O enigma do capital

O marxismo pé-no-chão de David Harvey

Nesta nota procura-se mostrar que a compreensão de capital e das crises do capitalismo apresentadas por David Harvey em seu livro O enigma do capital e as crises do capitalismo são conceitualmente equivocadas quando postas em confronto com as teses de Marx. Ele sustenta, por exemplo, que o capital é um fluxo, o que não está em convergência com o conceito marxiano de capital; para Marx, como sabe qualquer estudioso de O Capital,  é uma substância-sujeito. Ademais, a crise econômica para ele  decorre de um obstáculo ao circuito de reprodução do capital, quando, para Marx, é o próprio capital que engendra endogenamente as suas crises. Para ler essa crítica, que, aliás, não é muito longa,  basta Baixar texto 24.

Limites do valor

Limites do valor e do capitalismo

Eleutério F. S. Prado e José Paulo Guedes Pinto

 O objetivo dessa nota vem a ser apresentar a questão do espaço histórico das categorias valor e trabalho abstrato. Isto é feito reinterpretando certos trechos da obra econômica de Marx, em especial O Capital e os Grundrisse.

Até o aparecimento do modo de produção capitalista, o valor não existia enquanto tal, pois ele não estava posto historicamente. Uma parte dos bens produzidos na antiguidade greco-romana se tornavam mercadorias e eram trocados por meio do dinheiro de modo regular; porém, durante esse período histórico, o valor se encontrava pressuposto. O mesmo continuou ocorrendo em todo período medieval. Para a dialética – é preciso enfatizar –, posição é determinação.

Quando surgiu o capitalismo na época moderna, o valor foi posto objetivamente na realidade social. Pois, só na época moderna se pode pensar com base na categoria de quantidade de trabalho socialmente necessária. Na forma capital, ele se tornou então sujeito do processo mercantil. Entretanto com o desenvolvimento desse modo de produção, ou seja, com o extraordinário aumento da produtividade do trabalho na grande indústria, o valor entra em crise, tornando-se desmedido.

A desmedida do valor explica a possibilidade do dinheiro mundial inconversível, o qual está na base da grande crise do capitalismo, ainda em andamento. Argumenta-se que a desmedida do valor produz intrinsecamente a desmedida do capital, especialmente na forma financeira. Há vários sinais de que o capitalismo está se tornando supérfluo para o desenvolvimento da sociedade. Ao contrário da opinião corrente, o socialismo é hoje uma possibilidade efetiva que está pressuposta no capitalismo contemporâneo, pois este perdeu a sua regulação sistêmica interna e se tornou descontrolado.

Resumo em inglês: ver abaixo. Texto em Portugues: Baixar Texto 23 na pasta “Economia Política”

 

Limits of the value and the capitalism

The purpose of this paper is to discuss the question of the historical space of value and abstract labor categories. This is done by reinterpreting certain parts of Marx’s economic work, especially the Grundrisse and Capital.

Until the appearance of the capitalist mode of production, the value did not exist as such because he was not posited historically. A part of the goods produced in the Greco-Roman times became merchandises and were exchanged by means of money on a regular basis; but during all this historical period the value was not posited; it was presupposed. The same occurred throughout the medieval period. For the dialectic – it must be emphasized – position is determination.

When capitalism emerged in modern times, the value was posited objectively in the social reality. Only in modern times one can think with the category of quantity of labor socially necessary. Capital as a social form became the real subject of the economic process. However with the development of this mode of production, ie, with the extraordinary rise in labor productivity brought by large industry, occurred the crisis of value and it became de-measured (according to Hegel’s logic, the measure turns out to be de-measure when it became more and more indeterminate).

This de-measure explains the possibility of the world money inconvertible, which underlies the actual great crisis of capitalism, still in progress. It is argued that value de-measure produces intrinsically capital de-measure, especially in its financial forms. There are several signs that capitalism is becoming superfluous for the development of society. Contrary to current opinion, socialism is now a real possibility, something that is presupposed in contemporary capitalism because it has lost its internal systemic regulation and has become uncontrollable.

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Dois métodos ou duas antropologias?

Comentário ao artigo Os dois métodos e o núcleo duro da teoria econômica de Bresser-Pereira.

Sob esse título, faz-se um comentário ao artigo Os dois métodos e o núcleo duro da teoria econômica de Bresser-Pereira. Partindo desse texto sugestivo enquanto reflexão sobre a prática do economista, procura-se examinar as concepções de homem da economia política clássica e keynesiana em contraste com aquela, altamente redutora, encontrada na teoria econômica positiva (principalmente, na teoria neoclássica). Mostra-se que a primeira orientação pensa o homem de modo abstrato como homem econômico, mas ainda assim de um modo realista já que o apresenta como agente subsumido ao sistema econômico. Mostra-se, depois, que a segunda orientação procura apresentá-lo de modo mecânico e formal, como se ele fosse uma mera peça, e não um verdadeiro agente, de um grande autômato – o sistema mercantil. Distingue-se, ao final, a concepção de Marx porque ela não está baseada numa antropologia fundante, mas pensa o homem como um ser em devir que ainda se encontra alienado e que pode se realizar como tal no transcurso da história.

Texto completo: Pasta Notas: Posição (8).

Causa e Efeito

Causa e efeito? Ou causa-efeito?

Nessa nota de aula, pretende-se mostrar de um modo didático, primeiro, como a causalidade é concebida na dialética de Hegel para poder expor, depois, como a concepção de causalidade por ele sustentada é necessária para resolver paradoxos que aparecem nos processos dinâmicos não-lineares. Para cumprir essa tarefa, será preciso apresentar, de início, como o entendimento – ou seja, o pensamento que se guia pela lógica da identidade e nela se fia para enfrentar o mundo – trata a relação de causa e efeito. Para fazê-lo, diante de um conjunto de concepções que tem uma história e que, postas em paralelo, mantém diferenças importantes entre si, não restará outra alternativa do que escolher as mais significativas para apresentá-las tópica, sumária e seqüencialmente. Para tanto, discute-se brevemente as concepções de causalidade de Aristóteles e da ciência moderna antes de chegar às concepções de Hegel.

Para ler a nota de aula completa, ir a pasta Aulas e baixar a aula 6.

O todo e as partes

O todo e as partes: a questão da emergência.

O objetivo da presente nota de aula é fazer uma apresentação didática da relação entre o todo e as suas partes, tratando também da questão da emergência que lhe é inerente. Discutem-se três possibilidades: o todo é um agregado; o todo é uma composição; o todo é uma totalidade. Discute-se, também, a questão: donde provêm as propriedades do todo? O reducionismo diz que vêm simplesmente das propriedades das partes. A análise compositiva afirma que advêm das capacidades de interação das partes. E a dialética sustenta, contra a aparência em contrário, que elas provêm da própria organização interna das partes que entram na formação do todo. As partes com as suas características fornecem o suporte para a constituição do todo, mas a sua existência enquanto tal é explanada pelo próprio processo de produção ou de reprodução de sua estrutura de relações internas (base de sua organização).

O texto complexo encontra-se na pasta Aulas, sob o título O todo e as partes – A questão da emergência

Emergência da emergência

Emergência sob a luz da dialética

No artigo, procura-se, em primeiro lugar, distinguir a ciência clássica da teoria dos sistemas, tal como foi formulada por Bertalanffy. Como essa segunda concepção de ciência apreende o mundo como uma hierarquia de sistemas de complexidade crescente, ela põe o problema da emergência. Discutem-se, em seqüência, duas grandes orientações na compreensão desse problema: o emergentismo fraco e o emergentismo forte. Mostra-se, depois, que ambas essas orientações não deixam de chegar a impasses lógicos, os quais as levam a cair em problemas lógicos: contradições ou irracionalismos. Trabalhando os conceitos de totalidade e contradição reflexiva, indica-se na seção final como a dialética de Hegel e Marx veio superar aqueles impasses, estabelecendo a possibilidade e a necessidade de um modo de pensamento que enfrenta o devir – e as transformações qualitativas – racionalmente.   

O artigo completo se encontra na pasta Artigos: Baixar texto 22.

Ciência relacional

Reducionismo e dialética 

Na primeira seção deste artigo, busca-se apresentar a ciência moderna, que é reducionista, por meio de seus traços fundamentais. Nesse sentido, mostra-se com base em escritos de Ulanowicz que ela pode ser caracterizada por um conjunto de fundamentos, os quais se encontram relacionados entre si: fechamento causal, atomismo, reversibilidade, determinismo e leis universais. Em seqüência, discutem-se as fraquezas da ciência moderna com base na crítica de Hegel ao mecanicismo. Segundo esse autor, essa ciência é culminação do saber do entendimento que privilegia a identidade em face da contradição, o fenômeno em relação à essência, a forma em relação ao conteúdo, etc. Ela opera com categorias abstratas, particulares e formais, sem articulá-las num sistema coerente visando à totalidade. Na terceira parte, tendo por inspiração as idéias de Ulanowics – mas recorrendo a outras fontes e procurando levá-las a outro patamar –, busca-se mostrar quais seriam as principais características de uma ciência relacional. Em contraposição àquelas da ciência reducionista, arrolam-se as seguintes: abertura causal, negação do atomismo (mas também do organicismo), irreversibilidade temporal, leis tendenciais que envolvem necessidade e casualidade, assim como, finalmente, historicidade de todos os processos naturais.  

Leia o artigo completo na pasta Artigos. Baixar artigo 21

Complexidade e práxis

Complexidade: pressuposto ontológico da práxis

Desenvolve-se no artigo a tese enunciada em seu próprio título: a complexidade é pressuposição ontológica da práxis e, por isso mesmo, não pode ser definida tal como as noções tipicamente analíticas ou aritmomórficas. Para fazê-lo, discutem-se inicialmente certos elementos da ontologia de Lukács, a qual apresenta já essa compreensão, ainda que de modo implícito. Examina-se especialmente a sua idéia chave de “pôr teleológico”, por meio da qual caracteriza a atividade humana enquanto tal. Apresenta-se, então, com base em certas considerações filosóficas de Kosik, uma crítica das concepções de trabalho, práxis e dialética de Lukács. O artigo encaminha uma conclusão, sem prová-la: a complexidade se manifesta na ciência sob várias formas, as quais tendem a perder o caráter de saber instrumental; porém, apenas por meio de uma dialética materialista pode ser tratada adequadamente, isto é, de modo processual e onicompreensivo.

O artigo completo encontra-se na pasta Artigos.

Renovação do Socialismo

Pós-grande indústria e a renovação do socialismo

O objetivo dessa nota é compreender as teses centrais de Moishe Postone, as quais tomaram forma principalmente em seu livro Tempo, trabalho e dominação social (Postone, 1993), na perspectiva do materialismo histórico. Como se sabe, esse autor distinguiu um marxismo tradicional, que surgiu no século XIX e que veio predominar no campo da esquerda no século XX, e um marxismo renovado, que retorna a Marx para encampar e ultrapassar os esforços teóricos e críticos do marxismo ocidental (de Lukács à Habermas). Para tanto, apresenta-se, primeiro, uma síntese das teses desse autor. Retomam-se, depois, os conceitos de manufatura, grande indústria e pós-grande indústria. Na seção final, reexaminam-se as teses clássicas de Engels em Socialismo utópico e socialismo científico para, em seqüência, estabelecer uma conexão entre o marxismo renovado sugerido por Postone e a pós-grande indústria. 

Ver artigo completo em Artigos/baixar texto 18

Pós-grande indústria

Pós-Grande Indústria e Neoliberalismo

O capitalismo está saindo da fase de grande indústria para a fase de pós-grande indústria. Na grande indústria, em O Capital, a matéria por excelência da relação de capital eram os ativos tangíveis (sistemas de máquinas); na pós-grande indústria, conforme o Grundrisse, são os ativos intangíveis (ciência e tecnologia). Então, o capital precisa se apropriar não só do tempo de trabalho vivo, mas também da inteligência coletiva. O neoliberalismo e a mundialização do capital não são pensados aqui, imediatamente, como resultados da dominação do capital financeiro, mas como expressões da contradição entre o capital e o trabalho na pós-grande indústria.

Ver artigo completo: Artigo/Baixar texto 17

 Post Large Industry and Neoliberalism

  Capitalism is in transition from the modern industrial phase to the post large industry one. In large industry, as Marx stated in Das Capital, the main material content of the capital relationship was physical assets (systems of machines); in post large industry, this role is taken over by intangible assets (science and technology). Now, as foreseen by Marx in Grundrisse, capital appropriates not only living labor, but general intellect as well. From this point of view, neoliberalism and the internationalization of capital are not seen, immediately, as results of the domination of financial capital, but as expressions of the contradiction between capital and labor in post large industry. 

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