O economista neokeynesiano Richard C. Koo rebatizou as recessões que vem depois das grandes crises capitalistas como “recessões de balanço” (balance sheet recessions). Argumenta que são diferentes das recessões comuns. Pois, caracterizam-se, segundo ele, pelo fato de que as empresas, diante das enormes dívidas acumuladas antes, procuram, após a eclosão da crise, “minimizar o endividamento ao invés de maximizar lucros”.
Em particular, ele explica desse modo – bem detalhadamente – a recessão prolongada da economia capitalista no Japão após o estouro da bolha imobiliária em 1990.
Procura-se mostrar na nota que acompanha esta postagem que ele descreve bem o fenômeno, mas não o explica adequadamente. Pois, não é capaz de esclarecer porque se forma a bolha de crédito que antecede a crise e porque o investimento não se recupera depois que ela estoura. Eis que a sua explicação é de fato tautológica: o investimento não se recupera porque as empresas não querem investir, mas empregar os lucros para reduzir o endividamento.
Para encontrar uma explicação mais profunda do mesmo fenômeno recorre-se a um artigo de Esteban Maito em que ele estuda a crise e a recessão da economia capitalista no Japão a partir de Marx. Para fazê-lo, fornece-se um resumo da teoria da crise que se encontra no Livro III de O capital, indicando que ela é capaz de abarcar também o fenômeno atual da financeirização. Investiga-se, ademais, as consequências da intervenção do Estado no andamento da crise contemporânea. Mostra-se que, se ela evita, impedindo a destruição do capital, uma grande quebra das empresas e a derrocada do sistema financeirizado, faz com que surja uma recessão que se prolonga indefinidamente.
Para acessar a nota clique aqui: Estado e finança nas grandes crise da acumulação de capital.







política que se orienta efetivamente pela esperança de construir no vindouro um mundo globalmente melhor. Ademais, desde então, como sistema que tornava efetivamente mundializado, ele passou a operar sob a ameaça constante de uma estagnação secular. Foi diante dessa perspectiva que o neoliberalismo se difundiu e se afirmou como prática e pensamento político dominante que tem por função renovar e reativar o capitalismo. Para dar impulso à acumulação de capital em nível mundial, apresentou-se como um paradigma de racionalidade que visava condicionar em geral os comportamentos das pessoas, assim como o sentido do desenvolvimento da sociedade como um todo. Para tanto, ao mesmo tempo em que passou a sacralizar o sistema econômico como uma “ordem social” que se deve preservar acima de tudo, buscou transformar as pessoas em empresas, tratando-as de modo anti-humanista como veículos do processo de concorrência, isto é, como se fossem mero capital humano.
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