Um socialismo para os novos tempos

Autor: Denis Colin [1]La-sociale – 03/10/2025

Introdução

Os partidos produzem programas, sem se preocupar muito se isso se sobrepõe às preocupações dos cidadãos. É para isso que serve um partido: criar programas, ser eleito e ter seu grupo parlamentar. Sobre o resto, veremos depois!

Os mais antigos ainda se lembram do programa do congresso de Metz do Partido Socialista em 1979 (a ruptura com o capitalismo) e das 101 propostas de François Mitterrand, que levaram exatamente ao oposto do prometido. No lugar do socialismo, tivemos Tapie, a liquidação da indústria do aço e um espaço claro para os “mercados” e o dinheiro em todos os níveis.

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O socialismo após a IA

Autor: Evgeny Morozov [1]

Fonte original: Jacobina – 19/12-2025 – Tradução Pedro Silva

Evgeny Morozov faz aqui uma crítica do esboço de economia moderna multicriterial de Aaron Benanav, apresentada aqui por meio da tradução de três partes de seus dois artigos publicados na NLR (eiso primeiro; eis o segundo; eis o terceiro). Ele analisa por que as tecnologias do capitalismo não devem ser consideradas meramente como ferramentas que o socialismo poderia usar de forma mais eficaz. Isso é especialmente relevante quando falamos de Inteligência Artificial (IA), que, em sua implementação, cristaliza e até cria valores e desejos. Eis o seu texto:

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Um socialismo possível para o futuro

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui. O segundo artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Primeiros passos

Como uma economia moderna poderia funcionar se fosse movida por múltiplos objetivos sociais em vez de ser regida pela busca do lucro privado? A primeira parte desta contribuição discutiu as formas como a tradição socialista clássica enfrentou essa questão, desde os utopistas do século XIX aos industrialistas da Rússia Soviética, passando pelos planejadores da Viena Vermelha, pelos socialistas guildas da Grã-Bretanha eduardiana e pelos arquitetos do estado de bem-estar social do pós-guerra. Um grande problema que essa tradição não conseguiu resolver foi como projetar instituições capazes de entreter múltiplos objetivos determinados democraticamente – eis que esses fins variados precisariam ser articulados e compostos a partir da alocação adequada dos recursos limitados.

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Um futuro possível para o socialismo

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Quais conclusões devem ser tiradas da longa história do socialismo? Primeiro, a luta por uma ordem econômica governada por objetivos mais amplos do que apenas a busca pelo lucro, tão incansavelmente reimaginada de Thomas More à Étienne Cabet e à William Morris, só pode ser bem-sucedida se for capaz de compreender toda a complexidade das sociedades capitalistas contemporâneas. Karl Marx pensou tardiamente sobre esse problema, mas (…) não deu atenção suficiente aos problemas da transição para um sistema econômico pós-capitalista, especialmente no que diz respeito ao investimento.

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Para ir além do capitalismo

Autor: Aaron Benanav [1]

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Poucos discordariam de que existe, por trás da turbulência política atual, um profundo mal-estar econômico. As taxas de crescimento nas economias avançadas são baixas. Quando são impulsionadas por gastos públicos, os ganhos se concentram, desproporcionalmente, nas faixas de renda alta. Empresas oligopolistas ocupam o topo das cadeias globais de valor, mantendo direitos de propriedade sobre uma variada gama de produtos, ao mesmo tempo em que terceirizam os processos de produção para licitantes com menores custos já que estão forçados a competirem entre si.

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IA: uma quebra anunciada

Ernst Lohoff [2]O boom do mercado de ações de IA[1]

O setor de IA mobiliza somas astronômicas de capital financeiro. Não se trata de um negócio lucrativo para as empresas de tecnologia que estão investindo, mas as suas ações continuam a alcançar níveis recordes. Os alertas sobre uma bolha de IA que pode estourar em breve estão crescendo. Faz-se muitas vezes uma comparação com a bolha das ponto-com ocorrida no final dos anos 1990. No entanto, a estrutura do mercado e a dinâmica de depreciação nestes dois casos diferem significativamente.

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Senhores digitais ou titãs capitalistas?

Crítica da narrativa sobre o “tecnofeudalismo”

Arif Novianto [1] – 5 de maio de 2025

Nos últimos anos, a ascensão de monopólios que operam por meio de plataformas como Google, Amazon, Meta e Microsoft gerou um debate crescente entre estudiosos e intelectuais públicos. Muitos deles descrevem esses desenvolvimentos sob a ótica de um suposto retorno às estruturas de propriedade feudais.

Essa narrativa, frequentemente rotulada como tecnofeudalismo ou como feudalismo digital, sugere que o capitalismo contemporâneo, baseado em meios de produção digitais, não é mais movido principalmente pela exploração do trabalho, mas pela extração de rendas de aluguel por meio do controle de infraestruturas digitais (Varoufakis, 2021).

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O capitalismo e a forma K

Michael Roberts – The next recession blog [1]

O K não é OK nos EUA

Lê-se no Financial Times que, na campanha do ano passado, Donald Trump prometeu “baixar os preços imediatamente, a partir do primeiro dia”. No entanto, desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, a inflação tem permanecido elevada para os padrões norte-americanos. Como resultado, a aprovação de Trump caiu por estar afetada por preocupações com a elevação do custo de vida. No entanto, na última quarta-feira, ele afirmou que as preocupações com o custo de vida dos Estados Unidos são um “trabalho sujo” e uma “farsa” que vem sendo perpetuada pelos democratas.

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Uma nova era feudal?

Walden Bello [1] – Counterpunch – 13 de novembro de 2025

Investidura de um cavaleiro (miniatura dos estatutos da Ordem do Nó, fundada em 1352 por Luís I de Nápoles) – imagem de domínio público

Desde que a Internet nasceu na década de 1990, e com ela as “big techs”, temos a sensação de que entramos numa nova era em termos de economia política global. Muitos tentaram apontar em que consiste essa transformação. Talvez aquela mais famosa entre esses pensadores críticos seja Shoshana Zuboff. Essa autora, como se sabe, afirmou num longo livro que estamos vivendo numa era de “capitalismo de vigilância”.

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Qual é o problema: a dívida pública ou a dívida privada?

Steve Keen – Blog do Substack – 19 de outubro de 2025

No texto que se segue, Steve Keen mostra porque a dívida privada é o verdadeiro problema econômico nas economias capitalistas e como se pode encontrar uma solução para ela – utópica certamente e, portanto, irrealizável em princípio.

O verdadeiro problema

Nem um dia – apenas, talvez, um segundo – passa sem que apareça algum sábio advertindo sobre os perigos da enorme dívida do governo americano. Por outro lado, mal se ouve qualquer menção ao tamanho da dívida privada. Isso ocorre porque a dívida do governo é muito maior do que a dívida privada; certo?

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