dívidas existentes contraídas no passado) para ajudar o governo a cumprir suas obrigações de dívida e restaurar as suas reservas cambiais em rápida queda. O acordo de empréstimo liberará US$ 12 bilhões iniciais, com mais US$ 3 bilhões chegando no final do ano.  

O governo diz que deve receber US$ 28 bilhões somente em 2025, incluindo US$ 15 bilhões de dinheiro do FMI, US$ 6 bilhões de outros credores multinacionais, US$ 2 bilhões de bancos globais e US$ 5 bilhões da extensão de um swap cambial com a China. Milei se gabou de que “o que o seu governo terá uma montanha de dólares“; eis que tema meta de dobrar as reservas cambiais brutas para US$ 50 bilhões.

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Economia do lado da oferta

Autor: Martijn Konings – Sidecar – 24 janeiro 2025

O renascimento da “economia do lado da oferta” keynesiana e uma política industrial proativa sob o governo Biden pareciam marcar uma mudança significativa. Os neoliberais há muito insistiam que os governos deixassem as forças da globalização do mercado se desdobrarem, acomodadas pela garantia de um ambiente não inflacionário por meio de uma política fiscal e monetária austera.

Mas a crise financeira global e o crescimento dramático do apoio governamental aos mercados financeiros que se seguiram sugeriram que os mercados não eram tão suavemente autorregulados ou “livres” da autoridade pública como se afirmava. As medidas de emergência implementadas durante a pandemia, que ampliaram a rede de segurança financeira muito além do setor bancário, impulsionaram essas ideias para o mainstream.

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