Por que quebrou?

Está sendo lançado um livro bem importante sobre a Crise de 2008, assim como sobre a Grande Recessão que veio em sua esteira: Crashed – How a decade of financial crises changed the world. Ou seja, em tradução aproximada: Quebrou – Como uma década de crises financeiras mudou o mundo. Ele foi escrito pelo historiador britânico Adam Tooze que, atualmente, é professor da Universidade de Columbia, EUA.Capa Adam Tooze

Aqui se publica uma resenha desse livro, feita pelo famoso blogueiro marxista Michael Roberts, com a finalidade de chamar a atenção para o seu conteúdo crítico – e crucial. Pois, tudo indica que estamos passando por um período muito dramático, certamente transformador, na história do mundo.

Ora, o sistema econômico vai continuar passando por grandes turbulências e a democracia realmente existente está se tornando iliberal. É, pois, preciso ficar atento porque a “era de ouro” e a democracia liberal do pós-guerra não vão voltar como dádivas. Uma disputa está sendo travada e ela versa, portanto, sobre o sentido dessa transformação.

O que esperar: uma democracia socialista radicalizada ou o advento de novos autoritarismos ou mesmo de fascismos já que os atuais governos neoliberais estão se mostrando incapazes de resolver satisfatoriamente os problemas que o desenvolvimento do capitalismo (crise ecológica, crise de migrações, crise de representatividade, etc.) criou historicamente?

Eis aqui a resenha: Mais sobre como quebrou do que por que quebrou

 

Macroeconomia Atônita

De volta para o futuro! Sim, mas que futuro? Dois macroeconomistas consagrados na academia norte-americana, Olivier Blanchard e Lawrence Progress and confusionSummers, juntaram-se para escrever uma proposta de reformulação das práticas de política e de regulação econômica e, talvez (e isto não está claro), de mudança da macroeconomia atualmente ensinada nos cursos ditos mainstream de Economics.

Eis o seu título: Repensando a política de estabilização. De volta para o futuro. Ora, quando se lê essa alvitrada atentamente, vê-se que eles estão confusos teoricamente. Pois, eles querem salvar a tradição neoclássica a qual pertencem e, ao mesmo tempo, salvar o capitalismo que agora voa baixo sob o comando do capital financeiro.

A proposta, pois, enseja um comentário crítico que, no entendimento dos economistas do sistema, talvez figure como mero blábláblá. Porém, os dois “gênios” não teriam cometido inconsistências, não teriam caído em vulgaridades? A nota que foi escrita para apontá-las está publicada aqui  A macroeconomia, sim, está atônita e, ao mesmo tempo, no Outras Palavras.

Demanda e oferta para incompetentes

Na maior parte do mundo e mesmo nos países ditos socialistas se ensina a microeconomia tal como foi img074desenvolvida pela teoria neoclássica. Ademais, grande parte do que se leciona sob o rótulo de macroeconomia funda-se também no modelo de equilíbrio geral que a cientificidade dominante põe como o arquétipo da boa teoria econômica. Ora, assim, se passa a pensar o sistema econômico real com base em uma noção positiva de equilíbrio que se caracteriza por afirmar o estado de repouso como o estado normal (pelo menos como forte tendência) de seu funcionamento.

Mas nem sempre, entretanto, foi assim. A teoria clássica e Marx, bem ao contrário, afirmam antes a anarquia e o desequilíbrio como o estado constante de seu evolver turbulento, um evolver complexo que põe uma certa ordem por meio apenas de permanente desordem. Por isso, essas teorias empregam noções negativas de equilíbrio: eis que permitem pensar o sistema num estado puro que ele só produz como resultado de intermináveis oscilações irregulares que se compensam ao longo do tempo.  

Aqui se desafia esse consenso e se busca mostrar que teoria neoclássica, mesmo se se apresenta como uma construção teórica que pode reivindicar a exatidão formal, não é rigorosa – ao contrário, sustenta-se numa pequena nota que até mesmo as suas noções usuais de oferta e demanda são artificiosas e mal fundamentadas.

A nota se encontra aqui:  Oferta e demanda para incompetentes

Equilíbrio: fundamento ou fenômeno emergente?

capa-da-revista-do-niepNeste artigo, publicado na revista Marx e o Marxismo do NIEP, quer-se mostrar que há dois modos bem distintos de apreender o movimento do sistema econômico que se organiza com base na centralidade da relação social de capital e sobre o qual se levanta e se desenvolve a sociedade moderna. Mesmo que uma delas seja plenamente dominante e que a outra permaneça quase esquecida, sustenta-se que é muito importante apreendê-las  como opostas, como antípodas, como rivais. Uma delas, para apreender a complexidade constitutiva desse sistema, toma o equilíbrio com um fundamento e, assim, trata o seu dinamismo como uma questão subordinada. A outra, ao contrário, assume que essa complexidade se desenvolve por meio de uma dinâmica turbulenta em que a ordem se configura por meio da desordem, de tal modo que o equilíbrio aparece apenas como um fenômeno emergente.

O artigo se encontra aqui: Equilíbrio: fundamento ou fenômeno emergente?

Os “comuns” em questão

Em setembro de 2015, publicou-se neste blog uma postagem com o título A luta pelo comum.  Por meio livre-de-coriatdela, divulgou-se o artigo Propriedade, apropriação social e instituição do comum, de Pierre Dardot e Christian Laval. Esses dois autores, nesse texto, defendem que “o princípio do comum que emerge hoje dentro de todos os movimentos sociais (…) não se define mais em termos de propriedade”. Ele é, assim, apresentado como oposto da propriedade privada, sem ser posto, alternativamente, como propriedade pública. Na postagem que se está aqui fazendo, divulga-se uma tradução de entrevista que Benjamim Coriat deu à revista Contretemps. Nela, ele defende um conceito de “comum” distinto do anterior. De modo diferente, sustenta ele a tese de que os “comuns” são compatíveis com a economia de mercado, ainda que venham “superar a ideia de que a única forma valiosa de propriedade seja a exclusiva”. Nessa perspectiva – é bem evidente –, os “comuns” são pensados sim como uma forma alternativa de propriedade em relação à privada e à pública. De modo crucial, bem ao contrário, ela pode conviver com essas duas últimas. O que distingue, segundo Coriat, os “comuns” é forma de governança, isto é, a forma pela qual a apropriação do recurso instituído como “comum” de certa comunidade vem a ser socialmente regulada por ela mesma.

A entrevista se encontra aqui: nao-podemos-apreender-os-comuns-com-as-chaves-do-passado

Marx e Keynes

capa-revista-da-sepO artigo que aqui se publica defende a tese de que há três subcampos radicalmente distintos entre si no campo da macroeconomia. E que eles estão demarcados pelas obras de Marx e Keynes. Sustenta, por isso, que duas clivagens os separam: a Lei de Say e a meta objetiva do sistema econômico. Há o subcampo da macroeconomia walrasiana em que se acolhe a Lei de Say. Há o subcampo da macroeconomia keynesiana em que se rejeita a Lei de Say para aceitar o princípio da demanda efetiva. Tal como no primeiro, aí se toma a produção de valores de uso como a meta própria do sistema econômico. Há o subcampo da macroeconomia marxiana em que se recusa tanto a lei dos mercados quanto o princípio da demanda efetiva. Para esta última, o próprio modo de funcionamento da sociabilidade capitalista põe o capital como um “sujeito automático”, de tal maneira que a acumulação de capital devém a meta própria do sistema econômico.

O texto esta aqui: como-marx-e-keynes-demarcam-o-campo-da-macroeconomia

 

Crise estrutural

Como se sabe, “crise” é sempre uma interrupção repentina e violenta no curso normal da existência de livro-de-mezarosum sistema. Crise econômica capitalista, nesse sentido, é uma interrupção no andamento do processo de acumulação de capital. Como também se sabe, “estrutura” é a disposição das partes num todo, isto é, o arranjo dos componentes desse todo tal como é posto pelo plexo das relações que unem as partes na formação do todo. Nesse sentido, o sistema econômico do capital é formado pelas relações sociais capitalistas, em particular e de modo central, pela relação entre o capital e o trabalho assalariado. Ora, qual é então o significado do termo “crise estrutural” que tem sido usado por alguns críticos do capitalismo? Um grande impasse na reprodução contínua desse sistema de relações sociais? No artigo aqui postado, examina-se essa questão no plano conceitual e no plano empírico. O capitalismo, como sistema mundial agora plenamente desenvolvido, passa atualmente por uma crise estrutural? Em seu desenvolvimento histórico, ele enfrenta agora mais uma barreira que pode superar (para vir a criar também, mais à frente, barreiras ainda mais poderosas) ou está encontrando finalmente o seu limite histórico insuperável?

O texto encontra-se aqui: crise-estrutural-do-capitalismo

Debate sobre a taxa de lucro

Na conferência da Historical Materialism realizada em Londthe-long-depressionres, entre os dias 13 e 16 de novembro deste ano, uma sessão discutiu o conteúdo do livro A longa depressão de Michael Roberts, publicado ainda no começo de 2016. Uma de suas teses, justamente aquela mais central, foi alvo de um cerrado ataque por parte de vários autores marxistas. Eles contestaram sobretudo que a queda da taxa de lucro seja uma explicação correta para as crises capitalistas em geral e, em particular, para a crise de 2008.

O conteúdo do debate então travado não é de modo algum novo, mas apesar disso continua bem importante. Pois, ele opõe marxistas que explicam as crises do capitalismo centralmente a partir da esfera da circulação do capital dos marxistas que insistem em explicá-las, tal como Marx, a partir da esfera da produção de capital, isto é, das contradições da produção capitalista. Dito de outro modo, trata-se de explicar as crises primeiramente como crises de lucratividade ou como crises de realização. Mesmo sem ter estado lá, supõe-se aqui que o debate tenha sido muito instrutivo para todos aqueles que puderam assisti-lo.

Uma ideia da controvérsia pode ser obtida pela leitura do texto que Michael Roberts publicou em seu blog, no qual expõem o núcleo central da divergência, assim como os argumentos críticos de um de seus oponentes, Jim Kincaid, e os seus próprios em defesa da centralidade teórica da lei da queda tendencial da taxa de lucro. Com a finalidade de ajudar os estudantes brasileiros a entender melhor essa temática, o texto por ele publicado, Debating the rate of profit, está aqui traduzido para o português.

Na leitura desse escrito fica patente uma dificuldade de muito marxistas para distinguir o motor das crises, isto é, o desenvolvimento das contradições próprias da relação de capital, das suas manifestações fenomênicas, tais como os repousos do processo da troca, as desproporções setoriais, a superprodução de mercadorias, o subconsumo das massas, a queda da taxa de lucro, a pletora de capital financeiro. Em consequência, calçando-se apenas na noção empírica de causa, eles caem num debate inconclusivo sobre se há ou não uma “causa” das crises em geral. De qualquer modo, boa leitura para todos aqueles que desejarem se aventurar no intrincado das controvérsias. Para aqueles que querem ir mais longe recomendam-se aqui dois livros: O negativo do capital de Jorge Grespan e O problema da crise capitalista em O capital de Marx, de Hector Benoit e Jadir Antunes.

Apesar do viés empirista, a posição de Michael Roberts se afigura como a que mais se aproxima da exposição marxiana das crises do capitalismo. O texto de Michael Roberts com a sua “pletora” de gráficos está aqui: debate-sobre-a-taxa-de-lucro.

Método de “O Capital”

Imagem do MarxFinalmente, depois de muito procurar, o autor deste blog encontrou um texto muito importante de Marcos Lutz Müller sobre o método de Marx. Eis o que diz o seu primeiro parágrafo: “A progressiva perda de especificidade metodológica do conceito de dialética, paralela à generalização do seu uso e à sua ampliação semântica, desembocou, hoje, nas versões não ortodoxas ou humanistas do marxismo, numa comprometedora diluição teórica do conceito, reduzido, muitas vezes, a um adjetivo pleonástico que qualifica um substantivo inexistente, ou, no marxismo-leninismo convertido em visão de mundo, no seu alinhamento ideológico, que evita voluntariamente aquela diluição pela invocação dogmática das três leis de Engels, reabilitadas em 1956.” Para ajudar a difundi-lo, a partir de agora, este texto está também publicado aqui: Muller – Exposição e Método Dialético em Marx

2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

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