Esperando a quebradeira

Frédéric Lordon [1] – Sidecar – 09/07/2026

O que é uma bolha? É uma crença coletiva. O que é um estouro? É o colapso dessa crença. A IA deu origem a duas bolhas. Há uma bolha no mercado de ações – os dois players de maior destaque, OpenAI e Anthropic, devem lançar IPOs com capitalizações de mercado astronômicas em torno de 1 trilhão de dólares cada. Mas essa bolha é sustentada por uma bolha de crédito, a qual é ainda mais preocupante. As quedas do mercado de ações costumam ser mais espetaculares do que destrutivas – causando perdas no valor dos ativos – enquanto as bolhas de crédito, quando estouram, desencadeiam uma cascata de inadimplências em todo o sistema financeiro.

Tem-se, pois, duas bolhas geradas por uma crença coletiva forte o suficiente para sustentar uma mobilização de capital sem precedentes na história do capitalismo. Vamos admitir que os capitalistas americanos sabem uma coisa ou duas sobre como criar uma boa estória – ou seja, como gerar uma crença difusiva. Desta vez, eles não pouparam esforços, nos presenteando com as visões grandiosas. Em consequência, temos uma questão incomum e paradoxal: como convencer a humanidade dos terríveis e quase existenciais riscos do que está sendo difundido?

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O impacto da IA na sociedade

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 6/06/2024

Abordei já a questão do impacto da inteligência artificial (IA), assim como dos novos modelos inteligentes de aprendizagem, tais como o Copilot, o ChatGPT etc., nos empregos e na produtividade do trabalho.

A previsão padrão sobre os efeitos da IA veio dos economistas do Goldman Sachs, o principal banco de investimentos dos Estados Unidos.  Eles avaliaram que, se a tecnologia cumprisse sua promessa, ela traria um “abalo significativo” no mercado de trabalho, pois afetaria o equivalente a 300 milhões de trabalhadores em tempo integral nas principais economias, já que exporia à automação os seus empregos.

Advogados e pessoal administrativo estariam entre os que correm maior risco de serem demitidos (assim como, provavelmente, os economistas!). Eles calcularam que cerca de dois terços dos empregos nos EUA e na Europa são passíveis em algum grau de serem automatizados por meio de IA. Chegaram a tal conclusão com base em dados sobre as tarefas normalmente executadas em milhares de ocupações. 

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Inteligência artificial: bem público ou privado?

Michael Roberts – The next recession blog – 21/11/2023

O que fazer?

A demissão chocante de Sam Altman, o fundador da OpenAI, pelo próprio conselho da empresa que fora criada por ele, revela as contradições emergentes no desenvolvimento desse tipo de tecnologia. A crise atinge a ChatGPT, mas também outros empreendimentos de “inteligência artificial generativa”, os quais estão impulsionando a atual revolução no campo da inteligência artificial (IA).

Será que a IA e esses modelos de aprendizagem de idiomas (também chamados de LLM) trarão benefícios novos, maravilhosos, para as nossas vidas, reduzindo as horas de trabalho e elevando nosso conhecimento a novos patamares de esforço humano? Ou a IA generativa levará ao aumento do domínio da humanidade pelas máquinas, assim como a uma desigualdade ainda maior de riqueza e renda, à medida que os proprietários e controladores da IA se tornam “vencedores que levam tudo”, enquanto o resto da humanidade é “deixado para trás”?

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