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Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

A agonia da relação de capital

Figura - O olho da HistoriaComo já se mencionou neste blog, dois autores do grupo de pesquisadores da “crítica do valor” (Grupo Krisis), Ernst Lohoff e Norbert Trenkle escreveram um livro importante de interpretação da atual crise estrutural do capitalismo. Traduzido para o português, o título da obra fica assim: A grande desvalorização – porque a especulação e a dívida do Estado não são as causas da crise. Numa nota, recém-publicada pela revista O olho da História, as suas duas teses mais importantes são questionadas. Sem desprezá-las, pergunta-se: A) há mesmo um declínio da produção de mais-valor no capitalismo contemporâneo?  B) a financeirização vem a ser uma reação impetuosa do sistema frente a ameaça iminente de seu próprio colapso?

O texto se encontra aqui: http://oolhodahistoria.org/inicio/wp-content/uploads/2015/06/agoniadarelacaodecapital.efsp-pdf.pdf

Da Crítica da Economia Política

logo_revistaoutubro_site1Foi publicado pela Revista Outubro, em sua vigésima-terceira ediçãoum texto  que procura discutir alguns pontos relevantes da crítica de Marx ao capitalismo e à sua compreensão.  O artigo toma como bem difícil a correta compreensão da dialética de O capital e, assim, da Crítica da Economia Política. Com a intenção de mostrar quão arisca e árdua é essa dificuldade, apoia-se principalmente na tradição brasileira de leitura das obras de Marx que versam especificamente sobre o modo de produção capitalista. E, para melhor expô-la, examina alguns pontos usualmente tomados como dificuldades importantes nos debates. Para fazê-lo, questiona certas teses de autores marxistas renomados que versam – sustenta-se que se equivocam – sobre o método desse autor.

O link encontra-se aqui: http://outubrorevista.com.br/economia-politica-os-descaminhos-da-critica/

Horizonte do capitalismo

Ascensão e DeclinioPerscrutando o horizonte histórico do capitalismo

 Após vários séculos de desenvolvimento capitalista, não teriam se realizadas já certas condições objetivas para a superação desse modo de produção? As relações de produção que o caracterizam não estariam entravando o desenvolvimento das forças produtivas? A questão não é certamente fácil de responder. Entretanto, mesmo sem pretender chegar a uma conclusão definitiva, é possível observar certa tendência à estagnação, a qual se manifesta especialmente nas economias ditas desenvolvidas. Após sugerir, como base na noção de “causação cumulativa”, que a histórica do capitalismo pode ser dividida numa fase de ascensão e numa fase de declínio, examinam duas grandes evidências empíricas: aquela que mostra uma queda secular da taxa de lucro e aquela que examina a passagem histórica da grande onda de crescimento da produtividade do trabalho.  O artigo concluí que chegou o momento de repensar o pós-capitalismo, isto é, um novo socialismo, agora profundamente democrático, como uma possibilidade real, ou seja, como um parto necessário que talvez seja possível fazer acontecer.

O artigo está aqui: Perscrutando o horizonte histórico do capitalismo

 

Dinheiro em Keynes: questões lógicas

IS-LM ModelComo se sabe, Keynes define o capitalismo como uma economia monetária de produção, ou seja, como um arranjo institucional destinado à produção de bens que funciona mediante trocas necessariamente mediadas pelo dinheiro. Isto não impede que seja capaz de pensar uma economia capitalista “não monetária”. Ora, essa incongruência e outras que se encontram em seu texto sugerem que se examine a teoria monetária desse autor de uma perspectiva lógica. Pois, é possível que lhe falte uma concepção justa sobre a natureza do dinheiro no capitalismo. Por que esse autor é capaz de pensar o capitalismo como uma economia monetária e, ao mesmo tempo, como uma economia não monetária? Ora, isto não tem uma raiz profunda no terreno metodológico? Não é o próprio modo de racionar de Keynes que gera necessariamente uma visão dicotômica do sistema econômico?  Como pensar desse modo parece absurdo do ponto de vista da teoria marxiana do capitalismo, o texto procura investigar essa questão. Chega à conclusão que há uma diferença profunda entre esses dois autores, sugerindo que eles não podem e não devem ser confundidos como tem acontecido frequentemente nos escritos de economia política. O texto se encontra aqui: Dinheiro em Keynes – Questões Lógicas

Estagnação secular

Lagarde - Pequeno (2)A estagnação secular e o futuro do capitalismo

Este artigo examina uma tese bem polêmica do economista keynesiano Lawrence Summers sobre o futuro imediato do capitalismo. Tomando como referência a situação atual dos países desenvolvidos, esse autor tem sustentado que o sistema produtor de mercadorias – o qual chama de economia de mercado – entrou em estado de estagnação secular. Mesmo sem o desejar, ao fazê-lo, ele põe em questão a existência futura do capitalismo no século XXI. Argumenta-se, então, que esse autor constata os sintomas, mas é incapaz de descobrir a verdadeira doença congênita que está corroendo por dentro esse modo de produção. Mostra-se, então, que as suas “sacadas” apenas podem receber uma fundamentação adequada e rigorosa com base na teoria do valor e da acumulação de Karl Marx – uma velha teoria do século XIX.

O artigo foi publicado na Revista do NIEP e se encontra aqui: A estagnação secular…

http://www.marxeomarxismo.uff.br/index.php/MM/article/view/76

 

Da crítica truncada

Imagem do Sursis II

Uma das teses mais populares sobre a crise econômica iniciada em 2008, muito difundia na esquerda keynesiana e marxista, sustenta que ela surgiu como resultado da exacerbação das atividades financeiras deslanchada ao fim da década dos anos 70 do século XX. Conforme reza, o advento do neoliberalismo na década dos anos 80 trouxe consigo o afrouxamento dos controles sobre a criação de capital financeiro, assim como, em consequência, a financeirização das empresas capitalistas voltadas para a produção de bens e serviços como mercadorias.

Um dos resultados dessas reformas liberalizantes teria sido a queda da taxa de acumulação – e do crescimento econômico –, principalmente nos países do centro do sistema. A financeirização, segundo essa ótica, disparou um processo anômalo de expansão dos títulos, ações, etc. que se auto realimentou, que se autonomizou, e que puncionou sistematicamente parte dos lucros obtidos nas atividades produtivas. Em consequência, a taxa de investimento caiu inexoravelmente para níveis bem baixos. A transformação da economia que havia sido construída após a II guerra mundial sob a orientação do keynesianismo, uma pujante máquina de crescimento, teria produzido, após as reformas neoliberais, apenas um sistema em que o crescimento se tornou anêmico e o rentismo passou a prosperar sem qualquer vergonha.

Os teóricos da corrente “crítica do valor” consideram essa avaliação do evolver do capitalismo gestado pelo neoliberalismo como uma crítica truncada. Para começar, ela omite que o capital financeiro, que é mais propriamente denominado de capital fictício, constitui-se como uma forma intrínseca e necessária da relação de capital. E que, por isso mesmo, existe em simbiose com capital funcionante: eis que toda operação financeira está ancorada direta ou indiretamente na produção real de mais-valor; não apenas colhe parte do mais-valor aí produzido, mas também permite e induz que ele seja aí criado. Se o capital funcionante se valoriza ao agregar valor atuando diretamente na esfera da produção mercantil, o primeiro se valoriza indiretamente, fora dessa esfera, mas somente o faz porque antecipa mais-valor que ainda vai se realizar ou ainda vai ser produzido no futuro. Logo, não apenas punciona mais-valor, mas também estimula a sua produção. Não faz sentido, portanto, confundir o jurismo com o rentismo tal como costumam fazer aqueles que não são capazes de ir além de uma crítica truncada do capitalismo.

Os teóricos da “crítica do valor” julgam, assim, que é enganoso considerar o capital financeiro como uma intrusão que parasita e abate o capital funcionante. Ademais, pensam também que esse capital, ao contrário do que admitem os autores da crítica truncada, teve um papel decisivo na sustentação da acumulação no período neoliberal. Se ela foi fraca, mas fraca ainda teria sido sem o boom de capital fictício observado em todo período. Pois, segundo eles, o advento da terceira revolução industrial reduzira drasticamente a possibilidade de crescimento da massa de mais-valor, jogando o capitalismo realmente existente num processo de estagnação e de declínio.  Nessa circunstância, a acumulação sustentada pela expansão explosiva do capital financeiro foi a única forma capaz de manter o sistema funcionando sem cair numa depressão profunda. Ora, para fornecer uma amostra do conteúdo desse argumento, publica-se aqui um excerto tirado do livro A Grande Desvalorização de Ernst Lohoff e de Norbert Trenkle, o qual já foi discutido em postagens anteriores. Nesse trecho da obra, eles explicam como o neoliberalismo foi capaz de produzir uma suspensão (temporária) do desenrolar da crise.

 

Ei-lo: Lohoff – A suspensão da crise pelo neoliberalismo

A grande desvalorização III

Imagem para AusteridadeCom esta postagem, a qual se segue a duas anteriormente feitas, concluímos a apresentação das teses de Ernst Lohoff e Norbert Trenkle desenvolvidas amplamente em A grande desvalorização. Este livro, como já dissemos, foi publicado apenas em alemão e em francês. Para mostrar como esses dois autores pertencentes ao grupo de autores da “crítica do valor” apreendem a relação entre certo travamento da acumulação de capital real e a expansão desmedida do capital fictício no capitalismo contemporâneo, publicamos a tradução de uma entrevista dada por eles mesmos e que foi publicada na revista Telepolis, em 2012. Ela esclarece como, na opinião deles, a produção de riqueza abstrata tem de continuar de modo insensato mesmo quando as bases da acumulação real foram erodidas pelo próprio movimento histórico de expansão do capital.

O conteúdo dessa entrevista é bem interessante porque ajuda a compreender também a lógica da política de austeridade que ora está sendo praticada, de modo bem disfarçado, no Brasil. Em resumo, essa lógica consiste em matar de fato parte da produção de bens e serviços para dar mais vida ao capital financeiro. Ao derrubar a produção de mercadorias, propicia também o rebaixamento dos salários reais, aumentando assim, implicitamente, a taxa média de lucro obtida pelo capital funcionante. E que não haja ilusão, pois, no capitalismo contemporâneo, o capital funcionante opera sob a liderança e o protagonismo do capital financeiro nacional e internacional. A ilusão de que ainda há progresso no capitalismo, aliás, não para de ser propagandeada inclusive por economistas que se apresentam como de esquerda.

 

O texto se encontra aqui: Como os bancos centrais são transformados em “bad banks

A grande desvalorização II

UMA NOTA COMPLEMENTAR

Examinou-se na nota anterior de mesmo nome, limitadamente, a tese central da corrente de pensamento marxista que se autodenomina de “crítica do valor”. De acordo com essa tese, a terceira revolução industrial, iniciada na década dos anos 60 do século XX, trouxe consigo um limite que o capitalismo não poderá superar: o decrescimento na produção de mais-valor decorrente do crescimento acelerado da produtividade do trabalho. Eis o que diz um autor destacado dessa corrente: “o capitalismo está chegando à sua crise final porque, com o crescimento da produtividade, agora a produção social total (global) de mais-valor apenas pode decrescer no longo prazo” (Ortlieb, 2014, p. 78). Nesta nota, complementar à primeira, pretende-se prosseguir e aprofundar aquele exame, discutindo agora certas condições necessárias para avaliá-la diante do desenrolar efetivo da realidade histórica contemporânea.

Numa nota futura pretende-se discutir como os autores dessa corrente apreendem a relação entre a queda da massa de mais-valor e o protagonismo do capital financeiro no capitalismo contemporâneo.

A nota complementar se encontra aqui: Queda da Massa de Mais-valor II

A grande desvalorização I

Imagem - La grande dévalorisation

Dois autores do grupo de pesquisadores da “crítica do valor”, Ernst Lohoff e Norbert Trenkle escreveram, em alemão, um livro muito interessante de interpretação da grande depressão, iniciada em 2008. Traduzido para o português, o título da obra fica assim: A grande desvalorização – porque a especulação e a dívida do Estado não são as causas da crise. O texto original foi publicado em 2012 e uma tradução para o francês apareceu em 2014: La grande dévalorisation… Nesta postagem, publica-se, primeiro, um resumo elaborado por eles mesmos da tese central do livro, o qual recebeu o seguinte título: A grande descarga de capital fictício. A versão aqui apresentada é despretensiosa, mas pretende estar de acordo com o texto original; ela foi elaborada a partir de uma tradução francesa do resumo escrito em alemão, a qual foi feita por Paul Braun. Ver http://www.palim-psao.fr/article-sur-l-immense-decharge-du-capital-fictif-par-ernst-lohoff-et-norbert-trenkle-108796981.html 

A interpretação da crise encontrada nesse livro está fundada numa conhecida tese de Robert Kurz segundo a qual, após a eclosão da terceira revolução industrial, o capitalismo entrou já na rota inexorável de seu próprio colapso. Pois, com ela, a produção social total de mais-valor, ao invés de crescer persistentemente como exige a lógica da acumulação de capital, passou a diminuir continuamente. Por isso, o grupo como um todo enxerga na enorme expansão financeira atual uma conclusão das contradições do próprio capital: por um lado, decorre de uma necessidade imanente da autovalorização do capital e, por outro, ocorre por meio de criação explosiva de capital fictício, capital fundado na apropriação possível de um mais-valor que, supostamente, será produzido no futuro. Como a massa de mais-valor está, segundo eles, declinando, o gigantesco volume de capital fictício assim criado não poderá se realizar enquanto tal. A valorização possível tornou-se, pois, impossível. Esses autores constatam, assim, que a relação de capital encontrou um limite que se revelará, ao fim e ao cabo, por mais que dure a agonia do sistema, como insuperável. O Reino de Hades é, pois, o seu destino…

Para explicar criticamente essa tese, publica-se também o pequeno texto Queda secular da massa de mais-valor – apenas uma nota explicativa.

A primeira encontra-se aqui: Da imensa descarga de capital fictício

A segunda encontra-se aqui: Queda da Massa de Mais-valor I

Exame crítico da teoria da financeirização

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Resumo

A teoria da financeirização tornou-se chave na compreensão marxista da evolução contemporânea do modo de produção capitalista. Entretanto, tal como tem sido formulada, ela não está totalmente de acordo com a compreensão do próprio Marx sobre as funções do capital portador de juros e do capital fictício na acumulação de capital. Examina-se, por isso, num novo artigo principalmente a teoria da financeirização de François Chesnais. A sua conjectura sobre a evolução recente do capitalismo é vista criticamente porque ela se restringe a condenar a dominação parasitária do capital industrial pelo capital financeiro. A predominância da lógica das finanças na condução da acumulação, segundo ele, vem rebaixar as perspectivas de crescimento da economia capitalista e, assim, dos salários dos trabalhadores encaixados no sistema. Mostra-se no texto que essa formulação apenas renova uma tradição muito antiga em Economia Política, a qual consiste em condenar o chamado “rentismo”, deixando, contudo, de condenar fortemente o capitalismo enquanto tal. A nota, no entanto, não deixa de fazer também um comentário crítico da teoria da financeirização de José Carlos Braga, a qual diverge da teoria muito mais divulgada e conhecida de François Chesnais.

O texto complexo do artigo faz parte do número 39 da revista Crítica Marxista, recém publicado. Ver http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/