A Venezuela e o petróleo “dele”

Michael Roberts – The next recession blog – 01/05/2026

Poucas horas após os ataques militares dos EUA à Venezuela e a captura de seu presidente, Nicolás Maduro, o presidente Trump proclamou que “grandes empresas petrolíferas americanas entrariam, gastariam bilhões de dólares, consertariam a infraestrutura gravemente quebrada e começariam a gerar dinheiro para o país.” 

Ora, Trump não escondeu que uma das principais razões para o ataque e sequestro de Maduro tinha como objetivo colocar os EUA no controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela, descritas por Trump como “nosso” petróleo.

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Senhores digitais ou titãs capitalistas?

Crítica da narrativa sobre o “tecnofeudalismo”

Arif Novianto [1] – 5 de maio de 2025

Nos últimos anos, a ascensão de monopólios que operam por meio de plataformas como Google, Amazon, Meta e Microsoft gerou um debate crescente entre estudiosos e intelectuais públicos. Muitos deles descrevem esses desenvolvimentos sob a ótica de um suposto retorno às estruturas de propriedade feudais.

Essa narrativa, frequentemente rotulada como tecnofeudalismo ou como feudalismo digital, sugere que o capitalismo contemporâneo, baseado em meios de produção digitais, não é mais movido principalmente pela exploração do trabalho, mas pela extração de rendas de aluguel por meio do controle de infraestruturas digitais (Varoufakis, 2021).

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Sohn-Rethel: a mercadoria e a ciência moderna

Autor: Eleutério F. S.Prado[1]

Da síntese social

Sohn-Rethel – que se definia como marxista crítico – em seu Trabalho manual e intelectual: para a crítica da epistemologia ocidental (1978), agora traduzido para o português (2024), sustenta uma tese audaciosa. “O trabalho manual se ocupa das coisas, das quais a razão teórica considera apenas o ‘fenômeno’” (Sohn-Rethel, 2024. p. 41). A partir desse problema, ele busca descobrir a origem social e histórica do modo de pensar a natureza e a sociedade que se vale fortemente da linguagem da matemática. E ele a encontra, na contracorrente das idéias dominantes, nas abstrações inerentes à forma mercadoria.

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A defesa da sociedade hierárquica

Autor: Matthew McManus [1] (Segunda Parte. A primeira parte está aqui)

Curiosamente, a direita política foi a segunda, não a primeira, doutrina importante a surgir na época moderna. Isso pode parecer estranho, já que os conservadores muitas vezes se consideram defensores de valores mais antigos e duradouros do que os liberais e, certamente também, do que os socialistas. E, de fato, a direita política geralmente se baseia em autores da antiguidade e o faz mais intensamente que que nos liberais ou socialistas, quer se trate de Aristóteles, Confúcio ou as inúmeras vertentes do quase-tomismo.

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Sobre as origens do dinheiro

Autor: Michael Hudson [1]Counterpunch – 7 de março de 2025

O final do século XIX viu uma linhagem de economistas, principalmente alemães e austríacos, criar uma mitologia sobre as origens do dinheiro, que ainda é repetida nos livros didáticos de hoje. Para eles, o dinheiro se originou apenas na forma de mais uma mercadoria que era trocada; o metal foi a mercadoria preferida porque não é perecível (e, portanto, é passível de ser guardado), pode ser padronizado (apesar da possibilidade de fraude se não for cunhado), podendo, ademais, ser facilmente divisível. Supõe-se, assim, que a prata foi usada em pequenas trocas de mercado, o que é irreal, dado o caráter grosseiro das balanças antigas, as quais era muito imprecisas para pesos de alguns gramas.[1]

Essa mitologia não reconhece que o governo possa ter desempenhado qualquer papel como inovador, patrocinador ou regulador monetário, ou ainda como entidade que dá valor ao dinheiro ao aceitá-lo como um veículo para pagar impostos, comprar serviços públicos ou fazer contribuições religiosas. Também é minimizada a função do dinheiro como padrão de valor para denominar e pagar dívidas.[2]

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Atingir zero líquido na emisão pode falhar

Autora: Jayati Ghosh [1] – Social Europe – 27 de janeiro de 2025

Atingir o zero líquido pode falhar. E não é porque as energias renováveis são muito caras. A energia solar e a energia eólica agora são mais baratas que os combustíveis fósseis, então por que o sistema global de energia não se tornou verde?

A comunidade internacional há muito reconhece a necessidade urgente de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mudar para energia renovável e, nos últimos anos, muitos governos se comprometeram a atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa, embora em prazos extremamente longos. Mas eles nunca chegarão lá enquanto tratarem a eletricidade, que é central para a transição para a energia limpa, como qualquer outro bem de mercado.

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Mudança no mercado de trabalho nos EUA em perspectiva histórica

Adam Tooze – Blog do autor – 27/01/2025

O declínio dos empregos no varejo. Mudança tecnológica no mercado de trabalho dos EUA por David Deming, Christopher Ong e Lawrence H. Summers

De 1970 até os primeiros anos da primeira década dos anos 2000, a produtividade do trabalho cresceu mais rapidamente na manufatura do que na economia em geral. Esse crescimento coincide quase exatamente com o período de rápido declínio do emprego no trabalho de colarinho azul mostrado na figura 1. O crescimento da produtividade na manufatura foi igual ou mais lento do que o crescimento econômico geral nas décadas de 1950 e 1960 e, mais recentemente, desde 2010.

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Economia excepcional

Autor: MichaelRoberts – The next recession blog – 14/01/2025

Na próxima semana, o presidente dos EUA, Joe Biden, termina seu mandato, para ser substituído pelo Donald. Biden teria sido extremamente popular entre os norte-americano e provavelmente teria concorrido e conseguido um segundo mandato como presidente, se o PIB real dos EUA tivesse aumentado 4,5-5,0% em 2024, e se durante todo o seu mandato desde o final de 2020, o PIB real tivesse subido 23%; e se o PIB per capita real tivesse aumentado 26% nesses quatro anos. E ele teria sido parabenizado se a taxa de mortalidade por Covid durante a pandemia de 2020-21 tivesse sido uma das mais baixas do mundo e a economia evitasse a queda pandêmica na produção.

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Mudou, mas ainda é capitalismo

Autor: Cédric Durand[1]

O teórico Fredric Jameson diz que “o mercado é… o Leviatã em pele de cordeiro”; “a sua função não consiste em encorajar e perpetuar a liberdade, mas sim em reprimi-la”. [2] A ideologia do mercado se sustenta numa aparência de liberdade, mas, na verdade, proíbe os seres humanos de tê-la, ou seja, que eles possam tomar coletiva e conscientemente o seu destino econômico nas próprias mãos, alegando que tal iniciativa só pode levar à tragédia. Segundo ela, nós temos a sorte de poder deixar as coisas para o Deus oculto da mão invisível, o mercado smithiano que transforma vícios privados em virtudes públicas e que, supostamente, transforma o choque de interesses em algo harmonioso?[3]

Esse mito leva a uma abdicação da liberdade de deliberar e, assim, do poder organizar o futuro. Implica também no abandono da possibilidade de rever os planos em conjunto conforme se desenrola o inesperado. Por meio do projeto neoliberal de livre mercado, as sociedades abandonam o domínio das coisas ao longo do tempo para confiar nos mecanismos impessoais das finanças.

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Política existêncial: Eros em Marcuse

Autor: Ian Angus [1]

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Vou discordar um pouco de Andrew Feenberg no escrito O conceito de Eros em Marcuse. Ele discorre sobre o uso que Marcuse fez de Freud para desenvolver um conceito de razão erótica. Fez, assim, uma excelente apresentação do projeto de Marcuse. Não se poderia esperar menos de Andrew, especialmente em assuntos marcuseanos.

Talvez eu possa começar sublinhando um aspecto revelador da tentativa de síntese entre Marx e Freud feita por Marcuse. A maioria das discussões sobre Freud feita pelos marxistas foi inspirada na tentativa de explicar o fracasso da classe trabalhadora em cumprir a tarefa revolucionária a ela atribuída, em especial diante do fascismo. Freud foi invocado como um suplemento, no sentido derridiano, para explicar a irracionalidade da atração da classe trabalhadora pelo fascismo. Tal suplemento poderia deixar intocado o conceito de razão operante no marxismo – e mesmo a dicotomia razão/irracional em geral.

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