A capacidade de resistência do dólar

Autor: Ho-fung Hung [1] – Fonte: Sidecar – 05 de junho de 2026

Toda vez que a economia global mergulha em turbulência, emergem discussões sobre o fim iminente da hegemonia do dólar. Em março de 1978 – após o colapso do sistema de Bretton Woods e em meio à estagflação nos Estados Unidos – o New York Times publicou um artigo de opinião do economista soviético Stanislav M. Menshikov, Um Olhar Marxista sobre a Crise do Dólar.

Acompanhado por um cartoon de um urso em uniforme do Exército Vermelho examinando uma nota de dólar com uma lupa, o artigo proclamava que as contradições e crises do capitalismo monopolista dos EUA estavam acabando com a dominação global do dólar, e que grandes economias haviam começado a se mover para ouro e moedas mais seguras como reservas de valor.

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Ruy Fausto: produção capitalista sob circulação simples

Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Faz-se um esforço aqui para apresentar didaticamente – e, portanto, de modo bem menos rico e, talvez, sem erro – a dialética do fundamento e da aparência que Ruy Fausto desenvolve no primeiro capítulo do livro A produção capitalista como circulação simples.[2] Como essa discussão tem por referência os três primeiros capítulos de O capital, para motivá-la, faz-se aqui, em sequência, uma citação famosa de John M. Keynes que se encontra no capítulo oitavo da Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.[3]

“O consumo — para repetir o óbvio — é o único fim e objetivo da atividade econômica. (…) A demanda agregada só pode ser derivada do consumo presente ou das reservas para o consumo futuro. (…) Não podemos, como sociedade, prover consumo futuro por meio de expedientes financeiros, mas apenas mediante a produção física corrente”.

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O capitalismo pode ser político?

Eleutério F. S. Prado [1]

A tese de Dylan Riley

O capitalismo não é um modo de produção sossegado; ao contrário, passou por grandes mudanças em seu turbulento curso histórico, que pode ser contado, aliás, em décadas, séculos, mas não em milênios. A sua mudança mais recente tem sido caracterizada estranhamente – até mesmo – como rentista, neofeudal, tecnofeudal ou “ponto zero”.

 Adicionando mais um pouco de confusão, Dylan Riley, examinando o caso dos Estados Unidos sob Donald Trump, afirmou recentemente que o capitalismo agora se tornou político. Eis sinteticamente a sua justificativa para adotar essa qualificação: “A forma de capitalismo em que vivemos atualmente é aquela em que a extração de riqueza depende cada vez menos do poder de mercado e mais de manobras políticas.”[2] Será? Uma faticidade escandalosa, que chama a atenção e que revolta, não o teria enganado?

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Não é neofeudalismo, mas capitalismo político

O blogue publicou um artigo de Stphen Maher criticando Dylan Riley, Aqui vai a sua resposta. Note-se, porém, que o termo “capitalismo” denota o sistema da relação social – contraditória – de capital. Note-se, por isso mesmo, que o capitalismo desde sempre dependeu do Estado para existir. Nesse sentido, ele nunca foi não-político, Ademais, nele sempre existiu o uso do poder político, assim como de outros poderes, para extrair renda. Contudo, o termo “capitalismo político” consiste num oxímoro já que nega aquilo que o capitalismo é em essência, ou seja, um sistema se alevanta sobre “relações sociais de coisas”.

Autor:  Dylan Riley [1]

A forma de capitalismo em que vivemos atualmente é aquela em que a extração de riqueza depende cada vez menos do poder de mercado e mais de manobras políticas.

Segundo a minuciosa reportagem de David Kirkpatrick na revista The New Yorker, Donald Trump e sua família teriam acumulado US$ 4 bilhões desde o início de seu mandato por meio de uma vertiginosa gama de esquemas, a maioria dos quais parece ter sido concebida para inflar o valor de seus ativos (criptomoedas, clubes de golfe, hotéis etc.).

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Não é neofeudalismo, mas hipercapitalismo

Stephen Maher [1] – Sin Permiso [2] – 22/05/2026

As gigantes da tecnologia no topo da economia moderna não inventaram um novo modo de produção: são simplesmente empresas capitalistas no sentido clássico, ou seja, que exploraram os seus trabalhadores.

Um dos dogmas mais persistentes da esquerda atualmente é a ideia de que o investimento produtivo está dando lugar à especulação improdutiva, levando ao “esvaziamento” da economia industrial e ao declínio do capitalismo. Afinal, parece óbvio que os capitalistas preferem antes ganhar dinheiro rápido do que entrar no árduo e arriscado processo de produzir realmente algo sob a forma de mercadoria. Em consequência, a tese do neofeudalismo entrou em voga.

Esses argumentos geralmente focam o suposto papel parasitário das finanças e do “capital fictício”.

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Queda do domínio do dólar

Sem dívida conjunta em grande escala e mercados de ativos seguros, além de mais profundos, o euro não será capaz de capitalizar o ataque de Trump à credibilidade do dólar. [O gráfico abaixo mostra a evolução das reservas internacionais globais. Se o ouro dominou na maior parte do período, a partir de 1980 o dólar ganhou cada vez mais espaço; contudo começou a perder esse espaço no fim do período. Note-se que a posição do euro está em azul e do rebimbe em cinza.]

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Piketty e o problema econômico do mundo

Michael Roberts – The next recession blog – 09/06/2026

No último fim de semana, o World Inequality Lab (WIL) promoveu a sua terceira edição da Conferência mundial sobre desigualdade (World Inequality Conference – 2026), realizada na Escola parisiense de Economia (Paris School of Economics).

Esse laboratório hospeda e mantém um banco de dados mundiais sobre desigualdade (World Inequality Database) de acesso aberto. Provavelmente os mais famosos membros da equipe desse laboratório sejam os seus diretores Thomas Pikkety e Gabriel Zucman, sendo o primeiro muito conhecido devido a sua obra-prima Capital no século XXI , assim como em razão dos livros subsequentes.

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Ruy Fausto e a política marxista

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Aqui se pretende investigar como esse filósofo brasileiro, que deu uma contribuição exemplar para a compreensão da obra de Karl Marx, apresenta os fundamentos da política marxista e como ele faz a crítica do marxismo consagrado como tal.  

Mesmo se atravessa a sua obra como um todo, essa questão é tocada explicitamente na introdução ao livro Sentido da Dialética – Marx: lógica e política [2], publicado em 2015. Vale notar que essa é uma nova edição de um livro publicado em 1983 – 32 anos antes, portanto – sob o título Marx: lógica e política [3], o qual recebeu depois o complemento Investigações para uma reconstituição do sentido da dialética.

Essa inversão na formação do título – o original é substituído pela parte mais expressiva do subtítulo, transformando-se por sua vez em subtítulo –, é explicada pelo autor como advinda da necessidade de expressar melhor o objetivo central de sua obra. Este não seria comentar filosoficamente a obra de Karl Marx, mas compreender a dialética por meio dela: “ainda se ocupando centralmente do corpus marxiano” – diz –, “o objeto fundamental dos textos é entender o significado da dialética”.

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IA: o único grande negócio em andamento

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 6/06/2026

O Goldman Sachs, o megabanco de investimento, acredita que a “IA é o único grande negócio dos EUA”. E a bolha de investimentos em IA está ficando a cada mês maior. Na última semana, a fabricante de modelos de IA, Anthropic, anunciou que estava emitindo ações para potenciais investidores por meio do que é chamado, no jargão do mercado de ações, de “oferta pública inicial” (initial public offer ou IPO).  A Anthropic tem a pretensão de acompanhar a IPO planejada pela Space X de Elon Musk, que chegará ao enorme montante de US$ 1,8 trilhão.  Isso equivale a 92 vezes a receita anual da SpaceX obtida no mercado.

A Alphabet, controladora do Google, também planeja levantar US$ 85 bilhões em financiamento por meio de ações — essa será a sua primeira oferta de ações ao mercado em mais de duas décadas. Juntos, esses três grandes IPOs podem alcançar uma avaliação conjunta de cerca de US$ 4 trilhões. Isso equivale a um terço de todo o valor das IPOs emitidas nos nos EUA desde 1980 (em valores ajustados pela inflação)! Ora, as empresas SpaceX, OpenAI e Anthropic estão atualmente gerando prejuízos; por outro lado, o potencial de venda dos serviços dos modelos de IA – mormente o da fantástica corrida da SpaceX para Marte –, permanece desconhecido.

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As consequências econômicas da guerra no Irã

O choque de Hormuz está novamente levantando o espectro da inflação. O que os bancos centrais trarão em resposta para as economias da América Latina?

Fernando Rugitsky – Fenomenal World – 15/05/2026

Quem ganha com a guerra?

À medida que as negociações e um chamado cessar-fogo frágil colocam a guerra contra o Irã em um padrão de destruição e miséria, pode parecer equivocado focar nos efeitos econômicos para sociedades distantes do conflito. Mas as perspectivas de interromper uma escalada adicional podem depender dos interesses afetados pelo crescente raio de devastação econômica — incluindo as classes dominantes no núcleo capitalista.

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