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Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

Complexidade e práxis

Complexidade: pressuposto ontológico da práxis

Desenvolve-se no artigo a tese enunciada em seu próprio título: a complexidade é pressuposição ontológica da práxis e, por isso mesmo, não pode ser definida tal como as noções tipicamente analíticas ou aritmomórficas. Para fazê-lo, discutem-se inicialmente certos elementos da ontologia de Lukács, a qual apresenta já essa compreensão, ainda que de modo implícito. Examina-se especialmente a sua idéia chave de “pôr teleológico”, por meio da qual caracteriza a atividade humana enquanto tal. Apresenta-se, então, com base em certas considerações filosóficas de Kosik, uma crítica das concepções de trabalho, práxis e dialética de Lukács. O artigo encaminha uma conclusão, sem prová-la: a complexidade se manifesta na ciência sob várias formas, as quais tendem a perder o caráter de saber instrumental; porém, apenas por meio de uma dialética materialista pode ser tratada adequadamente, isto é, de modo processual e onicompreensivo.

O artigo completo encontra-se na pasta Artigos.

Renovação do Socialismo

Pós-grande indústria e a renovação do socialismo

O objetivo dessa nota é compreender as teses centrais de Moishe Postone, as quais tomaram forma principalmente em seu livro Tempo, trabalho e dominação social (Postone, 1993), na perspectiva do materialismo histórico. Como se sabe, esse autor distinguiu um marxismo tradicional, que surgiu no século XIX e que veio predominar no campo da esquerda no século XX, e um marxismo renovado, que retorna a Marx para encampar e ultrapassar os esforços teóricos e críticos do marxismo ocidental (de Lukács à Habermas). Para tanto, apresenta-se, primeiro, uma síntese das teses desse autor. Retomam-se, depois, os conceitos de manufatura, grande indústria e pós-grande indústria. Na seção final, reexaminam-se as teses clássicas de Engels em Socialismo utópico e socialismo científico para, em seqüência, estabelecer uma conexão entre o marxismo renovado sugerido por Postone e a pós-grande indústria. 

Ver artigo completo em Artigos/baixar texto 18

Pós-grande indústria

Pós-Grande Indústria e Neoliberalismo

O capitalismo está saindo da fase de grande indústria para a fase de pós-grande indústria. Na grande indústria, em O Capital, a matéria por excelência da relação de capital eram os ativos tangíveis (sistemas de máquinas); na pós-grande indústria, conforme o Grundrisse, são os ativos intangíveis (ciência e tecnologia). Então, o capital precisa se apropriar não só do tempo de trabalho vivo, mas também da inteligência coletiva. O neoliberalismo e a mundialização do capital não são pensados aqui, imediatamente, como resultados da dominação do capital financeiro, mas como expressões da contradição entre o capital e o trabalho na pós-grande indústria.

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 Post Large Industry and Neoliberalism

  Capitalism is in transition from the modern industrial phase to the post large industry one. In large industry, as Marx stated in Das Capital, the main material content of the capital relationship was physical assets (systems of machines); in post large industry, this role is taken over by intangible assets (science and technology). Now, as foreseen by Marx in Grundrisse, capital appropriates not only living labor, but general intellect as well. From this point of view, neoliberalism and the internationalization of capital are not seen, immediately, as results of the domination of financial capital, but as expressions of the contradiction between capital and labor in post large industry. 

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Teoria espetáculo

Teoria econômica de mercado

Segue um trecho da nota. A imitação de mercado em que compete a produção acadêmica  foi criada propositadamente, não emergiu espontaneamente no curso da história. A transformação da produção científica em algo que tem a forma de mercadoria foi posta intencionalmente por meio da criação de todo um sistema de avaliação centrado na quantificação. Com essa invenção institucional se importou para a esfera da academia na sociedade atual – que nunca foi santa, mas que permitia e respeitava em certa medida o trabalho sério – não apenas a forma mercadoria, mas também o fetiche da mercadoria. Na esfera do saber econômico, a matemática e a estatística, que são saberes reais em si mesmos, se tornaram suportes de saberes irreais que se afirmam por meio da forma e não pelo conteúdo.

Ver o texto completo em Notas/Posição 6.

Discriminação

A construção das diferenças entre os economistas

Buscamos neste artigo uma explicação para a origem das diferenças entre os economistas e para o modo como elas são construídas. Sugerimos que se trata de uma prática discriminatória ligada à hegemonia americana e ao advento do neoliberalismo, a qual está assentada no modo de emprego da matemática na teoria econômica ortodoxa. Apresentamos uma discussão sobre a síndrome da formalização em Economia, resumindo teses de McCloskey e Katzner que permitem formar um quadro mais claro do problema. Discutimos a metafísica da formalização empregada pela teoria econômica ortodoxa. Procuramos mostrar, finalmente, porque esta última se tornou, recentemente, mais frágil, pretensiosa e dogmática.

Ver texto completo em Notas/Posições (5)

Microdinâmica

Desafios à teoria neoclássica

Nesse artigo busca-se examinar criticamente o suposto mais importante da teoria neoclássica, ou seja, aquele que afirma serem as preferências subjetivas os fundamentos dos preços. Questiona-se a plausibilidade dessa construção paradigmática elaborando modelos econômicos focados de sistemas adaptativos complexos. Estes divergem da microeconomia tradicional por permitirem a interação descentralizada de grandes coleções de agentes heterogêneos, em ambientes que também se encontram em permanente processo de mudança. Faz-se, portanto, exercícios de microeconomia sistêmica, não reducionista. O método aqui empregado costuma ser denominado de modelagem computacional baseada em múltiplos agentes, vindo a ser também, frequentemente, encarado como meio de investigação social baseado na construção de sociedades artificiais. O artigo se inspira fortemente no livro Growing artificial societies – social science from the bottom up, de Epstein e Axtell (1996), que o utilizou de modo ilustrativo e exemplar na investigação abstrata de processos de coevolução que combinavam sub-processos demográficos, econômicos, culturais, etc., os quais são em geral tratados separadamente em campos científicos pertinentes. Em particular, eles examinaram certos processos dinâmicos associados ao evolver de uma economia de troca, os quais serão aqui retomados.

Veja o artigo completo na pasta Artigos

Complexidade

Três concepções de complexidade

Expõe-se no artigo em seqüência três concepções de sistema complexo, cada uma delas com a sua noção específica de emergência. A primeira está crucialmente baseada na idéia de que esse tipo de objeto científico pode ser apreendido suficientemente com base na construção de sistemas dinâmicos. Ela será denominada aqui de dedutivista. A segunda delas, que será chamada de saltacionista, acredita que os sistemas complexos apresentam mudanças qualitativas que se manifestam no curso do seu processo evolutivo como novidades irredutíveis. A terceira delas será denominada de estrutural. Ela se baseia na idéia de que não há apenas nexos externos entre os elementos, mas também internos. E que estes vêm a ser inerentemente constitutivos tanto dos elementos enquanto tais quanto do todo sistêmico. Nessa perspectiva, os sistemas são objetos com estrutura de relações e posições, de tal modo que as suas propriedades emergentes passam a ser encaradas como formas de manifestação dessas estruturas.    

Ver o artigo completo em Artigo.

Teoria e Crise

A economia ortodoxa e a crise econômica

Recentemente criticaram-se os economistas ortodoxos porque eles não foram capazes nem de prever e nem de interpretar a crise econômica mais recente. Ora, os economistas ortodoxos não acreditam mais em qualquer possibilidade de transformação civilizadora do sistema. Eles se contentam com a expansão modernizadora que advém da acumulação descontrolada de capital. Pragmáticos por excelência, eles estão muito mais interessados no jogo do mercado e na defensa de teses profissionais e políticas que lhes parecem convenientes, do que em entender com certa profundidade científica os processos sociais e econômicos.

A verdade é que a teoria econômica ortodoxa, ao se afastar do compromisso da ciência moderna com a emancipação do homem, transformou-se duplamente: enquanto atividade para dentro do campo, ou seja, enquanto atividade legitimadora de competência, ela caiu num formalismo do irrelevante; enquanto atividade para fora do campo, ou seja, enquanto atividade funcional para o próprio funcionamento do sistema, ela se transformou em mercadoria – mercadoria que já não é coisa, mas imagem, propaganda e marketing de teses econômicas.  

Ver o texto completo em Escritos/Posições

Foucault

 

 Uma apresentação dialética

da geneologia do neoliberalismo de Foucault

Este artigo examina criticamente a genealogia do neoliberalismo desenvolvida por Michel Foucault em O nascimento da biopolítica. Considera que contém uma boa percepção da orientação social e política das práticas governamentais do neoliberalismo, mesmo se analisa somente os discursos teóricos que as fundamentam. Argumenta-se, porém, que ela falha por não compreendê-las como respostas históricas aos problemas econômico-sociais, postos pelo próprio desenvolvimento do modo de produção capitalista. E que ela falha, também, por não compreendê-las como manifestações de configurações históricas do Estado capitalista, as quais surgiram ao seu tempo como respostas às demandas da acumulação de capital e das próprias transformações da produção capitalista. Sustenta-se a crítica numa apresentação sumária, mas dialética, das configurações históricas desse modo de produção.