Avatar de Desconhecido

Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

Da Crítica da Economia Política

Niep - Marx

Entre o dia 1º e o dia 4 de outubro, aconteceu em Niterói, no Rio de Janeiro, o Colóquio Internacional Marx e o Marxismo 2013: Marx hoje, 130 anos depois. Nele foram apresentados dezenas de artigos sobre os mais diversos temas que interessam ao marxismo. Os anais do colóquio se encontram AQUI. Na ocasião, o autor deste blog apresentou uma nota sobre a relação entre a economia política e a crítica da economia política sob o título Marx contra (e não contra) a Economia Política. O texto se encontra aqui: Apresentação – Marx contra a Economia Política.

Dialética da natureza

Marx e Engels (2)Para acabar com um anacronismo

As obras sobre esse tema são escassas – muitíssimo escassas. É bem sabido que Friedrich Engels se preocupou com a questão da “dialética da natureza”, tendo feito anotações entre 1872 e 1882, as quais foram reunidas depois num livro com esse mesmo nome. Além dessa obra polêmica e do Anti-Düring do mesmo autor, dedicou-se ao assunto o livro notável de Richard Levins e Richard Lewontin, publicado em inglês apenas em 1985, sob o título de O biólogo dialético (The dialectical biologist). Nessa linhagem é preciso registrar também como excepcional, agora, o livro coordenado por Lucien Sève que recebeu o nome de Ciência e dialética da natureza (Sciences et dialectiques de la nature), publicado em francês somente em 1998. Para divulgar um pouco o conteúdo dessa última obra e para ressaltar a sua importância, publica-se aqui a tradução de uma seção do livro que trata da realidade das contradições. Nessa seção, Sève contesta uma tese central de Lucio Colletti em O declínio do marxismo, mostrando não apenas o que são as “contradições dialéticas”, mas também avançado uma “dialética das contradições” na perspectiva do pensamento marxista.

Para ler o trecho traduzido clique aqui: Seve – Ciencia e dialetica da natureza

O que é financeirização? (I)

????????????????????????????????????????No prefácio ao livro A finança mundializada (2005), organizado por François Chesnais, Luiz Gonzaga Belluzzo não se esquece de equiparar o pensamento de Keynes ao de Marx:  “Marx, como Keynes, desvendou no capitalismo a possibilidade da acumulação da riqueza abstrata, desvencilhada dos incômodos da produção material. Para eles, tal ambição não é sintoma de deformação, mas de aperfeiçoamento da “natureza” do regime do capital.”  No entanto, como se sabe, Marx nunca propôs a “eutanásia dos rentistas”, mas Keynes o fez. Logo, não pode ser certo que Keynes tenha visto o desenvolvimento das formas financeiras do capital como “aperfeiçoamento da natureza do regime do capital”. Também é verdade que Beluzzo parece aprovar grosso modo as teses contidas no livro organizado por Chesnais. Mas, afinal, que teses são estas? Seriam elas corretas? Um livro recém-publicado, A political economy of contemporary capitalism and its crisis, propõe uma compreensão bem diferente da financeirização.

Para ler a nota clique aqui: O que é financeirização

Lei de Marx: pura lógica? lei empírica?

marx e criseApresenta-se nesta nota, em primeiro lugar, um resumo do debate recente entre Michael Heinrich e Michael Roberts sobre a validade da lei da queda tendencial da taxa de lucro. O primeiro autor, dando continuidade à tradição marxista contestadora, veio mais uma vez afirmar que ela não é nem empiricamente testável nem logicamente coerente. O segundo, na tradição marxista defensora, rebateu outra vez esses argumentos sustentando justamente o contrário. Em sequência, a nota procurar mostrar que ambas essas posições polares estão equivocadas. Pois, a lei de Marx não é nem uma proposição empírica vulgar nem uma tese puramente lógica. Ao contrário, vem a ser uma afirmação transfactual que expressa uma possibilidade real – uma necessidade relativa -, a qual apenas pode ser compreendida como momento expositivo no interior da dialética da acumulação de capital.

Para ler a nota chique aqui: Lei de Marx – Texto II

Um Gattopardo brazuca

????????????????????????????????????????O título desta nota veio de duas fontes. Proveio, primeiro, da leitura de Os limites do possível, livro recém-publicado de André Lara Resende (2013) e, segundo, de um artigo de Thomas Palley cujo título faz referência, precisamente, à celebre obra de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (2006): Gattopardo economics: the crisis and the mainstream response of change that keeps things the same (2013). E ela tem, é preciso deixar logo claro, um propósito bem acerbo e crítico. A nota pretende questionar acidamente as incongruências do conservadorismo ilustrado que anima o discurso de Resende na avaliação das perspectivas históricas do capitalismo contemporâneo.

Para ler a nota clicar aqui: Um gattopardo brazuca

O que é neoliberalismo?

Friedrich Hayek 2

Antes de qualquer outra consideração é preciso afirmar de saída, e fortemente, que o neoliberalismo não é a política do Estado mínimo. Segundo Pierre Dardot e Christian Laval, a tese segundo a qual “o termo neoliberalismo designa uma ideologia que prega o “retorno” ao liberalismo originário e uma política econômica que consiste em retirar o Estado para abrir espaço ao mercado” está totalmente errada. Ora, essa mesma crítica já fora feita no artigo Pós-grande indústria e neoliberalismo, que é de 2005, e está publicado no número 97 da Revista de Economia Política. Entretanto, mesmo se não há originalidade nessa afirmação, os escritos desses dois intelectuais franceses sobre o tema contribuem para uma melhor compreensão desse pensamento político ora dominante na sociedade. Por isso, aqui se publica uma tradução de duas seções de um importante artigo da lavra desses autores, Néolibéralisme et subjectivation capitaliste, o qual foi  publicado no número 41 da Revue Cités.

Dardot,P e Laval,C – O que é o neoliberalismo

Libertação do fetichismo?

É publicado aqui um texto de Anselm Jappe, companheiro intelectual de Moishe Postone na crítica ao “marxismo tradicional”. Este, segundo eles, criticou o capitalismo a partir do trabalho (isto é, do trabalho explorado) quando Marx desenvolveu em suas obras principalmente uma crítica do trabalho no capitalismo (isto é, do trabalho alienado). O autor de O Capital não formulou mesmo, diz Jappe, uma teoria do valor trabalho, mas sim, verdadeiramente, uma teoria crítica do trabalho como valor. No texto, ora publicado, ele argumenta a partir daí que a superação do capitalismo só poderá ocorrer quando for possível superar definitivamente o fetichismo das formas sociais mercantis. Ultrapassando, assim, a sociabilidade baseada no valor e no valor que se valoriza. Para discutir essa tese, ao final, é publicado também um breve questionamento crítico dessa linha de pensamento que, sem dúvida, participa do movimento de renovação do marxismo.

Artigo: Anselm Jappe – libertação do fetichismo?

Para superar o capitalismo II

Para retomar ainda a questão da superação do capitalismo, esta postagem apresenta um texto que trata da vigência histórica do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas. Nessa perspectiva, sustenta que a teoria do valor em Marx não é propriamente uma teoria do valor-trabalho com validade transistórica. É, isto sim, uma teoria do trabalho como ‘valor’ – uma categoria cujo espaço histórico está restrito ao modo de produção capitalista. Sustenta que, na história, o ‘valor’ não é posto de imediato em seus primórdios e nem vai ser deposto de uma vez em seu fim – quando, então, é suprimido politicamente para dar lugar a uma sociedade transparente. Ao invés, passa por um processo de formação e de desformação. O ato vindouro que acaba com a regulação inconsciente do processo de produção e instaura o socialismo não deixa de ser precedido pela deterioração das condições necessárias para a formação do valor já no capitalismo.

Para ler o texto clique aqui: Da posição e da deposição do valor

Para superar o capitalismo I

????????????????????????????????????????

Este postagem vem ao espaço virtual para recomendar fortemente um texto de Peter Hudis que retoma a questão da superação do capitalismo por meio da instituição de uma sociedade verdadeiramente humana: Trabalho social direto e indireto: que espécie de relação humana pode transcender o capitalismo. A partir de uma leitura apaixonada e rigorosa da Crítica ao Programa de Gotha, esse autor mostra que, para Marx, o socialismo é um modo de produção baseado em relações sociais diretas, democráticas, entre produtores livremente associados. E que, por isso, o seu advento depende crucialmente da deposição do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas – o que, aliás, nunca aconteceu nos “socialismos” fracassados, baseados no planejamento centralizado e na governança de um partido-estado.

Para ler a tradução clique aqui: Hudis – Trabalho social direto e indireto.

Uma coisa transcendental

???????????????????????????????????????? Michael Heinrich virá ao Brasil em março para uma conferência. Ele é autor de um livro importante, bem rigoroso e muito didático, não traduzido para o português, que se chama Uma introdução aos três volumes de O Capital de Marx. Para divulgar um pouco o seu trabalho, este blog publica uma tradução de um pequeno artigo de sua lavra sobre o conceito de dinheiro na obra de Marx, o qual foi publicado antes em alemão e em inglês. Para apresentá-lo, ele menciona, comparativamente, como esse objeto social é apreendido pela escola neoclássica e pela escola keynesiana. Heinrich mostra que o dinheiro, em Marx, aparece como uma coisa com qualidades transcendentais. Indica, então, porque o capital é um importante desenvolvimento do dinheiro e porque ele engendra as suas próprias crises. Depois disso, explica a conexão entre crise econômica e crise financeira. Leia esse pequeno trabalho clicando aqui: Uma coisa com qualidades transcendentais.