A termodinâmica do capital

Autor: Te Li [1]

Do código à matéria

Na primavera de 2023, a Microsoft anunciou um investimento bilionário na OpenAI, apresentando a parceria como um salto para uma civilização mais limpa, inteligente e eficiente. As imagens que acompanham tais anúncios são invariavelmente etéreas: redes neuronais luminosas, fluxos de dados sem peso e algoritmos a dançar num espaço digital sem atrito. A Inteligência Artificial (IA), no registo dominante de Silicon Valley e do seu ecossistema mediático, apresenta-se como a apoteose da desmaterialização — uma tecnologia tão refinada, tão puramente cognitiva, que finalmente escapou ao mundo sujo e entrópico das máquinas a vapor, das minas de carvão e das fábricas.

Este artigo defende que tais representações são ideológicas no sentido marxista preciso: invertem a realidade, apresentando como imaterial um processo que é profunda e consequentemente material. Estima-se que a formação do GPT-4 tenha consumido energia equivalente ao consumo anual de eletricidade de milhares de casas (1).

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A era da IA barata está acabando

Sophie Bandarkar [1]

Jacobin Brasil – Tradução Pedro Silva

Durante anos, as empresas de IA prometeram que seu produto se tornaria um serviço público democratizado e produtivo. Mas, à medida que o setor se volta para clientes corporativos e os custos financeiros e ambientais aumentam, a questão central é se os ganhos desiguais justificam o preço.

Quando a OpenAI lançou o ChatGPT no final de 2022, ele rapidamente quebrou recordes como o produto tecnológico de crescimento mais rápido da história. Fornecedores de modelos de IA, como OpenAI, Anthropic e Google, inicialmente usaram preços fixos artificialmente baixos para impulsionar a adoção de seus produtos e conquistar participação de mercado, confiando que poderiam queimar o capital dos investidores para gerar dependência e, em seguida, monetizar uma base de usuários cativa. Mas, em comparação com outras plataformas voltadas para o consumidor que seguiram essa estratégia desde os anos 2000, como Facebook, Uber ou Instagram, a IA generativa difere em dois aspectos cruciais.

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Ecosocialismo: novo rumo da esquerda

Antonin Horcica – Vento Sul [1] – 01/08/2026

Em um momento em que o mundo enfrenta crises ecológicas e sociais cada vez mais profundas, a busca por alternativas é mais urgente do que nunca. Nesse contexto, destaca-se o trabalho de Kohei Saito, professor da Universidade de Tóquio e autor de Marx no Antropoceno e Desacelerar: O Manifesto do Decrescimento. Saito foca nas dimensões ecológicas e ecossocialistas do pensamento de Marx e argumenta que contém ideias ecológicas que há muito foram negligenciadas ou mal compreendidas. Embora Marx não defendesse explicitamente o ecosocialismo, Saito observa que seu pensamento ecológico pode inspirar e apoiar movimentos e políticas ecossocialistas contemporâneas voltadas para enfrentar a injustiça social e ecológica.

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Ruy Fausto: sobre as três grandes classes (I)

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Como se sabe, já no prefácio de seus Princípios, David Ricardo apontou qual era para ele o problema central da central da economia política: “determinar as leis que regem a distribuição do produto total da terra entre as três classes, o proprietário da terra, o dono do capital necessário para seu cultivo e os trabalhadores cujos esforços são empregados no seu cultivo”. [2] Pode parecer curioso atualmente, mas ao seu tempo, começo do século XIX, a agricultura ainda era a principal atividade produtiva.

Karl Marx, distintamente só trata das classes no último capítulo do Livro III de O capital: “Os proprietários de mera força de trabalho, os proprietários de capital e os proprietários fundiários, que têm no salário, no lucro e na renda da terra suas respectivas fontes de rendimento, isto é, os assalariados, os capitalistas e os proprietários fundiários, formam as três grandes classes da sociedade moderna, fundada no modo de produção capitalista”.[3] Ao seu tempo, meados do século XIX, a indústria de transformação já desponta como a atividade produtiva mais significativa.

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Contra as vacinas, por quê?

Eleutério F. S. Prado [3]

Paul Krugman postou em seu blogue (12/08/26) um artigo sobre uma ação antivacina do governo Trump. Ele está traduzido abaixo. A sua questão é: “por que o MAGA quer que as crianças fiquem doentes e morram?”. Eis a resposta que dá: é preciso “seguir o dinheiro”. Em outras palavras, descubra qual o interesse econômico corrupto que essa posição atende para descobrir a sua causa. No entanto, aquele que assina este blogue acha essa resposta insuficiente.

De qualquer modo, a atitude negacionista se afigura claramente absurda para quem acredita na ciência. Como explicá-la, então? Para fazê-lo – crê-se – é preciso adentrar o ramo da psicanálise voltado para a compreensão dos fenômenos sociais. Vladimir Safatle, em A ameaça interna [1], oferece outra explicação, não incompatível com a de Krugman, que aqui se resume.

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Ruy Fausto: Dialética e estruturalismo

Eleutério F. S. Prado [1]

Uma questão difícil

Faz-se aqui um esforço para compreender e explicitar de um modo didático o miolo de um texto de Ruy Fausto que ele denominou por Dialética, estruturalismo, pré(pós)-estruturalismo[2], sem pretender, contudo, abarcá-lo por inteiro. A questão que aborda se apresenta assim: Karl Marx e Claude Lévi-Strauss compreendiam o social como realidade constituída material e linguisticamente; empregaram em suas obras analogias com a linguagem natural para apreender os fenômenos sociais; sendo assim, como apresentar a diferença entre os seus métodos? Eis como o problema se apresenta nas palavras desse autor:

“Qual a relação que existe entre as analogias com a linguagem que encontramos em Marx e o modelo linguístico que permeia as ciências do homem já antes do estruturalismo e que tem o seu desenvolvimento mais característico na antropologia estrutural?”

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Keynes, Minsky e a teoria econômica com incerteza

William H. Janeway [1] – Project Syndicate/Sin Permiso – 29/05/2026

Embora a concepção de Hyman Minsky sobre a teoria econômica de John Maynard Keynes tenha tido impacto mínimo no “mainstream” durante sua vida e mesmo nos anos seguintes, as suas ideias fundamentais permaneceram tão relevantes tal como sempre o foram. Ambos entendiam que a teoria econômica não pode ignorar o fato da incerteza.

[N.T.: É preciso ligar imediatamente a incerteza à própria natureza do capitalismo; como se sabe, o capitalismo é o sistema da relação de capital e, assim, do investimento baseado na lucratividade esperada, projetável a partir da lucratividade corrente, mas altamente incerta e, portanto, não projetável. Eis que a lucratividade futura, especialmente a mais distante, se mostra sempre nublada por um véu de ignorância. Assim, qualquer projeção ex-ante sobre a taxa de lucro futura pode e, na verdade, vai ser falsificada em alguma medida ex-post.]  

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Neoimperadores: o gozo do poder

Oscar Ranzani [1]

O prestigiado psicanalista Jorge Alemán propõe uma hipótese desconfortável: não basta analisar instituições, programas ou variáveis econômicas para entender o presente. Também é necessário interrogar a conspiração libidinal que sustenta os novos poderes. Em seu livro mais recente, Neoimperadores, o gozo do poder (NED Ediciones), Alemán ensaia uma cartografia onde a psicanálise se cruza com a teoria política para refletir sobre a ascensão da ultradireita além dos lugares comuns.  

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Trump encontra Xi Jinping em Pequim

Michael Roberts – The next recession blog – 13/05/2026

Trump versus Xi Jinpig

O presidente dos EUA, Donald Trump, viajou para a China para se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping. Será a primeira vez que um presidente dos EUA visita a China em quase uma década, sendo a última visita de Trump em 2017. As questões imediatas diante de ambos os líderes podem ser resumidas como: 1) a guerra comercial lançada por Trump; 2) a guerra contra o Irã iniciada por Trump e; 3) a tensão em torno de Taiwan, fomentada por Trump.

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Thatcher não salvou a economia britânica

Andrew Kersley [1] – Tradução Isabela Gesser, Jacobin Brasil.

As pessoas costumam dizer que a política de austeridade implantada por Margaret Thatcher foi “um remédio difícil de engolir”, mas acabou salvando a Grã-Bretanha da ruína. Na verdade, a evidência que temos hoje é que ela deixou a economia do Reino Unido mais fraca e desigual. Aqui estão os principais fatos e dados para desmontar o thatcherismo.

Em 28 de novembro de 1990, Margaret Thatcher passou por Downing Street pela última vez. Falando para uma multidão de jornalistas, ela descreveu como ela estava orgulhosa por ter deixado “o Reino Unido em um estado muito melhor do que quando ingressou no governo”. Como no mês retrasado marcou o 30º aniversário daquele dia, o debate sobre o legado de Thatcher voltou ao noticiário. Muitas de suas políticas foram discutidas até a morte, porém, uma área que permanece praticamente intocada é de seu legado econômico.

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