As finanças são realmente parasitárias?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Desafiado com essa pergunta, é bem provável que o leitor deste artigo responda rapidamente com um “sim, as finanças são atividades parasitárias”; em linguagem mais rigorosa, ele está assim afirmando, sem pensar muito, que o capital de finanças parasita o capital industrial. Contudo, aqui vai se argumentar que essa questão é bem mais intrincada do que parece de início.

E que se pode – e até se deve – contestar esse difundido preconceito de uma perspectiva de esquerda. Para tanto se examina em sequência dois fundamentos possíveis dessa metáfora; ao apresentá-la na discussão pública – eis a questão crucial – o que se está criticando precisamente? Que princípio moral sustenta o uso extensivo dessa metáfora? Seguem-se duas respostas, uma depois da outra. Encaminha-se logo a primeira, ainda que de um modo inusitado.

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