Keynes, Minsky e a teoria econômica com incerteza

William H. Janeway [1] – Project Syndicate/Sin Permiso – 29/05/2026

Embora a concepção de Hyman Minsky sobre a teoria econômica de John Maynard Keynes tenha tido impacto mínimo no “mainstream” durante sua vida e mesmo nos anos seguintes, as suas ideias fundamentais permaneceram tão relevantes tal como sempre o foram. Ambos entendiam que a teoria econômica não pode ignorar o fato da incerteza.

[N.T.: É preciso ligar imediatamente a incerteza à própria natureza do capitalismo; como se sabe, o capitalismo é o sistema da relação de capital e, assim, do investimento baseado na lucratividade esperada, projetável a partir da lucratividade corrente, mas altamente incerta e, portanto, não projetável. Eis que a lucratividade futura, especialmente a mais distante, se mostra sempre nublada por um véu de ignorância. Assim, qualquer projeção ex-ante sobre a taxa de lucro futura pode e, na verdade, vai ser falsificada em alguma medida ex-post.]  

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O capitalismo pode ser político?

Eleutério F. S. Prado [1]

A tese de Dylan Riley

O capitalismo não é um modo de produção sossegado; ao contrário, passou por grandes mudanças em seu turbulento curso histórico, que pode ser contado, aliás, em décadas, séculos, mas não em milênios. A sua mudança mais recente tem sido caracterizada estranhamente – até mesmo – como rentista, neofeudal, tecnofeudal ou “ponto zero”.

 Adicionando mais um pouco de confusão, Dylan Riley, examinando o caso dos Estados Unidos sob Donald Trump, afirmou recentemente que o capitalismo agora se tornou político. Eis sinteticamente a sua justificativa para adotar essa qualificação: “A forma de capitalismo em que vivemos atualmente é aquela em que a extração de riqueza depende cada vez menos do poder de mercado e mais de manobras políticas.”[2] Será? Uma faticidade escandalosa, que chama a atenção e que revolta, não o teria enganado?

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Neoimperadores: o gozo do poder

Oscar Ranzani [1]

O prestigiado psicanalista Jorge Alemán propõe uma hipótese desconfortável: não basta analisar instituições, programas ou variáveis econômicas para entender o presente. Também é necessário interrogar a conspiração libidinal que sustenta os novos poderes. Em seu livro mais recente, Neoimperadores, o gozo do poder (NED Ediciones), Alemán ensaia uma cartografia onde a psicanálise se cruza com a teoria política para refletir sobre a ascensão da ultradireita além dos lugares comuns.  

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Não é neofeudalismo, mas capitalismo político

O blogue publicou um artigo de Stphen Maher criticando Dylan Riley, Aqui vai a sua resposta. Note-se, porém, que o termo “capitalismo” denota o sistema da relação social – contraditória – de capital. Note-se, por isso mesmo, que o capitalismo desde sempre dependeu do Estado para existir. Nesse sentido, ele nunca foi não-político, Ademais, nele sempre existiu o uso do poder político, assim como de outros poderes, para extrair renda. Contudo, o termo “capitalismo político” consiste num oxímoro já que nega aquilo que o capitalismo é em essência, ou seja, um sistema se alevanta sobre “relações sociais de coisas”.

Autor:  Dylan Riley [1]

A forma de capitalismo em que vivemos atualmente é aquela em que a extração de riqueza depende cada vez menos do poder de mercado e mais de manobras políticas.

Segundo a minuciosa reportagem de David Kirkpatrick na revista The New Yorker, Donald Trump e sua família teriam acumulado US$ 4 bilhões desde o início de seu mandato por meio de uma vertiginosa gama de esquemas, a maioria dos quais parece ter sido concebida para inflar o valor de seus ativos (criptomoedas, clubes de golfe, hotéis etc.).

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Não é neofeudalismo, mas hipercapitalismo

Stephen Maher [1] – Sin Permiso [2]22/05/2026

As gigantes da tecnologia no topo da economia moderna não inventaram um novo modo de produção: são simplesmente empresas capitalistas no sentido clássico, ou seja, que exploraram os seus trabalhadores.

Um dos dogmas mais persistentes da esquerda atualmente é a ideia de que o investimento produtivo está dando lugar à especulação improdutiva, levando ao “esvaziamento” da economia industrial e ao declínio do capitalismo. Afinal, parece óbvio que os capitalistas preferem antes ganhar dinheiro rápido do que entrar no árduo e arriscado processo de produzir realmente algo sob a forma de mercadoria. Em consequência, a tese do neofeudalismo entrou em voga.

Esses argumentos geralmente focam o suposto papel parasitário das finanças e do “capital fictício”.

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Queda do domínio do dólar

Sem dívida conjunta em grande escala e mercados de ativos seguros, além de mais profundos, o euro não será capaz de capitalizar o ataque de Trump à credibilidade do dólar. [O gráfico abaixo mostra a evolução das reservas internacionais globais. Se o ouro dominou na maior parte do período, a partir de 1980 o dólar ganhou cada vez mais espaço; contudo começou a perder esse espaço no fim do período. Note-se que a posição do euro está em azul e do rebimbe em cinza.]

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Piketty e o problema econômico do mundo

Michael Roberts – The next recession blog – 09/06/2026

No último fim de semana, o World Inequality Lab (WIL) promoveu a sua terceira edição da Conferência mundial sobre desigualdade (World Inequality Conference – 2026), realizada na Escola parisiense de Economia (Paris School of Economics).

Esse laboratório hospeda e mantém um banco de dados mundiais sobre desigualdade (World Inequality Database) de acesso aberto. Provavelmente os mais famosos membros da equipe desse laboratório sejam os seus diretores Thomas Pikkety e Gabriel Zucman, sendo o primeiro muito conhecido devido a sua obra-prima Capital no século XXI , assim como em razão dos livros subsequentes.

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Ruy Fausto e a política marxista

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Aqui se pretende investigar como esse filósofo brasileiro, que deu uma contribuição exemplar para a compreensão da obra de Karl Marx, apresenta os fundamentos da política marxista e como ele faz a crítica do marxismo consagrado como tal.  

Mesmo se atravessa a sua obra como um todo, essa questão é tocada explicitamente na introdução ao livro Sentido da Dialética – Marx: lógica e política [2], publicado em 2015. Vale notar que essa é uma nova edição de um livro publicado em 1983 – 32 anos antes, portanto – sob o título Marx: lógica e política [3], o qual recebeu depois o complemento Investigações para uma reconstituição do sentido da dialética.

Essa inversão na formação do título – o original é substituído pela parte mais expressiva do subtítulo, transformando-se por sua vez em subtítulo –, é explicada pelo autor como advinda da necessidade de expressar melhor o objetivo central de sua obra. Este não seria comentar filosoficamente a obra de Karl Marx, mas compreender a dialética por meio dela: “ainda se ocupando centralmente do corpus marxiano” – diz –, “o objeto fundamental dos textos é entender o significado da dialética”.

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O amanhecer de um mundo eletrificado

Por Kate Mackenzie e Tim Sahay – Policrises – 05/08/2026

Ondas de choque globais da guerra ao Irã estão acelerando a transição energética

Petróleo e gás — a base dos sistemas globais de energia e produção — não estão mais disponíveis de forma confiável onde e quando são necessários a preços suportáveis. Duas guerras em quatro anos desencadearam uma mudança permanente no regime de risco. Não importa o quão desigual e incerta seja a reação imediata dos mercados e governos, a lição do atual choque energético é inevitável: as condições geopolíticas que antes estabilizaram a logística baseada em carbono do mundo moderno não podem mais ser garantidas, e a eletrificação oferece uma saída estrutural da instabilidade.

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IA: o único grande negócio em andamento

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 6/06/2026

O Goldman Sachs, o megabanco de investimento, acredita que a “IA é o único grande negócio dos EUA”. E a bolha de investimentos em IA está ficando a cada mês maior. Na última semana, a fabricante de modelos de IA, Anthropic, anunciou que estava emitindo ações para potenciais investidores por meio do que é chamado, no jargão do mercado de ações, de “oferta pública inicial” (initial public offer ou IPO).  A Anthropic tem a pretensão de acompanhar a IPO planejada pela Space X de Elon Musk, que chegará ao enorme montante de US$ 1,8 trilhão.  Isso equivale a 92 vezes a receita anual da SpaceX obtida no mercado.

A Alphabet, controladora do Google, também planeja levantar US$ 85 bilhões em financiamento por meio de ações — essa será a sua primeira oferta de ações ao mercado em mais de duas décadas. Juntos, esses três grandes IPOs podem alcançar uma avaliação conjunta de cerca de US$ 4 trilhões. Isso equivale a um terço de todo o valor das IPOs emitidas nos nos EUA desde 1980 (em valores ajustados pela inflação)! Ora, as empresas SpaceX, OpenAI e Anthropic estão atualmente gerando prejuízos; por outro lado, o potencial de venda dos serviços dos modelos de IA – mormente o da fantástica corrida da SpaceX para Marte –, permanece desconhecido.

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