Uma tormenta nos mercados financeiros?

Autor: Michael Roberts

Alta dos juros chega aos países ricos, provocada pela guerra e temor de crise nas cadeias produtivas. Bancos centrais escolhem “resposta” que favorece os rentistas, não enfrenta o problema e ampliará desigualdade, estagnação e desilusão política.

Font origianal: The next recession blog – Tradução: Antônio Martins – Outras palavras

A mídia financeira e os economistas tradicionais estão em polvorosa. Os rendimentos dos títulos dos governos subiram acentuadamente desde o fim da crise da pandemia, retornando a níveis não vistos desde a crise financeira global de 2008-2009.

O que significa um aumento nos “rendimentos – ou margens — dos títulos”? Quando os Estados e as grandes empresas tomam dinheiro emprestado, eles não pedem um empréstimo a um banco. Em vez disso, vendem títulos de dívida a investidores e prometem reembolsar o dinheiro com uma determinada taxa de juros. Quando esses títulos preveem reembolso em muitos anos, são chamadas de bônus. As promissórias que os governos pagarão mais rapidamente — em alguns meses ou um ano — são chamadas de letras.

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A Suécia não é mais uma socialdemocracia

Michael Roberts – The next recession blog – 13/09/2026

A Suécia vai às urnas hoje em uma eleição geral extremamente acirrada que pode ver a extrema-direita entrar no governo pela primeira vez, caso os partidos de direita do país formem maioria. No entanto, pesquisas de opinião mostram a aliança de oposição centro-esquerda à frente, com Magdalena Andersson, dos Social-Democratas, a favorita para se tornar primeira-ministra novamente após quatro anos na oposição. Mas a vantagem de seu bloco diminuiu consideravelmente nos últimos dias da campanha.

Em 2022, o atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, líder dos moderados de centro-direita, quebrou um tabu antigo ao fazer um acordo com os Democratas da Suécia (SD), anti-imigrantes, para que sua coalizão minoritária pudesse formar um governo. Esse acordo deu ao SD influência desproporcional sobre a política do governo, especialmente em relação ao crime e à imigração,

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Ruy Fausto: “classe” trabalhadora

Eleutério F. S. Prado [1]

Às vezes se encontra a expressão “classe trabalhadora” em artigos e livros que tratam de questões sociais e/ou políticas. Ora, não é muito difícil mostrar que se trata de uma “noção” muito ampla. Pois, a condição de não-trabalhador(a) entre as pessoas ativas [2] é muito rara na sociedade atual. Veja-se que a condição de trabalhador(a) se afigura muito extensa já que inclui, por exemplo, as pessoas dedicadas aos serviços domésticos, militares e mesmo financistas. Não contribui, por isso mesmo, para compreender a estratificação social no modo de produção capitalista.

Karl Marx, como se sabe, após expor longamente as determinações do modo de produção capitalista, define a classe dos trabalhadores assalariados como uma das grandes classes do modo de produção capitalista. No capítulo 42 do Livro III de O capital [3], ele diz que essa classe inclui os proprietários de mera força de trabalho que, não tendo mais nada para vender, vendem-na por tempos determinados em troca de salário.  

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Ecosocialismo: novo rumo da esquerda

Antonin Horcica – Vento Sul [1] – 01/08/2026

Em um momento em que o mundo enfrenta crises ecológicas e sociais cada vez mais profundas, a busca por alternativas é mais urgente do que nunca. Nesse contexto, destaca-se o trabalho de Kohei Saito, professor da Universidade de Tóquio e autor de Marx no Antropoceno e Desacelerar: O Manifesto do Decrescimento. Saito foca nas dimensões ecológicas e ecossocialistas do pensamento de Marx e argumenta que contém ideias ecológicas que há muito foram negligenciadas ou mal compreendidas. Embora Marx não defendesse explicitamente o ecosocialismo, Saito observa que seu pensamento ecológico pode inspirar e apoiar movimentos e políticas ecossocialistas contemporâneas voltadas para enfrentar a injustiça social e ecológica.

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Ruy Fausto: sobre as três grandes classes (II)

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Há recebedores de salário que são capitalistas? Yonatan Berman e Branko Milanovic acham que sim, que existem e que são bem numerosos na sociedade contemporânea.[2] Esses autores pensam que essa condição social é tão importante que criaram um nome na língua de Aristóteles para denominá-la: homoploutia. Formado pela composição de dois termos, “homo” e “ploutia” (respectivamente, “igual” e “riqueza” em grego), designa gente que ganha muito dinheiro tanto com base no trabalho quanto com base na propriedade de riqueza capitalista previamente acumulada.

Aqui, no entanto, não se examinará o que eles pretenderam dizer a partir dessa inovação terminológica[3], pois, ao escrever assim esse primeiro parágrafo, deu-se um primeiro passo para introduzir, de forma impactante, um problema na compreensão das classes no interior da teoria marxiana. Sabendo que as grandes classes são definidas, em primeiro lugar, pela forma específica de apropriação de parte do valor criado na produção de mercadorias, como delimitá-las coerente e significativamente? Antes de começar a dar uma resposta para essa questão, veja-se mais uma vez como Karl Marx abre o último capítulo do Livro III de O capital:

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Economia da complexidade: uma revisão

Uma Nova Ciência com Raízes Históricas Profundas

Nick Johnson – 5/08/2026 – Blog do autor

Da mão invisível de Adam Smith à incerteza de Keynes e à causalidade cumulativa de Kaldor, esta postagem argumenta que a economia da complexidade não é uma ruptura radical com a história, mas o capítulo mais recente de uma longa e frequentemente negligenciada tradição intelectual.

A economia da complexidade é frequentemente apresentada como uma nova forma revolucionária de entender a economia. Em vez de enxergar os mercados como sistemas que naturalmente se estabilizam em equilíbrio, os economistas da complexidade veem as economias como redes em evolução de indivíduos, empresas, governos e instituições cujas interações geram continuamente inovação, instabilidade e mudanças estruturais. A economia, nessa visão, é menos uma máquina buscando equilíbrio e mais um ecossistema que está constantemente se adaptando.

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Ruy Fausto: sobre as três grandes classes (I)

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Como se sabe, já no prefácio de seus Princípios, David Ricardo apontou qual era para ele o problema central da central da economia política: “determinar as leis que regem a distribuição do produto total da terra entre as três classes, o proprietário da terra, o dono do capital necessário para seu cultivo e os trabalhadores cujos esforços são empregados no seu cultivo”. [2] Pode parecer curioso atualmente, mas ao seu tempo, começo do século XIX, a agricultura ainda era a principal atividade produtiva.

Karl Marx, distintamente só trata das classes no último capítulo do Livro III de O capital: “Os proprietários de mera força de trabalho, os proprietários de capital e os proprietários fundiários, que têm no salário, no lucro e na renda da terra suas respectivas fontes de rendimento, isto é, os assalariados, os capitalistas e os proprietários fundiários, formam as três grandes classes da sociedade moderna, fundada no modo de produção capitalista”.[3] Ao seu tempo, meados do século XIX, a indústria de transformação já desponta como a atividade produtiva mais significativa.

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A lenta crise do sistema do dólar

Essa é a verdadeira razão pela qual os EUA socorreram o Japão. A intervenção dos EUA para sustentar o iene não ocorreu apenas para ajudar o Japão, mas para estancar uma crise no sistema do dólar. Washington não quer que os países vendam títulos do Tesouro, à medida que a desdolarização global cresce.

Ben Norton

O governo dos EUA socorreu discretamente o Japão em agosto. O Tesouro dos EUA interveio no mercado cambial para sustentar a moeda japonesa, o iene. Foi a primeira vez que Washington fez isso desde 1998, quando uma crise financeira se desenrolou em grande parte do Leste e Sudeste Asiático.

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A indústria deixou de ser o motor do crescimento?

Dani Rodrik escreveu um artigo com o seguinte título: “Como me tornei um cético da indústria de transformação”. Nele, sustenta que “o modelo de crescimento liderado pela industrialização está vacilando”. E que “a melhor alternativa para as economias em desenvolvimento agora está em aumentar a produtividade em todos os serviços que absorvem mão de obra”. Ora, ele contraria assim uma famosa tese de Nicholas Kaldor segundo a qual “a indústria [de transformação] é o motor do crescimento”. Veja-se, pois, os seus argumentos, que são muito importantes se a sua tese estiver correta.

Dani Rodrik [1]Social Europe– 22 de julho de 2026

Em um recente encontro de acadêmicos e formuladores de políticas em Harvard, um participante me lembrou que eu havia publicado uma coluna há 15 anos sobre “The Manufacturing Imperative” [A indústria como imperativo]. Como o título sugere, o texto enfatizou a importância da industrialização para impulsionar o crescimento econômico, para criar bons empregos e para nutrir uma classe média na estrutura da sociedade. “Este é um dos meus artigos favoritos de todos os tempos”, disse o formulador de políticas africano ao público presente no encontro assinalado.

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Ruy Fausto: sobre o Estado

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Sabe-se que o Estado, para Friedrich Engels, é uma fonte de poder situada acima da sociedade, que atua centralmente para atenuar o conflito entre as classes sociais. Para Vladimir Lenin, que o segue, o Estado é o produto do “antagonismo inconciliável das classes”.[2] Para Hegel, em contraposição, o Estado é a comunidade posta como tal, a corporificação da razão.[3] Todos têm por referência – e isso é bem óbvio – a época contemporânea. Mas, o que é o Estado para Marx?

Engels e Lenin derivam o Estado de um modo imediatamente político, ignorando as formas das relações sociais no capitalismo. Ademais, mesmo se eles se referem às relações sociais da sociedade civil, omitem o caráter comunitário do Estado. Como seria possível ir além deles de modo teoricamente rigoroso? Como o Estado pode aparecer como forma das relações sociais no modo de produção de capitalista? Derivando e apresentando o Estado – essa é a aposta de Ruy Fausto – a partir da lógica interna de O capital. No que segue, procurar-se-á apresentar respostas a essas questões com base em escrito seminal desse último autor.[4]

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