Tecnologia e pós-capitalismo segundo Benanav

Réplica de Aaron Benanav a Evgeny Morozov. Fonte: Blog da Boitempo – 02/04/2026. Eis algumas traduções de partes do artigo original de Benanav: primeiro, segundo e terceiro. A crítica inicial de Morozov encontra-se neste artigo.

Aaron Benanav [1]

Duas revoluções tecnológicas distintas estão em curso, e elas competem pela nossa atenção e recursos limitados – bem como pela prioridade política. Qual caminho recebe investimento sustentado e qual permanece marginal moldará os futuros que as sociedades serão capazes de construir.

Por um lado, há a IA generativa, que alguns descrevem como uma tecnologia de propósito geral, semelhante à eletricidade ou à internet. Seus defensores afirmam que, ao automatizar tarefas no setor de serviços – onde o crescimento da produtividade há muito tempo está defasado – a IA pode tirar as economias avançadas da estagnação[2], ao mesmo tempo em que reorganiza os fundamentos culturais e até cognitivos da vida humana.

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As finanças são realmente parasitárias?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Desafiado com essa pergunta, é bem provável que o leitor deste artigo responda rapidamente com um “sim, as finanças são atividades parasitárias”; em linguagem mais rigorosa, ele está assim afirmando, sem pensar muito, que o capital de finanças parasita o capital industrial. Contudo, aqui vai se argumentar que essa questão é bem mais intrincada do que parece de início.

E que se pode – e até se deve – contestar esse difundido preconceito de uma perspectiva de esquerda. Para tanto se examina em sequência dois fundamentos possíveis dessa metáfora; ao apresentá-la na discussão pública – eis a questão crucial – o que se está criticando precisamente? Que princípio moral sustenta o uso extensivo dessa metáfora? Seguem-se duas respostas, uma depois da outra. Encaminha-se logo a primeira, ainda que de um modo inusitado.

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Semiocapitalismo: uma crítica

Eleutério F. S. Prado [1]

Nome anterior: teoria crítica ou devaneio crítico?

Do capitalismo ao semiocapitalismo

Começo com uma questão: o intrigante e desafiante livro “And, Phenomenology of the end[2] de Franco “Bifo” Beraldi vem a ser uma adição à crítica da economia política ou um deslizamento numa outra forma de crítica? Nesse folhoso, esse teórico das mídias e do movimento operaísta italiano busca compreender de novo inovador a transformação do capitalismo que veio a existir após a crise dos anos 1970, com o advento da financeirização e do neoliberalismo.

Segundo ele, nessa década e nas seguintes, o capitalismo deixa de ser industrial para se tornar pós-industrial, ou melhor, deixa de ser capitalismo para se tornar semiocapitalismo – caracterização esta que requer certamente explicação. Para alcançá-la, note-se de início como resume o seu projeto de pesquisa: “Quero investigar aqui” – diz – “a genealogia do semiocapitalismo, e particularmente do capitalismo financeirizado, do ponto de vista da sensibilidade linguística”. Sendo assim, pode-se ver de imediato que ele não pensa mais no interior da exposição dialética que constitui O capital, mas fora dela.

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Capitalismo, que capitalismo?

Eleutério F. S. Prado [1]

A questão da qualificação

Não faltam qualificativos para o capitalismo contemporâneo: pós-industrial (Alain Touraine), parasitário (Zygmunt Bauman), financeirizado (José Carlos de Souza Braga), pós-grande industrial (Ruy Fausto), cognitivo (Carlo Vercellone), 4.0 (Paulo Ghiraldelli), ecocida (Alain Bihr), superindustrial (Pierre Veltz) etc. etc. Aqui se examina o último citado e que veio à luz recentemente por meio do livro recém-publicado[2] de Fernando Haddad, professor no departamento de ciência política da FFLCH/USP.

Eis que causou algum espanto, talvez um choque: “Fernando Haddad” – protestou, por exemplo, Paulo Ghiraldelli –, para explicar o capitalismo atual, o chama estranhamente de “superindustrial”:

“É difícil ver o mundo corporativo de hoje, campo das empresas atuais, ser coberto pelo nome de “indústria”, menos ainda de “super indústria”. (…) Ao fazê-lo, ele “não conferiu importância para algo que as narrativas atuais sobre nossos últimos anos têm insistido, que é a hegemonia da lógica do capital financeiro.[3] Vivemos hoje sob a simbiose entre capitalismo de plataforma e capitalismo financeiro (…).”[4]

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A relação credor-devedor como base do capitalismo

Publica-se em sequência um texto do autor dos livros cujas capas aparecem na figura abaixo, não sem acrescentar, após o seu final, uma nota crítica para censurar a sua tentativa pós-moderna de desprezar a economia política e a sua crítica exemplar, que, aliás, ele parece  ignorar.

Autor: Maurizio Lazzarato [1]

A economia da dívida parece ter produzido uma grande mudança em nossas sociedades. Vamos analisar o significado dessa mudança baseando-nos no segundo ensaio de A genealogia da moral, [obra clássica de Friedrich Nietzsche].

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Formas sociais e políticas contemporâneas

Autor: Ruy Fausto [1]

No tomo III de Marx: lógica e política, Ruy Fausto faz uma apresentação das estruturas sociais contemporâneas que existem e podem existir, a partir da apresentação dialética dos modos de produção de Karl Marx. Aqui se faz um esforço de expor esse material didaticamente como um convite para que eventuais interessados busquem ler o original.

A primeira seção é preliminar. Ruy Fausto começa dizendo que o comunismo, diante dos eventos da história e do saber psicanalítico introduzido por Sigmund Freud, tornou-se uma utopia irrealizável. Na segunda seção, faz uma apresentação estruturalista  das formas sociais contemporâneas. Em sequência, na terceira seção, mostra como essas formas podem ser explicadas dialeticamente.

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Keynes e o “keynesianismo” militar

Robert Skidelsky – Blogue do autor no Substack – 23/01/2026

Neste post, chamo atenção para o uso indevido da teoria de Keynes para justificar o rearmamento, algo que denomino de “keynesianismo militarista”. Em outras postagem, chamei atenção para o perigo das guerras imaginárias, não apenas para justificar aumentos nos gastos militares, mas para conduzir guerras reais num processo de escalada. Denomino, por isso, a guerra imaginária contra a Rússia ou a China de cena paranoica.

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O pensamento crítico pode ser único?

Adalmir A. Marquetti [1], Alessandro Miebach [2] e Henrique Morrone [3]

O artigo do Prof. Fernando Nogueira da Costa, intitulado “Pós-keynesianos e Escola de Campinas versus mainstream ou Faria Lima”, é didático em diversos aspectos. Talvez, no esforço de organizar o debate de forma pedagógica, acabe por sugerir que o pensamento crítico brasileiro teria um endereço quase exclusivo: o Instituto de Economia da Unicamp. Em contrapartida, o mainstream apareceria simbolicamente sediado na Faria Lima. Pouco mais de cem quilômetros separariam, assim, os dois polos opostos do pensamento econômico nacional.

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Troca, dívida e sociedade

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Da troca à dívida; da dívida à troca

A nota que se segue é autodidática. Ela pretende tomar ciência e refletir um pouco sobre a constituição das sociedades humanas em geral. E foi suscitada pela leitura de uma tese que se encontra na obra O anti-Édipo [2] de Gilles Deleuze e Felix Guattari e que está exposta didaticamente no livro A vingança dos capatazes [3] de Rodrigo Guéron.

“Para Deleuze e Guattari – diz ele – a (…) dívida é o elemento decisivo para o surgimento de qualquer forma do que eles preferem chamar de “máquinas sociais”: [ela dá origem] às relações sociais, às sociedade propriamente ditas, e não apenas a capitalista”.

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Do Consenso de Washington ao de Londres?

Michael Roberts – The next recession blog – 16/01/2026

O Consenso de Washington consistia num conjunto de dez prescrições de política econômica, as quais, nas décadas de 1980 e 1990, eram consideradas como um pacote “padrão”. Recomendava reformas a serem implementadas nos países em desenvolvimento que passassem por crises, sob o controle do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, instituições multilaterais instaladas em Washington DC.

O termo Consenso de Washington foi cunhado, em 1989, pelo economista britânico John Williamson. Tornou-se depois uma base para políticas globais destinadas a promover “mercados livres”, tanto domésticos quanto globais, além de redução do papel do Estado por meio de privatizações e ‘desregulamentação’ dos mercados de trabalho e financeiros. O seu lema era “mantenha os gastos e déficits do governo baixos e deixe o mercado fazer seu trabalho”. Na prática, o Consenso de Washington era um conjunto de diretrizes econômicas que formava o núcleo do que depois viria a ser chamado de “neoliberalismo”.

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