Ruy Fausto: “classe” trabalhadora

Eleutério F. S. Prado [1]

Às vezes se encontra a expressão “classe trabalhadora” em artigos e livros que tratam de questões sociais e/ou políticas. Ora, não é muito difícil mostrar que se trata de uma “noção” muito ampla. Pois, a condição de não-trabalhador(a) entre as pessoas ativas [2] é muito rara na sociedade atual. Veja-se que a condição de trabalhador(a) se afigura muito extensa já que inclui, por exemplo, as pessoas dedicadas aos serviços domésticos, militares e mesmo financistas. Não contribui, por isso mesmo, para compreender a estratificação social no modo de produção capitalista.

Karl Marx, como se sabe, após expor longamente as determinações do modo de produção capitalista, define a classe dos trabalhadores assalariados como uma das grandes classes do modo de produção capitalista. No capítulo 42 do Livro III de O capital [3], ele diz que essa classe inclui os proprietários de mera força de trabalho que, não tendo mais nada para vender, vendem-na por tempos determinados em troca de salário.  

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Ruy Fausto: sobre as três grandes classes (II)

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Há recebedores de salário que são capitalistas? Yonatan Berman e Branko Milanovic acham que sim, que existem e que são bem numerosos na sociedade contemporânea.[2] Esses autores pensam que essa condição social é tão importante que criaram um nome na língua de Aristóteles para denominá-la: homoploutia. Formado pela composição de dois termos, “homo” e “ploutia” (respectivamente, “igual” e “riqueza” em grego), designa gente que ganha muito dinheiro tanto com base no trabalho quanto com base na propriedade de riqueza capitalista previamente acumulada.

Aqui, no entanto, não se examinará o que eles pretenderam dizer a partir dessa inovação terminológica[3], pois, ao escrever assim esse primeiro parágrafo, deu-se um primeiro passo para introduzir, de forma impactante, um problema na compreensão das classes no interior da teoria marxiana. Sabendo que as grandes classes são definidas, em primeiro lugar, pela forma específica de apropriação de parte do valor criado na produção de mercadorias, como delimitá-las coerente e significativamente? Antes de começar a dar uma resposta para essa questão, veja-se mais uma vez como Karl Marx abre o último capítulo do Livro III de O capital:

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Economia da complexidade: uma revisão

Uma Nova Ciência com Raízes Históricas Profundas

Nick Johnson – 5/08/2026 – Blog do autor

Da mão invisível de Adam Smith à incerteza de Keynes e à causalidade cumulativa de Kaldor, esta postagem argumenta que a economia da complexidade não é uma ruptura radical com a história, mas o capítulo mais recente de uma longa e frequentemente negligenciada tradição intelectual.

A economia da complexidade é frequentemente apresentada como uma nova forma revolucionária de entender a economia. Em vez de enxergar os mercados como sistemas que naturalmente se estabilizam em equilíbrio, os economistas da complexidade veem as economias como redes em evolução de indivíduos, empresas, governos e instituições cujas interações geram continuamente inovação, instabilidade e mudanças estruturais. A economia, nessa visão, é menos uma máquina buscando equilíbrio e mais um ecossistema que está constantemente se adaptando.

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Ruy Fausto: sobre o Estado

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Sabe-se que o Estado, para Friedrich Engels, é uma fonte de poder situada acima da sociedade, que atua centralmente para atenuar o conflito entre as classes sociais. Para Vladimir Lenin, que o segue, o Estado é o produto do “antagonismo inconciliável das classes”.[2] Para Hegel, em contraposição, o Estado é a comunidade posta como tal, a corporificação da razão.[3] Todos têm por referência – e isso é bem óbvio – a época contemporânea. Mas, o que é o Estado para Marx?

Engels e Lenin derivam o Estado de um modo imediatamente político, ignorando as formas das relações sociais no capitalismo. Ademais, mesmo se eles se referem às relações sociais da sociedade civil, omitem o caráter comunitário do Estado. Como seria possível ir além deles de modo teoricamente rigoroso? Como o Estado pode aparecer como forma das relações sociais no modo de produção de capitalista? Derivando e apresentando o Estado – essa é a aposta de Ruy Fausto – a partir da lógica interna de O capital. No que segue, procurar-se-á apresentar respostas a essas questões com base em escrito seminal desse último autor.[4]

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A Economia está evoluindo?

Publica-se abaixo um artigo de Michael Roberts criticando a pretensão de ciência rigorosa que recebe o nome de Economia (Economics), a teoria econômica que toma o sistema econômico como se fosse uma segunda natureza e que, ao fim e ao cabo, defende os interesses dos donos do capital em geral. E que para melhor fazer isso, apresenta-se como um suposto saber técnico que se vale da Matemática e da Estatística para construir argumentos. A crítica dele é fraca por dois motivos: ele a) fia-se numa visão positivista de ciência; b) desconhece o método da teoria crítica. 

Não se trata apenas de dizer que a Economia é vulgar (Marx) porque analise apenas as relações aparentes entre fenômenos. Tambem não se trata de afirmar que a Economia se contenta em fazer sinopse de fatos (Horkheimer) porque é teoria tradicional. Trata-se de apontar que cria sistemas econômicos imaginários visando sustentar a própria cientificidade e se capacitar para intervir na política econômica com douta sabedoria.  De qualquer modo, Roberts expõe o alto grau de arrogância e alienação de alguém que deve ser economista. 

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Ruy Fausto: juízos de reflexão e do sujeito

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Em nota anterior[2], mostrou-se que a apresentação dialética em sua versão marxiana consistia em um juízo existencial amplo sobre o modo de produção capitalista. Eis que busca apreendê-lo criticamente já que se trata de um sistema social complexo – intransparente – cuja natureza interna é desconhecida. Ao ser revelada, fica bem claro que, apesar de sua aparência, ela está em desacordo com valores universais da igualdade, liberdade etc.

 Para realizar essa tarefa, a teoria crítica original parte da forma elementar da riqueza capitalista, a saber, a mercadoria, e caminha passo a passo para reconstruir conceitualmente esse sistema até que ele apareça na forma de um “concreto pensado” em processo de devir. Nesse procedimento, alguns passos cruciais são dados por meio de juízos específicos que apreendem o ser social como tal; os juízos de constatação descobrem modos de ser imediatos e os juízos críticos vão da aparência à essência desvelando a realidade. Assim, a aparência imediata ou “dada” se torna aparência mediata, ou seja, expressão de uma essência que a contraria.

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Ruy Fausto: apresentação dialética

Eleutério F. S, Prado [1]

Introdução

Max Horkheimer, em seu Teoria tradicional e teoria crítica [2], afirma que existem conexões entre as formas de juízos e os períodos históricos. Em sequência, ele opõe o juízo categórico ao juízo hipotético. O juízo categórico, ou seja, aquele que afirma ou nega incondicionalmente uma pertinência (X é A; X é não-B), mostra-se adequado nas sociedades pré-capitalistas. Pois, como tal, alude a um mundo que não pode ser mudado pelo homem. O juízo hipotético (se X, então A; se X, então não-B), ao contrário, afigura-se adequado no capitalismo, pois faz referência a um mundo passível de transformação. Indica a condição necessária para que algo aconteça ou não aconteça, expressando assim uma causalidade eficiente.

Ora, a própria noção de teoria altera-se na sociedade moderna. Se, para os gregos, significava contemplação, observação ou visão desinteressada da ordem do universo, para os modernos, ela significa “uma sinopse de proposições” que descrevem fatos e relações factuais hipotéticas ou conjecturais que permitem atuar no mundo praticamente para transformá-lo.  Em sentido usual e dominante, o termo teoria se refere – indica Horkheimer – “ao saber acumulado de tal forma que permita ser utilizado na caracterização dos fatos tão minuciosamente quanto possível”. Ou seja, dá nome à acumulação de juízos hipotéticos que permanecem hipotéticos porque codificam a transformação possível do mundo.

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Duas teses sobre o fascismo

Eleutério F. S. Prado [1]

Neste pequeno artigo pretende-se fazer uma comparação de duas teses que buscaram compreender o fascismo como fenômeno político inerente ao capitalismo, ambas de modo rigoroso. Das lavras de Vladimir Safatle e Ruy Fausto, cada uma delas o ilumina a seu modo. A do primeiro autor veio de algum modo do estruturalismo francês [2] e a do outro veio da dialética marxiana. A questão que move este escrito, no entanto, não se resume à aludida comparação, já que se orienta também por uma dúvida crucial: o extremismo de direita contemporâneo pode ser tomado como uma variante de fascismo?

Com esse objetivo se examina dois textos em particular: a Introdução do livro A ameaça interna [3], recém-publicado, do primeiro autor e o capítulo Sobre o Estado [4] do tomo segundo de Marx: lógica e política, saído no final do século passado, do segundo autor acima mencionado. Como a comparação se dá no campo metodológico, o exame se vale fortemente de um escrito de Ruy Fausto intitulado Dialética, estruturalismo, pré(pós)-estruturalismo[5], que se ousou apresentar didaticamente em Ruy Fausto: dialética e estruturalismo[6].

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Ruy Fausto: produção capitalista sob circulação simples

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Faz-se um esforço aqui para apresentar didaticamente – e, portanto, de modo bem menos rico e, talvez, sem erro – a dialética do fundamento e da aparência que Ruy Fausto desenvolve no primeiro capítulo do livro A produção capitalista como circulação simples.[2] Como essa discussão tem por referência os três primeiros capítulos de O capital, para motivá-la, faz-se aqui, em sequência, uma citação famosa de John M. Keynes que se encontra no capítulo oitavo da Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.[3]

“O consumo — para repetir o óbvio — é o único fim e objetivo da atividade econômica. (…) A demanda agregada só pode ser derivada do consumo presente ou das reservas para o consumo futuro. (…) Não podemos, como sociedade, prover consumo futuro por meio de expedientes financeiros, mas apenas mediante a produção física corrente”.

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Ruy Fausto e a política marxista

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Aqui se pretende investigar como esse filósofo brasileiro, que deu uma contribuição exemplar para a compreensão da obra de Karl Marx, apresenta os fundamentos da política marxista e como ele faz a crítica do marxismo consagrado como tal.  

Mesmo se atravessa a sua obra como um todo, essa questão é tocada explicitamente na introdução ao livro Sentido da Dialética – Marx: lógica e política [2], publicado em 2015. Vale notar que essa é uma nova edição de um livro publicado em 1983 – 32 anos antes, portanto – sob o título Marx: lógica e política [3], o qual recebeu depois o complemento Investigações para uma reconstituição do sentido da dialética.

Essa inversão na formação do título – o original é substituído pela parte mais expressiva do subtítulo, transformando-se por sua vez em subtítulo –, é explicada pelo autor como advinda da necessidade de expressar melhor o objetivo central de sua obra. Este não seria comentar filosoficamente a obra de Karl Marx, mas compreender a dialética por meio dela: “ainda se ocupando centralmente do corpus marxiano” – diz –, “o objeto fundamental dos textos é entender o significado da dialética”.

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