Socialismo, utopia inviável? Parte III

Em posts anteriores buscou-se encaminhar notas que buscavam sintetizar as principais críticas à possibilidade de coordenar a atividade econômica numa sociedade que aboliu a grande propriedade privada dos meios de produção, os mercados de realização do capital e, assim, os preços como representantes dos valores constituídos pelo trabalho abstrato e, portanto, alienado.

Essas críticas, vale lembrar aqui, foram centralmente ventiladas por Ludwig Mises e Friedrich Hayek, ambos importantes precursores teóricos da variegada corrente de pensamento e de prática política que passou a ser chamada grosso modo de neoliberalismo. Nesta nota, procura-se mostrar que a argumentação de Hayek contra o socialismo, que até recentemente parecia imbatível, foi superada. A nota que aqui se apresenta vale-se de um artigo seminal de Evgeny Morozov, Socialismo digital? O debate sobre o cálculo na era dos grandes sistemas de informação.

A nota encontra-se aqui: Morozov – o Big Data e o planejamento democrático

O texto original em inglês de Evgeny Morozov pode ser obtido de graça no sítio da New Left Review

 

Crítica da concorrência perfeita: Shaikh

Em adição ao post da semana passada que contemplou a crítica de Friedrich Hayek à noção de competição perfeita, neste post se apresenta de modo resumido a crítica de Anwar Shaikh às tradições da teoria econômica que dela se valem.

Dentro dessas tradições há aquelas que costumam adotá-la acriticamente, mas há também aquelas que julgam necessário emendá-la nas aplicações ao mundo real. Há ainda outras que buscam dar grande ênfase às supostas imperfeições que – admitem – abundam nos mercados realmente existentes.

Nenhuma delas é satisfatória para esse outro crítico da competição perfeita. A concepção que precisa ser adotada, segundo ele, apreende a competição sem idealizá-la, como competição real. E esta é uma forma de luta pela sobrevivência e pela supremacia.

Ao contrário de Hayek, Shaikh não para na metade do caminho no retorno à economia política clássica, mas assume inteiramente as suas lições na compreensão da concorrência capitalista e do capitalismo. Ele a apreende, tal como o primeiro, sob a perspectiva da teoria da complexidade do modo como esta última se desenvolveu contemporaneamente. Mas, mas vai muito mais longe do que Hayek na construção de uma teoria econômica capaz de explicar os funcionamentos atuais desse modo de produção.

A diferença crucial entre esses dois autores é que, para o primeiro, a competição é um processo virtuoso de descoberta das informações que são necessárias ao bom funcionamento dos mercados, e, para o segundo, ela é sobretudo uma luta sem trégua e sem qualquer piedade das empresas, umas com as outras, para obter a maior parcela de lucro possível e de todas elas para o rebaixamento dos salários.

O texto está aqui: Crítica da concorrência perfeita – Shaikh

Crítica da concorrência perfeita: Hayek

Pretende-se visitar neste blog duas críticas importantes à concepção de concorrência perfeita, procurando mostrar os seus pontos fracos e fracos e a sua pertinência ou impertinência teórica. Neste primeiro post, se analisará as teses de Friedrich Hayek e, no próximo, se apresentará as de Anwar Shaikh.

Ambos esses autores, de uma forma bem convincente, demonstram a inadequação dessa concepção central da teoria neoclássica para compreender o processo do mercado enquanto tal. Mas apenas um deles tenta explicar por que a ideia da concorrência perfeita persiste como paradigma na teoria econômica contemporânea.

De qualquer modo, devido ao seu interesse teórico, examina-se em sequência dois artigos muito interessantes do primeiro desses dois autores: O significado de concorrência, que Hayek escreveu em 1946, e Competição como um processo de descoberta, que produziu em 1966.

O argumento central encontrado nesses textos diz que a noção de concorrência perfeita expurga do âmbito da ciência econômica a função, segundo ele, mais importante da concorrência.  É por meio dela que são gerados e descobertos os fatos necessários para que as trocas aconteçam. Cumpre, pois, um papel essencial no processo de auto-organização dos mercados realmente existentes. 

Mesmo se a persuasiva crítica de Hayek é conhecida há mais de sessenta anos, ela não parece ter influenciado os rumos da teoria econômica dita “mainstream”. Eis que não conseguiu fornecer – especula-se aqui – uma alternativa analítica que respondesse ao caráter instrumental da teoria econômica contemporânea e que, ao mesmo tempo, apresentasse o sistema econômico como virtuoso (o que faz).

A nota está aqui: Crítica da concorrência perfeita – Hayek

Macrodinâmica na tradição clássica – Parte I

Por meio deste post está-se publicando a primeira parte de uma versão em português da macrodinâmica clássica apresentada por Anwar Shaikh no capítulo 13 de seu livro Capitalism – competition, conflict, crises, de 2016. O objetivo é difundir um modo de enxergar o funcionamento do sistema econômico como um todo que difere expressivamente da macrodinâmica keynesiana e pós-keynesiana.

O texto contém partes simplesmente traduzidas do autor do modelo, assim como parte escritas por este divulgador. Por isso, este último assume responsabilidade pelo texto, mas não reivindica qualquer originalidade. A meta é fazer uma apresentação do modelo em português com algum grau maior de didatismo. E incentivar os eventuais interessados a estudar o texto original.

O escrito está aqui: Macrodinâmica na tradição clássica – Parte I

 

 

Para 2020: sombras e sombrios

Neste post apresenta-se criticamente um pequeno artigo bombástico – e, talvez, por isso mesmo – muito lido por pessoas interessadas em economia política internacional e/ou nos rumos da economia norte-americana ou ainda no sistema econômico mundial. Ele foi escrito por Nouriel Roubini, no caso em parceria com Brunello Rosa. Eis o seu título: Os elementos causadores de uma recessão e crise financeira em 2020.

O folheto de somente três páginas contém muitas sombras, sombrios e assombrações. Foi publicado no portal Project Syndicate, em 13 de setembro de 2018. Nele, esses dois autores fazem uma previsão para a economia capitalista mundial que ainda está centrada nos Estados Unidos.  Segundo eles, sobrevirá inexoravelmente uma forte crise – ou mesmo uma crise catastrófica – em 2020, ano da próxima eleição presidencial na norte-américa. 

Roubini ficou mais conhecido depois que antecipou com boa precisão a crise que eclodiu no mercado imobiliário dos Estados Unidos, em 2008.  Ele foi capaz de mostrar a sua extensão e a sua gravidade mesmo antes que a bolha de crédito estourasse e espalhasse o seu poder destruidor para o resto do mundo. No entanto, no post que aqui se publica, sem deixar de reconhecer os seus méritos como economista e como marqueteiro de si mesmo, faz-se primeiro uma crítica ao seu estilo de fazer previsões. Eis que elas se destinam ao mercado consumidor de projeções econômicas e, por isso, está escrita num estilo excessivamente afirmativo. Ora, nesse caso, como em muito outros, como se sabe, a fama vale dinheiro.

A nota se encontra aqui: Para 2020 – sombras e sombrios

A emergência social dos preços

Texto lido como aula magna no 40º Encontro Nacional de Economia – ANPEC, em 11/12/2012. C

No texto que pode ser acessado ao final dessa nota, discute-se uma questão de fundamento em teoria econômica. Argumenta-se que o individualismo metodológico – pressuposto dominante da teoria econômica – mantém uma proposta para a construção de teorias que é logicamente impossível de ser realizada rigorosamente. E que, para não cair em contradição, e para não subsumir completamente a pessoa ao sistema econômico, tombando, assim, no coletivismo metodológico, é preciso pensar de outro modo.  Mostra-se, então, que esse modo é a dialética de Hegel e Marx. Para tanto, o texto discute  grosso modo a formação de preços  na teoria clássica, na teoria neoclássica e em O Capital de Marx.

Para acessa o texto basta clicar aqui:    A emergencia social dos precos

Causa e Efeito

Causa e efeito? Ou causa-efeito?

Nessa nota de aula, pretende-se mostrar de um modo didático, primeiro, como a causalidade é concebida na dialética de Hegel para poder expor, depois, como a concepção de causalidade por ele sustentada é necessária para resolver paradoxos que aparecem nos processos dinâmicos não-lineares. Para cumprir essa tarefa, será preciso apresentar, de início, como o entendimento – ou seja, o pensamento que se guia pela lógica da identidade e nela se fia para enfrentar o mundo – trata a relação de causa e efeito. Para fazê-lo, diante de um conjunto de concepções que tem uma história e que, postas em paralelo, mantém diferenças importantes entre si, não restará outra alternativa do que escolher as mais significativas para apresentá-las tópica, sumária e seqüencialmente. Para tanto, discute-se brevemente as concepções de causalidade de Aristóteles e da ciência moderna antes de chegar às concepções de Hegel.

Para ler a nota de aula completa, ir a pasta Aulas e baixar a aula 6.

O todo e as partes

O todo e as partes: a questão da emergência.

O objetivo da presente nota de aula é fazer uma apresentação didática da relação entre o todo e as suas partes, tratando também da questão da emergência que lhe é inerente. Discutem-se três possibilidades: o todo é um agregado; o todo é uma composição; o todo é uma totalidade. Discute-se, também, a questão: donde provêm as propriedades do todo? O reducionismo diz que vêm simplesmente das propriedades das partes. A análise compositiva afirma que advêm das capacidades de interação das partes. E a dialética sustenta, contra a aparência em contrário, que elas provêm da própria organização interna das partes que entram na formação do todo. As partes com as suas características fornecem o suporte para a constituição do todo, mas a sua existência enquanto tal é explanada pelo próprio processo de produção ou de reprodução de sua estrutura de relações internas (base de sua organização).

O texto complexo encontra-se na pasta Aulas, sob o título O todo e as partes – A questão da emergência

Emergência da emergência

Emergência sob a luz da dialética

No artigo, procura-se, em primeiro lugar, distinguir a ciência clássica da teoria dos sistemas, tal como foi formulada por Bertalanffy. Como essa segunda concepção de ciência apreende o mundo como uma hierarquia de sistemas de complexidade crescente, ela põe o problema da emergência. Discutem-se, em seqüência, duas grandes orientações na compreensão desse problema: o emergentismo fraco e o emergentismo forte. Mostra-se, depois, que ambas essas orientações não deixam de chegar a impasses lógicos, os quais as levam a cair em problemas lógicos: contradições ou irracionalismos. Trabalhando os conceitos de totalidade e contradição reflexiva, indica-se na seção final como a dialética de Hegel e Marx veio superar aqueles impasses, estabelecendo a possibilidade e a necessidade de um modo de pensamento que enfrenta o devir – e as transformações qualitativas – racionalmente.   

O artigo completo se encontra na pasta Artigos: Baixar texto 22.