XV Plano e a autarquia tecnológica da China

Romaric Godin [1] – Sin Permiso 03/08/2026

Na reunião de duas sessões, as autoridades chinesas apresentaram seu próximo plano quinquenal, focado principalmente no desenvolvimento da inovação e autonomia tecnológica. Uma aposta que visa responder à desaceleração do crescimento, mas que é arriscada.

A China está tentando redefinir seu futuro. Desde quarta-feira, 4 de fevereiro, as “duas sessões” são realizadas, uma reunião anual que reúne a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e o Congresso Nacional do Povo, a câmara teoricamente legislativa. O plano de 2026 é especial porque deve validar o novo plano quinquenal, o XV da República Popular, que vai de 2026 a 2030.

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XV Plano e o crescimento futuro da China

Michael Roberts – The next recession blog – 03/08/2026

O governo chinês está acabando de concluir suas “duas sessões” anuais ou “lianghui” como as chamam. As “duas sessões” referem-se a dois grandes encontros políticos: a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um comitê consultivo político; e o Congresso Nacional do Povo (CNP), o principal órgão legislativo da China. Essas não são, ostensivamente, reuniões do Partido Comunista (PCC), mas sim reuniões do Estado chinês.

A reunião consultiva é em grande parte simbólica; dela participam os líderes empresariais e locais de destaque para discutir temas previamente acordados. O centro real de poder é o CNP, que decide oficialmente a política econômica. Na realidade, apenas aprova o que a elite líder do PCC já decidira antecipadamente. Com cerca de dois terços de seus membros pertencendo ao Partido Comunista, o CNP nunca rejeitou um projeto de lei proposto pelo partido.

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As economias modelares vascilam

O autor do escrito abaixo mostra que os modelos econômicos da Alemanha e da China estão em crise. O artigo não é teoricamente rigoroso, mas tem uma mensagem relevante que contraria o otimismo de certos autores em relação ao progresso das economias chinesa e alemã vis-à-vis a economia norte-americana. (E.P.)

Ernst Lohoff [1] – 6 de março de 2026

Por muito tempo, Alemanha e China, com suas indústrias de exportação, estiveram entre os principais beneficiários da expansão do comércio mundial. Hoje, seus modelos de negócios estão ambos sob o impacto de uma crise séria [ou seja, de uma crise de superprodução].

“O primeiro será o último”, disse Jesus no Novo Testamento – um alerta que se aplica tanto à China quanto à Alemanha hoje. Após a grande crise financeira de 2007 a 2009, as duas economias foram por muito tempo consideradas modelos de sucesso, pois retomaram rapidamente o crescimento econômico. Na época, a China, que não havia passado por uma recessão nas últimas décadas, desacelerou já que a sua taxa anual crescimento de dois dígitos caiu para 9% em 2008 e para 6% no ano seguinte.

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Para onde vai a China?

Subtítulo: “Da qualidade à quantidade”: como ver o desenvolvimento histórico da China para além do véu da macroeconomia.

Autor: Adam Tooze [1] – Sin Permiso [2] – 28/06/2025

Introdução

No ambiente econômico global, existem poucos fatores mais importantes do que a situação e as perspectivas futuras da economia chinesa. Em termos de paridade de poder de compra, é a maior economia do mundo, com uma participação de 20% do PIB global. Medida em termos de taxas de câmbio atuais, o PIB da China perde apenas para os Estados Unidos.

A China influencia a economia mundial, primeiro, porque é um enorme mercado para exportações de outros países; em segundo lugar, porque é um centro dinâmico de exportações.

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A tese de Pettis e a economia da China

As tarifas ajudarão a reequilibrar a economia global (e a economia chinesa)?

Noah Smith – Blogue Noahpinion – 16 de janeiro de 2025. Eis aqui o segundo artigo que examina a política econômica que se vale fundamentalmente de tarifas. 

Fonte: Brad Setser

Este post (…) versa sobre a economia da China e a situação do comércio internacional, em vez de tratar de guerra e conflito.

A China tem um enorme e crescente superávit comercial, como se pode ver no gráfico acima. Esse gráfico é de Brad Setser, um autor conhecido por ser um exército de um homem só em termos de rastreamento do comércio global e dos fluxos financeiros. (…) Curiosamente, é preciso ver que as exportações da China para o mundo em desenvolvimento são mais importantes do que suas exportações para os EUA e a UE, embora estas últimas tenham aumentado um pouco.

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