Crítica da concorrência perfeita: Hayek

Pretende-se visitar neste blog duas críticas importantes à concepção de concorrência perfeita, procurando mostrar os seus pontos fracos e fracos e a sua pertinência ou impertinência teórica. Neste primeiro post, se analisará as teses de Friedrich Hayek e, no próximo, se apresentará as de Anwar Shaikh.

Ambos esses autores, de uma forma bem convincente, demonstram a inadequação dessa concepção central da teoria neoclássica para compreender o processo do mercado enquanto tal. Mas apenas um deles tenta explicar por que a ideia da concorrência perfeita persiste como paradigma na teoria econômica contemporânea.

De qualquer modo, devido ao seu interesse teórico, examina-se em sequência dois artigos muito interessantes do primeiro desses dois autores: O significado de concorrência, que Hayek escreveu em 1946, e Competição como um processo de descoberta, que produziu em 1966.

O argumento central encontrado nesses textos diz que a noção de concorrência perfeita expurga do âmbito da ciência econômica a função, segundo ele, mais importante da concorrência.  É por meio dela que são gerados e descobertos os fatos necessários para que as trocas aconteçam. Cumpre, pois, um papel essencial no processo de auto-organização dos mercados realmente existentes. 

Mesmo se a persuasiva crítica de Hayek é conhecida há mais de sessenta anos, ela não parece ter influenciado os rumos da teoria econômica dita “mainstream”. Eis que não conseguiu fornecer – especula-se aqui – uma alternativa analítica que respondesse ao caráter instrumental da teoria econômica contemporânea e que, ao mesmo tempo, apresentasse o sistema econômico como virtuoso (o que faz).

A nota está aqui: Crítica da concorrência perfeita – Hayek

Da política econômica inominável

Neste post publica-se uma nota que defende o desenvolvimentismo e que se caracteriza, sobretudo, por fazer aflorar uma intensa – e doída – ironia. Eis que faz a resenha de um estudo recente sobre as políticas econômicas que efetivamente produziram e que podem produzir o alçamento (catching up) e que, de modo inesperado, recebeu a chancela do FMI.

A nota aqui traduzida foi publicada originalmente em inglês, no blog The Political Economy of Development. Nela, Nick Johnson discute um artigo de Cherif e Hasanov cujo título, traduzido, fica assim: O retorno de uma política que não deve ser nomeada, princípios de política industrial.

A nota é ventilada neste blog porque essa política, no Brasil, tornou-se de fato “inominável”. Não por demérito próprio, mas por causa do demérito de seus críticos atrozes. Eles preferem, no fundo, que o País permaneça na condição de nação “liberal-dependente”.

A principal conclusão que a nota quer mostrar se encontra numa citação. E esta diz respeito à condição necessária, mas não suficiente, para que uma política desenvolvimentista possa ser implementada. Esta condição é, ademais, acaciana. Para que ocorra é preciso, sim, um “acordo nacional”: “Uma combinação de poder e de instituições mutuamente compatíveis e, ademais, que seja sustentável em termos de viabilidade econômica e política”.

Ora, é justamente esse “acordo nacional” que falta de modo inelutável, pois se tornou (talvez?) impossível num país que passou por uma desindustrialização e financeirização como o Brasil nos últimos 40 anos. Uma alternativa precisa, por isso, ser criada… mas esta tem de ser verdadeiramente democrática (os socialismos que existiram ou que ainda existem não podem, portanto, ser tomados como modelos).

A nota está aqui: A política que não deve ser nomeada

Macrodinâmica na tradição clássica – Parte II

Por meio deste post está-se publicando a segunda parte de uma versão em português da macrodinâmica clássica apresentada por Anwar Shaikh no capítulo 13 de seu livro Capitalism – competition, conflict, crises, de 2016. O objetivo é difundir um modo de enxergar o funcionamento do sistema econômico como um todo que difere expressivamente da macrodinâmica keynesiana e pós-keynesiana.

O texto contém partes simplesmente traduzidas do autor do modelo, assim como parte escritas por este divulgador. Por isso, este último assume responsabilidade pelo texto, mas não reivindica qualquer originalidade. A meta é fazer uma apresentação do modelo em português com algum grau maior de didatismo. E incentivar os eventuais interessados a estudar o texto original.

O escrito está aqui: Macrodinâmica na tradição clássica – Parte II

Macrodinâmica na tradição clássica – Parte I

Por meio deste post está-se publicando a primeira parte de uma versão em português da macrodinâmica clássica apresentada por Anwar Shaikh no capítulo 13 de seu livro Capitalism – competition, conflict, crises, de 2016. O objetivo é difundir um modo de enxergar o funcionamento do sistema econômico como um todo que difere expressivamente da macrodinâmica keynesiana e pós-keynesiana.

O texto contém partes simplesmente traduzidas do autor do modelo, assim como parte escritas por este divulgador. Por isso, este último assume responsabilidade pelo texto, mas não reivindica qualquer originalidade. A meta é fazer uma apresentação do modelo em português com algum grau maior de didatismo. E incentivar os eventuais interessados a estudar o texto original.

O escrito está aqui: Macrodinâmica na tradição clássica – Parte I

 

Produtividade, investimento e lucratividade

Neste post encaminhamos uma nota publicada no blog The next recession, de Michael Roberts, em 11 de maio de 2019. Num artigo curto, recheado de gráficos ilustrativos, ele apresenta a sua explicação para a queda da produtividade nas economias capitalistas avançadas do Norte. E essa caída histórica é realmente impressionante, tal como se pode ver no gráfico abaixo:

 Segundo ele, o que tem causado uma queda da elevação da produtividade nessas economias é, simplesmente, a queda secular da taxa de lucro devido ao aumento da composição do capital e da parcela do lucro consumida pelas atividades socialmente necessárias, mas improdutivas de valor. Eis que sem taxa de lucro “razoável” não há investimento e, sem investimento em novas máquinas e novas tecnologias, não elevação da produtividade.

Entretanto, o editor deste blog precisa dizer que considera a sua resposta insuficiente. A queda na taxa de crescimento da produtividade se deve, também, à passagem de uma economia industrial para uma economia de serviços. Nesse sentido, a tese de Robert Gordon (mencionada no seu texto) parece fazer sentido.

A nota completa em pdf se encontra aqui: Produtividade, Investimento e Lucratividade

Crise no Brasil: explanação em marcha à ré

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está preocupado como o Brasil – assim como com outros países que estão como desempenho insatisfatório do ponto de vista de uma economia capitalista robusta: tem crescido pouco desde o fim da década perdida (1980-1990), passou por uma expansão mais acelerada entre 2004-2010 e entrou numa crise profunda a partir de 2014.

Ora, justamente por causa disso, os brasileiros em geral, também devem ficar preocupados com o que diz o FMI – como sempre. Logo, é preciso ler o que sob o seu nome se escreve com uma perspectiva bem crítica.

Essa instituição internacional patrocinou a publicação, em 2018, de um livro especialmente dedicado ao desenvolvimento econômico do capitalismo no país que é, como se sabe, “gigante pela própria natureza”: Brasil: expansão, queda e o caminho para a recuperação.

Aqui se pretende apresentar em linhas gerais e comentar criticamente o artigo principal Um período de duas décadas de reformas, expansão econômica e crise histórica. Pois ele encabeça uma lista composta por vários outros escritos de diversos outros autores.

Versão completa em PDF: Crise no Brasil – Explanação em marcha à ré

 

A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Neste post apresentamos uma nota curta de Robert Skidelsky, famoso historiador e economista que escreveu uma enorme e detalhada biografia de John M. Keynes, em três volumes. Nesse escrito, ele busca refutar a pretensão de cientificidade da teoria econômica que tenta promover a política de austeridade.

E o faz com extrema competência e simplicidade. A sua argumentação – é importante enfatizar – desenvolve inteiramente no campo da teoria econômica e da econometria. O seu argumento é que os defensores da austeridade – especialmente Alberto Alesina – vale-se de uma relação entre as taxas de crescimento e as variações do déficit público num certo conjunto de países para justificar a sua tese de que austeridade gera imediato crescimento. Mas, na verdade e de modo vulgar, toma uma correlação como se fosse uma relação de causalidade.

Neste blog já foi publicado um outro texto de John Milios que, entretanto, afirma a racionalidade da política de austeridade (em 14/11/2015). Segundo ele, austeridade é o modo por meio do qual é reforçada a disciplina do capital nas economias capitalistas contemporâneas. Ao implementá-la como política de Estado, visa-se, em última análise, a recuperação da lucratividade possível das empresas capitalistas. Mas os seus resultados podem ser ruins do ponto de vista macroeconômico, além de serem catastróficos para a grande maioria da população trabalhadora.

A nota crítica está aqui: A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Hudson: Guerra Fria 2.0

Excepcionalmente, este blog publica um artigo que não estava previsto num planejamento que é feito pelo autor, mas que está oculto para os leitores. Na verdade, trata-se de uma republicação de uma nota que saiu ontem mesmo no sítio Sinpermiso.

O texto que aqui se ventila foi escrito por Michael Hudson e está disponível, em espanhol, no sítio mencionado e, em inglês, no blog desse autor. Título: As ameaças comerciais de Trump são realmente uma guerra fria 2.0.

A iniciativa faz parte de um esforço para dar uma pequena contribuição para a compreensão do que está acontecendo no mundo. Este blog prefere sempre tratar de temas internos à Economia Política em sentido estrito. Mas, atualmente, o problema geopolítico se apresenta como incontornável.

Como no dia 10 do corrente mês de junho de 2019 foi publicado um artigo de Ashley Smith sobre a guerra híbrida entre os Estados Unidos e a China, pareceu que este que agora se publica constitui-se em um complemento necessário ao primeiro. Ele mostra, sobre outro ângulo, que a rivalidade entre esses dois países tende lamentavelmente a se intensificar.

O texto se encontra aqui: Las amenazas comerciales de Trump son realmente una Guerra Fria 2.0

A rivalidade entre os Estados Unidos e a China vai se intensificar

Talvez o seguinte ponto de vista não seja realista: “A questão que se coloca é até que ponto essas escaramuças entre EUA e China serão o “novo normal” para as relações internacionais, refletindo o estilo agressivo e as preferências protecionistas da administração Trump ou o prelúdio para uma guerra comercial de amplo espectro”.

Pois, não se trata de uma ocorrência simplesmente econômica, mas de algo que marcará a geopolítica e a história mundial nas próximas décadas. Eis que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China está se transformando numa guerra híbrida que poderá envolver todos os países do mundo, direta ou indiretamente.

Trata-se de um confronto entre um império em relativo declínio e um império em ascensão, mas ainda mais fraco tecnológica e militarmente do que o primeiro.

Este blog, na busca de um melhor esclarecimento, publica hoje uma nota de um observador norte-americano, Ashley Smith, que foi publicado na revista eletrônica Jacobin. A sua tese e que “este conflito crescente entre as duas potências se constituirá na rivalidade central e imperial do século XXI”.

O que fazer diante dela? Smith opta pela luta por um socialismo democrático que não se inspira, nenhum um pouco, nas experiências socialistas fracassadas e totalitárias do século XX. Mesmo se esse socialismo tem nome, mas não tem ainda um conteúdo bem definido: como combinar democracia plena com um sistema de planejamento? – eis a principal questão.

O texto de se encontra aqui: A rivalidade entre os EUA e a China vai se intensificar

Capitalismo progressivo numa época sem futuro

Neste post apresenta-se uma resenha do último livro de Joseph E. Stiglitz, cujo título, traduzido, é Pessoas, poder e lucro – capitalismo progressivo para uma era de descontentamento (People, power, and profits – progressive capitalism for an age of discontent). Como sempre, faz-se isso sem deixar de manter uma atitude crítica.

Segundo esse autor, “capitalismo progressivo” é um novo nome para aquilo que na Europa é conhecido como socialdemocracia e que, atualmente, é chamado de socialismo democrático nos Estados Unidos. É claro que prefere esse novo nome para lembrar que se trata de reformar o capitalismo e não de suprimi-lo.

Stiglitz parte de um diagnóstico: o crescimento econômico tem diminuído nos Estados Unidos e na Europa e a repartição da renda tem se concentrado mais e mais no topo da distribuição. Em consequência, a sociedade de classe média, segundo ele, está sendo destruída nos países desenvolvidos.

O seu projeto de reforma nasce, assim, de um desejo de superar o que pode ser visto como uma catástrofe social em andamento no centro do capitalismo. Eis o que diz ao final:

Nós fizemos nos últimos quarenta anos um experimento com o neoliberalismo. A evidência mostra, sob qualquer medida, que ele falhou. E na medida mais importante – o bem-estar do cidadão comum – ele falhou miseravelmente. Precisamos salvar o capitalismo de si mesmo. Uma agenda de reformas capitalista progressista é a nossa melhor chance.

O texto está aqui: Capitalismo progressivo numa época sem futuro

P. S. Como o futuro da modernidade acabou, será que a humanidade será capaz de construir outro? A proposta de Joseph E. Stiglitz encontra um caminho para renovar o futuro? Ou ela é uma proposta ilusória porque compreende superficialmente o capitalismo?