Taxa de lucro e financeirização

Na bibliografia marxista que interpreta a Crise de 2008 – assim como a Grande Depressão que adveio depois dela – é comum aparecer oposição entre explicação que privilegia a queda tendencial da taxa de lucro e explicação que privilegia a financeirização.

Entretanto, como enfatizou recentemente Alan Freeman, não se pode compreender bem a teoria da crise proposta por Marx quando se faz abstração do papel do dinheiro e das finanças. Ao contrário, se este é o objetivo, deve-se integrar essas duas componentes na compreensão em geral processo de acumulação de capital. Pois, é no evolver da taxa de lucro e do capital à juros que a crise acontece.

Como o dinheiro é a forma por excelência do capital, a esfera do capital de finanças em que o valor circula sob formas diversas não pode deixar de estar profundamente imbricada na esfera do capital industrial em que se produz o valor. E elas interagem no boom e na crise, na prosperidade, na recessão e quando uma se interverte na outra.

Traz-se aqui, por meio deste post, um texto em que essa imbricação é mostrada teórica e empiricamente. Trata-se do excelente artigo de Lucas Rodrigues e de Marcelo Milan que está sendo publicado na lista dos artigos aceitos para o próximo ENEP (Niterói, 12-15 de junho, na UFF). Neste artigo, estes dois autores examinam o comportamento da taxa de lucro na economia dos EUA, entre 1960 e 2014, mostrando o impacto que recebeu do processo de financeirização a partir de meados dos anos 1970.

O artigo se encontra aqui: Financeirização e mensuração da taxa de lucro nos EUA.

Bitcoin e outros falsos

O dinheiro digital, tal como bitcoin, é mesmo dinheiro? Se a pergunta é mantida nesse nível de generalidade, sem qualquer referência histórica, advirá dela uma reposta necessariamente errada. A pergunta certa que demanda uma resposta historicamente adequada é a seguinte: o bitcoin é dinheiro no capitalismo? Claus Peter Orlieb, um dos críticos do valor que escreve na revista Exit, dá uma resposta bem interessante para essa pergunta inesperada. Pois, ela desafia o senso comum das pessoas comuns e dos economistas vulgares do sistema tal como ele aí está.

Segundo ele, o bitcoin é uma espécie de dinheiro falso que não mais se disfarça numa aparência de dinheiro verdadeiro. Eis que, segundo ele, o próprio dinheiro fiduciário que circula agora nas economias capitalistas em geral, é também dinheiro falso (o autor desta introdução usaria o termo fictício). É, sim, falso, com uma diferença em relação ao que figura como dinheiro digital: por receber a chancela do Estado, ele se encontra devidamente disfarçado como dinheiro real. A partir dessa compreensão, ele tira também uma conclusão inusitada…

Eis que, para ele, o dinheiro-papel, que deixou de ser signo do ouro, não é um desenvolvimento “normal” ou “mais verdadeiro” do dinheiro, mas, ao contrário, uma forma histórica verdadeiramente irracional.

 Ver aqui: Do dinheiro digital e outros falsos

O mau humor do “mercado”

Taxa de exploração no Brasil - 1990-2013 - IIIA eleição para o cargo de presidente da república se aproxima no Brasil. A disputa pela orientação de política econômica do futuro governo se acirra conforme se acirra a disputa política dos próprios candidatos. Sobem os tons das críticas à política econômica da presidente Dilma e do ministro Mantega. Mas, afinal, o que está centralmente em jogo nesse debate? Numa nota curta, procura-se mostrar que a questão central pendente entre os economistas diz respeito, em última análise, ao grau de exploração da força de trabalho e, assim, da taxa de lucro – mesmo se aqueles envolvidos na querela parecem tratar de outra coisa ou tratam dela de um modo indireto, encoberto, elusivo. Toma-se partido aqui, entretanto, por uma alternativa ao existente que não está sendo posta em pauta, mas que vem a ser a única saída racional para uma civilização em crise profunda.

Para ler o texto, clique aqui: O mau humor do mercado

Para superar o capitalismo II

Para retomar ainda a questão da superação do capitalismo, esta postagem apresenta um texto que trata da vigência histórica do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas. Nessa perspectiva, sustenta que a teoria do valor em Marx não é propriamente uma teoria do valor-trabalho com validade transistórica. É, isto sim, uma teoria do trabalho como ‘valor’ – uma categoria cujo espaço histórico está restrito ao modo de produção capitalista. Sustenta que, na história, o ‘valor’ não é posto de imediato em seus primórdios e nem vai ser deposto de uma vez em seu fim – quando, então, é suprimido politicamente para dar lugar a uma sociedade transparente. Ao invés, passa por um processo de formação e de desformação. O ato revolucionário vindouro que acaba com a regulação inconsciente do processo de produção e instaura o socialismo não deixa de ser precedido pela deterioração das condições necessárias para a formação do valor já no capitalismo.

 

Para ler o texto clique aqui: Da posição e da deposição do valor

Para superar o capitalismo I

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Este postagem vem ao espaço virtual para recomendar fortemente um texto de Peter Hudis que retoma a questão da superação do capitalismo por meio da instituição de uma sociedade verdadeiramente humana: Trabalho social direto e indireto: que espécie de relação humana pode transcender o capitalismo. A partir de uma leitura apaixonada e rigorosa da Crítica ao Programa de Gotha, esse autor mostra que, para Marx, o socialismo é um modo de produção baseado em relações sociais diretas, democráticas, entre produtores livremente associados. E que, por isso, o seu advento depende crucialmente da deposição do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas – o que, aliás, nunca aconteceu nos “socialismos” fracassados, baseados no planejamento centralizado e na governança de um partido-estado.

Para ler a tradução clique aqui: Hudis – Trabalho social direto e indireto.