O que é financeirização? (I)

????????????????????????????????????????No prefácio ao livro A finança mundializada (2005), organizado por François Chesnais, Luiz Gonzaga Belluzzo não se esquece de equiparar o pensamento de Keynes ao de Marx:  “Marx, como Keynes, desvendou no capitalismo a possibilidade da acumulação da riqueza abstrata, desvencilhada dos incômodos da produção material. Para eles, tal ambição não é sintoma de deformação, mas de aperfeiçoamento da “natureza” do regime do capital.”  No entanto, como se sabe, Marx nunca propôs a “eutanásia dos rentistas”, mas Keynes o fez. Logo, não pode ser certo que Keynes tenha visto o desenvolvimento das formas financeiras do capital como “aperfeiçoamento da natureza do regime do capital”. Também é verdade que Beluzzo parece aprovar grosso modo as teses contidas no livro organizado por Chesnais. Mas, afinal, que teses são estas? Seriam elas corretas? Um livro recém-publicado, A political economy of contemporary capitalism and its crisis, propõe uma compreensão bem diferente da financeirização.

Para ler a nota clique aqui: O que é financeirização

Lei de Marx: pura lógica? lei empírica?

marx e criseApresenta-se nesta nota, em primeiro lugar, um resumo do debate recente entre Michael Heinrich e Michael Roberts sobre a validade da lei da queda tendencial da taxa de lucro. O primeiro autor, dando continuidade à tradição marxista contestadora, veio mais uma vez afirmar que ela não é nem empiricamente testável nem logicamente coerente. O segundo, na tradição marxista defensora, rebateu outra vez esses argumentos sustentando justamente o contrário. Em sequência, a nota procurar mostrar que ambas essas posições polares estão equivocadas. Pois, a lei de Marx não é nem uma proposição empírica vulgar nem uma tese puramente lógica. Ao contrário, vem a ser uma afirmação transfactual que expressa uma possibilidade real – uma necessidade relativa -, a qual apenas pode ser compreendida como momento expositivo no interior da dialética da acumulação de capital.

Para ler a nota chique aqui: Lei de Marx – Texto II

Um Gattopardo brazuca

????????????????????????????????????????O título desta nota veio de duas fontes. Proveio, primeiro, da leitura de Os limites do possível, livro recém-publicado de André Lara Resende (2013) e, segundo, de um artigo de Thomas Palley cujo título faz referência, precisamente, à celebre obra de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (2006): Gattopardo economics: the crisis and the mainstream response of change that keeps things the same (2013). E ela tem, é preciso deixar logo claro, um propósito bem acerbo e crítico. A nota pretende questionar acidamente as incongruências do conservadorismo ilustrado que anima o discurso de Resende na avaliação das perspectivas históricas do capitalismo contemporâneo.

Para ler a nota clicar aqui: Um gattopardo brazuca

Libertação do fetichismo?

É publicado aqui um texto de Anselm Jappe, companheiro intelectual de Moishe Postone na crítica ao “marxismo tradicional”. Este, segundo eles, criticou o capitalismo a partir do trabalho (isto é, do trabalho explorado) quando Marx desenvolveu em suas obras principalmente uma crítica do trabalho no capitalismo (isto é, do trabalho alienado). O autor de O Capital não formulou mesmo, diz Jappe, uma teoria do valor trabalho, mas sim, verdadeiramente, uma teoria crítica do trabalho como valor. No texto, ora publicado, ele argumenta a partir daí que a superação do capitalismo só poderá ocorrer quando for possível superar definitivamente o fetichismo das formas sociais mercantis. Ultrapassando, assim, a sociabilidade baseada no valor e no valor que se valoriza. Para discutir essa tese, ao final, é publicado também um breve questionamento crítico dessa linha de pensamento que, sem dúvida, participa do movimento de renovação do marxismo.

Artigo: Anselm Jappe – libertação do fetichismo?

Para superar o capitalismo II

Para retomar ainda a questão da superação do capitalismo, esta postagem apresenta um texto que trata da vigência histórica do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas. Nessa perspectiva, sustenta que a teoria do valor em Marx não é propriamente uma teoria do valor-trabalho com validade transistórica. É, isto sim, uma teoria do trabalho como ‘valor’ – uma categoria cujo espaço histórico está restrito ao modo de produção capitalista. Sustenta que, na história, o ‘valor’ não é posto de imediato em seus primórdios e nem vai ser deposto de uma vez em seu fim – quando, então, é suprimido politicamente para dar lugar a uma sociedade transparente. Ao invés, passa por um processo de formação e de desformação. O ato vindouro que acaba com a regulação inconsciente do processo de produção e instaura o socialismo não deixa de ser precedido pela deterioração das condições necessárias para a formação do valor já no capitalismo.

Para ler o texto clique aqui: Da posição e da deposição do valor

Para superar o capitalismo I

????????????????????????????????????????

Este postagem vem ao espaço virtual para recomendar fortemente um texto de Peter Hudis que retoma a questão da superação do capitalismo por meio da instituição de uma sociedade verdadeiramente humana: Trabalho social direto e indireto: que espécie de relação humana pode transcender o capitalismo. A partir de uma leitura apaixonada e rigorosa da Crítica ao Programa de Gotha, esse autor mostra que, para Marx, o socialismo é um modo de produção baseado em relações sociais diretas, democráticas, entre produtores livremente associados. E que, por isso, o seu advento depende crucialmente da deposição do valor como regulação social inconsciente das transações econômicas – o que, aliás, nunca aconteceu nos “socialismos” fracassados, baseados no planejamento centralizado e na governança de um partido-estado.

Para ler a tradução clique aqui: Hudis – Trabalho social direto e indireto.

Uma coisa transcendental

???????????????????????????????????????? Michael Heinrich virá ao Brasil em março para uma conferência. Ele é autor de um livro importante, bem rigoroso e muito didático, não traduzido para o português, que se chama Uma introdução aos três volumes de O Capital de Marx. Para divulgar um pouco o seu trabalho, este blog publica uma tradução de um pequeno artigo de sua lavra sobre o conceito de dinheiro na obra de Marx, o qual foi publicado antes em alemão e em inglês. Para apresentá-lo, ele menciona, comparativamente, como esse objeto social é apreendido pela escola neoclássica e pela escola keynesiana. Heinrich mostra que o dinheiro, em Marx, aparece como uma coisa com qualidades transcendentais. Indica, então, porque o capital é um importante desenvolvimento do dinheiro e porque ele engendra as suas próprias crises. Depois disso, explica a conexão entre crise econômica e crise financeira. Leia esse pequeno trabalho clicando aqui: Uma coisa com qualidades transcendentais.

Depressão ou colapso?

CO marxismo oracular de Robert Kurz

Em 1995, Robert Kurz escreveu, na revista alemã Krisis, um texto sobre a crise e a depressão econômica – e sobre o eventual colapso do capitalismo –, o qual, desde então, circula intensamente na rede mundial de computadores. Eis aqui o seu título em português: A ascensão do dinheiro aos céus – Os limites estruturais da valorização do capital, o capitalismo de casino e a crise financeira mundial. Com o objetivo de testar as ideias de Robert Kurz aí expostas, não sem antes fazer um esforço para resumir as suas teses sobre a evolução futura do capitalismo, procura-se verificar se as informações estatísticas disponíveis e que podem ser encontradas na literatura econômica sobre o tema vêm ou não corroborá-las. Foca-se a economia norte-americana em que se localiza o coração do capital mundial. Para acessar o texto como um todo é preciso baixá-lo aqui:  O marxismo oracular de Robert Kurz.

Dinheiro mundial inconversível

Dinheiro Interrogaçao

Volta-se nessa postagem ao artigo anteriormente divulgado sobre o dinheiro mundial inconversível. No texto anterior, primeiro, procurou-se apresentar a controvérsia brasileira sobre esse tema, a qual ressoou principalmente nas páginas da Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP). Em sequência, buscou-se desenvolver uma nova forma de compreender a emergência do dinheiro mundial sem valor intrínseco, que vem sendo considerado, como bem se sabe, um enigma para o pensamento marxista. Reapresentamos, agora, o artigo porque foi possível fazer certos aperfeiçoamentos conceituais que o tornaram – assim pensamos – mais rigoroso. A nova versão trabalha melhor – e explicitamente – as ilusões simétricas e complementares do fetichismo e do convencionalismo inerentes à compreensão do dinheiro no capitalismo. Para ler o artigo basta Da controvérsia brasileira sobre o dinheiro mundial inconversível.

Crise ou colapso?

Publicamos aqui, em tradução para o português, um novo texto de Michael Roberts. Nele, este autor discute de um modo simples umcolapso do dinheiro tema caro à tradição marxista. Questiona se a apresentação de Marx do modo de produção capitalista contém uma teoria das crises como fenômenos recorrentes ou se acolhe também uma teoria do colapso. A resposta que dá pode ser assim resumida: nessa apresentação, se não há apenas uma teoria de crises recorrentes, também não há uma teoria determinista do colapso do sistema como um todo. Este último, entretanto, permanece como uma possibilidade real num horizonte de tempo que não pode ser definido com precisão. Michael Roberts examina, então, com base em recursos de estatística descritiva, se é possível divisar os sinais de que um colapso está em andamento na trajetória da grande crise atual que, aliás, parece estar se transformando numa grande depressão. A resposta que consegue encontrar, se não é negativa, contempla um razoável grau de ceticismo quanto à efetivação dessa possibilidade. Para ler o artigo clique aqui: Michael Roberts – Crise ou colapso?