Por que as tarifas de Trump não abalaram o comércio mundial?

Richard Baldwin [1]

World map highlighting trade routes and tariffs between countries including US, China, Brazil, Germany, India, Japan, and Australia

Em 2025, os EUA lançaram o ataque tarifário mais agressivo que o mundo já viu. Não foi o protecionismo ingênuo da lei Smoot-Hawley. Foi algo com outra intenção. A intenção era punir todos os parceiros comerciais dos EUA. Era dar um suposto troco.

Trump explicou a sua política tarifária afirmando que a América “foi saqueada, pilhada, estuprada e saqueada por nações próximas e distantes, tanto amigas quanto inimigas.”

Mas algo estranho aconteceu. A história teve um reviravolta surpreendente à medida que guerra comercial mundial escalava em 2025. Estrangeiros não retaliaram com força – exceto a China; logo-logo trataremos melhor dessa história. Muitas economias estavam prestes a retaliar, mas depois o fizeram ou se o fizeram, logo=logo voltaram atrás.

Ora, isso se afigura como um quebra-cabeça que suscita uma pergunta crucial:

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Quem está vencendo a guerra comercial iniciada por Trump?

Ben Norton [1] – Blog do Substack – 02/11/2025

A economia dos EUA é vulnerável e muito mais dependente da China do que vice-versa. A prova disso é a trégua na guerra comercial de um ano que Donald Trump estabeleceu em sua reunião com o presidente Xi Jinping. Eis que Trump, como ficará demonstrado nessa postagem, está claramente perdendo a guerra comercial com a China

Trump realizou uma importante reunião com o presidente da China, Xi Jinping, na cidade sul-coreana de Busan, em 30 de outubro. Lá, eles chegaram a um novo acordo, que equivalia a uma trégua de um ano. O governo dos EUA concordou em suspender a maioria das medidas punitivas que havia imposto à China desde abril de 2025, essencialmente trazendo a situação de volta ao que era em janeiro, quando Trump assumiu o cargo para seu segundo mandato.

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O projeto de lei fical “grande e bonito” de Donald Trump

Autor: Michael Roberts[1] – The next recession blog – 25/05/2025

A Câmara dos Deputados, a câmara baixa do Congresso dos EUA, na qual o Partido Republicano tem uma pequena maioria, aprovou as propostas de orçamento do governo do presidente Donald Trump.  Trump o chama de “The big, beautiful bill”. 

Se aprovado, esse projeto estenderia os cortes abrangentes de impostos para os ricos – e especialmente para os mais ricos –, os quais foram aprovados em 2017, durante o primeiro mandato presidencial de Trump. O “belo projeto” de lei também faria grandes reduções no financiamento do seguro saúde (Medicaid), assim como no programa de ajuda alimentar (Food stamps), os quais visam suprir carências de indivíduos e famílias de baixa renda. E, claro, ele também propõe cortes nos subsídios fiscais para energia renovável (drill baby, drill, como costuma entoar).

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Efeitos macroeconômicos e redistributivos das políticas tarifárias de Trump

Autores: Simon Grothe [1] e Michalis Nikiforos [2]

Publicado originalmente pelo Institute for New Economic Thinking [3] – 5 de Maio de 2025

Lead: O resultado mais provável do segundo governo Trump é uma recessão e uma exacerbação das desigualdades, assim como uma maior degradação dos padrões de vida dos trabalhadores e da classe média americana.

As últimas semanas foram marcadas pelos anúncios de Donald Trump de tarifas mais altas em quase todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Essas tarifas foram justificadas sob uma agenda “America First”, que visa trazer empregos de manufatura de volta aos EUA e – de acordo com a ala populista da coalizão Trump – restaurar a posição da classe média americana.

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As tarifas de Trump vão causar apenas uma “pequena pertubação”?

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 03/05/2025

Falando ao Congresso dos EUA no dia 2 de fevereiro último, após 100 dias no cargo, o presidente Donald Trump afirmou que as novas tarifas sobre as importações dos maiores parceiros comerciais dos EUA causariam “uma pequena perturbação” que logo acabaria. Eis que – disse – “as tarifas vêm para tornar a América rica novamente e para tornar a América grande novamente. E isso já acontecendo e vai acontecer muito rapidamente.”

Na verdade, muito rapidamente. Em 1º de fevereiro, Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos importados do Canadá e do México pelos EUA e uma tarifa adicional de 10% sobre as importações chinesas, de tal modo que todos os três principais parceiros comerciais dos Estados Unidos passam agora a enfrentar barreiras significativamente maiores. As medidas provocaram uma resposta imediata de Pequim, que disse que cobraria uma tarifa de 10 a 15% sobre produtos agrícolas dos EUA, desde soja e carne bovina até milho e trigo a partir de 10 de março.

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