Há trabalhadores que são capitalistas?!

Eleutério F. S. Prado [1]

Uma definição e um resultado

Sim, e não se trata do fato de que muito capitalistas trabalham… De qualquer forma que fique registrado logo de início que o termo “trabalhador” contém uma ambiguidade; talvez tenha sido por essa razão que Marx empregou o termo “proletário”.

Yonatan Berman e Branko Milanovic acham que sim, que tais trabalhadores existem e que são bem numerosos na sociedade contemporânea. Eles pensam que essa condição social é tão importante que um nome na língua de Aristóteles foi criado para denominá-la: homoploutia. Formada pela composição de dois termos, homo (igual) e ploutia (riqueza), essa palavrona chama a atenção. Com ela, querem designar gente que ganha muito dinheiro tanto com base no trabalho tanto com base na propriedade de riqueza capitalista acumulada ou em processo de acumulação.

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O espetáculo de Trump na Venezuela

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Guerra, crise e a política como encenação permanente

Por José Paulo Guedes Pinto[i] – 03 de janeiro de 2026

Vivemos uma época em que a política já não se organiza prioritariamente em torno da resolução de problemas concretos, mas da produção incessante de narrativas. Guy Debord chamou esse momento histórico de sociedade do espetáculo: um mundo em que a experiência direta é substituída por imagens, versões e encenações, e onde o falso se perpetua como verdade socialmente aceita, interrompida apenas por raros momentos de realidade.

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Usos indevidos dos termos “feudalismo” e “capitalismo”

Radhika Desai [1]

Introdução

O enorme aumento do rentismo às custas da atividade produtiva, assim como a deformação da política que veio para sustentá-lo, levaram muitos a propor que o capitalismo foi transformado em “neofeudalismo”. Embora haja casos em que foi usada por políticas populistas de direita (Kotkin, 2020), essa caracterização têm sido empregada geralmente com o propósito de fortalecer a esquerda. Pretende-se, assim, dotá-la de compreensões que incrementam a sua capacidade de enfrentar uma estrutura social cada vez mais opressora e que está baseada no rentismo (Dean, 2020).

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Senhores digitais ou titãs capitalistas?

Crítica da narrativa sobre o “tecnofeudalismo”

Arif Novianto [1] – 5 de maio de 2025

Nos últimos anos, a ascensão de monopólios que operam por meio de plataformas como Google, Amazon, Meta e Microsoft gerou um debate crescente entre estudiosos e intelectuais públicos. Muitos deles descrevem esses desenvolvimentos sob a ótica de um suposto retorno às estruturas de propriedade feudais.

Essa narrativa, frequentemente rotulada como tecnofeudalismo ou como feudalismo digital, sugere que o capitalismo contemporâneo, baseado em meios de produção digitais, não é mais movido principalmente pela exploração do trabalho, mas pela extração de rendas de aluguel por meio do controle de infraestruturas digitais (Varoufakis, 2021).

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O capitalismo e a forma K

Michael Roberts – The next recession blog [1]

O K não é OK nos EUA

Lê-se no Financial Times que, na campanha do ano passado, Donald Trump prometeu “baixar os preços imediatamente, a partir do primeiro dia”. No entanto, desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, a inflação tem permanecido elevada para os padrões norte-americanos. Como resultado, a aprovação de Trump caiu por estar afetada por preocupações com a elevação do custo de vida. No entanto, na última quarta-feira, ele afirmou que as preocupações com o custo de vida dos Estados Unidos são um “trabalho sujo” e uma “farsa” que vem sendo perpetuada pelos democratas.

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A “revolução” dos “nuvenlistas”!

Jorge Nóvoa [1] e Eleutério F. S. Prado [2]

Uma tese inusitada

O livro da moda entre os que, na esquerda, cedem à fraseologia e ao espetáculo é, sem dúvida, Tecnofeudalismo – o que matou o capitalismo[3] de Yanis Varoufakis. Nele, esse autor, um economista estrelado e autoconfiante, sustenta que “os “nuvenlistas” (…), membros da nova classe revolucionária, tiraram os capitalistas do topo da hierarquia social”.[4] No entanto, passado o susto diante dessa assertiva pretenciosa, um economista questionador poderia perguntar: mas o gênero “capitalista” não englobaria o subgênero nuvenlista? O seu texto deixa essa e muitas outras dúvidas; algumas das quais aparecem aqui.[5]

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Uma nova era feudal?

Walden Bello [1] – Counterpunch – 13 de novembro de 2025

Investidura de um cavaleiro (miniatura dos estatutos da Ordem do Nó, fundada em 1352 por Luís I de Nápoles) – imagem de domínio público

Desde que a Internet nasceu na década de 1990, e com ela as “big techs”, temos a sensação de que entramos numa nova era em termos de economia política global. Muitos tentaram apontar em que consiste essa transformação. Talvez aquela mais famosa entre esses pensadores críticos seja Shoshana Zuboff. Essa autora, como se sabe, afirmou num longo livro que estamos vivendo numa era de “capitalismo de vigilância”.

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Qual é o problema: a dívida pública ou a dívida privada?

Steve Keen – Blog do Substack – 19 de outubro de 2025

No texto que se segue, Steve Keen mostra porque a dívida privada é o verdadeiro problema econômico nas economias capitalistas e como se pode encontrar uma solução para ela – utópica certamente e, portanto, irrealizável em princípio.

O verdadeiro problema

Nem um dia – apenas, talvez, um segundo – passa sem que apareça algum sábio advertindo sobre os perigos da enorme dívida do governo americano. Por outro lado, mal se ouve qualquer menção ao tamanho da dívida privada. Isso ocorre porque a dívida do governo é muito maior do que a dívida privada; certo?

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Sohn-Rethel: a mercadoria e a ciência moderna

Autor: Eleutério F. S.Prado[1]

Da síntese social

Sohn-Rethel – que se definia como marxista crítico – em seu Trabalho manual e intelectual: para a crítica da epistemologia ocidental (1978), agora traduzido para o português (2024), sustenta uma tese audaciosa. “O trabalho manual se ocupa das coisas, das quais a razão teórica considera apenas o ‘fenômeno’” (Sohn-Rethel, 2024. p. 41). A partir desse problema, ele busca descobrir a origem social e histórica do modo de pensar a natureza e a sociedade que se vale fortemente da linguagem da matemática. E ele a encontra, na contracorrente das idéias dominantes, nas abstrações inerentes à forma mercadoria.

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A fenomenologia de Tran Duc Thao

Título original: A origem e a gênese da consciência pura: o conteúdo real da fenomenologia por meio do materialismo dialético de Tran Duc Thao.[1]

Jérôme Melançon – Universidade de Regina, Canadá

Resumo

A leitura de Husserl por Tran Duc Thao visa desembaraçar a noção de consciência pura para redescobrir a realidade da vida humana. O marxismo, portanto, permitiu que Thao fosse além da fenomenologia para alcançar os objetivos do próprio marxismo. A partir do que ele retém do idealismo transcendental de Husserl, Thao desenvolve um materialismo dialético no qual a subjetividade é o movimento da própria tomada de autoconsciência da natureza.

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