XV Plano e o crescimento futuro da China

Michael Roberts – The next recession blog – 03/08/2026

O governo chinês está acabando de concluir suas “duas sessões” anuais ou “lianghui” como as chamam. As “duas sessões” referem-se a dois grandes encontros políticos: a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um comitê consultivo político; e o Congresso Nacional do Povo (CNP), o principal órgão legislativo da China. Essas não são, ostensivamente, reuniões do Partido Comunista (PCC), mas sim reuniões do Estado chinês.

A reunião consultiva é em grande parte simbólica; dela participam os líderes empresariais e locais de destaque para discutir temas previamente acordados. O centro real de poder é o CNP, que decide oficialmente a política econômica. Na realidade, apenas aprova o que a elite líder do PCC já decidira antecipadamente. Com cerca de dois terços de seus membros pertencendo ao Partido Comunista, o CNP nunca rejeitou um projeto de lei proposto pelo partido.

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A relação credor-devedor como base do capitalismo

Publica-se em sequência um texto do autor dos livros cujas capas aparecem na figura abaixo, não sem acrescentar, após o seu final, uma nota crítica para censurar a sua tentativa pós-moderna de desprezar a economia política e a sua crítica exemplar, que, aliás, ele parece  ignorar.

Autor: Maurizio Lazzarato [1]

A economia da dívida parece ter produzido uma grande mudança em nossas sociedades. Vamos analisar o significado dessa mudança baseando-nos no segundo ensaio de A genealogia da moral, [obra clássica de Friedrich Nietzsche].

A economia neoliberal se consolida como uma economia subjetiva, ou seja, uma economia que solicita e produz processos de subjetivação cujo modelo não está mais centrado, como na economia clássica, no comerciante e no produtor. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, o modelo exemplar se tornou o empreendedor (de si mesmo), conforme a definição de Foucault. Ele o descreveu com base em noções como mobilização, engajamento e ativação da subjetividade por meio das técnicas de gestão empresarial e de governo social. Diante da emergência de uma série de crises financeiras, é mais o “homem endividado” que parece incorporar a figura subjetiva do capitalismo moderno.

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A inflação real e o custo de vida

Corbin Trent – America’s Undoing

Titulo original: “It Works, If You Work It”; 23/11/2025

Para que a economia americana possa proporcionar uma vida boa para todos são necessárias reformas estruturais. Ela está muito ruim? Sim, bem ruim! [Mas já foi melhor: aquilo que foi chamado de “american way of life” parece ter existido, sim…, em meados do século passado.]

Desapontamento: de Obama à Trump

As eleições do início deste mês indicam para onde a coisa está indo. Os democratas varreram a Virgínia, Nova Jersey e Nova York. Pesquisas de boca de urna mostraram que 49% dos eleitores da Virgínia colocavam a economia como sua principal questão. Em Nova York, 56% disseram que era o custo de vida. Os eleitores de Nova Jersey focaram em impostos e, portanto, em economia.

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Formas sociais e políticas contemporâneas

Autor: Ruy Fausto [1]

No tomo III de Marx: lógica e política, Ruy Fausto faz uma apresentação das estruturas sociais contemporâneas que existem e podem existir, a partir da apresentação dialética dos modos de produção de Karl Marx. Aqui se faz um esforço de expor esse material didaticamente como um convite para que eventuais interessados busquem ler o original.

A primeira seção é preliminar. Ruy Fausto começa dizendo que o comunismo, diante dos eventos da história e do saber psicanalítico introduzido por Sigmund Freud, tornou-se uma utopia irrealizável. Na segunda seção, faz uma apresentação estruturalista  das formas sociais contemporâneas. Em sequência, na terceira seção, mostra como essas formas podem ser explicadas dialeticamente.

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Keynes e o “keynesianismo” militar

Robert Skidelsky – Blogue do autor no Substack – 23/01/2026

Neste post, chamo atenção para o uso indevido da teoria de Keynes para justificar o rearmamento, algo que denomino de “keynesianismo militarista”. Em outras postagem, chamei atenção para o perigo das guerras imaginárias, não apenas para justificar aumentos nos gastos militares, mas para conduzir guerras reais num processo de escalada. Denomino, por isso, a guerra imaginária contra a Rússia ou a China de cena paranoica.

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Troca, dívida e sociedade

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Da troca à dívida; da dívida à troca

A nota que se segue é autodidática. Ela pretende tomar ciência e refletir um pouco sobre a constituição das sociedades humanas em geral. E foi suscitada pela leitura de uma tese que se encontra na obra O anti-Édipo [2] de Gilles Deleuze e Felix Guattari e que está exposta didaticamente no livro A vingança dos capatazes [3] de Rodrigo Guéron.

“Para Deleuze e Guattari – diz ele – a (…) dívida é o elemento decisivo para o surgimento de qualquer forma do que eles preferem chamar de “máquinas sociais”: [ela dá origem] às relações sociais, às sociedade propriamente ditas, e não apenas a capitalista”.

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Neoliberalismo, niilismo e extrema-direita

O artigo que se apresenta em sequência pensa o niilismo como causa do extremismo de direita agora resurgente. No entanto, por niilismo deve se entender mais propriamente um diagnóstico – ideologicamente comprometido – do estado de espírito dos “sujeitos” na época moderna. Assim pensado, fica claro que ele requer impliciatamente uma reação contrária, ou seja, a posição de um estado de espírito pleno de valores heroicos que pode se condensar num extremismo de direita. Veja-se aqui uma analise mais completa da relação entre niilismo e capitalismo.

Damián Pachón Soto [1] – Fonte original: El Espectador – 25.11.2025

Resenha comentada do livro Ultraderechas (2025) do psicanalista e pensador argentino Jorge Alemán, um texto que esclarece o papel que o neofascismo desempenha dentro do niilismo contemporâneo, assim como a crise atua do regime neoliberal.

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A IA está aí; mas, e depois?

Autor: Cédric Durand – Sidecar – 15 de janeiro de 2026

O valor de mercado das ações de empresas associadas a IA aumentou dez vezes na última década. Como recentemente John Lanchester observou na London Review of Books, todas, exceto uma, das dez maiores empresas do mundo estão associadas ao valor futuro a ser proporcionado pela inteligência artificial. Todas, exceto uma, são americanas; juntas, elas têm um valor igual a mais da metade da economia dos EUA.

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Um futuro possível para o socialismo

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Quais conclusões devem ser tiradas da longa história do socialismo? Primeiro, a luta por uma ordem econômica governada por objetivos mais amplos do que apenas a busca pelo lucro, tão incansavelmente reimaginada de Thomas More à Étienne Cabet e à William Morris, só pode ser bem-sucedida se for capaz de compreender toda a complexidade das sociedades capitalistas contemporâneas. Karl Marx pensou tardiamente sobre esse problema, mas (…) não deu atenção suficiente aos problemas da transição para um sistema econômico pós-capitalista, especialmente no que diz respeito ao investimento.

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Para ir além do capitalismo

Autor: Aaron Benanav [1]

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Poucos discordariam de que existe, por trás da turbulência política atual, um profundo mal-estar econômico. As taxas de crescimento nas economias avançadas são baixas. Quando são impulsionadas por gastos públicos, os ganhos se concentram, desproporcionalmente, nas faixas de renda alta. Empresas oligopolistas ocupam o topo das cadeias globais de valor, mantendo direitos de propriedade sobre uma variada gama de produtos, ao mesmo tempo em que terceirizam os processos de produção para licitantes com menores custos já que estão forçados a competirem entre si.

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