Autor: Eleutério F. S. Prado [1]
Diversos autores do campo da crítica da economia política têm aderido à tese de que o capitalismo evolveu de modo inesperado, assumindo agora o caráter de algo que chamam de tecno-feudalismo, sem deixar de ser ainda capitalismo: dentre eles, alguns dos mais vocais são Yanis Varoufakis, Mariana Mazzucato, Jodi Dean, Robert Kuttner, Michael Hudson e Wolfgang Streeck.
A formulação mais consistente dessa tese, entretanto, foi desenvolvida por Cédric Durand em seu livro Techno-feudalismo – Crítica da economia digital.[2] Contudo, um número bem menor de autores têm criticado essa teorização que, mesmo numa primeira visada, se afigura inusitada e estranha à tradição da crítica da economia política: dentre eles, conta-se Evgeny Morozov, Michael Roberts e o autor da presente nota. [3]
Foi Morozov quem apresentou até agora a análise desabonadora, mais extensa e mais sistemática, dessa tese em seu artigo Crítica da razão tecno-feudal. [4] Aí, ele definiu bem o contorno dessa formulação que pretende se configurar como um corpo teórico:
Os teóricos do tecno-feudalismo compartilham com os autores que sustentam a tese do capitalismo cognitivo [5] a suposição de que algo na natureza das redes de informação e dados empurra a economia digital na direção de uma lógica feudal de rentismo e despossessão, para fora e para além da lógica do lucro e da exploração.[6]
Em adição, esses autores se valem de uma analogia para encontrar um apoio mais firme à tese em consideração. Observam que o modo de coletar renda na economia digital tem uma certa semelhança – aparente – como o modo de extração de excedente no feudalismo histórico.
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