Formas sociais e políticas contemporâneas

Autor: Ruy Fausto [1]

No tomo III de Marx: lógica e política, Ruy Fausto faz uma apresentação das estruturas sociais contemporâneas que existem e podem existir, a partir da apresentação dialética dos modos de produção de Karl Marx. Aqui se faz um esforço de expor esse material didaticamente como um convite para que eventuais interessados busquem ler o original.

A primeira seção é preliminar. Ruy Fausto começa dizendo que o comunismo, diante dos eventos da história e do saber psicanalítico introduzido por Sigmund Freud, tornou-se uma utopia irrealizável. Na segunda seção, faz uma apresentação estruturalista  das formas sociais contemporâneas. Em sequência, na terceira seção, mostra como essas formas podem ser explicadas dialeticamente.

Continuar lendo

Keynes e o “keynesianismo” militar

Robert Skidelsky – Blogue do autor no Substack – 23/01/2026

Neste post, chamo atenção para o uso indevido da teoria de Keynes para justificar o rearmamento, algo que denomino de “keynesianismo militarista”. Em outras postagem, chamei atenção para o perigo das guerras imaginárias, não apenas para justificar aumentos nos gastos militares, mas para conduzir guerras reais num processo de escalada. Denomino, por isso, a guerra imaginária contra a Rússia ou a China de cena paranoica.

Continuar lendo

Haverá uma catástrofe com adoção da IA?

Michael Roberts – The next recession blog –26/02/2026

Um relatório publicado no último fim de semana pelo obscuro grupo de analistas financeiros “Citrini Research”, versando sobre o impacto futuro da IA, causou uma venda de ações das empresas de software.  A “Citrini” era pouco conhecida até publicar o seu “Global intelligence crisis report” – um aviso sobre uma crise global que viria com a adoção da IA”. Mas, subitamente, a publicação acumulou mais de 22 milhões de visualizações só no X.

A mensagem básica do aviso diz que, em poucos anos, os “agentes” de IA podem substituir amplamente o trabalho humano em todos os setores da economia.  Se acontecer, isso levaria a um aumento massivo do desemprego, seguido por um colapso do consumo e uma crise financeira no setor de ‘crédito privado’ às famílias e nas hipotecas, desencadeando assim uma brutal recessão.

Continuar lendo

O pensamento crítico pode ser único?

Adalmir A. Marquetti [1], Alessandro Miebach [2] e Henrique Morrone [3]

O artigo do Prof. Fernando Nogueira da Costa, intitulado “Pós-keynesianos e Escola de Campinas versus mainstream ou Faria Lima”, é didático em diversos aspectos. Talvez, no esforço de organizar o debate de forma pedagógica, acabe por sugerir que o pensamento crítico brasileiro teria um endereço quase exclusivo: o Instituto de Economia da Unicamp. Em contrapartida, o mainstream apareceria simbolicamente sediado na Faria Lima. Pouco mais de cem quilômetros separariam, assim, os dois polos opostos do pensamento econômico nacional.

Continuar lendo

Troca, dívida e sociedade

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Da troca à dívida; da dívida à troca

A nota que se segue é autodidática. Ela pretende tomar ciência e refletir um pouco sobre a constituição das sociedades humanas em geral. E foi suscitada pela leitura de uma tese que se encontra na obra O anti-Édipo [2] de Gilles Deleuze e Felix Guattari e que está exposta didaticamente no livro A vingança dos capatazes [3] de Rodrigo Guéron.

“Para Deleuze e Guattari – diz ele – a (…) dívida é o elemento decisivo para o surgimento de qualquer forma do que eles preferem chamar de “máquinas sociais”: [ela dá origem] às relações sociais, às sociedade propriamente ditas, e não apenas a capitalista”.

Continuar lendo

Além do capitalismo: outros passos são necessários

Título original: Replacing capitalism – not with socialism, but with democracy? (Substituir o capitalismo, não pelo socialismo, mas pela democracia?) Apresenta-se abaixo uma crítica ao artigo de Jason Hickel e Yanis Varoufakis abaixo mencionado, traduzido e republicado aqui, neste blog, sob o título Além do capitalismo: três primeiros passos.

Michael Roberts – The next recession blog – 13/02/2026

Os economistas de esquerda Jason Hickel e Yanis Varoufakis escreveram juntos um artigo para o jornal britânico The Guardian.  Eis o seu título original: We can move beyond the capitalist model and save the climate – here are the first three steps (Podemos ir além do modelo capitalista e salvar o clima – aqui estão os três primeiros passos). Jason Hickel é professor na Universidade Autônoma de Barcelona e pesquisador sênior visitante na LSE. Yanis Varoufakis é líder da MeRA25, ex-ministro das finanças e autor do livro Tecnofeudalismo: o que matou o capitalismo. [1]

Continuar lendo

Além do capitalismo: três primeiros passos

Jason Hickel [1] – Yanis Varoufakis [2]13/02/2026 – Sin Permiso [3]

Título original: “We can move beyond the capitalist model and save the climate – here are the first three steps.” Publicado originalmente no jornal britânico The Guardian.

O capitalismo se importa com o futuro da nossa espécie tanto quanto um lobo se importa com o futuro de um cordeiro. Mas se democratizarmos nossa economia, um mundo melhor estará ao nosso alcance.

Temos uma responsabilidade urgente. Nosso sistema econômico atual é incapaz de enfrentar as crises sociais e ecológicas que estão ocorrendo no século XXI. Quando olhamos ao nosso redor, vemos um paradoxo extraordinário. Por um lado, temos acesso a tecnologias extraordinárias e uma capacidade coletiva de produzir mais alimentos e mais coisas do que precisamos ou do que o planeta pode fornecer. Ao mesmo tempo, porém, milhões de pessoas sofrem devido a severas privações.

Continuar lendo

A democracia governará o capitalismo?

Ou será consumida por ele? Segundo os autores abaixo mencionados, tributar a riqueza extrema e as multinacionais é essencial para derrotar o “cesarismo do século XXI” e recuperar a governança democrática da elite global.

Joseph Stiglitz [1] e Jayati Ghosh [2] – Social Europe – 17 de fevereiro de 2026

Esforços frustrados

Esforços contínuos para descarrilar a cooperação tributária multilateral estão no cerne de um programa global para substituir a governança democrática por um governo coercitivo dos indivíduos extremamente ricos – uma forma política que chamamos de cesarismo do século XXI. Qualquer estratégia para combater esse programa, portanto, deve reconhecer que tributar a riqueza extrema é essencial para salvar a democracia.

Continuar lendo

Venezuela: a crise final

Michael Roberts – The next recession blog – 17/02/2026

Em artigo anterior, Michael Roberts examinou a economia petrolífera da Venezuela, agora ele revisita esse país para mostrar o que aconteceu com a Revolução Bolivariana.

O sequestro do presidente venezuelano Maduro e de sua esposa pelas forças militares dos EUA foi o primeiro sinal. A subsequente tomada do poder pela vice-presidente Delcy Rodriguez e seu acordo para permitir que os EUA controlassem as receitas de exportação de petróleo da Venezuela e atraíssem multinacionais de energia americanas para investir, tudo isso sinaliza o fim da revolução chavista que começou há mais de 25 anos. Por isso, é muito oportuno que um novo livro tenha sido publicado para mostrar o que aconteceu na Venezuela para chegar a esse ponto.

Continuar lendo

Do Consenso de Washington ao de Londres?

Michael Roberts – The next recession blog – 16/01/2026

O Consenso de Washington consistia num conjunto de dez prescrições de política econômica, as quais, nas décadas de 1980 e 1990, eram consideradas como um pacote “padrão”. Recomendava reformas a serem implementadas nos países em desenvolvimento que passassem por crises, sob o controle do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, instituições multilaterais instaladas em Washington DC.

O termo Consenso de Washington foi cunhado, em 1989, pelo economista britânico John Williamson. Tornou-se depois uma base para políticas globais destinadas a promover “mercados livres”, tanto domésticos quanto globais, além de redução do papel do Estado por meio de privatizações e ‘desregulamentação’ dos mercados de trabalho e financeiros. O seu lema era “mantenha os gastos e déficits do governo baixos e deixe o mercado fazer seu trabalho”. Na prática, o Consenso de Washington era um conjunto de diretrizes econômicas que formava o núcleo do que depois viria a ser chamado de “neoliberalismo”.

Continuar lendo