O que é neoliberalismo?

Friedrich Hayek 2

Antes de qualquer outra consideração é preciso afirmar de saída, e fortemente, que o neoliberalismo não é a política do Estado mínimo. Segundo Pierre Dardot e Christian Laval, a tese segundo a qual “o termo neoliberalismo designa uma ideologia que prega o “retorno” ao liberalismo originário e uma política econômica que consiste em retirar o Estado para abrir espaço ao mercado” está totalmente errada. Ora, essa mesma crítica já fora feita no artigo Pós-grande indústria e neoliberalismo, que é de 2005, e está publicado no número 97 da Revista de Economia Política. Entretanto, mesmo se não há originalidade nessa afirmação, os escritos desses dois intelectuais franceses sobre o tema contribuem para uma melhor compreensão desse pensamento político ora dominante na sociedade. Por isso, aqui se publica uma tradução de duas seções de um importante artigo da lavra desses autores, Néolibéralisme et subjectivation capitaliste, o qual foi  publicado no número 41 da Revue Cités.

Dardot,P e Laval,C – O que é o neoliberalismo

Libertação do fetichismo?

É publicado aqui um texto de Anselm Jappe, companheiro intelectual de Moishe Postone na crítica ao “marxismo tradicional”. Este, segundo eles, criticou o capitalismo a partir do trabalho (isto é, do trabalho explorado) quando Marx desenvolveu em suas obras principalmente uma crítica do trabalho no capitalismo (isto é, do trabalho alienado). O autor de O Capital não formulou mesmo, diz Jappe, uma teoria do valor trabalho, mas sim, verdadeiramente, uma teoria crítica do trabalho como valor. No texto, ora publicado, ele argumenta a partir daí que a superação do capitalismo só poderá ocorrer quando for possível superar definitivamente o fetichismo das formas sociais mercantis. Ultrapassando, assim, a sociabilidade baseada no valor e no valor que se valoriza. Para discutir essa tese, ao final, é publicado também um breve questionamento crítico dessa linha de pensamento que, sem dúvida, participa do movimento de renovação do marxismo.

Artigo: Anselm Jappe – libertação do fetichismo?

Para superar o capitalismo II

Para retomar ainda a questão da superação do capitalismo, esta postagem apresenta um texto que trata da vigência histórica do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas. Nessa perspectiva, sustenta que a teoria do valor em Marx não é propriamente uma teoria do valor-trabalho com validade transistórica. É, isto sim, uma teoria do trabalho como ‘valor’ – uma categoria cujo espaço histórico está restrito ao modo de produção capitalista. Sustenta que, na história, o ‘valor’ não é posto de imediato em seus primórdios e nem vai ser deposto de uma vez em seu fim – quando, então, é suprimido politicamente para dar lugar a uma sociedade transparente. Ao invés, passa por um processo de formação e de desformação. O ato vindouro que acaba com a regulação inconsciente do processo de produção e instaura o socialismo não deixa de ser precedido pela deterioração das condições necessárias para a formação do valor já no capitalismo.

Para ler o texto clique aqui: Da posição e da deposição do valor

Para superar o capitalismo I

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Este postagem vem ao espaço virtual para recomendar fortemente um texto de Peter Hudis que retoma a questão da superação do capitalismo por meio da instituição de uma sociedade verdadeiramente humana: Trabalho social direto e indireto: que espécie de relação humana pode transcender o capitalismo. A partir de uma leitura apaixonada e rigorosa da Crítica ao Programa de Gotha, esse autor mostra que, para Marx, o socialismo é um modo de produção baseado em relações sociais diretas, democráticas, entre produtores livremente associados. E que, por isso, o seu advento depende crucialmente da deposição do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas – o que, aliás, nunca aconteceu nos “socialismos” fracassados, baseados no planejamento centralizado e na governança de um partido-estado.

Para ler a tradução clique aqui: Hudis – Trabalho social direto e indireto.

Uma coisa transcendental

???????????????????????????????????????? Michael Heinrich virá ao Brasil em março para uma conferência. Ele é autor de um livro importante, bem rigoroso e muito didático, não traduzido para o português, que se chama Uma introdução aos três volumes de O Capital de Marx. Para divulgar um pouco o seu trabalho, este blog publica uma tradução de um pequeno artigo de sua lavra sobre o conceito de dinheiro na obra de Marx, o qual foi publicado antes em alemão e em inglês. Para apresentá-lo, ele menciona, comparativamente, como esse objeto social é apreendido pela escola neoclássica e pela escola keynesiana. Heinrich mostra que o dinheiro, em Marx, aparece como uma coisa com qualidades transcendentais. Indica, então, porque o capital é um importante desenvolvimento do dinheiro e porque ele engendra as suas próprias crises. Depois disso, explica a conexão entre crise econômica e crise financeira. Leia esse pequeno trabalho clicando aqui: Uma coisa com qualidades transcendentais.

Capitalismo movido à crédito

CDa acumulação em marcha forçada à crise e à da depressão prolongada

Nesta nota é discutida a tese de Richard Duncan sobre a íntima relação da expansão desmedida do crédito com o desempenho da economia norte-americana entre 1968 e o momento atual (2012).  Ele sustenta em seu livro The new depression, publicado em 2012, que a explicação desse movimento de  formação, expansão e estouro de uma  bolha de crédito, que dura por décadas pode ser feita com base na teoria austríaca do ciclo de Ludwig von Mises e na teoria monetária de Irving Fisher. Ambas essas teorias, como se sabe, enfatizam a importância do crédito na aceleração da acumulação de capital. A nota cuida, então, da crítica desse tipo de teorização baseado no equilibrismo de pleno emprego e, por isso, no dinheiro como meio de circulação em exclusivo. Mostra, em sequência, como o papel do crédito na acumulação de capital é acolhido – não do mesmo modo – pelo keynesianismo e pelo marxismo.

Para ler a nota basta clicar aqui: Capitalismo Movido à Credito

A emergência social dos preços

Texto lido como aula magna no 40º Encontro Nacional de Economia – ANPEC, em 11/12/2012. C

No texto que pode ser acessado ao final dessa nota, discute-se uma questão de fundamento em teoria econômica. Argumenta-se que o individualismo metodológico – pressuposto dominante da teoria econômica – mantém uma proposta para a construção de teorias que é logicamente impossível de ser realizada rigorosamente. E que, para não cair em contradição, e para não subsumir completamente a pessoa ao sistema econômico, tombando, assim, no coletivismo metodológico, é preciso pensar de outro modo.  Mostra-se, então, que esse modo é a dialética de Hegel e Marx. Para tanto, o texto discute  grosso modo a formação de preços  na teoria clássica, na teoria neoclássica e em O Capital de Marx.

Para acessa o texto basta clicar aqui:    A emergencia social dos precos

Depressão ou colapso?

CO marxismo oracular de Robert Kurz

Em 1995, Robert Kurz escreveu, na revista alemã Krisis, um texto sobre a crise e a depressão econômica – e sobre o eventual colapso do capitalismo –, o qual, desde então, circula intensamente na rede mundial de computadores. Eis aqui o seu título em português: A ascensão do dinheiro aos céus – Os limites estruturais da valorização do capital, o capitalismo de casino e a crise financeira mundial. Com o objetivo de testar as ideias de Robert Kurz aí expostas, não sem antes fazer um esforço para resumir as suas teses sobre a evolução futura do capitalismo, procura-se verificar se as informações estatísticas disponíveis e que podem ser encontradas na literatura econômica sobre o tema vêm ou não corroborá-las. Foca-se a economia norte-americana em que se localiza o coração do capital mundial. Para acessar o texto como um todo é preciso baixá-lo aqui:  O marxismo oracular de Robert Kurz.

Dinheiro mundial inconversível

Dinheiro Interrogaçao

Volta-se nessa postagem ao artigo anteriormente divulgado sobre o dinheiro mundial inconversível. No texto anterior, primeiro, procurou-se apresentar a controvérsia brasileira sobre esse tema, a qual ressoou principalmente nas páginas da Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP). Em sequência, buscou-se desenvolver uma nova forma de compreender a emergência do dinheiro mundial sem valor intrínseco, que vem sendo considerado, como bem se sabe, um enigma para o pensamento marxista. Reapresentamos, agora, o artigo porque foi possível fazer certos aperfeiçoamentos conceituais que o tornaram – assim pensamos – mais rigoroso. A nova versão trabalha melhor – e explicitamente – as ilusões simétricas e complementares do fetichismo e do convencionalismo inerentes à compreensão do dinheiro no capitalismo. Para ler o artigo basta Da controvérsia brasileira sobre o dinheiro mundial inconversível.

Crise ou colapso?

Publicamos aqui, em tradução para o português, um novo texto de Michael Roberts. Nele, este autor discute de um modo simples umcolapso do dinheiro tema caro à tradição marxista. Questiona se a apresentação de Marx do modo de produção capitalista contém uma teoria das crises como fenômenos recorrentes ou se acolhe também uma teoria do colapso. A resposta que dá pode ser assim resumida: nessa apresentação, se não há apenas uma teoria de crises recorrentes, também não há uma teoria determinista do colapso do sistema como um todo. Este último, entretanto, permanece como uma possibilidade real num horizonte de tempo que não pode ser definido com precisão. Michael Roberts examina, então, com base em recursos de estatística descritiva, se é possível divisar os sinais de que um colapso está em andamento na trajetória da grande crise atual que, aliás, parece estar se transformando numa grande depressão. A resposta que consegue encontrar, se não é negativa, contempla um razoável grau de ceticismo quanto à efetivação dessa possibilidade. Para ler o artigo clique aqui: Michael Roberts – Crise ou colapso?