Da crítica truncada

Imagem do Sursis II

Uma das teses mais populares sobre a crise econômica iniciada em 2008, muito difundia na esquerda keynesiana e marxista, sustenta que ela surgiu como resultado da exacerbação das atividades financeiras deslanchada ao fim da década dos anos 70 do século XX. Conforme reza, o advento do neoliberalismo na década dos anos 80 trouxe consigo o afrouxamento dos controles sobre a criação de capital financeiro, assim como, em consequência, a financeirização das empresas capitalistas voltadas para a produção de bens e serviços como mercadorias.

Um dos resultados dessas reformas liberalizantes teria sido a queda da taxa de acumulação – e do crescimento econômico –, principalmente nos países do centro do sistema. A financeirização, segundo essa ótica, disparou um processo anômalo de expansão dos títulos, ações, etc. que se auto realimentou, que se autonomizou, e que puncionou sistematicamente parte dos lucros obtidos nas atividades produtivas. Em consequência, a taxa de investimento caiu inexoravelmente para níveis bem baixos. A transformação da economia que havia sido construída após a II guerra mundial sob a orientação do keynesianismo, uma pujante máquina de crescimento, teria produzido, após as reformas neoliberais, apenas um sistema em que o crescimento se tornou anêmico e o rentismo passou a prosperar sem qualquer vergonha.

Os teóricos da corrente “crítica do valor” consideram essa avaliação do evolver do capitalismo gestado pelo neoliberalismo como uma crítica truncada. Para começar, ela omite que o capital financeiro, que é mais propriamente denominado de capital fictício, constitui-se como uma forma intrínseca e necessária da relação de capital. E que, por isso mesmo, existe em simbiose com capital funcionante: eis que toda operação financeira está ancorada direta ou indiretamente na produção real de mais-valor; não apenas colhe parte do mais-valor aí produzido, mas também permite e induz que ele seja aí criado. Se o capital funcionante se valoriza ao agregar valor atuando diretamente na esfera da produção mercantil, o primeiro se valoriza indiretamente, fora dessa esfera, mas somente o faz porque antecipa mais-valor que ainda vai se realizar ou ainda vai ser produzido no futuro. Logo, não apenas punciona mais-valor, mas também estimula a sua produção. Não faz sentido, portanto, confundir o jurismo com o rentismo tal como costumam fazer aqueles que não são capazes de ir além de uma crítica truncada do capitalismo.

Os teóricos da “crítica do valor” julgam, assim, que é enganoso considerar o capital financeiro como uma intrusão que parasita e abate o capital funcionante. Ademais, pensam também que esse capital, ao contrário do que admitem os autores da crítica truncada, teve um papel decisivo na sustentação da acumulação no período neoliberal. Se ela foi fraca, mas fraca ainda teria sido sem o boom de capital fictício observado em todo período. Pois, segundo eles, o advento da terceira revolução industrial reduzira drasticamente a possibilidade de crescimento da massa de mais-valor, jogando o capitalismo realmente existente num processo de estagnação e de declínio.  Nessa circunstância, a acumulação sustentada pela expansão explosiva do capital financeiro foi a única forma capaz de manter o sistema funcionando sem cair numa depressão profunda. Ora, para fornecer uma amostra do conteúdo desse argumento, publica-se aqui um excerto tirado do livro A Grande Desvalorização de Ernst Lohoff e de Norbert Trenkle, o qual já foi discutido em postagens anteriores. Nesse trecho da obra, eles explicam como o neoliberalismo foi capaz de produzir uma suspensão (temporária) do desenrolar da crise.

 

Ei-lo: Lohoff – A suspensão da crise pelo neoliberalismo

A grande desvalorização III

Imagem para AusteridadeCom esta postagem, a qual se segue a duas anteriormente feitas, concluímos a apresentação das teses de Ernst Lohoff e Norbert Trenkle desenvolvidas amplamente em A grande desvalorização. Este livro, como já dissemos, foi publicado apenas em alemão e em francês. Para mostrar como esses dois autores pertencentes ao grupo de autores da “crítica do valor” apreendem a relação entre certo travamento da acumulação de capital real e a expansão desmedida do capital fictício no capitalismo contemporâneo, publicamos a tradução de uma entrevista dada por eles mesmos e que foi publicada na revista Telepolis, em 2012. Ela esclarece como, na opinião deles, a produção de riqueza abstrata tem de continuar de modo insensato mesmo quando as bases da acumulação real foram erodidas pelo próprio movimento histórico de expansão do capital.

O conteúdo dessa entrevista é bem interessante porque ajuda a compreender também a lógica da política de austeridade que ora está sendo praticada, de modo bem disfarçado, no Brasil. Em resumo, essa lógica consiste em matar de fato parte da produção de bens e serviços para dar mais vida ao capital financeiro. Ao derrubar a produção de mercadorias, propicia também o rebaixamento dos salários reais, aumentando assim, implicitamente, a taxa média de lucro obtida pelo capital funcionante. E que não haja ilusão, pois, no capitalismo contemporâneo, o capital funcionante opera sob a liderança e o protagonismo do capital financeiro nacional e internacional. A ilusão de que ainda há progresso no capitalismo, aliás, não para de ser propagandeada inclusive por economistas que se apresentam como de esquerda.

 

O texto se encontra aqui: Como os bancos centrais são transformados em “bad banks

A grande desvalorização II

UMA NOTA COMPLEMENTAR

Examinou-se na nota anterior de mesmo nome, limitadamente, a tese central da corrente de pensamento marxista que se autodenomina de “crítica do valor”. De acordo com essa tese, a terceira revolução industrial, iniciada na década dos anos 60 do século XX, trouxe consigo um limite que o capitalismo não poderá superar: o decrescimento na produção de mais-valor decorrente do crescimento acelerado da produtividade do trabalho. Eis o que diz um autor destacado dessa corrente: “o capitalismo está chegando à sua crise final porque, com o crescimento da produtividade, agora a produção social total (global) de mais-valor apenas pode decrescer no longo prazo” (Ortlieb, 2014, p. 78). Nesta nota, complementar à primeira, pretende-se prosseguir e aprofundar aquele exame, discutindo agora certas condições necessárias para avaliá-la diante do desenrolar efetivo da realidade histórica contemporânea.

Numa nota futura pretende-se discutir como os autores dessa corrente apreendem a relação entre a queda da massa de mais-valor e o protagonismo do capital financeiro no capitalismo contemporâneo.

A nota complementar se encontra aqui: Queda da Massa de Mais-valor II

A grande desvalorização I

Imagem - La grande dévalorisation

Dois autores do grupo de pesquisadores da “crítica do valor”, Ernst Lohoff e Norbert Trenkle escreveram, em alemão, um livro muito interessante de interpretação da grande depressão, iniciada em 2008. Traduzido para o português, o título da obra fica assim: A grande desvalorização – porque a especulação e a dívida do Estado não são as causas da crise. O texto original foi publicado em 2012 e uma tradução para o francês apareceu em 2014: La grande dévalorisation… Nesta postagem, publica-se, primeiro, um resumo elaborado por eles mesmos da tese central do livro, o qual recebeu o seguinte título: A grande descarga de capital fictício. A versão aqui apresentada é despretensiosa, mas pretende estar de acordo com o texto original; ela foi elaborada a partir de uma tradução francesa do resumo escrito em alemão, a qual foi feita por Paul Braun. Ver http://www.palim-psao.fr/article-sur-l-immense-decharge-du-capital-fictif-par-ernst-lohoff-et-norbert-trenkle-108796981.html 

A interpretação da crise encontrada nesse livro está fundada numa conhecida tese de Robert Kurz segundo a qual, após a eclosão da terceira revolução industrial, o capitalismo entrou já na rota inexorável de seu próprio colapso. Pois, com ela, a produção social total de mais-valor, ao invés de crescer persistentemente como exige a lógica da acumulação de capital, passou a diminuir continuamente. Por isso, o grupo como um todo enxerga na enorme expansão financeira atual uma conclusão das contradições do próprio capital: por um lado, decorre de uma necessidade imanente da autovalorização do capital e, por outro, ocorre por meio de criação explosiva de capital fictício, capital fundado na apropriação possível de um mais-valor que, supostamente, será produzido no futuro. Como a massa de mais-valor está, segundo eles, declinando, o gigantesco volume de capital fictício assim criado não poderá se realizar enquanto tal. A valorização possível tornou-se, pois, impossível. Esses autores constatam, assim, que a relação de capital encontrou um limite que se revelará, ao fim e ao cabo, por mais que dure a agonia do sistema, como insuperável. O Reino de Hades é, pois, o seu destino…

Para explicar criticamente essa tese, publica-se também o pequeno texto Queda secular da massa de mais-valor – apenas uma nota explicativa.

A primeira encontra-se aqui: Da imensa descarga de capital fictício

A segunda encontra-se aqui: Queda da Massa de Mais-valor I

Exame crítico da teoria da financeirização

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Resumo

A teoria da financeirização tornou-se chave na compreensão marxista da evolução contemporânea do modo de produção capitalista. Entretanto, tal como tem sido formulada, ela não está totalmente de acordo com a compreensão do próprio Marx sobre as funções do capital portador de juros e do capital fictício na acumulação de capital. Examina-se, por isso, num novo artigo principalmente a teoria da financeirização de François Chesnais. A sua conjectura sobre a evolução recente do capitalismo é vista criticamente porque ela se restringe a condenar a dominação parasitária do capital industrial pelo capital financeiro. A predominância da lógica das finanças na condução da acumulação, segundo ele, vem rebaixar as perspectivas de crescimento da economia capitalista e, assim, dos salários dos trabalhadores encaixados no sistema. Mostra-se no texto que essa formulação apenas renova uma tradição muito antiga em Economia Política, a qual consiste em condenar o chamado “rentismo”, deixando, contudo, de condenar fortemente o capitalismo enquanto tal. A nota, no entanto, não deixa de fazer também um comentário crítico da teoria da financeirização de José Carlos Braga, a qual diverge da teoria muito mais divulgada e conhecida de François Chesnais.

O texto complexo do artigo faz parte do número 39 da revista Crítica Marxista, recém publicado. Ver http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/

Ideontologia

Gérard LebrunFoi preciso criar esse termo arrevesado para designar a compreensão de Hayek do capitalismo, a qual se funda – e somente se funda – na sociabilidade da esfera do mercado. Pois, recupera-se aqui um velho artigo de Gérard Lebrun, publicado em 1984, em que ele derramou uma refinada apologia das teses liberais sustentadas pelo autor de O caminho da servidão nas brancas páginas do falecido Jornal da Tarde. Trata-se de uma peça discursiva que merece ser mais uma vez divulgada já que, em sua impar modalidade, destaca-se como uma argumentação astuciosa que leva a uma completa rejeição do socialismo e das políticas socializantes em geral.

Nessa peça, esse renomado filósofo francês, bem conhecido então no meio universitário de ciências sociais no Brasil, destaca elogiosamente que Hayek entrou no principal debate político da era moderna com uma poderosa ontologia social. No mundo descrito por esse autor liberal, aliás, o herói é o empresário, o empreendedor capitalista – e não, claro, o operário, o trabalhador, o assalariado cuja pele continua como sempre disponível para o curtume.

Ora, esta – precisamente esta – era uma roupagem que o capitalismo podia usar no momento que o velho liberalismo, enquanto episteme do século XIX, já se tornara fora de moda. Como se sabe, nesse momento, o capitalismo já começara a se apresentar com uma nova vestimenta, adequada para o fim do século XX, o neoliberalismo. Adorno não mencionara na Dialética Negativa que toda ontologia contemporânea, precisamente por apresentar uma enfática pretensão de verdade, é sempre “uma disposição para sancionar uma ordem heterônoma”, dispensando-se, assim, “de se justificar perante a consciência crítica”.  E que sempre o faz – fique patente – a partir de traços aparentes da realidade ratificada como esfera que não deve ser radicalmente transformada.

Logo se verá: o capitalismo, no visor de Hayek, aparece como sociabilidade que se tece como ordem espontânea, a qual foi surgindo ao longo dos séculos por meio de um processo evolutivo lento, cego, mas certeiro, de seleção de regras. Essa ordem, segundo ele, seria o esteio da liberdade; sim, mas que liberdade? De todos ou apenas de alguns? Perante tal ideologia que assumiu a forma da ontologia, aquilo que se apresenta como crítica e que contraria a sua enorme pretensão de verdade passará a figurar, transfigurada, como diabrura irracionalista do espírito racionalista dos tempos modernos. Nos escritos de Hayek, o socialismo surge, nessa perspectiva, como uma mera ideia ou pretensão tecnocrática e construtivista de realizar a justiça social por meio do poder de Estado.

O discurso parece plausível a primeira vista porque o material para a sua elaboração foi fornecido, em parte, pelos próprios socialistas. Entretanto, como para o principal crítico do capitalismo, o socialismo rigorosamente não é uma mera ideia, não é um projeto de engenharia social, não se baseia na demanda por justiça social e não se realiza por meio do poder de Estado, a peça merece também uma resposta. Por isso, além de republicar aqui o artigo de Lebrun, publica-se também um texto crítico que visa contrariá-lo.

 

O artigo de Gérard Lebrun encontra-se aqui: A loteria de Friedrich Hayek

 

O artigo crítico, por sua vez, encontra-se aqui: Do socialismo centralista ao socialismo democrático

Dialética negativa e luta de classes

Adorno para o blog

É sabido que a luta de classes está amplamente ausente na teoria crítica de Theodor Adorno. Entretanto, há autores que julgam necessário se apropriar de seu conceito de dialética negativa a fim de desenvolver um pensamento anticapitalista que se mostre historicamente mais eficaz no alvorecer do século XXI. Pois, consideram que ele permite fazer uma boa crítica da concepção leninista de revolução e de socialismo, para, assim, retomar o projeto de transformação da sociedade. Eis que isto, segundo eles, tornou-se imperativo após o colapso do socialismo centralista, o qual florescera e murchara na extinta União Soviética. O pensamento de Adorno, mantido inquietamente no interior da tradição de Hegel e Marx, segundo eles ainda, permite renovar o papel da dialética na constituição de um pensamento revolucionário, mesmo se ele se afastara da práxis transformadora enquanto produção teórica e crítica.

Como as teses desses autores precisam ser mais bem conhecidas nos círculos socialistas brasileiros, esse blog publica uma tradução livre de um importante artigo que as apresenta incisiva e polemicamente. O seu autor, Sergio Tischler Visquerra, é professor da Universidade Autônoma de Puebla. O escrito de sua lavra se chama Adorno: o cárcere conceitual do sujeito, o fetichismo político e a luta de classes. Como artigo de coletânea foi originalmente publicado, em 2007, no livro Negatividad y revolución – Theodor W. Adorno y la política,  organizado por John Holloway, Fernando Matamoros e Sergio Tischler, uma edição da revista  Herramienta e da Universidade Autônoma de Puebla.

Para obtê-lo, clique aqui:Adorno – O carcere conceitual do sujeito

 

EUA: crescimento em queda

EUA - A aguia caí

EUA – A águia cai

Descendo a ladeira:

A queda do crescimento nos Estados Unidos

 

O artigo examina o processo histórico de aumento da produtividade do trabalho no capitalismo mais desenvolvido, ou seja, primeiro, na Grã-Bretanha e, depois, nos Estados Unidos. Para fazê-lo, toma por base um estudo do economista neoclássico Roberto Gordon, o qual desafia o consenso vigente entre os economistas, pois afirma que o crescimento não é um processo contínuo e que este, em consequência, não durará para sempre. No artigo, apresenta-se em primeiro lugar a explanação desse autor para a evolução da produtividade do trabalho nos últimos séculos. Em suma, ela está baseada no efeito catraca das inovações tecnológicas as quais ocorreram durante as ondadas das revoluções industriais.  Apresenta-se, depois, uma explanação alternativa para a grande transformação do capitalismo e seu provável esgotamento com base nas concepções de Marx sobre os processos de produção da manufatura e da grande indústria. Procura-se, então, ir além das formulações originais de Marx. Examina-se, então, o processo de produção da pós-grande indústria, tendo em mente apreender as características específicas do capitalismo contemporâneo.

O texto se encontra aqui: Descendo a ladeira – A queda do crescimento nos Estados Unidos

Ou aqui:  Sitio da SEP

Avesso do discurso econômico

Mafalda e os valores do capitalismo

Os economistas se enxergam como fontes inesgotáveis de racionalidade. Quando escrevem, costumam derramar sobre as pessoas “comuns” receitas sobre como devem gerir sua vida econômica atribulada; mais frequentemente, pontificam sobre como deve ser gerido o sistema econômico, sempre passando por infindáveis turbulências.  Por isso mesmo deveriam estar interessados no último número da Revista Limiar (vol.1, nº2) do Programa de Pós-graduação em Filosofia da Unifesp. Aí, eles podem encontrar dois artigos bem interessantes que lhes amassam o topete.

O primeiro, de Alselm Jappe, trata de alienação, reificação e fetichismo da mercadoria, um tema central para a compreensão da crítica da economia política de Karl Marx. Ora, esses termos apontam para o caráter intrinsecamente religioso do sistema econômico, mostrando, assim, que sob a sua fachada de racionalidade mora e se oculta uma irracionalidade altamente destrutiva que ora ameaça a existência da humanidade. O artigo contrapõe a ontologia do trabalho de Lukács à crítica do trabalho feita pelos autores da escola da “critica do valor” (Robert Kurz, por exemplo). O acesso ao artigo Alienação, reificação e fetichismo da mercadoria  encontra-se aqui: http://www.revistalimiar.org/uploads/2/1/6/4/21648538/1._anselm_jappe_-_limiar_n.2.pdf.

O segundo, de Tales Ab’Sáber, trata de uma perspectiva psicanalítica o comportamento dos analistas econômicos mais em evidência diante da crise econômica mundial de 2008. Como se sabe, mesmo vários “gênios” consagrados por meio do Prêmio Nobel fracassaram miseravelmente em antecipar que do “boom” vinha um formidável “bum”. Segundo esse autor, “os agentes que recusavam a realidade da crise assim a aprofundaram”. Eles foram cruelmente pervertidos pela recusa da realidade que claramente transbordava em relação ao seu modo vulgar de apreender o sistema fetichista da mercadoria. O acesso ao artigo Interesse e verdade: neoliberalismo e mentira encontra-se aqui: http://www.revistalimiar.org/uploads/2/1/6/4/21648538/7.tales_-_limiar_n.2.pdf

O mau humor do “mercado”

Taxa de exploração no Brasil - 1990-2013 - IIIA eleição para o cargo de presidente da república se aproxima no Brasil. A disputa pela orientação de política econômica do futuro governo se acirra conforme se acirra a disputa política dos próprios candidatos. Sobem os tons das críticas à política econômica da presidente Dilma e do ministro Mantega. Mas, afinal, o que está centralmente em jogo nesse debate? Numa nota curta, procura-se mostrar que a questão central pendente entre os economistas diz respeito, em última análise, ao grau de exploração da força de trabalho e, assim, da taxa de lucro – mesmo se aqueles envolvidos na querela parecem tratar de outra coisa ou tratam dela de um modo indireto, encoberto, elusivo. Toma-se partido aqui, entretanto, por uma alternativa ao existente que não está sendo posta em pauta, mas que vem a ser a única saída racional para uma civilização em crise profunda.

Para ler o texto, clique aqui: O mau humor do mercado