Ecosocialismo: novo rumo da esquerda

Antonin Horcica – Vento Sul [1] – 01/08/2026

Em um momento em que o mundo enfrenta crises ecológicas e sociais cada vez mais profundas, a busca por alternativas é mais urgente do que nunca. Nesse contexto, destaca-se o trabalho de Kohei Saito, professor da Universidade de Tóquio e autor de Marx no Antropoceno e Desacelerar: O Manifesto do Decrescimento. Saito foca nas dimensões ecológicas e ecossocialistas do pensamento de Marx e argumenta que contém ideias ecológicas que há muito foram negligenciadas ou mal compreendidas. Embora Marx não defendesse explicitamente o ecosocialismo, Saito observa que seu pensamento ecológico pode inspirar e apoiar movimentos e políticas ecossocialistas contemporâneas voltadas para enfrentar a injustiça social e ecológica.

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A entropia requer o decrescimento

Autor: Crelis Rammel[1]

Introdução

Uma fera voraz devora o equivalente a um monte Everest inteiro de recursos a cada 20 meses. Também acelera o seu metabolismo, pois vai reduzir esse prazo para apenas 10 meses nas próximas duas décadas.[2] Ao encher a barriga, a fera esgota seu ambiente e o sobrecarrega com resíduos, interrompendo os sistemas naturais de renovação de recursos e gestão de resíduos. Em última análise, aniquila seu próprio habitat. Refiro-me, naturalmente, ao capitalismo global.

Esse sistema exige acumulação contínua de capital e vacila quando se vê prejudicado nesse processo. A resposta típica à crise ecológica não consiste, portanto, em restringir o crescimento econômico, mas em depositar toda a esperança na eficiência, circularidade, desmaterialização, descarbonização e outras inovações verdes orientadas para o lucro dentro do capitalismo.

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