O todo e as partes

O todo e as partes: a questão da emergência.

O objetivo da presente nota de aula é fazer uma apresentação didática da relação entre o todo e as suas partes, tratando também da questão da emergência que lhe é inerente. Discutem-se três possibilidades: o todo é um agregado; o todo é uma composição; o todo é uma totalidade. Discute-se, também, a questão: donde provêm as propriedades do todo? O reducionismo diz que vêm simplesmente das propriedades das partes. A análise compositiva afirma que advêm das capacidades de interação das partes. E a dialética sustenta, contra a aparência em contrário, que elas provêm da própria organização interna das partes que entram na formação do todo. As partes com as suas características fornecem o suporte para a constituição do todo, mas a sua existência enquanto tal é explanada pelo próprio processo de produção ou de reprodução de sua estrutura de relações internas (base de sua organização).

O texto complexo encontra-se na pasta Aulas, sob o título O todo e as partes – A questão da emergência

Emergência da emergência

Emergência sob a luz da dialética

No artigo, procura-se, em primeiro lugar, distinguir a ciência clássica da teoria dos sistemas, tal como foi formulada por Bertalanffy. Como essa segunda concepção de ciência apreende o mundo como uma hierarquia de sistemas de complexidade crescente, ela põe o problema da emergência. Discutem-se, em seqüência, duas grandes orientações na compreensão desse problema: o emergentismo fraco e o emergentismo forte. Mostra-se, depois, que ambas essas orientações não deixam de chegar a impasses lógicos, os quais as levam a cair em problemas lógicos: contradições ou irracionalismos. Trabalhando os conceitos de totalidade e contradição reflexiva, indica-se na seção final como a dialética de Hegel e Marx veio superar aqueles impasses, estabelecendo a possibilidade e a necessidade de um modo de pensamento que enfrenta o devir – e as transformações qualitativas – racionalmente.   

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Ciência relacional

Reducionismo e dialética 

Na primeira seção deste artigo, busca-se apresentar a ciência moderna, que é reducionista, por meio de seus traços fundamentais. Nesse sentido, mostra-se com base em escritos de Ulanowicz que ela pode ser caracterizada por um conjunto de fundamentos, os quais se encontram relacionados entre si: fechamento causal, atomismo, reversibilidade, determinismo e leis universais. Em seqüência, discutem-se as fraquezas da ciência moderna com base na crítica de Hegel ao mecanicismo. Segundo esse autor, essa ciência é culminação do saber do entendimento que privilegia a identidade em face da contradição, o fenômeno em relação à essência, a forma em relação ao conteúdo, etc. Ela opera com categorias abstratas, particulares e formais, sem articulá-las num sistema coerente visando à totalidade. Na terceira parte, tendo por inspiração as idéias de Ulanowics – mas recorrendo a outras fontes e procurando levá-las a outro patamar –, busca-se mostrar quais seriam as principais características de uma ciência relacional. Em contraposição àquelas da ciência reducionista, arrolam-se as seguintes: abertura causal, negação do atomismo (mas também do organicismo), irreversibilidade temporal, leis tendenciais que envolvem necessidade e casualidade, assim como, finalmente, historicidade de todos os processos naturais.  

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Complexidade e práxis

Complexidade: pressuposto ontológico da práxis

Desenvolve-se no artigo a tese enunciada em seu próprio título: a complexidade é pressuposição ontológica da práxis e, por isso mesmo, não pode ser definida tal como as noções tipicamente analíticas ou aritmomórficas. Para fazê-lo, discutem-se inicialmente certos elementos da ontologia de Lukács, a qual apresenta já essa compreensão, ainda que de modo implícito. Examina-se especialmente a sua idéia chave de “pôr teleológico”, por meio da qual caracteriza a atividade humana enquanto tal. Apresenta-se, então, com base em certas considerações filosóficas de Kosik, uma crítica das concepções de trabalho, práxis e dialética de Lukács. O artigo encaminha uma conclusão, sem prová-la: a complexidade se manifesta na ciência sob várias formas, as quais tendem a perder o caráter de saber instrumental; porém, apenas por meio de uma dialética materialista pode ser tratada adequadamente, isto é, de modo processual e onicompreensivo.

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Renovação do Socialismo

Pós-grande indústria e a renovação do socialismo

O objetivo dessa nota é compreender as teses centrais de Moishe Postone, as quais tomaram forma principalmente em seu livro Tempo, trabalho e dominação social (Postone, 1993), na perspectiva do materialismo histórico. Como se sabe, esse autor distinguiu um marxismo tradicional, que surgiu no século XIX e que veio predominar no campo da esquerda no século XX, e um marxismo renovado, que retorna a Marx para encampar e ultrapassar os esforços teóricos e críticos do marxismo ocidental (de Lukács à Habermas). Para tanto, apresenta-se, primeiro, uma síntese das teses desse autor. Retomam-se, depois, os conceitos de manufatura, grande indústria e pós-grande indústria. Na seção final, reexaminam-se as teses clássicas de Engels em Socialismo utópico e socialismo científico para, em seqüência, estabelecer uma conexão entre o marxismo renovado sugerido por Postone e a pós-grande indústria. 

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Pós-grande indústria

Pós-Grande Indústria e Neoliberalismo

O capitalismo está saindo da fase de grande indústria para a fase de pós-grande indústria. Na grande indústria, em O Capital, a matéria por excelência da relação de capital eram os ativos tangíveis (sistemas de máquinas); na pós-grande indústria, conforme o Grundrisse, são os ativos intangíveis (ciência e tecnologia). Então, o capital precisa se apropriar não só do tempo de trabalho vivo, mas também da inteligência coletiva. O neoliberalismo e a mundialização do capital não são pensados aqui, imediatamente, como resultados da dominação do capital financeiro, mas como expressões da contradição entre o capital e o trabalho na pós-grande indústria.

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 Post Large Industry and Neoliberalism

  Capitalism is in transition from the modern industrial phase to the post large industry one. In large industry, as Marx stated in Das Capital, the main material content of the capital relationship was physical assets (systems of machines); in post large industry, this role is taken over by intangible assets (science and technology). Now, as foreseen by Marx in Grundrisse, capital appropriates not only living labor, but general intellect as well. From this point of view, neoliberalism and the internationalization of capital are not seen, immediately, as results of the domination of financial capital, but as expressions of the contradiction between capital and labor in post large industry. 

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Teoria espetáculo

Teoria econômica de mercado

Segue um trecho da nota. A imitação de mercado em que compete a produção acadêmica  foi criada propositadamente, não emergiu espontaneamente no curso da história. A transformação da produção científica em algo que tem a forma de mercadoria foi posta intencionalmente por meio da criação de todo um sistema de avaliação centrado na quantificação. Com essa invenção institucional se importou para a esfera da academia na sociedade atual – que nunca foi santa, mas que permitia e respeitava em certa medida o trabalho sério – não apenas a forma mercadoria, mas também o fetiche da mercadoria. Na esfera do saber econômico, a matemática e a estatística, que são saberes reais em si mesmos, se tornaram suportes de saberes irreais que se afirmam por meio da forma e não pelo conteúdo.

Ver o texto completo em Notas/Posição 6.

Discriminação

A construção das diferenças entre os economistas

Buscamos neste artigo uma explicação para a origem das diferenças entre os economistas e para o modo como elas são construídas. Sugerimos que se trata de uma prática discriminatória ligada à hegemonia americana e ao advento do neoliberalismo, a qual está assentada no modo de emprego da matemática na teoria econômica ortodoxa. Apresentamos uma discussão sobre a síndrome da formalização em Economia, resumindo teses de McCloskey e Katzner que permitem formar um quadro mais claro do problema. Discutimos a metafísica da formalização empregada pela teoria econômica ortodoxa. Procuramos mostrar, finalmente, porque esta última se tornou, recentemente, mais frágil, pretensiosa e dogmática.

Ver texto completo em Notas/Posições (5)

Microdinâmica

Desafios à teoria neoclássica

Nesse artigo busca-se examinar criticamente o suposto mais importante da teoria neoclássica, ou seja, aquele que afirma serem as preferências subjetivas os fundamentos dos preços. Questiona-se a plausibilidade dessa construção paradigmática elaborando modelos econômicos focados de sistemas adaptativos complexos. Estes divergem da microeconomia tradicional por permitirem a interação descentralizada de grandes coleções de agentes heterogêneos, em ambientes que também se encontram em permanente processo de mudança. Faz-se, portanto, exercícios de microeconomia sistêmica, não reducionista. O método aqui empregado costuma ser denominado de modelagem computacional baseada em múltiplos agentes, vindo a ser também, frequentemente, encarado como meio de investigação social baseado na construção de sociedades artificiais. O artigo se inspira fortemente no livro Growing artificial societies – social science from the bottom up, de Epstein e Axtell (1996), que o utilizou de modo ilustrativo e exemplar na investigação abstrata de processos de coevolução que combinavam sub-processos demográficos, econômicos, culturais, etc., os quais são em geral tratados separadamente em campos científicos pertinentes. Em particular, eles examinaram certos processos dinâmicos associados ao evolver de uma economia de troca, os quais serão aqui retomados.

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Complexidade

Três concepções de complexidade

Expõe-se no artigo em seqüência três concepções de sistema complexo, cada uma delas com a sua noção específica de emergência. A primeira está crucialmente baseada na idéia de que esse tipo de objeto científico pode ser apreendido suficientemente com base na construção de sistemas dinâmicos. Ela será denominada aqui de dedutivista. A segunda delas, que será chamada de saltacionista, acredita que os sistemas complexos apresentam mudanças qualitativas que se manifestam no curso do seu processo evolutivo como novidades irredutíveis. A terceira delas será denominada de estrutural. Ela se baseia na idéia de que não há apenas nexos externos entre os elementos, mas também internos. E que estes vêm a ser inerentemente constitutivos tanto dos elementos enquanto tais quanto do todo sistêmico. Nessa perspectiva, os sistemas são objetos com estrutura de relações e posições, de tal modo que as suas propriedades emergentes passam a ser encaradas como formas de manifestação dessas estruturas.    

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