A IA e o futuro do capitalismo

Branko Milanovic – 15/05/2026 – Blog Substack

Quais seriam os prováveis efeitos de uma introdução massiva de inteligência artificial na economia, do ponto de vista neoclássico e marxista? Curiosamente, essa pergunta, pelo que sei, não foi feita. [N. T. Será que é uma pergunta inteligente? Será preciso ler até o final.]

A princípio, as implicações para a teoria do valor do trabalho de Marx parecem contraditórias com os fatos ou nossas expectativas. IA implica a introdução de técnicas de produção extremamente intensivas em capital, ou, usando terminologia marxista, de processos com uma composição orgânica de capital muito alta. Em outras palavras, IA implica uma relação c/v muito alta. Essa é a razão entre o capital constante (c) e o capital variável, ou seja, aquele necessário para contratar força de trabalho (v).

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Quão severa é a desaceleração do crescimento da China?

Branko Milanovic – Blog do autor no Substack – 9/04/26

Há muitos artigos alarmistas sobre a desaceleração do crescimento da China (para ler um bom exemplar, abra-se o link aqui). A desaceleração é real. O crescimento anual médio da China nos últimos três anos foi ligeiramente inferior a 5% per capita. Dez anos atrás, a média de três anos era cerca de 7% per capita e alguns anos antes, a média de três anos chegava a 10% per capita.

Mas 5% de crescimento seria ruim? Quão ruim ele seria? Em 2024 (o último ano com taxas de crescimento detalhadas do banco de dados FMI/Banco Mundial), a taxa média de crescimento dos países como um todo não passou de 2%. Apenas um país em cada dez (ou seja, dez por cento dos países) teve taxas de crescimento acima de 4,7%. Assim, as taxas de crescimento chinesas, mesmo agora que se encontram em processo de desaceleração, ainda estão entre os mais altas do decil mais alto dentre todas as taxas anuais de crescimento de todos os países.

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Há trabalhadores que são capitalistas?!

Eleutério F. S. Prado [1]

Uma definição e um resultado

Sim, e não se trata do fato de que muito capitalistas trabalham… De qualquer forma que fique registrado logo de início que o termo “trabalhador” contém uma ambiguidade; talvez tenha sido por essa razão que Marx empregou o termo “proletário”.

Yonatan Berman e Branko Milanovic acham que sim, que tais trabalhadores existem e que são bem numerosos na sociedade contemporânea. Eles pensam que essa condição social é tão importante que um nome na língua de Aristóteles foi criado para denominá-la: homoploutia. Formada pela composição de dois termos, homo (igual) e ploutia (riqueza), essa palavrona chama a atenção. Com ela, querem designar gente que ganha muito dinheiro tanto com base no trabalho tanto com base na propriedade de riqueza capitalista acumulada ou em processo de acumulação.

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O neoliberalismo morreu?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

A questão é bem controversa. Segundo Nancy Fraser, o neoliberalismo não morreu; contudo, passou da fase progressista para uma fase reacionária (veja-se a nota Depois do neoliberalismo). Já para Branko Milanovic o mundo está entrando em uma nova era, mas o neoliberalismo não chegou ao fim. Segundo ele, os países ricos adotam agora uma política com dupla face:  abandonam a globalização neoliberal internacionalmente, mas continuam a promover um projeto neoliberal internamente (veja-se a nota O que vem depois da globalização?).

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O que vem depois da globalização?

Introdução IHU

O mundo está entrando em uma nova era. Os países ricos adotarão uma política dupla: abandonar a globalização neoliberal internacionalmente e promover um projeto neoliberal internamente

Depois de duas fases de globalização [1ª onda e 2ª + 3ª ondas no gráfico abaixo], “o mundo está entrando em uma nova era [indicada pela 2ª reversão no segundo gráfico em sequência] na qual os países ricos adotarão uma política dupla incomum: abandonar a globalização neoliberal internacionalmente e promover resolutamente um projeto neoliberal internamente”, afirma o economista Branko Milanovic.

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A economia neoclássica é incapaz de compreender a politica tarifária de Trump

O texto em sequência aponta para “a incapacidade da economia convencional de explicar a desigualdade doméstica e a competição internacional entre as nações” e, assim, a política tarifária de Trump. A perspectiva dessa crítica, contudo, não parecer ser a dos países subjugados. De qualquer modo, ela admite implicitamente que as relações entre países portam contradições, as quais se manifestam como interações que visam a cooperação e/ou o conflito.

Autor: Branko Milanovic

Blog do autor – 19 de maio de 2025 – Título original: Nothing (meaningful) to say.

Em um excelente artigo recente “Guerra e política internacional” (de acesso livre), John Mearsheimer apresenta uma versão sucinta da teoria realista das relações internacionais, aplicada ao mundo multipolar atual. Ele se concentra na existência inevitável da guerra devido à forma como o sistema internacional está estruturado: vem a ser uma anarquia em que nenhum país desfruta do monopólio do poder semelhante ao que o Estado tem na política interna; eis que nele não há  uma instância capaz de impor o cumprimento das regras.

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