O mergulho da galinha

O padrão de crescimento de longo prazo da economia capitalista no Brasil tem sido caracterizado como “voo de galinha”. Em postagem anterior, discutiu-se porque ela subiu no poleiro, voou mais alto e despencou. Nesta, questiona-se se ela mergulhou na lagoa dos patos por moto próprio ou porque foi malconduzida.

Como bem se sabe, ela se encontra quase-estagnada desde o começo dos anos 1980, quando se esgotou o empuxo dado pela industrialização por substituição de importações. Desde então, o seu ritmo de expansão tendeu ao medíocre, ao rastejante. Essa tendência, entretanto, foi aparentemente contrariada no período entre 2004 e 2010. O impulso para voar mais alto, entretanto, não durou…

Agora, ao final da segunda década do século XXI, está já claro que o padrão saltitante, às rés do chão, está sendo retomado – mesmo se este ainda demora, mesmo se a galinha está com enorme dificuldade de sair da depressão. Nesta postagem, discute-se um pouco mais sobre as causas do mergulho ocorrido a partir de 2010. O que explica, afinal, em primeiro lugar, a nova década perdida possível? O desequilíbrio orçamentário do governo ou a queda da taxa de lucro?

O artigo se encontra aqui: O mergulho da galinha – por si ou por causa dela?

Voo nominal e voo real

Na postagem anterior, Voou mais alto e despencou, mostrou-se que o movimento descendente da economia capitalista no Brasil a partir de 2011 – e que, ao cabo de três atribulados anos, resultou numa depressão – podia ser explicado pela lei geral da acumulação capitalista de Karl Marx. Ora, essa depressão, que se tornou patente a partir de 2014, aprofundou-se tanto que, estando em maio de 2017, ainda não se sabe bem quando vai terminar. Na postagem que aqui se apresenta, Voo nominal e voo real: a galinha em ação, faz-se um esforço preliminar para explicar o comportamento do nível de preços no período entre 2000 e 2016. Em particular, quer-se explicar a ascensão da inflação a partir de 2006 e seu acelerar a partir de 2010. Para atingir esse objetivo, emprega-se a teoria de inflação proposta por Anwar Shaikh em sua obra magna, Capitalism. Diferente de outras teorias mais conhecidas, a teoria de inflação formulada por esse autor está fortemente inspirada na economia política clássica e na crítica da economia política de Marx.

A nota está aqui: Voo nominal e voo real – A galinha em ação

Da macroeconomia

Post MacroeconomiaQuestionando a macroeconomia da “grande recessão”

Examinam-se neste artigo as teses de alguns macroeconomistas sobre a “grande recessão” que se seguiu à crise de 2008. Como esse evento econômico é um marco muito significativo na evolução recente do capitalismo, ele se apresenta como uma boa base para confrontar os diversos modos teóricos de pensar o funcionamento desse sistema como um todo. Assim, discute-se em sequência as teses de cinco economistas sobre as suas causas: dois deles, Ben S. Bernanke e Larry Summers, pertencem à corrente ortodoxa circunscrita pela teoria neoclássica; três outros são tidos como heterodoxos; dentre estes últimos, tem-se Steve Keen, que é pós-keynesiano, assim como Maria Ivanova e Andrew Kliman, que são marxistas.

O artigo foi publicado na Revista do NIEP: aqui 

Horizonte do capitalismo

Ascensão e DeclinioPerscrutando o horizonte histórico do capitalismo

 Após vários séculos de desenvolvimento capitalista, não teriam se realizadas já certas condições objetivas para a superação desse modo de produção? As relações de produção que o caracterizam não estariam entravando o desenvolvimento das forças produtivas? A questão não é certamente fácil de responder. Entretanto, mesmo sem pretender chegar a uma conclusão definitiva, é possível observar certa tendência à estagnação, a qual se manifesta especialmente nas economias ditas desenvolvidas. Após sugerir, como base na noção de “causação cumulativa”, que a histórica do capitalismo pode ser dividida numa fase de ascensão e numa fase de declínio, examinam duas grandes evidências empíricas: aquela que mostra uma queda secular da taxa de lucro e aquela que examina a passagem histórica da grande onda de crescimento da produtividade do trabalho.  O artigo concluí que chegou o momento de repensar o pós-capitalismo, isto é, um novo socialismo, agora profundamente democrático, como uma possibilidade real, ou seja, como um parto necessário que talvez seja possível fazer acontecer.

O artigo está aqui: Perscrutando o horizonte histórico do capitalismo

 

Uma crise cambial se avizinha?

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O espectro de uma crise cambial surge no horizonte de diversos países, inclusive do Brasil. Ela vai ser enfrentada, inicialmente, com elevação da taxa de juros e por meio de desvalorização moderada do dinheiro nacional. No entanto, essas medidas poderão ser insuficientes para equilibrar o balanço de pagamentos. Então, talvez se torne um imperativo que esses países aceitem uma desvalorização acentuada da moeda nacional, assim como uma severa contenção dos gastos públicos. Se este for o caso, a recessão e a crise despontarão, também, no horizonte desses países. No caso do Brasil, o governo relutará fortemente em adotar essas medidas de política econômica porque a eleição presidencial se avizinha. Desejará, pois, fazer os ajustes depois de outubro de 2014. Mas isto é apenas uma aposta, pois também o Real pode ser alvo de um ataque especulativo. Uma nota de Michael Roberts, originalmente escrita em inglês, mas aqui traduzida para o português, trata dessa questão de um ponto de vista da crítica da economia política. Ela não é otimista, pois parte do suposto que os países avançados ainda não conseguiram superar a crise de 2008. Pois, nesses países, não ocorreu ainda uma severa deflação das dívidas privadas, a taxa de lucro não se recuperou, as oportunidades de investimento rentáveis ainda não se configuraram. Ademais, os problemas da união monetária europeia ainda não encontraram uma boa solução. Em consequência, ele vê a leve recuperação da economia norte-americana como consequência de mais uma bolha de crédito que vai estourar em algum momento do futuro. Convém, portanto, se precaver contra as análises otimistas dos economistas que rezam no altar do capitalismo por convicção ou por oportunismo.

Aqui se encontra a nota de Michael Roberts: Crise dos mercados emergentes

Um Gattopardo brazuca

????????????????????????????????????????O título desta nota veio de duas fontes. Proveio, primeiro, da leitura de Os limites do possível, livro recém-publicado de André Lara Resende (2013) e, segundo, de um artigo de Thomas Palley cujo título faz referência, precisamente, à celebre obra de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (2006): Gattopardo economics: the crisis and the mainstream response of change that keeps things the same (2013). E ela tem, é preciso deixar logo claro, um propósito bem acerbo e crítico. A nota pretende questionar acidamente as incongruências do conservadorismo ilustrado que anima o discurso de Resende na avaliação das perspectivas históricas do capitalismo contemporâneo.

Para ler a nota clicar aqui: Um gattopardo brazuca

Crise ou colapso?

Publicamos aqui, em tradução para o português, um novo texto de Michael Roberts. Nele, este autor discute de um modo simples umcolapso do dinheiro tema caro à tradição marxista. Questiona se a apresentação de Marx do modo de produção capitalista contém uma teoria das crises como fenômenos recorrentes ou se acolhe também uma teoria do colapso. A resposta que dá pode ser assim resumida: nessa apresentação, se não há apenas uma teoria de crises recorrentes, também não há uma teoria determinista do colapso do sistema como um todo. Este último, entretanto, permanece como uma possibilidade real num horizonte de tempo que não pode ser definido com precisão. Michael Roberts examina, então, com base em recursos de estatística descritiva, se é possível divisar os sinais de que um colapso está em andamento na trajetória da grande crise atual que, aliás, parece estar se transformando numa grande depressão. A resposta que consegue encontrar, se não é negativa, contempla um razoável grau de ceticismo quanto à efetivação dessa possibilidade. Para ler o artigo clique aqui: Michael Roberts – Crise ou colapso?

Da crise e da inflação

Uma abordagem marxista

Desenvolve-se aqui uma nota sem grande pretensão de originalidade, tendo em mente preencher uma lacuna na literatura marxista circulante no Brasil, com uma finalidade didática. Investiga-se impacto e as consequências de certas mudanças tecnológicas nas taxas de lucros setoriais de uma economia capitalista em que prevalece, inicialmente, taxa de lucro uniforme. O objetivo do exercício teórico é estudar certas contradições inerentes ao processo de acumulação de capital. A partir delas, examinam-se, então, duas manifestações básicas dessas contradições: a crise de realização e a inflação. Para continuar lendo, basta Baixar aula 8 aqui