Perspectivas da economia mundial para 2020

Como mensagem de fim de ano e começo de outro, este blog publica dois artigos de Oscar Ugarteche e Alfredo Ocampo. Eles tratam das perspectivas da economia mundial para 2020.

O ano de 2019 foram bem complicados para vários países vistos de vários ângulos: crescimento econômico; coesão social; integração internacional e crise política. Ao longo do ano, as principais organizações internacionais reduziram a previsão de crescimento para a maioria das economias, como resultado de fatores que vêm surgindo há alguns anos: deterioração das relações comerciais, altos níveis de dívida, concentração de renda, fluxos migratórios, racismo e uma queda no investimento produtivo.

Espera-se que a tendência geral da economia mundial continue em ritmo lento na maioria das economias, com o claro contraste das economias asiáticas que continuarão a crescer três vezes mais rápido que o Ocidente, o que poderia ser afetado principalmente pelos protestos em Hong Kong e Índia. Para as economias avançadas, o prognóstico é cinzento, porque os problemas da União Europeia não terminam com a saída do Reino Unido.

O primeiro texto se encontra aqui: Perspectiva da economia mundial para 2020
O segundo texto, por sua vez: Estamos próximos de uma recessão nos Estados Unidos

 

A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Neste post apresentamos uma nota curta de Robert Skidelsky, famoso historiador e economista que escreveu uma enorme e detalhada biografia de John M. Keynes, em três volumes. Nesse escrito, ele busca refutar a pretensão de cientificidade da teoria econômica que tenta promover a política de austeridade.

E o faz com extrema competência e simplicidade. A sua argumentação – é importante enfatizar – desenvolve inteiramente no campo da teoria econômica e da econometria. O seu argumento é que os defensores da austeridade – especialmente Alberto Alesina – vale-se de uma relação entre as taxas de crescimento e as variações do déficit público num certo conjunto de países para justificar a sua tese de que austeridade gera imediato crescimento. Mas, na verdade e de modo vulgar, toma uma correlação como se fosse uma relação de causalidade.

Neste blog já foi publicado um outro texto de John Milios que, entretanto, afirma a racionalidade da política de austeridade (em 14/11/2015). Segundo ele, austeridade é o modo por meio do qual é reforçada a disciplina do capital nas economias capitalistas contemporâneas. Ao implementá-la como política de Estado, visa-se, em última análise, a recuperação da lucratividade possível das empresas capitalistas. Mas os seus resultados podem ser ruins do ponto de vista macroeconômico, além de serem catastróficos para a grande maioria da população trabalhadora.

A nota crítica está aqui: A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Retrocesso na esperança Brasil?

Neste post publica-se um artigo curto de Pierra Salama, professor emérito da Universidade de Paris-Norte, estudioso da América Latina e um profundo conhecedor do desenvolvimento da economia capitalista no Brasil.

Neste artigo, ele expressa claramente a sua preocupação sobre o que vem acontecendo nessa economia pelo menos desde 1990 e sobre o que pode acontecer daqui em diante. O horizonte, segundo ele, está bem turvado.

A situação mundial contém muitas incertezas e a situação interna do Brasil parece bem instável. Por isso, ele julga muito difícil fazer previsões sobre o que pode vir a acontecer no País nos próximos anos.

De qualquer modo, examina dois tópicos cruciais: o andamento da repartição da renda e o processo de desindustrialização ora em curso. A evolução nos últimos anos dessas duas variáveis chaves, segundo ele, não contribuiu para forjar uma base sólida que permita alcançar um futuro brilhante.

As reformas ora em andamento não são propriamente inéditas em termos mundiais. Eis que não tem tido sucesso em promover o desenvolvimento econômico em outros países. Se, entretanto, aquelas que estão agora na pauta não forem feitas – dizem os seus defensores – o pais vai afundar numa crise profunda.

Ocorre que várias reformas liberalizantes já tem sido implementadas desde os anos 1990 no Brasil, mas os resultados anunciados e prometidos nunca apareceram. Esse tipo de fracasso não tem impedido, entretanto, que possam ser prometidos de novo tendo em vista a aprovação das reformas ora em pauta de discussão.

Parece que essa reformas ou “sacos de maldades” não são viabilizáveis por meio de consenso ou quase-consenso racionais, tal como se espera numa democracia normal, mas apenas criando choques e alimentando medos pânicos de que o futuro será desastrosos sem elas. Como se sabe, esse tipo de prática política compromete a democracia – mas esta última não parece ser um valor significativo para certos grupos radicais de direta que coqueteiam com a ditadura.

O texto está aqui: Retrocesso na esperança Brasil?

Por que não cresce? Traição da mão invisível!?

Faz-se um esforço neste post para entender por que a economia capitalista no Brasil não consegue se recuperar do afundamento ocorrido em 2015-2016. Esse esforço se baseia numa premissa central: eis que a depressão e a recessão são fatos econômicos bem diferentes entre si.

Normalmente, as recessões típicas que acontecem de tempos em tempos não chegam a inverter o sinal do crescimento, apenas o rebaixa. Em sequência, após um período de alguns poucos meses, o sistema econômico tende a entrar em recuperação por si mesmo.

Já as depressões se caracterizam de início por reduzir fortemente o nível da produção mercantil, produzindo assim um decrescimento significativo (da ordem de 10% ou mais), do qual resulta um excesso generalizado de capacidade ociosa e baixa lucratividade. Nessa situação, a recuperação possível se torna muito difícil sem a intervenção do Estado.

Sob essa premissa se investiga a rentabilidade da economia capitalista no Brasil durante o período que vai de 2010 a 2018. Mostra-se, então, que ela se encontra num nível muito baixo e que está onerada por um altíssimo custo de capital. Ora, se essa foi, como sempre, uma barreira que o próprio capital pôs para si mesmo, o custo de um eventual retorno à “normalidade” será pago pela redução do salário real.

O texto em pdf se encontra aqui: Por que não cresce? – Traição da mão invisível!?

Para 2020: sombras e sombrios

Neste post apresenta-se criticamente um pequeno artigo bombástico – e, talvez, por isso mesmo – muito lido por pessoas interessadas em economia política internacional e/ou nos rumos da economia norte-americana ou ainda no sistema econômico mundial. Ele foi escrito por Nouriel Roubini, no caso em parceria com Brunello Rosa. Eis o seu título: Os elementos causadores de uma recessão e crise financeira em 2020.

O folheto de somente três páginas contém muitas sombras, sombrios e assombrações. Foi publicado no portal Project Syndicate, em 13 de setembro de 2018. Nele, esses dois autores fazem uma previsão para a economia capitalista mundial que ainda está centrada nos Estados Unidos.  Segundo eles, sobrevirá inexoravelmente uma forte crise – ou mesmo uma crise catastrófica – em 2020, ano da próxima eleição presidencial na norte-américa. 

Roubini ficou mais conhecido depois que antecipou com boa precisão a crise que eclodiu no mercado imobiliário dos Estados Unidos, em 2008.  Ele foi capaz de mostrar a sua extensão e a sua gravidade mesmo antes que a bolha de crédito estourasse e espalhasse o seu poder destruidor para o resto do mundo. No entanto, no post que aqui se publica, sem deixar de reconhecer os seus méritos como economista e como marqueteiro de si mesmo, faz-se primeiro uma crítica ao seu estilo de fazer previsões. Eis que elas se destinam ao mercado consumidor de projeções econômicas e, por isso, está escrita num estilo excessivamente afirmativo. Ora, nesse caso, como em muito outros, como se sabe, a fama vale dinheiro.

A nota se encontra aqui: Para 2020 – sombras e sombrios

O voo de Ícaro da economia norte-americana

A economia capitalista nos Estados Unidos da América do Norte, pelo critério do PIB, cresceu 2,2% no primeiro, 4,2% no segundo e 3,4 no terceiro trimestre de 2018. Por meio do do grau de desemprego vê-se que está quase na situação de ótimo, pois este chegou a 3,7% da força de trabalho em outubro de 2018, um valor expressivo e bem abaixo da média histórica de 5,7% entre 1948 e 2018. Teria ela, finalmente, superado a “grande recessão” – uma recuperação muito lenta que se seguiu à supercrise de 2008? Esta não parece ser a opinião de um conjunto expressivo de economistas ortodoxos que escreveram pequenos artigos no portal Project Syndicate. Como o que dizem se mostra bem interessante, apresenta-se um resumo interpretativo do conteúdo desses textos que se caracterizam por se manterem na tradição macroeconômica dominante.

O post se encontra aqui: O voo de Ícaro da economia norte-americana

A última encarnação do capitalismo

Como foi dito no post anterior, há no campo do pensamento crítico duas linhas de explicação para a crise de 2007-2008:

  1. uma delas procura mostrar que essa convulsão, em última instância, decorreu das tendências inerentes ao modo de produção capitalista, em especial da lei da tendência à queda da taxa de lucro;
  2. a outra busca as suas causas imediatas nas mudanças institucionais que ocorreram a partir da crise dos anos 1970, em particular aquelas que liberaram as finanças dos constrangimentos até então existentes à sua expansão.

Este post encaminha a publicação de um artigo percuciente que representa muito bem essa segunda posição. O texto foi escrito por uma jovem e brilhante economista britânica que trabalha como pesquisadora no Institute for Public Policy Research (IPPR) ligado ao Partido Trabalhista do Reino Unido.

Apesar de concordar com a sua tese central – a financeirização não é uma perversão do capitalismo, mas expressão privilegiada de sua mutação histórica mais recente –, julga-se que abriga certas questões conceituais que precisam discutidas e criticadas.  Mas isto será feito apenas no próximo post a ser publicado neste blog.

O artigo de Grace Brakeley se encontra aqui: A última encarnação do capitalismo; mas ele foi publicado também pelo Outras Palavras:  https://wp.me/p15fon-39EB.

A crítica se encontra aqui: Rentismo ou jurismo?

Era da finança, mas não do sujeito automático

Neste post faz-se um comentário crítico do marcante livro Lucrando sem produzir – Como a finança explora todos nós (Profiting without producing – How finance exploits us all) de Costas Lapavitsas.

Procura-se mostrar que ele peca por se afastar do conceito de capital como sujeito automático que é característico da compreensão do capitalismo que vem de Karl Marx. Mas não se nega, entretanto, a sua importância como contribuição para uma melhor compreensão do capitalismo financeirizado que emergiu da crise da década dos anos 1970.

Usualmente se distinguem duas interpretações marxistas da crise de 2008 e da longa recessão que se seguiu a ela. Uma primeira enfatiza que a crise irrompeu como manifestação de certas tendências estruturais e de longo prazo do processo capitalista de produção, em especial daquela que produz uma queda da taxa de lucro. Uma segunda posição se concentra especificamente na dimensão financeira do processo, procurando acentuar as mudanças institucionais na esfera econômica e minimizar a importância do declínio da taxa de lucro.

Procura-se mostrar neste post que Costas Lapavitsas figura como um dos mais populares e intelectualmente sofisticados representantes dessa última posição.

Eis o post aqui: Era da finança, mas não do sujeito automático

A estagnação dos países ricos

Ao contrário do que muita gente pensa, o capitalismo não está mais progredindo de modo firme e forte em países como EUA, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália etc. Ao contrário, sabe-se que o crescimento econômico se reduziu progressivamente nas nações de altas rendas, década após década, após o término da II Guerra Mundial. Os dados mostram, inclusive, que o investimento como proporção do excedente obtido pelas grandes corporações tendeu a se reduzir ao longo dos últimos decênios.

Nessa postagem faz-se uma confrontação entre duas teses, sustentadas ambas por economistas de esquerda, que buscam explicar esse curso histórico.

Uma delas, mais aceita pelos keynesianos, julga que a causa do fenômeno se encontra na política econômica neoliberal que, em síntese, possibilitou que ocorresse uma “vingança dos rentistas”. A outra, mais acolhida por marxistas, pensa que essa causa se encontra na própria onda mais recente de globalização: ela deslocou a acumulação de capital do centro euro-americano para a Ásia. Como ela se centra no movimento do capital – a exploração reificada – em busca de maior rentabilidade, é aqui denominada de “incursão do capital”.

O texto se encontra aqui: A estagnação econômica dos países ricos

Impactos da austeridade

Pensando na economia capitalista no Brasil, aqui se vai fazer uma apresentação crítica dos impactos da política de austeridade examinando o caso recente da economia capitalista da Grécia. Para tanto, usa-se as informações e análises encontradas num artigo dos economistas gregos Nasos Koratzanis e Christos Pierros: Acessando os impactos da austeridade na economia grega (2017). Entretanto, como esses dois autores se mantêm numa perspectiva keynesiana, eles não levam a crítica ao seu horizonte. Para ver onde o sol se põe recorre-se à perspectiva desenvolvida pelo marxista grego, John Milios, no artigo A austeridade não é irracional (2015). Mostra-se, assim, que essa política, mesmo se se apresenta como tal, não visa a recuperação da produção mercantil. Ao contrário, busca continuar extraindo o maior volume possível de mais-valor na forma dos serviços das dívidas, mesmo se isto derruba e exaure o sistema econômico e, assim, produz uma catástrofe social.

O texto se encontra aqui: Impactos da austeridade na Grécia