Ouro: o que está por trás do boom?

Michael Roberts – The next recession blog – 9/10/ 2025

Esta semana, o preço do ouro em dólares americanos atingiu US $ 4.000 por onça-troy (que equivale a 24,3 gramas de ouro). Esta é uma alta histórica (pelo menos em dólares nominais). Mas mesmo essa alta parece destinada a ser superada. O banco de investimento Goldman Sachs prevê que chegará a um valor de US $ 4.900 por onça-troy até o final do ano. Note-se que preço do ouro em outras moedas importantes também tem se elevado.

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Ciclos longos na economia capitalista

Michael Roberts – The next recession blog – 26/12/2024

Há muito simpatizo com o conceito de longos ciclos na produção e acumulação capitalistas. A ideia é que a produção capitalista se move em ciclos, não apenas booms e recessões a cada 8-10 anos ou mais, mas que também há períodos mais longos de acumulação e crescimento da produção geralmente mais rápidos, ou seja, períodos de relativa prosperidade seguidos por períodos de acumulação e crescimento relativamente mais lentos.  com mais recessões. Esses ciclos ou ondas mais longas duram cerca de 50 a 60 anos, incluindo as fases de expansão e queda.

Se tais ciclos existirem e puderem ser apoiados por evidências empíricas, eles forneceriam um indicador importante do estado da economia capitalista mundial.

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O capital está morto?

Autor: Eleutério F. S. Prado

Os eventuais leitores deste textinho podem não acreditar, mas aquele que aqui escreve recebeu uma mensagem do além – além daquilo que aprendeu estudando O capital. E ela começa afirmando algo bem conhecido: no período que se inicia nos anos 80 do século passado, ocorreu uma “implosão da estabilização do mundo do trabalho fordista”. Começa bem, portanto, mas logo se aventura por sendas desconhecidas. Sugere, nesse sentido, que esse processo afetou de modo crucial o desenvolvimento da sociedade moderna; agora, passadas quatro décadas de seu início, ou o capital está moribundo ou ele está morto.

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Efeitos das transferências fiscais para os capitalistas

[1] Autor: Prabhat Patnaik [2] – Blog Ideas – 25 de novembro de 2024

É comum, atualmente, que os governos forneçam transferências fiscais aos capitalistas, seja por meio de redução das taxas de impostos corporativos ou fornecendo subsídios diretos; com essas medidas, eles visam incentivar um maior investimento por parte dos capitalistas, estimulando, assim, a economia.

Durante a primeira presidência de Donald Trump, houve um corte na alíquota do imposto corporativo com esse objetivo. Na Índia, o governo Modi, como é bem sabido, deu enormes concessões fiscais com o mesmo objetivo. Mesmo um conhecimento mínimo de economia, no entanto, mostra que tais transferências para capitalistas são contraproducentes em um regime neoliberal.

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O domínio exuberante do capital fictício

Autor: Renildo Souza[1]

O papel crucial da ciência e da tecnologia na economia capitalista do século XXI favorece a valorização das mercadorias-conhecimento gerando as chamadas renda-conhecimento

Neste artigo, centrado na categoria capital fictício e nos bancos, voltamos a discutir as possíveis pistas, os começos de elaboração, acerca da finança da lavra de Karl Marx na Seção V do livro III de O capital.

Em sua definição, Marx explicou: “A formação do capital fictício tem o nome de capitalização. Para capitalizar cada receita que se repete com regularidade, o que se faz é calculá-la sobre a base da taxa média de juros como o rendimento que um capital, emprestado a essa taxa de juros, proporcionaria”.[i]

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A genealogia incomum do conceito de capitalismo

Autor : Marcello Musto [1] – Sin Permiso – 20/10/2024

Embora Karl Marx seja considerado o principal crítico do capitalismo, ele raramente usou esse termo. A palavra também estava ausente dos primeiros grandes clássicos da economia política. Não só não tinha lugar nas obras de Adam Smith e David Ricardo, como também não foi usado nem por John Stuart Mill nem pela geração de economistas contemporâneos de Marx. Eles usaram o termo capital — comum desde o século XIII – mas não o termo capitalismo, que dele se deriva.

O termo capitalismo não apareceu até meados do século XIX. Era uma palavra usada principalmente por aqueles que se opunham à ordem existente das coisas, o qual tinha ademais uma conotação muito mais política do que econômica. Alguns pensadores socialistas foram os primeiros a usar essa palavra, sempre de forma depreciativa. Na França, em uma reedição da famosa obra L’organisation du travail, Louis Blanc argumentou que a apropriação do capital – e, através do próprio capital, do poder político – era monopolizada pelas classes abastadas.

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Porque as nações têm sucesso ou fracassam

Os economistas de países não desenvolvidos, mesmo se fazem um trabalho melhor, não ganham o prêmio Nobel de Economia. É preciso ver bem por que isso acontece. Roberts explica:

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 15/102024

Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson receberam, agora em 2024, o prêmio Nobel (que, na verdade, é o prêmio Riksbank) de Economia “por seus estudos sobre a formação das instituições e sobre como elas afetam a prosperidade”. Daron Acemoglu e Simon Johnson são professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. James Robinson é professor da Universidade de Chicago, também nos Estados Unidos.

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Sociabilidade associal: Marx e Freud

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Essa nota tem um caráter experimental. Faz-se aqui uma nova tentativa de encontrar um nexo entre as concepções de Karl Marx e Sigmund Freud, as quais são e não deixaram de ser heterogêneas entre si mesmas. E ela se segue à tentativa feita no artigo Capitalismo e pulsão de morte (2024). Sem pretender contrariá-lo, retoma-se a sua linha de pensamento e as suas teses principais. Ora, esse novo ensaio se tornou necessário face ao desafio encontrado na leitura de um artigo de Samo Tomšič que versa sobre o caráter antissocial da sociabilidade capitalista (2024).

Segundo Tomšič ambos esses autores investigam e expõem características centrais da sociedade moderna, mesmo se um deles enfoca essencialmente a sociabilidade da relação de capital e o outro a constituição da psique humana-social nessas condições históricas. Eis como ele apresenta o problema:

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As formas históricas da socialização do capital nos EUA

Resenha do livro The Fall and Rise of American Finance: from J.P Morgan to Blackrock de Scott Aquanno and Stephen Maher, Verso, New York, 2024, a qual foi  publicada em Marx and Philosophy Review of Books, em 15/08/2024.

Autor: Davide Ventrone [1]

Não faltam livros marxistas sobre o tema “finanças”, abrangendo uma variedade de tópicos e opiniões. Autores como Costas Lapavitsas, Cedric Durand e Ben Fine mostraram as relações de dinheiro, crédito, capital portador de juros e a financeirização em nossas vidas cotidianas. No entanto, poucos autores nos últimos anos discutiram as finanças principalmente para compreender as formas da governança corporativa. Nessa governança, característica das corporações modernas, aqueles que controlam a empresa não são os seus donos legais. E ela se dá sob várias configurações. Há, pois, diferentes regimes de governança corporativa unindo os investidores externos e os gerentes internos.

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A massa fascista e o “pequeno-grande homem”

Autor: Samir Gandesha[1]

Não pode haver dúvidas hoje de que, após um longo período de dormência, elementos autoritários e, às vezes, francamente fascistas retornaram à vida pública com força total. Voltaram não apenas por toda a Europa, Reino Unido e Estados Unidos, mas globalmente, mais notavelmente na Turquia, Índia e Brasil.

A imagem visualmente mais chocante de tal retorno são os centros de detenção de migrantes que se espalham pelo sul da Europa. Mais notórios, são os “acolhimentos” de crianças centro-americanas negligenciadas e aterrorizadas, supostamente sujeitas a abusos psíquicos e sexuais, nos campos de concentração na fronteira sul dos Estados Unidos com o México.

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