Michael Roberts, que mantém na internet um blog muito ativo e muito acessado, escreveu um artigo interessante em que defende a validade analítica – e o interesse teórico – do cálculo de uma taxa de lucro para a economia global. Trata-se ele de um marxista com amplo conhecimento de macroeconomia que estuda a conjuntura mundial, em particular dos países centrais, numa perspectiva histórica. Ele, diferentemente de outras orientações menos comprometidas com os textos originais, atribui centralidade à lei tendencial da queda da taxa de lucro – e suas contra tendências – na explicação das crises do capitalismo, assim como dos processos de estagnação ou recuperação que a elas se seguem. Nesta nota, em sequência, traduzem-se simplesmente as partes mais importantes desse artigo com o fim de torná-lo disponível para um público mais amplo que se sente mais confortável lendo em português. De qualquer modo, recomenda-se fortemente aos interessados que leiam o artigo original, em inglês, diretamente em seu blog: http://thenextrecession.wordpress.com/. Para ler a nota em português clique aqui: Taxa de Lucro Mundial
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Da crise e da inflação
Uma abordagem marxista
Desenvolve-se aqui uma nota sem grande pretensão de originalidade, tendo em mente preencher uma lacuna na literatura marxista circulante no Brasil, com uma finalidade didática. Investiga-se impacto e as consequências de certas mudanças tecnológicas nas taxas de lucros setoriais de uma economia capitalista em que prevalece, inicialmente, taxa de lucro uniforme. O objetivo do exercício teórico é estudar certas contradições inerentes ao processo de acumulação de capital. A partir delas, examinam-se, então, duas manifestações básicas dessas contradições: a crise de realização e a inflação. Para continuar lendo, basta Baixar aula 8 aqui
O marxismo de David Harvey
O que é chave para compreender o desenvolvimento histórico do capitalismo e as suas crises, o subconsumo ou a superacumulação? O que divide os marxistas nessa questão? Na apresentação em anexo constrói-se um argumento para mostrar com a aceitação ou a rejeição da lei tendencial da queda da taxa de lucro apresentada por Marx no terceiro livro de O Capital divide os marxistas em duas correntes antagônicas: os teóricos do subconsumismo e os teóricos da superacumulação. Esse pano de fundo é utilizado então para fazer um comentário crítico do livro O Enigma do Capital de David Harvey. Segue a apresentação em pdf: O enigma do capital e as crises do capitalismo
Capitalismo Zumbi
Chris Harman e o capitalismo zumbi
Nesta nota de leitura, pretende-se apresentar o sentido geral das teses contidas no livro de Chris Harman, de 2009, que tem o seguinte título: Zombie capitalism – global crisis and the relevance of Marx, ou seja, capitalismo zumbi – crise global e a relevância de Marx. Neste livro, em cerca de 350 páginas, este autor visa explicar o desenvolvimento do capitalismo contemporâneo, mantendo fidelidade ao pensamento de Marx. Entre outros pontos, por exemplo, ele critica as ideias de dominância financeira e de financeirização que são muito difundidas no Brasil. Para ler essa matéria basta Baixar texto 27 aqui.
Dinheiro mundial inconversível
Da controvérsia brasileira sobre o dinheiro mundial inconversível
Resumo
Esta nota faz um retorno à controvérsia brasileira sobre o dinheiro mundial inconversível, travada entre 1998 e 2002, da qual participaram diretamente Gentil Corazza, Reinaldo Carcanholo, Claus Germer e indiretamente Leda Paulani. Enquanto os três primeiros discutiram por meio de artigos publicados na Revista da SEP, a última forneceu à controvérsia um material de fundo, por meio de sua tese de doutoramento que versou sobre o dinheiro. Nesse retorno não se examinará os argumentos contidos na controvérsia numa perspectiva de história do pensamento econômico. Eles serão examinados numa visada crítica que procura discutir certas ambiguidades aí presentes. O objetivo final é recuperar um debate importante, propondo uma nova solução para o enigma do dinheiro mundial inconversível presente na teoria marxista.
Para ler a nota como um todo basta Baixar texto 26 aqui.
Abstract
This note returns to the Brazilian controversy about the inconvertibility of the dollar as world money, occurred in between 1998 and 2002, attended directly by Gentil Corazza, Reinaldo Carcanholo and Claus Germer, and indirectly by Leda Paulani. While the first three discussed through articles published in the Journal of the SEP, the last one provided a background for the controversy through his doctoral thesis which reflected about money as a concept. This return does not consider the arguments contained in the controversy from a history of economic thought viewpoint. They will be examined in a critical perspective that seeks to discuss certain ambiguities found there. The ultimate goal is to recover an important debate, proposing a new solution to the riddle of the inconvertibility of the dollar as world money in Marxist theory.
A grande falha do capitalismo
Um resumo da tese de Andrew Kliman
em The Failure of capitalist production
A nota busca apresentar resumidamente a explicação dada por Andrew Kliman para a grande crise do capitalismo, a qual se manifestou fortemente a partir de 2007. Ela foi desenvolvida em seu livro A falha da produção capitalista – as causas subjacentes da grande recessão, publicado em 2012. Nessa obra, com base em uma investigação estatística extremamente árdua dos dados da economia norte-americana, ele sustenta a tese polêmica segundo a qual todo o desenvolvimento da crise, assim como as suas condições antecedentes, pode ser explicado estritamente com base nas concepções de Marx sobre as leis que determinam o evolver do capitalismo. Para ver o texto como um todo basta Baixar texto 25 aqui.
O enigma do capital
O marxismo pé-no-chão de David Harvey
Nesta nota procura-se mostrar que a compreensão de capital e das crises do capitalismo apresentadas por David Harvey em seu livro O enigma do capital e as crises do capitalismo são conceitualmente equivocadas quando postas em confronto com as teses de Marx. Ele sustenta, por exemplo, que o capital é um fluxo, o que não está em convergência com o conceito marxiano de capital; para Marx, como sabe qualquer estudioso de O Capital, é uma substância-sujeito. Ademais, a crise econômica para ele decorre de um obstáculo ao circuito de reprodução do capital, quando, para Marx, é o próprio capital que engendra endogenamente as suas crises. Para ler essa crítica, que, aliás, não é muito longa, basta Baixar texto 24.
Limites do valor
Limites do valor e do capitalismo
Eleutério F. S. Prado e José Paulo Guedes Pinto
O objetivo dessa nota vem a ser apresentar a questão do espaço histórico das categorias valor e trabalho abstrato. Isto é feito reinterpretando certos trechos da obra econômica de Marx, em especial O Capital e os Grundrisse.
Até o aparecimento do modo de produção capitalista, o valor não existia enquanto tal, pois ele não estava posto historicamente. Uma parte dos bens produzidos na antiguidade greco-romana se tornavam mercadorias e eram trocados por meio do dinheiro de modo regular; porém, durante esse período histórico, o valor se encontrava pressuposto. O mesmo continuou ocorrendo em todo período medieval. Para a dialética – é preciso enfatizar –, posição é determinação.
Quando surgiu o capitalismo na época moderna, o valor foi posto objetivamente na realidade social. Pois, só na época moderna se pode pensar com base na categoria de quantidade de trabalho socialmente necessária. Na forma capital, ele se tornou então sujeito do processo mercantil. Entretanto com o desenvolvimento desse modo de produção, ou seja, com o extraordinário aumento da produtividade do trabalho na grande indústria, o valor entra em crise, tornando-se desmedido.
A desmedida do valor explica a possibilidade do dinheiro mundial inconversível, o qual está na base da grande crise do capitalismo, ainda em andamento. Argumenta-se que a desmedida do valor produz intrinsecamente a desmedida do capital, especialmente na forma financeira. Há vários sinais de que o capitalismo está se tornando supérfluo para o desenvolvimento da sociedade. Ao contrário da opinião corrente, o socialismo é hoje uma possibilidade efetiva que está pressuposta no capitalismo contemporâneo, pois este perdeu a sua regulação sistêmica interna e se tornou descontrolado.
Resumo em inglês: ver abaixo. Texto em Portugues: Baixar Texto 23 na pasta “Economia Política”
Limits of the value and the capitalism
The purpose of this paper is to discuss the question of the historical space of value and abstract labor categories. This is done by reinterpreting certain parts of Marx’s economic work, especially the Grundrisse and Capital.
Until the appearance of the capitalist mode of production, the value did not exist as such because he was not posited historically. A part of the goods produced in the Greco-Roman times became merchandises and were exchanged by means of money on a regular basis; but during all this historical period the value was not posited; it was presupposed. The same occurred throughout the medieval period. For the dialectic – it must be emphasized – position is determination.
When capitalism emerged in modern times, the value was posited objectively in the social reality. Only in modern times one can think with the category of quantity of labor socially necessary. Capital as a social form became the real subject of the economic process. However with the development of this mode of production, ie, with the extraordinary rise in labor productivity brought by large industry, occurred the crisis of value and it became de-measured (according to Hegel’s logic, the measure turns out to be de-measure when it became more and more indeterminate).
This de-measure explains the possibility of the world money inconvertible, which underlies the actual great crisis of capitalism, still in progress. It is argued that value de-measure produces intrinsically capital de-measure, especially in its financial forms. There are several signs that capitalism is becoming superfluous for the development of society. Contrary to current opinion, socialism is now a real possibility, something that is presupposed in contemporary capitalism because it has lost its internal systemic regulation and has become uncontrollable.
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Emergência da emergência
Emergência sob a luz da dialética
No artigo, procura-se, em primeiro lugar, distinguir a ciência clássica da teoria dos sistemas, tal como foi formulada por Bertalanffy. Como essa segunda concepção de ciência apreende o mundo como uma hierarquia de sistemas de complexidade crescente, ela põe o problema da emergência. Discutem-se, em seqüência, duas grandes orientações na compreensão desse problema: o emergentismo fraco e o emergentismo forte. Mostra-se, depois, que ambas essas orientações não deixam de chegar a impasses lógicos, os quais as levam a cair em problemas lógicos: contradições ou irracionalismos. Trabalhando os conceitos de totalidade e contradição reflexiva, indica-se na seção final como a dialética de Hegel e Marx veio superar aqueles impasses, estabelecendo a possibilidade e a necessidade de um modo de pensamento que enfrenta o devir – e as transformações qualitativas – racionalmente.
O artigo completo se encontra na pasta Artigos: Baixar texto 22.
Complexidade e práxis
Complexidade: pressuposto ontológico da práxis
Desenvolve-se no artigo a tese enunciada em seu próprio título: a complexidade é pressuposição ontológica da práxis e, por isso mesmo, não pode ser definida tal como as noções tipicamente analíticas ou aritmomórficas. Para fazê-lo, discutem-se inicialmente certos elementos da ontologia de Lukács, a qual apresenta já essa compreensão, ainda que de modo implícito. Examina-se especialmente a sua idéia chave de “pôr teleológico”, por meio da qual caracteriza a atividade humana enquanto tal. Apresenta-se, então, com base em certas considerações filosóficas de Kosik, uma crítica das concepções de trabalho, práxis e dialética de Lukács. O artigo encaminha uma conclusão, sem prová-la: a complexidade se manifesta na ciência sob várias formas, as quais tendem a perder o caráter de saber instrumental; porém, apenas por meio de uma dialética materialista pode ser tratada adequadamente, isto é, de modo processual e onicompreensivo.
O artigo completo encontra-se na pasta Artigos.

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