A Suécia não é mais uma socialdemocracia

Michael Roberts – The next recession blog – 13/09/2026

A Suécia vai às urnas hoje em uma eleição geral extremamente acirrada que pode ver a extrema-direita entrar no governo pela primeira vez, caso os partidos de direita do país formem maioria. No entanto, pesquisas de opinião mostram a aliança de oposição centro-esquerda à frente, com Magdalena Andersson, dos Social-Democratas, a favorita para se tornar primeira-ministra novamente após quatro anos na oposição. Mas a vantagem de seu bloco diminuiu consideravelmente nos últimos dias da campanha.

Em 2022, o atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, líder dos moderados de centro-direita, quebrou um tabu antigo ao fazer um acordo com os Democratas da Suécia (SD), anti-imigrantes, para que sua coalizão minoritária pudesse formar um governo. Esse acordo deu ao SD influência desproporcional sobre a política do governo, especialmente em relação ao crime e à imigração,

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Ruy Fausto: “classe” trabalhadora

Eleutério F. S. Prado [1]

Às vezes se encontra a expressão “classe trabalhadora” em artigos e livros que tratam de questões sociais e/ou políticas. Ora, não é muito difícil mostrar que se trata de uma “noção” muito ampla. Pois, a condição de não-trabalhador(a) entre as pessoas ativas [2] é muito rara na sociedade atual. Veja-se que a condição de trabalhador(a) se afigura muito extensa já que inclui, por exemplo, as pessoas dedicadas aos serviços domésticos, militares e mesmo financistas. Não contribui, por isso mesmo, para compreender a estratificação social no modo de produção capitalista.

Karl Marx, como se sabe, após expor longamente as determinações do modo de produção capitalista, define a classe dos trabalhadores assalariados como uma das grandes classes do modo de produção capitalista. No capítulo 42 do Livro III de O capital [3], ele diz que essa classe inclui os proprietários de mera força de trabalho que, não tendo mais nada para vender, vendem-na por tempos determinados em troca de salário.  

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Ecosocialismo: novo rumo da esquerda

Antonin Horcica – Vento Sul [1] – 01/08/2026

Em um momento em que o mundo enfrenta crises ecológicas e sociais cada vez mais profundas, a busca por alternativas é mais urgente do que nunca. Nesse contexto, destaca-se o trabalho de Kohei Saito, professor da Universidade de Tóquio e autor de Marx no Antropoceno e Desacelerar: O Manifesto do Decrescimento. Saito foca nas dimensões ecológicas e ecossocialistas do pensamento de Marx e argumenta que contém ideias ecológicas que há muito foram negligenciadas ou mal compreendidas. Embora Marx não defendesse explicitamente o ecosocialismo, Saito observa que seu pensamento ecológico pode inspirar e apoiar movimentos e políticas ecossocialistas contemporâneas voltadas para enfrentar a injustiça social e ecológica.

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Economia da complexidade: uma revisão

Uma Nova Ciência com Raízes Históricas Profundas

Nick Johnson – 5/08/2026 – Blog do autor

Da mão invisível de Adam Smith à incerteza de Keynes e à causalidade cumulativa de Kaldor, esta postagem argumenta que a economia da complexidade não é uma ruptura radical com a história, mas o capítulo mais recente de uma longa e frequentemente negligenciada tradição intelectual.

A economia da complexidade é frequentemente apresentada como uma nova forma revolucionária de entender a economia. Em vez de enxergar os mercados como sistemas que naturalmente se estabilizam em equilíbrio, os economistas da complexidade veem as economias como redes em evolução de indivíduos, empresas, governos e instituições cujas interações geram continuamente inovação, instabilidade e mudanças estruturais. A economia, nessa visão, é menos uma máquina buscando equilíbrio e mais um ecossistema que está constantemente se adaptando.

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A indústria deixou de ser o motor do crescimento?

Dani Rodrik escreveu um artigo com o seguinte título: “Como me tornei um cético da indústria de transformação”. Nele, sustenta que “o modelo de crescimento liderado pela industrialização está vacilando”. E que “a melhor alternativa para as economias em desenvolvimento agora está em aumentar a produtividade em todos os serviços que absorvem mão de obra”. Ora, ele contraria assim uma famosa tese de Nicholas Kaldor segundo a qual “a indústria [de transformação] é o motor do crescimento”. Veja-se, pois, os seus argumentos, que são muito importantes se a sua tese estiver correta.

Dani Rodrik [1]Social Europe– 22 de julho de 2026

Em um recente encontro de acadêmicos e formuladores de políticas em Harvard, um participante me lembrou que eu havia publicado uma coluna há 15 anos sobre “The Manufacturing Imperative” [A indústria como imperativo]. Como o título sugere, o texto enfatizou a importância da industrialização para impulsionar o crescimento econômico, para criar bons empregos e para nutrir uma classe média na estrutura da sociedade. “Este é um dos meus artigos favoritos de todos os tempos”, disse o formulador de políticas africano ao público presente no encontro assinalado.

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Ruy Fausto: sobre o Estado

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Sabe-se que o Estado, para Friedrich Engels, é uma fonte de poder situada acima da sociedade, que atua centralmente para atenuar o conflito entre as classes sociais. Para Vladimir Lenin, que o segue, o Estado é o produto do “antagonismo inconciliável das classes”.[2] Para Hegel, em contraposição, o Estado é a comunidade posta como tal, a corporificação da razão.[3] Todos têm por referência – e isso é bem óbvio – a época contemporânea. Mas, o que é o Estado para Marx?

Engels e Lenin derivam o Estado de um modo imediatamente político, ignorando as formas das relações sociais no capitalismo. Ademais, mesmo se eles se referem às relações sociais da sociedade civil, omitem o caráter comunitário do Estado. Como seria possível ir além deles de modo teoricamente rigoroso? Como o Estado pode aparecer como forma das relações sociais no modo de produção de capitalista? Derivando e apresentando o Estado – essa é a aposta de Ruy Fausto – a partir da lógica interna de O capital. No que segue, procurar-se-á apresentar respostas a essas questões com base em escrito seminal desse último autor.[4]

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Esperando a quebradeira

Frédéric Lordon [1] – Sidecar – 09/07/2026

O que é uma bolha? É uma crença coletiva. O que é um estouro? É o colapso dessa crença. A IA deu origem a duas bolhas. Há uma bolha no mercado de ações – os dois players de maior destaque, OpenAI e Anthropic, devem lançar IPOs com capitalizações de mercado astronômicas em torno de 1 trilhão de dólares cada. Mas essa bolha é sustentada por uma bolha de crédito, a qual é ainda mais preocupante. As quedas do mercado de ações costumam ser mais espetaculares do que destrutivas – causando perdas no valor dos ativos – enquanto as bolhas de crédito, quando estouram, desencadeiam uma cascata de inadimplências em todo o sistema financeiro.

Tem-se, pois, duas bolhas geradas por uma crença coletiva forte o suficiente para sustentar uma mobilização de capital sem precedentes na história do capitalismo. Vamos admitir que os capitalistas americanos sabem uma coisa ou duas sobre como criar uma boa estória – ou seja, como gerar uma crença difusiva. Desta vez, eles não pouparam esforços, nos presenteando com as visões grandiosas. Em consequência, temos uma questão incomum e paradoxal: como convencer a humanidade dos terríveis e quase existenciais riscos do que está sendo difundido?

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A Economia está evoluindo?

Publica-se abaixo um artigo de Michael Roberts criticando a pretensão de ciência rigorosa que recebe o nome de Economia (Economics), a teoria econômica que toma o sistema econômico como se fosse uma segunda natureza e que, ao fim e ao cabo, defende os interesses dos donos do capital em geral. E que para melhor fazer isso, apresenta-se como um suposto saber técnico que se vale da Matemática e da Estatística para construir argumentos. A crítica dele é fraca por dois motivos: ele a) fia-se numa visão positivista de ciência; b) desconhece o método da teoria crítica. 

Não se trata apenas de dizer que a Economia é vulgar (Marx) porque analise apenas as relações aparentes entre fenômenos. Tambem não se trata de afirmar que a Economia se contenta em fazer sinopse de fatos (Horkheimer) porque é teoria tradicional. Trata-se de apontar que cria sistemas econômicos imaginários visando sustentar a própria cientificidade e se capacitar para intervir na política econômica com douta sabedoria.  De qualquer modo, Roberts expõe o alto grau de arrogância e alienação de alguém que deve ser economista. 

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Ruy Fausto: juízos de reflexão e do sujeito

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Em nota anterior[2], mostrou-se que a apresentação dialética em sua versão marxiana consistia em um juízo existencial amplo sobre o modo de produção capitalista. Eis que busca apreendê-lo criticamente já que se trata de um sistema social complexo – intransparente – cuja natureza interna é desconhecida. Ao ser revelada, fica bem claro que, apesar de sua aparência, ela está em desacordo com valores universais da igualdade, liberdade etc.

 Para realizar essa tarefa, a teoria crítica original parte da forma elementar da riqueza capitalista, a saber, a mercadoria, e caminha passo a passo para reconstruir conceitualmente esse sistema até que ele apareça na forma de um “concreto pensado” em processo de devir. Nesse procedimento, alguns passos cruciais são dados por meio de juízos específicos que apreendem o ser social como tal; os juízos de constatação descobrem modos de ser imediatos e os juízos críticos vão da aparência à essência desvelando a realidade. Assim, a aparência imediata ou “dada” se torna aparência mediata, ou seja, expressão de uma essência que a contraria.

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Ruy Fausto: apresentação dialética

Eleutério F. S, Prado [1]

Introdução

Max Horkheimer, em seu Teoria tradicional e teoria crítica [2], afirma que existem conexões entre as formas de juízos e os períodos históricos. Em sequência, ele opõe o juízo categórico ao juízo hipotético. O juízo categórico, ou seja, aquele que afirma ou nega incondicionalmente uma pertinência (X é A; X é não-B), mostra-se adequado nas sociedades pré-capitalistas. Pois, como tal, alude a um mundo que não pode ser mudado pelo homem. O juízo hipotético (se X, então A; se X, então não-B), ao contrário, afigura-se adequado no capitalismo, pois faz referência a um mundo passível de transformação. Indica a condição necessária para que algo aconteça ou não aconteça, expressando assim uma causalidade eficiente.

Ora, a própria noção de teoria altera-se na sociedade moderna. Se, para os gregos, significava contemplação, observação ou visão desinteressada da ordem do universo, para os modernos, ela significa “uma sinopse de proposições” que descrevem fatos e relações factuais hipotéticas ou conjecturais que permitem atuar no mundo praticamente para transformá-lo.  Em sentido usual e dominante, o termo teoria se refere – indica Horkheimer – “ao saber acumulado de tal forma que permita ser utilizado na caracterização dos fatos tão minuciosamente quanto possível”. Ou seja, dá nome à acumulação de juízos hipotéticos que permanecem hipotéticos porque codificam a transformação possível do mundo.

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