Ruy Fausto e a política marxista

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Aqui se pretende investigar como esse filósofo brasileiro, que deu uma contribuição exemplar para a compreensão da obra de Karl Marx, apresenta os fundamentos da política marxista e como ele faz a crítica do marxismo consagrado como tal.  

Mesmo se atravessa a sua obra como um todo, essa questão é tocada explicitamente na introdução ao livro Sentido da Dialética – Marx: lógica e política [2], publicado em 2015. Vale notar que essa é uma nova edição de um livro publicado em 1983 – 32 anos antes, portanto – sob o título Marx: lógica e política [3], o qual recebeu depois o complemento Investigações para uma reconstituição do sentido da dialética.

Essa inversão na formação do título – o original é substituído pela parte mais expressiva do subtítulo, transformando-se por sua vez em subtítulo –, é explicada pelo autor como advinda da necessidade de expressar melhor o objetivo central de sua obra. Este não seria comentar filosoficamente a obra de Karl Marx, mas compreender a dialética por meio dela: “ainda se ocupando centralmente do corpus marxiano” – diz –, “o objeto fundamental dos textos é entender o significado da dialética”.

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O amanhecer de um mundo eletrificado

Por Kate Mackenzie e Tim Sahay – Policrises – 05/08/2026

Ondas de choque globais da guerra ao Irã estão acelerando a transição energética

Petróleo e gás — a base dos sistemas globais de energia e produção — não estão mais disponíveis de forma confiável onde e quando são necessários a preços suportáveis. Duas guerras em quatro anos desencadearam uma mudança permanente no regime de risco. Não importa o quão desigual e incerta seja a reação imediata dos mercados e governos, a lição do atual choque energético é inevitável: as condições geopolíticas que antes estabilizaram a logística baseada em carbono do mundo moderno não podem mais ser garantidas, e a eletrificação oferece uma saída estrutural da instabilidade.

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IA: o único grande negócio em andamento

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 6/06/2026

O Goldman Sachs, o megabanco de investimento, acredita que a “IA é o único grande negócio dos EUA”. E a bolha de investimentos em IA está ficando a cada mês maior. Na última semana, a fabricante de modelos de IA, Anthropic, anunciou que estava emitindo ações para potenciais investidores por meio do que é chamado, no jargão do mercado de ações, de “oferta pública inicial” (initial public offer ou IPO).  A Anthropic tem a pretensão de acompanhar a IPO planejada pela Space X de Elon Musk, que chegará ao enorme montante de US$ 1,8 trilhão.  Isso equivale a 92 vezes a receita anual da SpaceX obtida no mercado.

A Alphabet, controladora do Google, também planeja levantar US$ 85 bilhões em financiamento por meio de ações — essa será a sua primeira oferta de ações ao mercado em mais de duas décadas. Juntos, esses três grandes IPOs podem alcançar uma avaliação conjunta de cerca de US$ 4 trilhões. Isso equivale a um terço de todo o valor das IPOs emitidas nos nos EUA desde 1980 (em valores ajustados pela inflação)! Ora, as empresas SpaceX, OpenAI e Anthropic estão atualmente gerando prejuízos; por outro lado, o potencial de venda dos serviços dos modelos de IA – mormente o da fantástica corrida da SpaceX para Marte –, permanece desconhecido.

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As consequências econômicas da guerra no Irã

O choque de Hormuz está novamente levantando o espectro da inflação. O que os bancos centrais trarão em resposta para as economias da América Latina?

Fernando Rugitsky – Fenomenal World – 15/05/2026

Quem ganha com a guerra?

À medida que as negociações e um chamado cessar-fogo frágil colocam a guerra contra o Irã em um padrão de destruição e miséria, pode parecer equivocado focar nos efeitos econômicos para sociedades distantes do conflito. Mas as perspectivas de interromper uma escalada adicional podem depender dos interesses afetados pelo crescente raio de devastação econômica — incluindo as classes dominantes no núcleo capitalista.

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Choque chinês na agricultura extensiva do Brasil e dos EUA

Adam Tooze – Blog do autor – 3 de maio de 2026

A integração da China à economia mundial mostrou ser o desenvolvimento mais dramático da história econômica moderna. No que diz respeito aos “desequilíbrios globais”, esta é uma história de superávits comerciais líquidos e do crescente poder chinês na indústria. Mas o outro lado disso são as importações de matérias-primas, energia e alimentos. Na agricultura, a China passou por uma “abertura” altamente incomum.

O comércio global de alimentos ocorre entre blocos, nos quais produção e consumo se desenvolveram sob regulação governamental rigorosa e uma economia política dominada por grandes interesses corporativos incumbentes – os chamados “regimes alimentares” (termo atribuído a Harriet Friedmann e Philip McMichael). A agricultura foi um dos setores originais a experimentar o que Karl Polanyi chamou de “duplo movimento”, de “abertura” de mercado seguida de uma reação coletiva regulatória.

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A IA e o futuro do capitalismo

Branko Milanovic – 15/05/2026 – Blog Substack

Quais seriam os prováveis efeitos de uma introdução massiva de inteligência artificial na economia, do ponto de vista neoclássico e marxista? Curiosamente, essa pergunta, pelo que sei, não foi feita. [N. T. Será que é uma pergunta inteligente? Será preciso ler até o final.]

A princípio, as implicações para a teoria do valor do trabalho de Marx parecem contraditórias com os fatos ou nossas expectativas. IA implica a introdução de técnicas de produção extremamente intensivas em capital, ou, usando terminologia marxista, de processos com uma composição orgânica de capital muito alta. Em outras palavras, IA implica uma relação c/v muito alta. Essa é a razão entre o capital constante (c) e o capital variável, ou seja, aquele necessário para contratar força de trabalho (v).

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Desequilíbrios globais: sintoma ou causa?

Michael Roberts – 29/04/2026 – The next recession blog

Os desequilíbrios globais voltaram à agenda das potências econômicas assim constituídas. Quais são esses ‘desequilíbrios globais’? Existem muitos, mas aqui apenas um será considerado: o desequilíbrio no comércio global. E ele advém do fato de que alguns países apresentam superávits significativamente grandes nas exportações de bens e serviços em relação às importações; enquanto outros países enfrentam déficits significativos no comércio.  O desequilíbrio global da conta corrente consiste numa diferença obtida do agregado dos balanços de comércio, o qual, atualmente, monta 2% do PIB mundial ao ano.

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Valor e capitalismo cognitivo

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

A questão a ser considerada sob o título acima é teórica; concerne em especial à categoria valor enquanto determinação da mercadoria e, assim, com as devidas mediações, à compreensão científica do capitalismo tal como ele se apresenta contemporaneamente. Remete-se, portanto, a um tópico clássico: eis que a compreensão do valor das mercadorias nasce na Grécia Antiga, atravessa a Idade Média e se torna um grande problema após o fim da Idade Moderna, quando o capitalismo se torna propriamente industrial.

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Depois do “pós-fordismo” vem o “muskismo”?

Quinn Slobodian [1] e Ben Tarnoff [2] – Fonte: Sin Permiso [3] – 26/04/2026

Tem sido apontado frequentemente que Elon Musk e Henry Ford têm muito em comum. Ambos foram aclamados como gênios tecnológicos que fizeram avanços revolucionários nos processos de produção e nos produtos de consumo. Ambos figuram como politicamente conservadores. E ambos defenderam visões reacionárias por meio de seus meios de comunicação pessoais: Ford publicou uma série famosa de artigos antissemitas em seu jornal, The Independent of Dearborn, e Musk usa o Twitter, depois X, como megafone para expressar sua hostilidade em relação aos imigrantes não brancos.

Contudo, já ao começarmos escrever o nosso livro recente sobre Elon Musk, percebemos rapidamente que os paralelos entre Musk e Ford não se relacionam principalmente às suas biografias pessoais. Eles concernem aos tipos de sociedade – sendo também requeridos por eles – que aparecem em seus modos de apreender a economia política realmente existente.

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China ou Estados Unidos?

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

A resposta a essa pergunta, parece bem importante atualmente. Mesmo uma apresentação de fatos que ajudem a respondê-la pode ser útil.  Contudo, ela seria ainda mais importante se fosse capaz de indicar o significado histórico do poder relativo desses dois países. Contudo, mesmo ficando apenas nos fatos, não parece fácil obter uma resposta bem precisa. Mas é preciso tentar e aqui se fará um esforço nesse sentido.

 O primeiro modo – mas não o mais seguro – de chegar a uma definição consiste em comparar o “produto interno bruto” (PIB) desses países. Note-se, porém, que o PIB dos Estados Unidos é expresso em dólar enquanto o PIB da China é medido em yuan. Sendo assim, como é possível compará-los? Eis que é requirida uma taxa de câmbio que diga, por exemplo, quanto vale um yuan em dólar. Ora, duas taxas de câmbio são normalmente utilizadas com esse propósito: a taxa de câmbio comercial e a taxa de câmbio de paridade de poder de compra (PPC).

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