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Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

Macrodinâmica na tradição clássica – Parte I

Por meio deste post está-se publicando a primeira parte de uma versão em português da macrodinâmica clássica apresentada por Anwar Shaikh no capítulo 13 de seu livro Capitalism – competition, conflict, crises, de 2016. O objetivo é difundir um modo de enxergar o funcionamento do sistema econômico como um todo que difere expressivamente da macrodinâmica keynesiana e pós-keynesiana.

O texto contém partes simplesmente traduzidas do autor do modelo, assim como parte escritas por este divulgador. Por isso, este último assume responsabilidade pelo texto, mas não reivindica qualquer originalidade. A meta é fazer uma apresentação do modelo em português com algum grau maior de didatismo. E incentivar os eventuais interessados a estudar o texto original.

O escrito está aqui: Macrodinâmica na tradição clássica – Parte I

 

Produtividade, investimento e lucratividade

Neste post encaminhamos uma nota publicada no blog The next recession, de Michael Roberts, em 11 de maio de 2019. Num artigo curto, recheado de gráficos ilustrativos, ele apresenta a sua explicação para a queda da produtividade nas economias capitalistas avançadas do Norte. E essa caída histórica é realmente impressionante, tal como se pode ver no gráfico abaixo:

 Segundo ele, o que tem causado uma queda da elevação da produtividade nessas economias é, simplesmente, a queda secular da taxa de lucro devido ao aumento da composição do capital e da parcela do lucro consumida pelas atividades socialmente necessárias, mas improdutivas de valor. Eis que sem taxa de lucro “razoável” não há investimento e, sem investimento em novas máquinas e novas tecnologias, não elevação da produtividade.

Entretanto, o editor deste blog precisa dizer que considera a sua resposta insuficiente. A queda na taxa de crescimento da produtividade se deve, também, à passagem de uma economia industrial para uma economia de serviços. Nesse sentido, a tese de Robert Gordon (mencionada no seu texto) parece fazer sentido.

A nota completa em pdf se encontra aqui: Produtividade, Investimento e Lucratividade

Crise no Brasil: explanação em marcha à ré

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está preocupado como o Brasil – assim como com outros países que estão como desempenho insatisfatório do ponto de vista de uma economia capitalista robusta: tem crescido pouco desde o fim da década perdida (1980-1990), passou por uma expansão mais acelerada entre 2004-2010 e entrou numa crise profunda a partir de 2014.

Ora, justamente por causa disso, os brasileiros em geral, também devem ficar preocupados com o que diz o FMI – como sempre. Logo, é preciso ler o que sob o seu nome se escreve com uma perspectiva bem crítica.

Essa instituição internacional patrocinou a publicação, em 2018, de um livro especialmente dedicado ao desenvolvimento econômico do capitalismo no país que é, como se sabe, “gigante pela própria natureza”: Brasil: expansão, queda e o caminho para a recuperação.

Aqui se pretende apresentar em linhas gerais e comentar criticamente o artigo principal Um período de duas décadas de reformas, expansão econômica e crise histórica. Pois ele encabeça uma lista composta por vários outros escritos de diversos outros autores.

Versão completa em PDF: Crise no Brasil – Explanação em marcha à ré

 

A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Neste post apresentamos uma nota curta de Robert Skidelsky, famoso historiador e economista que escreveu uma enorme e detalhada biografia de John M. Keynes, em três volumes. Nesse escrito, ele busca refutar a pretensão de cientificidade da teoria econômica que tenta promover a política de austeridade.

E o faz com extrema competência e simplicidade. A sua argumentação – é importante enfatizar – desenvolve inteiramente no campo da teoria econômica e da econometria. O seu argumento é que os defensores da austeridade – especialmente Alberto Alesina – vale-se de uma relação entre as taxas de crescimento e as variações do déficit público num certo conjunto de países para justificar a sua tese de que austeridade gera imediato crescimento. Mas, na verdade e de modo vulgar, toma uma correlação como se fosse uma relação de causalidade.

Neste blog já foi publicado um outro texto de John Milios que, entretanto, afirma a racionalidade da política de austeridade (em 14/11/2015). Segundo ele, austeridade é o modo por meio do qual é reforçada a disciplina do capital nas economias capitalistas contemporâneas. Ao implementá-la como política de Estado, visa-se, em última análise, a recuperação da lucratividade possível das empresas capitalistas. Mas os seus resultados podem ser ruins do ponto de vista macroeconômico, além de serem catastróficos para a grande maioria da população trabalhadora.

A nota crítica está aqui: A austeridade não se justifica nem teórica nem empiricamente

Alçando está? Ou está ficando para trás?

As teorias do desenvolvimento criadas no pós-II Guerra Mundial pressupunham que os países ditos subdesenvolvidos poderiam, por meio de políticas adequadas, superar essa condição. Conforme se urbanizavam e se industrializavam, eles iriam pouco a pouco alcançando os países ditos desenvolvidos.

Passados mais de setenta anos, a tese da convergência acima enunciada ainda prevalece como um suposto de fundo de boa parte dos teóricos ortodoxos. Ela, entretanto, não é mais defendida explicitamente. Pois, a história real do desenvolvimento econômica dos países do Sul não lhes dá qualquer suporte.

Neste post examina-se a hipótese de Nassif, Feijó e Araújo, segundo a qual o Brasil não está mais alçando (catching up) mas, ao contrário, está ficando para trás (falling behind). Pensando na tradição de Kaldor e Thirwall, esses três autores admitem também que o crescimento econômico do Brasil, provavelmente, continuará simulando o voo das galinhas.

Para acrescentar um viés um pouco mais pessimista à tese desses autores, mostra-se com base num artigo de Alan Freeman que as evidências históricas apontam não para uma convergência, mas para uma divergência. Os países do Sul, sob o capitalismo globalizado, estão ficando cada vez para trás em relação do Norte desenvolvido.

O que fazer? Aceitar o caminho da pobreza e até da barbárie ou reinventar o futuro?

O texto se encontra aqui: Alçando está? Ou está ficando para trás?

Hudson: Guerra Fria 2.0

Excepcionalmente, este blog publica um artigo que não estava previsto num planejamento que é feito pelo autor, mas que está oculto para os leitores. Na verdade, trata-se de uma republicação de uma nota que saiu ontem mesmo no sítio Sinpermiso.

O texto que aqui se ventila foi escrito por Michael Hudson e está disponível, em espanhol, no sítio mencionado e, em inglês, no blog desse autor. Título: As ameaças comerciais de Trump são realmente uma guerra fria 2.0.

A iniciativa faz parte de um esforço para dar uma pequena contribuição para a compreensão do que está acontecendo no mundo. Este blog prefere sempre tratar de temas internos à Economia Política em sentido estrito. Mas, atualmente, o problema geopolítico se apresenta como incontornável.

Como no dia 10 do corrente mês de junho de 2019 foi publicado um artigo de Ashley Smith sobre a guerra híbrida entre os Estados Unidos e a China, pareceu que este que agora se publica constitui-se em um complemento necessário ao primeiro. Ele mostra, sobre outro ângulo, que a rivalidade entre esses dois países tende lamentavelmente a se intensificar.

O texto se encontra aqui: Las amenazas comerciales de Trump son realmente una Guerra Fria 2.0

A rivalidade entre os Estados Unidos e a China vai se intensificar

Talvez o seguinte ponto de vista não seja realista: “A questão que se coloca é até que ponto essas escaramuças entre EUA e China serão o “novo normal” para as relações internacionais, refletindo o estilo agressivo e as preferências protecionistas da administração Trump ou o prelúdio para uma guerra comercial de amplo espectro”.

Pois, não se trata de uma ocorrência simplesmente econômica, mas de algo que marcará a geopolítica e a história mundial nas próximas décadas. Eis que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China está se transformando numa guerra híbrida que poderá envolver todos os países do mundo, direta ou indiretamente.

Trata-se de um confronto entre um império em relativo declínio e um império em ascensão, mas ainda mais fraco tecnológica e militarmente do que o primeiro.

Este blog, na busca de um melhor esclarecimento, publica hoje uma nota de um observador norte-americano, Ashley Smith, que foi publicado na revista eletrônica Jacobin. A sua tese e que “este conflito crescente entre as duas potências se constituirá na rivalidade central e imperial do século XXI”.

O que fazer diante dela? Smith opta pela luta por um socialismo democrático que não se inspira, nenhum um pouco, nas experiências socialistas fracassadas e totalitárias do século XX. Mesmo se esse socialismo tem nome, mas não tem ainda um conteúdo bem definido: como combinar democracia plena com um sistema de planejamento? – eis a principal questão.

O texto de se encontra aqui: A rivalidade entre os EUA e a China vai se intensificar

Capitalismo progressivo numa época sem futuro

Neste post apresenta-se uma resenha do último livro de Joseph E. Stiglitz, cujo título, traduzido, é Pessoas, poder e lucro – capitalismo progressivo para uma era de descontentamento (People, power, and profits – progressive capitalism for an age of discontent). Como sempre, faz-se isso sem deixar de manter uma atitude crítica.

Segundo esse autor, “capitalismo progressivo” é um novo nome para aquilo que na Europa é conhecido como socialdemocracia e que, atualmente, é chamado de socialismo democrático nos Estados Unidos. É claro que prefere esse novo nome para lembrar que se trata de reformar o capitalismo e não de suprimi-lo.

Stiglitz parte de um diagnóstico: o crescimento econômico tem diminuído nos Estados Unidos e na Europa e a repartição da renda tem se concentrado mais e mais no topo da distribuição. Em consequência, a sociedade de classe média, segundo ele, está sendo destruída nos países desenvolvidos.

O seu projeto de reforma nasce, assim, de um desejo de superar o que pode ser visto como uma catástrofe social em andamento no centro do capitalismo. Eis o que diz ao final:

Nós fizemos nos últimos quarenta anos um experimento com o neoliberalismo. A evidência mostra, sob qualquer medida, que ele falhou. E na medida mais importante – o bem-estar do cidadão comum – ele falhou miseravelmente. Precisamos salvar o capitalismo de si mesmo. Uma agenda de reformas capitalista progressista é a nossa melhor chance.

O texto está aqui: Capitalismo progressivo numa época sem futuro

P. S. Como o futuro da modernidade acabou, será que a humanidade será capaz de construir outro? A proposta de Joseph E. Stiglitz encontra um caminho para renovar o futuro? Ou ela é uma proposta ilusória porque compreende superficialmente o capitalismo?

Retrocesso na esperança Brasil?

Neste post publica-se um artigo curto de Pierra Salama, professor emérito da Universidade de Paris-Norte, estudioso da América Latina e um profundo conhecedor do desenvolvimento da economia capitalista no Brasil.

Neste artigo, ele expressa claramente a sua preocupação sobre o que vem acontecendo nessa economia pelo menos desde 1990 e sobre o que pode acontecer daqui em diante. O horizonte, segundo ele, está bem turvado.

A situação mundial contém muitas incertezas e a situação interna do Brasil parece bem instável. Por isso, ele julga muito difícil fazer previsões sobre o que pode vir a acontecer no País nos próximos anos.

De qualquer modo, examina dois tópicos cruciais: o andamento da repartição da renda e o processo de desindustrialização ora em curso. A evolução nos últimos anos dessas duas variáveis chaves, segundo ele, não contribuiu para forjar uma base sólida que permita alcançar um futuro brilhante.

As reformas ora em andamento não são propriamente inéditas em termos mundiais. Eis que não tem tido sucesso em promover o desenvolvimento econômico em outros países. Se, entretanto, aquelas que estão agora na pauta não forem feitas – dizem os seus defensores – o pais vai afundar numa crise profunda.

Ocorre que várias reformas liberalizantes já tem sido implementadas desde os anos 1990 no Brasil, mas os resultados anunciados e prometidos nunca apareceram. Esse tipo de fracasso não tem impedido, entretanto, que possam ser prometidos de novo tendo em vista a aprovação das reformas ora em pauta de discussão.

Parece que essa reformas ou “sacos de maldades” não são viabilizáveis por meio de consenso ou quase-consenso racionais, tal como se espera numa democracia normal, mas apenas criando choques e alimentando medos pânicos de que o futuro será desastrosos sem elas. Como se sabe, esse tipo de prática política compromete a democracia – mas esta última não parece ser um valor significativo para certos grupos radicais de direta que coqueteiam com a ditadura.

O texto está aqui: Retrocesso na esperança Brasil?

A “morte” do capitalismo segundo Keynes

Neste post apresenta-se uma nota escrita por uma extraordinária economista britânica que também se orgulha de ser professora de música, assim como de sua independência das correntes teóricas existentes. Seu nome: Frances Coppola. É assim que ela se apresenta em seu blog chamado Coppola Comment:

No passado, trabalhei para bancos… agora eu escrevo sobre eles. Na verdade, escrevo sobre finanças e economia em geral. E sobre qualquer outra coisa que me interessa – então você pode ocasionalmente encontrar posts neste site que não tenham nada a ver com serviços bancários, economia ou finanças.

No post aqui traduzido, ela discute uma tese de John Maynard Keynes sobre o futuro do capitalismo. Como se sabe, no capítulo 24 da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, ele sugeriu que esse sistema morreria de morte natural – e não de morte violenta – já que o seu desenvolvimento espontâneo levaria necessariamente à eutanásia do rentista. Ou seja, a própria acumulação de capital produziria, devido a sua abundância cada vez maior, a “eutanásia do poder cumulativo de opressão do capitalista” (que, no contexto, não se deve ser confundido com o empreendedor capitalista!).

Como não foi isto o que aconteceu, mas o inverso ao quadrado, vale ler o seu irônico comentário. Sem deixar de lembrar que ela escreve 83 anos depois de Keynes ter legado à posteridade essa magnífica previsão. A sua nota, que é também bem-humorada, encontra-se aqui:

Keynes e a morte do capitalismo