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Era da finança, mas não do sujeito automático

14/09/2018

Neste post faz-se um comentário crítico do marcante livro Lucrando sem produzir – Como a finança explora todos nós (Profiting without producing – How finance exploits us all) de Costas Lapavitsas.

Procura-se mostrar que ele peca por se afastar do conceito de capital como sujeito automático que é característico da compreensão do capitalismo que vem de Karl Marx. Mas não se nega, entretanto, a sua importância como contribuição para uma melhor compreensão do capitalismo financeirizado que emergiu da crise da década dos anos 1970.

Usualmente se distinguem duas interpretações marxistas da crise de 2008 e da longa recessão que se seguiu a ela. Uma primeira enfatiza que a crise irrompeu como manifestação de certas tendências estruturais e de longo prazo do processo capitalista de produção, em especial daquela que produz uma queda da taxa de lucro. Uma segunda posição se concentra especificamente na dimensão financeira do processo, procurando acentuar as mudanças institucionais na esfera econômica e minimizar a importância do declínio da taxa de lucro.

Procura-se mostrar neste post que Costas Lapavitsas figura como um dos mais populares e intelectualmente sofisticados representantes dessa última posição.

Eis o post aqui: Era da finança, mas não do sujeito automático

Três ondas da globalização

01/09/2018

Aquilo que é atualmente chamado de globalização vem de longe na história da era moderna. Trata-se de um processo complexo cuja descrição exige um escrito de centenas de páginas. Entretanto, é possível apresentar o seu desenvolvimento no último século e meio por meio de um indicador da evolução do comércio internacional em nível mundial.

Neste post, parte-se dessa estatística descritiva para caracterizar as últimas três ondas da globalização, as quais ocorreram, grosso modo, a partir de meados do século XIX. E se considera que elas refletem o desenvolvimento do próprio capitalismo enquanto um modo de produção que tende inexoravelmente à mundialização.

Então, à explicação pós-keynesiana de Thomas Palley para esse movimento histórico secular do capitalismo opõe-se uma explanação baseada em Karl Marx. Enquanto o primeiro autor se centra na qualidade da política econômica, o esclarecimento alternativo do padrão observado de evolução histórica se baseia num argumento estrutural que diz respeito à própria expansão da relação de capital no plano internacional, isto é, do imperialismo.

O post do blog Economia e Complexidade se encontra aqui: Três ondas da globalização – uma explicação estrutural

E o artigo de Thomas Palley pode ser encontrado aqui: Three globalization, not two…

Por que quebrou?

24/08/2018

Está sendo lançado um livro bem importante sobre a Crise de 2008, assim como sobre a Grande Recessão que veio em sua esteira: Crashed – How a decade of financial crises changed the world. Ou seja, em tradução aproximada: Quebrou – Como uma década de crises financeiras mudou o mundo. Ele foi escrito pelo historiador britânico Adam Tooze que, atualmente, é professor da Universidade de Columbia, EUA.Capa Adam Tooze

Aqui se publica uma resenha desse livro, feita pelo famoso blogueiro marxista Michael Roberts, com a finalidade de chamar a atenção para o seu conteúdo crítico – e crucial. Pois, tudo indica que estamos passando por um período muito dramático, certamente transformador, na história do mundo.

Ora, o sistema econômico vai continuar passando por grandes turbulências e a democracia realmente existente está se tornando iliberal. É, pois, preciso ficar atento porque a “era de ouro” e a democracia liberal do pós-guerra não vão voltar como dádivas. Uma disputa está sendo travada e ela versa, portanto, sobre o sentido dessa transformação.

O que esperar: uma democracia socialista radicalizada ou o advento de novos autoritarismos ou mesmo de fascismos já que os atuais governos neoliberais estão se mostrando incapazes de resolver satisfatoriamente os problemas que o desenvolvimento do capitalismo (crise ecológica, crise de migrações, crise de representatividade, etc.) criou historicamente?

Eis aqui a resenha: Mais sobre como quebrou do que por que quebrou

 

Aversão ao pleno-emprego?

15/08/2018

O economista marxista indiano Prabhat Patnaik procurou defender ainda o sistema de acumulação centralizado que ainda é usualmente chamado de socialismo ou de socialismo real. “O velho regime socialista” – diz ele em seu escrito (em inglês) denominado Por que o socialismo não tem crises de superprodução? – “tem sido objeto de muita difamação”…

Segundo ele, o socialismo, ao contrário do capitalismo, visa o pleno-emprego. Pois, os capitalistas, ao contrário dos líderes socialistas, segundo ele ainda, têm aversão à máxima ocupação da força de trabalho. Será que essa tese é verdadeira? Ou ela provém, em última análise, de uma infiltração do individualismo metodológico no campo do marxismo?

No post aqui apresentado procura-se mostrar por que o sistema de acumulação descentralizado, ou seja, o capitalismo, não se instala no pleno-emprego e por que o sistema de acumulação centralizado, incorretamente chamado de socialismo, nele permanece.

Apesar dessa diferença de comportamento macroeconômico, argumenta-se aqui que ambos esses sistemas enquanto sistemas são guiados pela acumulação de capital. E, se assim é, procura-se mostrar por que ocorre essa apontada diferença?

A resposta do blog está aqui: Capitalismo, socialismo e pleno-emprego

Do totalitarismo implícito

01/08/2018

Este post encaminha uma nota em que se examina a tese de um cientista político norte-americano (Sheldon Wolin) sobre a natureza da democracia nos Estados Unidos. Ela argui – contra toda a opinião estabelecida no “mundo ocidental” – que o sistema político dos Estados Unidos da América do Norte se encontra completamente dominado pelo poder das grandes corporações e que, por isso, não é de fato democrático – mas, ao contrário, totalitário.

Segundo esse autor, entretanto, trata-se de um totalitarismo invertido. Pois, nos regimes totalitários reconhecidos como tais a economia estava subordinada à política. Mas nos regimes totalitários apenas aparentemente democráticos ocorre o contrário: a política está, ainda que sub-repticiamente, subordinada à economia, isto é, ao comando dos lobbies corporativos que atuam sempre em detrimento dos interesses da grande maioria.

Aqui se procura argumentar, primeiro, que esse autor tem uma compreensão inadequada da função do sistema econômico na sociedade moderna. Em que, em consequência, não vê que a economia dominava a política também nos regimes totalitários que chama de “clássicos”.  Ademais, busca-se sustentar que existe, sim, um potencial totalitário, mas que ele se encontra implícito nos atuais países apresentados como simplesmente democráticos.  Trata-se, entretanto, de um poder que não se torna total, pelo menos enquanto não está ameaçado, porque está contido por forças sociais contra-arrestantes, as quais se originam de uma certa anarquia conflituosa que é inerente ao próprio capitalismo.

A nota se encontra aquiTotalitarismo implícito, aparentemente invertido

Brasil: Uma nação incompleta

14/07/2018

A história do Brasil após 1930, do ponto de vista do modelo econômico, pode ser dividida em três períodos: o primeiro deles, que vai até 1953, pode ser caracterizado como estritamente nacional-desenvolvimentista. Desta última data até 1980, este se transforma em desenvolvimentismo associado-dependente; de 1980 em diante o desenvolvimentismo é negado, acentua-se a dependência e o modelo econômico realmente existente se torna liberal-periférico.

Procurou-se apresentar de modo mais amplo essa compreensão da história econômica do Brasil no artigo A quase estagnação da economia capitalista no Brasil. Para escrevê-la, foram combinados os estudos empíricos de Adalmir Marquetti sobre a evolução da taxa de lucro com as lições de economia brasileira de Luiz Filgueiras.

Neste post traz-se aos leitores do blog um pequeno artigo deste último autor com a finalidade de apresentar as razões de fundo pelas quais nunca houve de fato um projeto de desenvolvimento capitalista verdadeiramente nacional no Brasil. Neste escrito, o autor de uma conhecida História do plano real procura mostrar, renovando a tese da inexistência de burguesia nacional, que o Brasil nunca chegou a se constituir como uma nação completa, ou seja, um país com classe dominante e dominada bem integradas, voltado para o próprio desenvolvimento, de modo independente em relação ao imperialismo norte-americano principalmente.

O texto está aqui: Filgueiras, Luiz – Brasil , uma nação incompleta

O que é financeirização? (III)

01/07/2018

No post publicado O que é financeirização? (I) [27/07/2013], mostrou-se que não se pode apreender esse fenômeno tratando a esfera do capital de finanças como simplesmente exterior à esfera do capital industrial e do capital comercial. Pois, se trata de um desenvolvimento orgânico do capitalismo que costuma ocorrer quando a taxa de lucro cai fortemente num horizonte de longo prazo.

No post O que é financeirização? (II) [26/05/2018] apresentou-se os principais resultados da pesquisa de Gretta Krippner expostos no livro Capitalizando na Crise – As origens políticas da ascensão da finança. Mostrou-se, então, que essa autora usou o termo financeirização “para se referir à crescente importância das atividades financeiras como fonte de lucros na economia”. Indicou-se, também, que, para apreender este fenômeno de forma abrangente, ela englobara sob o nome de “lucros financeiros” os ganhos capitalistas (juros, dividendos, bonificações, etc.) que são obtidos por meio dos “canais financeiros”.

No post O que é financeirização? (III) [1/07/2018] que agora se publica, procura-se mostrar como é possível sanar uma deficiência do trabalho de Krippner. Ainda que tenha descrito qualitativa e quantitativamente o fenômeno da financeirização, ela não examinou as suas origens socioeconômicas, isto é, as relações sociais exploradoras e espoliadoras que dão origem às diferentes formas de lucros financeiros. Faz-se isso neste post resumindo capítulos chaves do livro de Cédric Durand, Capital fictício – como a finança está se apropriando do nosso futuro.

A nota que busca apresentar com certa clareza o caráter sugador, predador e regressivo do capitalismo contemporâneo, encontra-se aqui: O que e financeirização? – III