A economia norte-americana com Joe Biden

Michael Roberts[1]

Eis o dia da inauguração. Há, pois, um novo presidente nos Estados Unidos, país este que tem a economia e o estado capitalista mais poderosos do mundo. O mandato de quatro anos de Joe Biden começou quando Donald Trump fugiu para sua propriedade e campo de golfe na Flórida. Mas antes de ir, ele disse: “o meu movimento está apenas começando”.

Qual é a situação dos Estados Unidos no momento em que Biden assume o cargo? A pandemia COVID-19 causou enormes danos às vidas e aos meios de subsistência de milhões de americanos. O seu impacto foi muito pior do que poderia ter sido por vários motivos. Primeiro, o governo dos Estados Unidos, assim como os outros governos, nada fez para se preparar para a pandemia COVID-19. 

Como outras postagens explicaram, os governos foram devidamente alertados de que patógenos perigosos para a vida humana – e para os quais não havia imunidade – estavam aparecendo. Outras pandemias antes do COVID-19 já haviam aparecido. Mas a maioria dos governos não gastou em prevenção (pesquisa de vacinas, por exemplo) ou em proteção (provisão de recursos robustos para a saúde e sistemas de teste e rastreamento). 

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Voltando ao normal?

A notícia do jornal Folha de S. Paulo, em 6/06/2020, menciona o surgimento de um surto de esperança sobre uma rápida retomada da economia global após a divulgação dos dados de emprego da economia norte-americana: “uma onda de otimismo levou o dólar para abaixo” em vários países do mundo. Ao mesmo tempo se observou que as bolsas entraram num processo de recuperação: “a mudança de perspectiva levou a bolsa de tecnologia, Nasdaq, em Nova York, a bater sua máxima histórica, com 9.845 pontos.

E esse efeito se espalhou no mundo, inclusive no país que mais se descuidou no combate ao novo coronavírus. Eis que, no caso do Brasil, os dois gráficos abaixo mostram que, efetivamente, o mercado de ações, que havia caído em março, recuperou boa parte do valor das cotações em junho. Ademais, o dólar que havia chegado a quase R$ 6,00 reais voltou a ficar abaixo de R$ 5,00, aliviando as pressões sobre o Bacen.

Agora, o que os analistas mais superficiais não percebem é que vem ocorrendo um descolamento cada vez maior entre o mundo das finanças e o mundo da criação de valor na esfera da produção de mercadorias. E que o comportamento especulativo decorrente, cada vez mais inquieto, nervoso, sôfrego, é apenas consequência do desespero do capital diante da possibilidade de que possa perder valor devido à superacumulação.

O artigo em anexo, colhido no blog The next recession, mantido por Michael Roberts, mostra bem que a economia mundial, em particular, a economia norte-americana, não vai voltar ao “normal” rapidamente como imaginam os torcedores do time do curto-prazo e das formas aparentes do capitalismo. Eis que a longa depressão iniciada em 1997 – e continuada desde então – não vai terminar tão cedo. E que, em consequência, a excitação observada é apenas mais uma masturbação do capitalismo contemporâneo que sonha com os seus anos dourados, mas tem de se contentar com a solidão dos introvertidos.

Eis o texto de Michael Roberts: Voltando ao normal?