A IA está aí; mas, e depois?

Autor: Cédric Durand – Sidecar – 15 de janeiro de 2026

O valor de mercado das ações de empresas associadas a IA aumentou dez vezes na última década. Como recentemente John Lanchester observou na London Review of Books, todas, exceto uma, das dez maiores empresas do mundo estão associadas ao valor futuro a ser proporcionado pela inteligência artificial. Todas, exceto uma, são americanas; juntas, elas têm um valor igual a mais da metade da economia dos EUA.

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Um futuro possível para o socialismo

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Quais conclusões devem ser tiradas da longa história do socialismo? Primeiro, a luta por uma ordem econômica governada por objetivos mais amplos do que apenas a busca pelo lucro, tão incansavelmente reimaginada de Thomas More à Étienne Cabet e à William Morris, só pode ser bem-sucedida se for capaz de compreender toda a complexidade das sociedades capitalistas contemporâneas. Karl Marx pensou tardiamente sobre esse problema, mas (…) não deu atenção suficiente aos problemas da transição para um sistema econômico pós-capitalista, especialmente no que diz respeito ao investimento.

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Para ir além do capitalismo

Autor: Aaron Benanav [1]

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Poucos discordariam de que existe, por trás da turbulência política atual, um profundo mal-estar econômico. As taxas de crescimento nas economias avançadas são baixas. Quando são impulsionadas por gastos públicos, os ganhos se concentram, desproporcionalmente, nas faixas de renda alta. Empresas oligopolistas ocupam o topo das cadeias globais de valor, mantendo direitos de propriedade sobre uma variada gama de produtos, ao mesmo tempo em que terceirizam os processos de produção para licitantes com menores custos já que estão forçados a competirem entre si.

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A Venezuela e o petróleo “dele”

Michael Roberts – The next recession blog – 01/05/2026

Poucas horas após os ataques militares dos EUA à Venezuela e a captura de seu presidente, Nicolás Maduro, o presidente Trump proclamou que “grandes empresas petrolíferas americanas entrariam, gastariam bilhões de dólares, consertariam a infraestrutura gravemente quebrada e começariam a gerar dinheiro para o país.” 

Ora, Trump não escondeu que uma das principais razões para o ataque e sequestro de Maduro tinha como objetivo colocar os EUA no controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela, descritas por Trump como “nosso” petróleo.

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Senhores digitais ou titãs capitalistas?

Crítica da narrativa sobre o “tecnofeudalismo”

Arif Novianto [1] – 5 de maio de 2025

Nos últimos anos, a ascensão de monopólios que operam por meio de plataformas como Google, Amazon, Meta e Microsoft gerou um debate crescente entre estudiosos e intelectuais públicos. Muitos deles descrevem esses desenvolvimentos sob a ótica de um suposto retorno às estruturas de propriedade feudais.

Essa narrativa, frequentemente rotulada como tecnofeudalismo ou como feudalismo digital, sugere que o capitalismo contemporâneo, baseado em meios de produção digitais, não é mais movido principalmente pela exploração do trabalho, mas pela extração de rendas de aluguel por meio do controle de infraestruturas digitais (Varoufakis, 2021).

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Sohn-Rethel: a mercadoria e a ciência moderna

Autor: Eleutério F. S.Prado[1]

Da síntese social

Sohn-Rethel – que se definia como marxista crítico – em seu Trabalho manual e intelectual: para a crítica da epistemologia ocidental (1978), agora traduzido para o português (2024), sustenta uma tese audaciosa. “O trabalho manual se ocupa das coisas, das quais a razão teórica considera apenas o ‘fenômeno’” (Sohn-Rethel, 2024. p. 41). A partir desse problema, ele busca descobrir a origem social e histórica do modo de pensar a natureza e a sociedade que se vale fortemente da linguagem da matemática. E ele a encontra, na contracorrente das idéias dominantes, nas abstrações inerentes à forma mercadoria.

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A defesa da sociedade hierárquica

Autor: Matthew McManus [1] (Segunda Parte. A primeira parte está aqui)

Curiosamente, a direita política foi a segunda, não a primeira, doutrina importante a surgir na época moderna. Isso pode parecer estranho, já que os conservadores muitas vezes se consideram defensores de valores mais antigos e duradouros do que os liberais e, certamente também, do que os socialistas. E, de fato, a direita política geralmente se baseia em autores da antiguidade e o faz mais intensamente que que nos liberais ou socialistas, quer se trate de Aristóteles, Confúcio ou as inúmeras vertentes do quase-tomismo.

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Sobre as origens do dinheiro

Autor: Michael Hudson [1]Counterpunch – 7 de março de 2025

O final do século XIX viu uma linhagem de economistas, principalmente alemães e austríacos, criar uma mitologia sobre as origens do dinheiro, que ainda é repetida nos livros didáticos de hoje. Para eles, o dinheiro se originou apenas na forma de mais uma mercadoria que era trocada; o metal foi a mercadoria preferida porque não é perecível (e, portanto, é passível de ser guardado), pode ser padronizado (apesar da possibilidade de fraude se não for cunhado), podendo, ademais, ser facilmente divisível. Supõe-se, assim, que a prata foi usada em pequenas trocas de mercado, o que é irreal, dado o caráter grosseiro das balanças antigas, as quais era muito imprecisas para pesos de alguns gramas.[1]

Essa mitologia não reconhece que o governo possa ter desempenhado qualquer papel como inovador, patrocinador ou regulador monetário, ou ainda como entidade que dá valor ao dinheiro ao aceitá-lo como um veículo para pagar impostos, comprar serviços públicos ou fazer contribuições religiosas. Também é minimizada a função do dinheiro como padrão de valor para denominar e pagar dívidas.[2]

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Atingir zero líquido na emisão pode falhar

Autora: Jayati Ghosh [1] – Social Europe – 27 de janeiro de 2025

Atingir o zero líquido pode falhar. E não é porque as energias renováveis são muito caras. A energia solar e a energia eólica agora são mais baratas que os combustíveis fósseis, então por que o sistema global de energia não se tornou verde?

A comunidade internacional há muito reconhece a necessidade urgente de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mudar para energia renovável e, nos últimos anos, muitos governos se comprometeram a atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa, embora em prazos extremamente longos. Mas eles nunca chegarão lá enquanto tratarem a eletricidade, que é central para a transição para a energia limpa, como qualquer outro bem de mercado.

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Mudança no mercado de trabalho nos EUA em perspectiva histórica

Adam Tooze – Blog do autor – 27/01/2025

O declínio dos empregos no varejo. Mudança tecnológica no mercado de trabalho dos EUA por David Deming, Christopher Ong e Lawrence H. Summers

De 1970 até os primeiros anos da primeira década dos anos 2000, a produtividade do trabalho cresceu mais rapidamente na manufatura do que na economia em geral. Esse crescimento coincide quase exatamente com o período de rápido declínio do emprego no trabalho de colarinho azul mostrado na figura 1. O crescimento da produtividade na manufatura foi igual ou mais lento do que o crescimento econômico geral nas décadas de 1950 e 1960 e, mais recentemente, desde 2010.

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