A bolha asiática de IA estourou

Michael Roberts – The next recession blog – 29/10/2026

Parece que a bolha asiática de IA estourou. Tudo começou na Coreia do Sul, com o índice de ações KOSPI despencando mais de 8% em 15 de outubro. Isso só contribuiu para uma grande queda no índice coreano de 41% desde o pico do boom de investimentos em IA coreano em junho passado. Os preços das ações das duas grandes empresas de tecnologia coreanas, SK Hynix e a mega Samsung Electronics, caíram mais de 10% nesse mesmo dia.

Agora, o estouro da bolha se espalhou para a China. O índice de ações STAR50, que acompanha as principais empresas de IA e chips, caiu 40% desde sua máxima de julho, enquanto o CSI 300 mais amplo entrou em território de baixa após uma queda de 20% em relação a junho. Quando colocado junto com a queda de sete dias de Seul, no valor de 900 bilhões de dólares, em 15 de outubro, quase 1,4 trilhão de dólares em ‘capital fictício’ foi vaporizado por toda a cadeia de suprimentos de hardware do Leste Asiático só em outubro.

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A crise do poder de compra na França

Michael Roberts – The next recession blog – 23/10/2026

Os recentes protestos das escolas secundárias e dos estudantes na França têm um objetivo simples: obter mais recursos para a educação. A crise educacional na França é marcada por graves escassez de professores, deterioração dos resultados dos alunos e enormes déficits de financiamento que vão desde as escolas primárias até as universidades públicas. A educação pública na França está entre as mais desiguais do mundo desenvolvido: as escolas em áreas mais pobres são tão carentes de recursos que o sistema educacional está consolidando os níveis de desigualdade pré-existentes. Estudantes em bairros mais pobres são desproporcionalmente afetados pela falta de funcionários.

Estudantes franceses sofreram uma queda catastrófica e sem precedentes de 20% no orçamento educacional por estudante desde 2017. Eis o que disse o economista de esquerda francês Thoman Piketty:

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A estagnação da economia argentina

Eleutério F. S. Prado [1]

O informe que aqui se apresenta sobre a evolução recente da economia argentina é uma tradução do Informe de conjuntura macroeconômica nº 18 do CONICET/UBA [2], elaborado por Joaquin Waldman e sua equipe. Ei-lo:

A economia [argentina] teve um julho para esquecer: o Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE) do INDEC despencou 2,9% nesse mês., uma queda de magnitude não vista desde a pandemia. Como essa estimativa é muito sensível ao surgimento de novos dados, ela pode mudar em publicações futuras. No entanto, assumindo que esse valor vai ser confirmado, tem-se um resultado trágico; como mostra o gráfico em sequência, a queda se mostra como uma das piores da histórica recente. Apenas 1% dos dados recolhidos no passado foi menor; ele é, na verdade, o sextpo pior dos 270 meses disponíveis (veja o Gráfico 1).

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A ascensão da ultradireita na América Latina

Ela governa quase toda a região. Mas, quando se volta a falar em soberania, propõe um neoliberalismo mofado e recolonial. Espera em vão por capital externo. Não mobiliza esperanças, mas rancor. É individualista, não solidária; o seu desejo político é se ajoelhar ao imperialismo americano decadente.  

Álvaro García Linera [1] [2]

Uma onda reacionária varre a América Latina. Com exceção do México e Brasil (as duas maiores potências da região), Uruguai e Guatemala, os demais países (Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador, Paraguai, El Salvador, Honduras, Panamá etc.) elegeram governos autoritários de extrema-direita. Isso ocorreu no segundo turno das eleições, por uma margem estreita, mas esses governos estão no poder e expressam um sentimento de ressentimento e agressividade política anti-igualitária, forte em parcelas da população.

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Uma estória crítica da teoria econômica

James K. Galbraith [1] – Project Syndicate – 2 de setembro de 2026 

Um novo livro conta a história da disciplina econômica e seu propósito original com um grau de energia e imaginação que envergonha economistas tradicionais e monótonos. No processo, ele aborda verdades fundamentais que grandes escolas dentro da disciplina conseguiram obscurecer.

A legitimidade da economia como disciplina acadêmica e ferramenta de formulação de políticas tem sido atacada de forma contínua pelo menos desde a crise financeira de 2008. Mas poucas críticas buscam lidar com as origens da disciplina e o propósito por trás dela. Agora, Antara Haldar[2], estudiosa de estudos jurídicos da Universidade de Cambridge, chamou atenção para ambas as questões em um novo livro, Everyman: The Untold Story of Economics.

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Acumulação de capital por evasão fiscal

Michael Tyrala – 23.04.2020

Uma análise do sistema mundial de evasão fiscal

[N. T.: Apresenta-se abaixo a tradução dos primeiros slides de uma longa apresentação da evasão fiscal no mundo como um todo do autor acima mencionado. Os resultados são assustadores. O conjunto dos slides encontra-se abaixo e está em inglês.]

O que é evasão fiscal offshore

Trata-se de um termo guarda-chuva para evasão fiscal e evasão fiscal usando estruturas offshore. Tal evasão envolve uma demanda e uma oferta:

Demanda: indivíduos de alto patrimônio líquido (sigla em inglês: HNWIs) e empresas multinacionais (sigla em inglês: MNEs).

Oferta: paraísos fiscais (também conhecidos como jurisdições de sigilo) e vários intermediários, principalmente dos setores contábil, jurídico, bancário e setores financeiros.

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A Suécia não é mais uma socialdemocracia

Michael Roberts – The next recession blog – 13/09/2026

A Suécia vai às urnas hoje em uma eleição geral extremamente acirrada que pode ver a extrema-direita entrar no governo pela primeira vez, caso os partidos de direita do país formem maioria. No entanto, pesquisas de opinião mostram a aliança de oposição centro-esquerda à frente, com Magdalena Andersson, dos Social-Democratas, a favorita para se tornar primeira-ministra novamente após quatro anos na oposição. Mas a vantagem de seu bloco diminuiu consideravelmente nos últimos dias da campanha.

Em 2022, o atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, líder dos moderados de centro-direita, quebrou um tabu antigo ao fazer um acordo com os Democratas da Suécia (SD), anti-imigrantes, para que sua coalizão minoritária pudesse formar um governo. Esse acordo deu ao SD influência desproporcional sobre a política do governo, especialmente em relação ao crime e à imigração,

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Duas teses sobre o fascismo

Eleutério F. S. Prado [1]

Neste pequeno artigo pretende-se fazer uma comparação de duas teses que buscaram compreender o fascismo como fenômeno político inerente ao capitalismo, ambas de modo rigoroso. Das lavras de Vladimir Safatle e Ruy Fausto, cada uma delas o ilumina a seu modo. A do primeiro autor veio de algum modo do estruturalismo francês [2] e a do outro veio da dialética marxiana. A questão que move este escrito, no entanto, não se resume à aludida comparação, já que se orienta também por uma dúvida crucial: o extremismo de direita contemporâneo pode ser tomado como uma variante de fascismo?

Com esse objetivo se examina dois textos em particular: a Introdução do livro A ameaça interna [3], recém-publicado, do primeiro autor e o capítulo Sobre o Estado [4] do tomo segundo de Marx: lógica e política, saído no final do século passado, do segundo autor acima mencionado. Como a comparação se dá no campo metodológico, o exame se vale fortemente de um escrito de Ruy Fausto intitulado Dialética, estruturalismo, pré(pós)-estruturalismo[5], que se ousou apresentar didaticamente em Ruy Fausto: dialética e estruturalismo[6].

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Que diabos acontecem em Delaware?

Emily Topping [1] – Current Affairs – 25/06/2026

Mais de dois terços das empresas da Fortune 500 estão baseadas neste pequeno estado e o restante dos norte-americanos está tendo que conviver com as consequências.[2]

Nacionalmente, o modesto estado de Delaware não recebe muita atenção. Como o segundo menor estado dos Estados Unidos, tem aproximadamente 154 km de comprimento e, em seu ponto mais largo, apenas 56 km. Querendo, leva-se cerca de uma hora e meia para dirigir de um lado ao outro, presumivelmente para chegar a um lugar mais emocionante. O produto mais famoso de Delaware é Joe Biden, junto com algo chamado “scrapple”: um prato regional de café da manhã do meio-Atlântico que é tentadoramente descrito como um “pedaço de restos de porco coalhado com farinha de milho”. No entanto, o que falta ao estado em matéria cultural é compensado por coisas mais insidiosas.

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Neoimperadores: o gozo do poder

Oscar Ranzani [1]

O prestigiado psicanalista Jorge Alemán propõe uma hipótese desconfortável: não basta analisar instituições, programas ou variáveis econômicas para entender o presente. Também é necessário interrogar a conspiração libidinal que sustenta os novos poderes. Em seu livro mais recente, Neoimperadores, o gozo do poder (NED Ediciones), Alemán ensaia uma cartografia onde a psicanálise se cruza com a teoria política para refletir sobre a ascensão da ultradireita além dos lugares comuns.  

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