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Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

Adam Smith, 300 anos depois

Michael R. Kratke [1]14/03/2024

Os liberais ainda o reverenciam hoje; como se sabe, vários think tanks  radicais pró-mercado são nomeados e referenciados por ele. O Instituto Adam Smith, em Londres, foi e continua sendo um dos mais importantes focos do neoliberalismo. Como costuma acontecer com os grandes autores, a sua extensa obra é pouco lida hoje. Na melhor das hipóteses, presta-se atenção apenas a trechos como aquele que fala da “mão invisível” do mercado. Adam Smith, que nasceu há trezentos anos em Kirkcaldy, perto de Edimburgo, é um dos pensadores mais incompreendidos da era moderna. Grande parte de seu patrimônio literário foi queimado por vontade própria, um total de 18 cadernos escritos à mão muito apertadamente.

Morreu aos 67 anos mundialmente famoso. Viveu e trabalhou na Escócia, em Glasgow e Edimburgo, mas também passou alguns anos em Londres. Viajou para a França e Suíça por mais de dois anos e conheceu a elite intelectual de seu tempo em Paris. Em casa, seus contemporâneos o consideravam o arquétipo do professor distraído que, pelo menos uma vez, andou pela rua principal monologando consigo mesmo. Mas esse cavalheiro um tanto peculiar lidou com as maiores mentes de seu tempo, com David Hume, bem como com Voltaire, Diderot, Turgot e Quesnay.

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Pouco desejo e muita obediência

Autor:  Amador Fernández-Savater[1] – IHU – 29/05/204

Segundo Amador Fernández-Savater, na nossa sociedade há muito pouco desejo e muita obediência aos mandatos de desempenho e produtividade. Sobre esse tema, segue-se uma entrevista que deu a Danele Sarriugarte Mochales e que foi publicada originalmente por Argia e reproduzida por El Salto, 29-05-2024.

DSM – Para começar, eu gostaria de perguntar sobre o ponto de partida do livro, que é composto por vários tipos de materiais. Como isso surge?

AFS – Há um compromisso com o livro como uma tecnologia, uma tecnologia muito poderosa. O que quero dizer? Você publica, as pessoas leem com liberdade e rapidez nas redes. É muito bom, há muitos textos de intervenção no presente, nos debates do presente. Mas fazer livro é outra coisa, há um trabalho de encontro e de reorganização, percebe-se como os problemas e as obsessões insistem continuamente, como se encaminham. O título permite articulação. O material é lido de forma diferente.

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Rentismo: um novo modo de produção?

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Introdução

Ladislau Dowbor, por meio de um artigo que denominou de A sociedade na era digital: um novo modo de produção (2024), propôs que o rentismo, propiciado supostamente pelas novas tecnologias da chamada “indústria 4.0” e alavancado pela financeirização, está no fundamento de um novo modo de produção.

Enquanto o capitalismo industrial havia apropriação do excedente e geração de mais capacidade produtiva por meio do investimento, no novo modo produção em emergência há, segundo ele, apropriação do excedente por meio do rentismo sem que ocorra uma ampliação dessa capacidade, de modo correspondente à acumulação. Eis o que diz:

Trata-se de outro modo de produção em construção, em que a financeirização supera a acumulação produtiva de capital, a exploração por meio do rentismo supera a exploração por meio de baixos salários (mais-valia), inclusive porque se desloca o próprio conceito de emprego. (Dowbor, 2014).

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Capitalismo progressista ou suicidário?

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 13/05/2024

Capa do livro

O economista liberal de esquerda e ganhador do Prêmio Nobel (Riksbank) Joseph Stiglitz tem outro livro para proclamar os benefícios do que ele chama de “capitalismo progressista”.  O título, The road to freedom, é uma glosa com o título do infame livro de Friedrich Hayek, The Road to Serfdom, publicado em 1944.

Antes de prosseguir, veja-se o que diz um autor de uma resenha publicada no The Guardian:

Stiglitz acha que o pensador monetarista favorito de Thatcher é responsável por uma desertificação da esperança humana. Mas o que significa para o futuro do capitalismo que as pessoas estejam perdendo a esperança?  Por enquanto, muitos se agarram ao pouco que obtém explorando o seu “capital humano”, mas o que ocorrerá quando perceberem que isso é bem insuficiente?  

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O que deu errado com o capitalismo?

Autor: Michael Robert – 27/05/2024

Ruchir Sharma

Ruchir Sharma tem um livro chamado O que deu errado com o capitalismo?  Ruchir Sharma é investidor, autor, gestor de fundos e colunista do Financial Times. Ele é o chefe dos negócios internacionais da Rockefeller Capital Management e foi investidor de mercados emergentes no Morgan Stanley Investment Management.

Com essas credenciais – ele está “dentro da besta” ou mesmo é “uma das bestas” –, ele deveria saber a resposta para essa sua pergunta.  Em uma resenha de seu livro no Financial Times, Sharma apresenta seu argumento.  Primeiro, ele diz:  “preocupo-me como os EUA estão liderando o mundo agora. A fé no capitalismo americano, que foi construído sobre um governo limitado que deixa espaço para a liberdade e a iniciativa individuais, despencou.”

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Capitalismo abutre – será mesmo?

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 08/05/2024

Estamos presos no capitalismo abutre?

Grace Blakeley é uma estrela da mídia da ala radical de esquerda do movimento trabalhista britânico.  Ela é colunista do jornal de esquerda Tribune e palestrante regular sobre debates políticos na radiodifusão – muitas vezes, ela se mostra como a única porta-voz da esquerda que defende alternativas socialistas.

Seu perfil e popularidade levaram seu último livro, Stolen, diretamente para o top 50 de todos os livros na Amazon.  Seu novo livro, intitulado Vulture Capitalism: Corporate Crimes, Backdoor Bailouts and the Death of Freedom (Bloomsbury 2024) alcançou ainda mais popularidade. Está “listado’ como o livro de não-ficção feminino do ano; até mesmo a revista Glamour considerou que se tratava de um livro essencial para jovens fashionistas lerem.

O tema principal de Blakeley em Vulture Capitalism é desmistificar o conceito de longa data da economia neoclássica convencional de que o capitalismo é um sistema de “livre mercado” e competição.  Se o capitalismo alguma vez teve “mercados livres” e competição entre empresas na luta para obter lucros criados pelo trabalho (e Blakeley duvida que alguma vez o tenha feito), então certamente não o faz agora. 

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Política existêncial: Eros em Marcuse

Autor: Ian Angus [1]

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Vou discordar um pouco de Andrew Feenberg no escrito O conceito de Eros em Marcuse. Ele discorre sobre o uso que Marcuse fez de Freud para desenvolver um conceito de razão erótica. Fez, assim, uma excelente apresentação do projeto de Marcuse. Não se poderia esperar menos de Andrew, especialmente em assuntos marcuseanos.

Talvez eu possa começar sublinhando um aspecto revelador da tentativa de síntese entre Marx e Freud feita por Marcuse. A maioria das discussões sobre Freud feita pelos marxistas foi inspirada na tentativa de explicar o fracasso da classe trabalhadora em cumprir a tarefa revolucionária a ela atribuída, em especial diante do fascismo. Freud foi invocado como um suplemento, no sentido derridiano, para explicar a irracionalidade da atração da classe trabalhadora pelo fascismo. Tal suplemento poderia deixar intocado o conceito de razão operante no marxismo – e mesmo a dicotomia razão/irracional em geral.

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O conceito de Eros de Marcuse

Autor: Andrew Feenberg

A síntese de Herbert Marcuse de Marx e Freud é a versão mais famosa e influente do freudo-marxismo. Nesta palestra, discutirei principalmente seu livro de 1955, Eros e a civilização, mas também, brevemente, Um ensaio sobre a libertação, publicado em 1969. Esses textos apresentam uma teoria social e uma ontologia da metapsicologia freudiana. Para tanto, Marcuse foi levado a fazer algumas elaboradas reconstruções da teoria do instinto freudiano.

De alguma forma, ele teve de introduzir considerações históricas marxistas na relação entre o que Freud chama de “eterno Eros” e o “seu adversário igualmente imortal”, Tânatos. Ele também teve de elaborar uma ontologia, isto é, uma teoria do ser, a partir da psicologia freudiana. Esta última operação é complicada e obscura. Assim, postula as pulsões fundamentais como aspectos da realidade, não apenas da psique.

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Samo Tomšič em paralaxe

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

A psicanálise de Freud à Lacan pressupõe o ser social posto pela sociabilidade mercantil, ou seja, o indivíduo social e, portanto, o dinheiro e, mais do que isso, o próprio capitalismo. Segundo o texto que aqui se vai examinar “não é o inconsciente que explica o capitalismo”, mas o oposto, “é o capitalismo que explica o inconsciente” (Tomšič, 2015, p. 108). Para examinar essa tese – e os seus problemas – é preciso estudar criticamente o que diz Samo Tomšič em seu livro O inconsciente capitalista (2015). Mas será que se chega a algum lugar?

Ele parte de Freud:

A Interpretação dos Sonhos quiz ir além dos seus significados para examinar os mecanismos formais que podem ser reconhecidos nos processos oníricos, isolando assim sua função de satisfação (Tomšič, 2015, p. 100).

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Marx e Freud, um pelo outro

Qual é o tema da teoria crítica?[1]

Sandrine Aumercier[2] e Frank Grohmann[3]

A hipótese freudiana do inconsciente é inseparável de uma crítica do sujeito; o exame de Marx das categorias da economia política constitui uma crítica às relações sociais objetivas do capitalismo. As pesquisas enciclopédicas de Marx em todos os campos científicos de seu tempo, bem como as incansáveis incursões de Freud em disciplinas vizinhas – e, em particular, na teoria da cultura – mostram que nenhum dos dois desconhecia as limitações de suas respectivas abordagens. Pelo contrário, eles foram receptivos ao fato de que o método empregado exigia necessariamente uma extensão para além de si mesmo. Nenhum deles, entretanto, foi capaz de extrair todas as consequências dessa necessidade.

O que ambas as críticas têm em comum é que elas retornam à materialidade da vida psíquica e da vida social. A psicanálise o faz por meio da análise do desvio das formações do inconsciente; a crítica da economia política o faz por meio do exame das consequências sociais da redução da vida humana a um mero apêndice do movimento autônomo do valor, algo que acontece às costas do portador da função. O problema da consciência emerge em ambos como o verdadeiro escândalo.

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