A crise argentina: uma perspectiva de longo prazo

Autor: Rolando Astarita [1]

A crise atual faz parte de uma longa história de quedas recorrentes do PIB, como mostra a tabela a seguir (Figura 1), que registra as variações anuais do PIB desde 1961 até o presente.  Tomamos como referência a crise de 1975, pois foi a última crise a ocorrer no âmbito da industrialização por substituição de importações (ISI), ou seja, do programa de desenvolvimento da industrialização baseado no mercado interno.

Figura 1

Após essa data, ao longo destes 50 anos, houve nada menos do que por 13 vezes houve “crescimentos negativos” do PIB, totalizando 20 anos ao todo. Em 1981-1982, 1988-1990, 1999-2002 e em 2019-2020, as quedas foram superiores a 10%. Embora os contratempos combinem com anos de crescimento e até mesmo, mais do que compensatoriamente, de alto crescimento. Eis agora como se comportou a inflação no período (Figura 2):  

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É o trabalho abstrato universal?

Publica-se aqui um escrito enigmático – como sempre – do mais produtivo filósofo de todos os tempos, Slavoj Žižek ! Artigo que, aliás, já foi publicado também por outros. Mas aqui isso feito com o objetivo de criticá-lo – não para pô-lo no pódio. Leia, portanto, o antigo anterior também aqui publicado: É Žižek um intelectual sério?

Autor: Slavoj Žižek [1] Tradução: Lucas Tretin Reich. Original: aqui

Na medida em que não se pronuncia sobre o papel fundamental que a ciência moderna desempenha nos circuitos do capital, Kohei Saito pensa abstratamente, no sentido hegeliano de abstrair ou ignorar as circunstâncias concretas. E em nenhum lugar essa abstração é mais palpável do que em sua afirmação na qual o trabalho abstrato já existe nas sociedades pré-modernas, que ele não é (como o valor) uma forma puramente social, que surge apenas por meio da troca de mercadorias. Ao fazer isso, Saito ignora o fato crucial de que a noção de trabalho abstrato de Marx pressupõe a ciência moderna, especificamente a termodinâmica do século XIX.

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É Žižek um intelectual sério?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Aviso: ainda que seja bem importante encontrar uma resposta, a pergunta posta pelo título não será aqui respondida. Pois, esta nota apenas visa reapresentar criticamente um artigo escrito por esse autor, o qual também ele escolheu denominar interrogativamente: É o trabalho abstrato universal? O objetivo consiste, outrossim, em opor uma pequena à sua provocação maior porque ela própria suscita esse tipo de dúvida. A reflexão necessária para respondê-la que fique, pois, com cada um. Mas que se examine também, ao mesmo tempo, por justiça, a seriedade do autor da presente nota.

A figura pública do autor de Menos que nada – Hegel e a sombra do materialismo dialético, como bem se sabe, levanta outros questionamentos: como se deve classificar melhor o Sr. Slavoj? Seria o Sr. Žižek um filósofo hegeliano, um crítico cultural pós-moderno, um leninista de escritório, um novo gênio iluminista ou mesmo um agitador contrarrevolucionário? Ora, essa espécie de confusão não seria produzida, propositalmente, por ele mesmo? Afinal, não se vive hoje na sociedade do espetáculo?

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Método dialético versus método estrutural

Publica-se em sequência um trecho do livro L´obscurantisme contemporain em que Pierre Fougeyrolas trata da diferença entre o método dialético e o método estruturalista. O texto versa sobre uma questão crucial: o que é um sistema? [2] O estruturalismo diz que um sistema está estruturado por um conjunto de regras de interação social que ele se julga capaz de desvendar.

Dialética à esquerda; Estruturalismo à direita; o centrão está irado.

A dialética diz que um sistema é uma totalidade em devir constituída a partir de determinadas relações sociais, vinculações contraditórias que unem/separam os indivíduos, bases internas, essenciais, sobre as quais as interações aparentes acontecem. Em consequência, como salientou Ruy Fausto, o estruturalismo opera por meio de totalizações feitas a partir de observações empíricas; já a dialética vai da aparência para a essência, opera por meio de reduções do que aparece ao que é. [3]   

Método dialético e método estrutural

Autor: Pierre Fougeyrollas [1]

Uma apreciação justa dos esforços de Lévi-Strauss exige a consideração do método que ele escolheu promover. É, portanto, com a análise e síntese estrutural que devemos nos preocupar agora.

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Policrise novamente

Autor: Michael Roberts

The next recession blog – 08/10/2023

No início deste ano, escrevi um poste sobre o que alguns chamam de ‘policrise’. O termo indica que o modo de produção capitalista está se defrontando com diversas tensões disruptivas simultâneas: econômica (inflação e recessão); ambiental (clima e pandemia); e geopolítica (guerra e divisões internacionais). Tudo isso começou a acontecer já no início do século XXI.  Palavra da moda na esquerda conectada às novidades, resume, em muitos aspectos, a minha própria descrição das contradições do sistema. Aquilo que designei como “longa depressão” já da década de 2010 está agora atingindo o seu auge.

Como neste mês de outubro as principais agências econômicas internacionais, o FMI e o Banco Mundial, se reúnem em Marraquexe, vale a pena atualizar aquela postagem. É bom verificar o que está a acontecer com as contradições que compõem a policrise do capitalismo.

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Os ciclos de globalização seguem a taxa de lucro

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 9/09/2023

O que a economia dominante entende por globalização é a expansão acelerada do comércio e dos fluxos de capital (mas não do trabalho) livremente através das fronteiras.

A globalização, assim definida como a expansão do comércio e dos fluxos de capitais a nível mundial, ocorreu em ondas, ou seja, períodos de rápida expansão do comércio e do capital a nível mundial e, em seguida, períodos em que o comércio e os fluxos de capitais diminuíram e os países reverteram para barreiras comerciais e de capital. Penso que podemos distinguir três ondas de globalização, por volta de 1850-80; por volta de 1944-70; e o maior de meados da década de 1980 até o final do século XX.

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China: investimento ou consumo?

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 08/2023

No segundo trimestre de 2023, a economia chinesa se expandiu em relação ao mesmo trimestre do ano anterior: cresceu 0,8% quando havia caído -1,9%. Parece forte, mas o crescimento trimestral foi de apenas 0,8%, havendo, pois, se desacelerado acentuadamente em relação aos 2,2% do primeiro trimestre de 2023.

Segundo uma medida confiável da atividade econômica, o PMI da China (índice de atividade econômica do Project Management Institute) de julho de 2023 caiu para 51,1, face a 52,3 no mês anterior (50 é o limiar entre a expansão e da contração). Este foi o valor mais baixo observado entre dezembro de 2022 e julho de 2023. A atividade fabril na China contraiu-se pelo quarto mês consecutivo.

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Xi Jinping: um imperador?

Autor: Ho-Fung Hung [1] – Jacobin EUA – 15/02/2023. Título original: Mussolini em Pequim

O modelo chinês de capitalismo dirigido pelo Estado está se desfazendo – e está desencadeando um novo autoritarismo.

Em 2008, antes de sua primeira candidatura séria à presidência dos EUA, Donald Trump expressou admiração sem reservas pelo modelo econômico da China. Naquela época, a China era vista como um lugar onde capitalistas como ele podiam buscar livremente lucros sem quaisquer restrições regulatórias:

Na China, os capitalistas ocupam centenas de hectares de terra, despejando sempre a sujeira no oceano. Certa vez, perguntei a um construtor: Você obteve um estudo de impacto ambiental? Ele me respondeu: “O quê?” Então, questionei: “Você precisava de aprovação para lançar os resíduos no mar?” Não, me disse.

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Uma crítica da ideia de financeirização

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

O uso do termo “financeirização” é muito difundido no campo da esquerda e, assim, do esforço de compreensão do capitalismo contemporâneo. Recentemente, saiu do prelo um bom livro sobre o tema, escrito por Ilan Lapyda, Introdução à financeirização (CEFA editorial, 2023). Para esse autor, esse fenômeno se manifestou após as crises dos anos 1970 como um movimento próprio da acumulação de capital. Eis que este tendeu a sair em parte da esfera produtora de valor e a se concentrar mais e mais na esfera financeira, amontoando na forma de dívidas. Ora, segundo ele, esse processo deslanchou à medida que, nas duas décadas anteriores, ocorreu superacumulação de capital (que aparece, por exemplo, como excesso de capacidade) e queda da taxa de lucro.

A financeirização, contudo, não veio sozinha, mas acompanhada: “A financeirização, nessa perspectiva” – diz Lapyda –, “se associou intimamente ao advento do neoliberalismo e ao tipo de globalização que impulsionou. O seu papel de destaque (…) foi alcançado por meio de um movimento de liberalização e desregulação dos sistemas financeiros” ocorrido dos anos 1970 em diante.

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Liberdade e Alienação; do humanismo mitigado (não-todo)

Autor: Mateus Flisfeder

Atualmente, o conceito popular de Antropoceno, usado para designar a era geológica humana, coloca em questão a centralidade da subjetividade humana. O pós-humanismo crítico – particularmente em suas versões ontologicamente realistas, neoespinosanas e deleuzianas, atreladas ao imediatismo e à imanência pura – exige o descentramento do sujeito humano. Este, em sua arrogância e desprezo prometeico pelo não humano, parece ter incendiado o mundo, causando danos ambientais irreparáveis. Mas será que uma descentração ativa do sujeito humano é realmente possível?

E se a única maneira de acessar adequadamente a situação for fazendo o oposto, isto é, ocupando uma posição antropocêntrica, não no sentido de dominação humana do mundo não humano, mas de fazer da subjetividade humana o centro metodológico e ético de nossa investigação sobre esse enigma? E se a era do Antropoceno exigir, não o descentramento do sujeito humano, mas o inverso? E se agora for preciso repensar um humanismo dialético e universalista por causa do Antropoceno?

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