Um socialismo para os novos tempos

Autor: Denis Colin [1]La-sociale – 03/10/2025

Introdução

Os partidos produzem programas, sem se preocupar muito se isso se sobrepõe às preocupações dos cidadãos. É para isso que serve um partido: criar programas, ser eleito e ter seu grupo parlamentar. Sobre o resto, veremos depois!

Os mais antigos ainda se lembram do programa do congresso de Metz do Partido Socialista em 1979 (a ruptura com o capitalismo) e das 101 propostas de François Mitterrand, que levaram exatamente ao oposto do prometido. No lugar do socialismo, tivemos Tapie, a liquidação da indústria do aço e um espaço claro para os “mercados” e o dinheiro em todos os níveis.

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Por que a economia dos EUA ainda não caiu?

Jeffrey Frankel[1] – Project Syndicate – 29 de dezembro de 2025

Título original: Por que as tarifas de Trump não derrubaram a economia dos EUA?

Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo em janeiro passado, a maioria dos economistas temia o que aconteceria se ele aumentasse as tarifas. A expectativa era que, à medida que os novos impostos elevassem os preços dos bens de consumo e dos insumos – afetando famílias e empresas, respectivamente – a inflação em alta e a queda da renda real se seguiriam. Como se teria um choque de oferta, o Federal Reserve não poderia fazer muito para compensá-lo.

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A Venezuela e o petróleo “dele”

Michael Roberts – The next recession blog – 01/05/2026

Poucas horas após os ataques militares dos EUA à Venezuela e a captura de seu presidente, Nicolás Maduro, o presidente Trump proclamou que “grandes empresas petrolíferas americanas entrariam, gastariam bilhões de dólares, consertariam a infraestrutura gravemente quebrada e começariam a gerar dinheiro para o país.” 

Ora, Trump não escondeu que uma das principais razões para o ataque e sequestro de Maduro tinha como objetivo colocar os EUA no controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela, descritas por Trump como “nosso” petróleo.

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O espetáculo de Trump na Venezuela

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Guerra, crise e a política como encenação permanente

Por José Paulo Guedes Pinto[i] – 03 de janeiro de 2026

Vivemos uma época em que a política já não se organiza prioritariamente em torno da resolução de problemas concretos, mas da produção incessante de narrativas. Guy Debord chamou esse momento histórico de sociedade do espetáculo: um mundo em que a experiência direta é substituída por imagens, versões e encenações, e onde o falso se perpetua como verdade socialmente aceita, interrompida apenas por raros momentos de realidade.

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Crítica à filosofia de Heidegger

Niilismo do sujeito moderno [1]

Autor: Matthew McManus

Heidegger ocupa uma posição curiosa como pensador de extrema-direita. Como Nietzsche, ele é inegavelmente um filósofo brilhante. O trabalho de Heidegger teve uma influência verdadeiramente surpreendente na cultura intelectual mais ampla, inclusive em todo o espectro político. Autores tão diversos como Jacques Derrida, Jordan Peterson, Richard Rorty e Alexander Dugin o descreveram como uma influência formativa. Por outro lado, porém, ao contrário de Nietzsche. Heidegger aderiu o seu nome e prestígio ao partido político mais sinistro de todos os tempos.

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Estagflação segundo Paul Krugman (Parte II)

O que se seguirá ao choque de Trump?

Paul Krugman – Blogue do autor no Substack – 24/08/2025

Na cartilha anterior sobre esse tema, explicou-se em que consiste a estagflação, a lógica por trás dela e sua história. Aqui está uma breve lista do que foi abordado os seguintes pontos:

A estagflação é uma combinação de inflação e alto desemprego

Para a inflação se enraizar na economia é preciso que as empresas e os trabalhadores aumentam seus preços porque esperam que todos os outros façam o mesmo;

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Estagflação segundo Paul Krugman (Parte I)

Apresenta-se abaixo um texto do prêmio Nobel acima nominado que trata do fenômeno da estagflação. A sua explicação se baseia quase que exclusivamente no processo de formação de expectativas e da ação do banco central. Eis que, para ele, grosso modo, se os preços aumentam muito no passado, os donos das empresas (ou seus gerentes), que detêm algum poder de monopólio, vão elevar muito os preços a menos que a economia entre em recessão.

Trata-se, evidentemente, de uma peça de economia vulgar combinada com uma psicotécnica A primeira fica na aparência dos fenômenos, aqui os movimentos dos preços; a segunda retrata as percepções subjetivas dos gerentes capitalistas, que gozam de alguma autonomia para determinar preços. Ora, neste blogue, já foi apresentada uma teoria científica mais rigorosa e ela foi formulada por Anwar Shaikh. Para os eventuais interessados, ela está tanto aqui  (…)  quanto aqui também.

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A desigualdade nos EUA (Parte IV)

Autor: Paul Krugman – As três primeiras postagem então aqui: Parte I, a Parte II e  a Parte III.

Quem disse isto que se segue? Se houver neste país homens suficientemente grandes para tomar o governo dos Estados Unidos, eles o tomarão. O que temos que determinar agora é se somos suficientemente grandes, se somos homens com larga grandeza, se somos suficientemente livres, para tomar posse novamente do governo que é nosso.

Não, não foi Bernie Sanders ou Alexandria Ocasio-Cortez. É uma citação de The New Freedom, ou seja, da plataforma de campanha de Woodrow Wilson na eleição presidencial de 1912.

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A desigualdade nos EUA (Parte III)

Autor: Paul Krugman. A Parte I está aqui e a Parte II está aqui.

Havia ficado estabelecido que a terceira parte da série de pequenos artigos sobre desigualdade nos Estados Unidos se concentraria no aumento das fortunas gigantes, algo que vem ocorrendo desde 2000. Contudo, agora vi que essa promessa precisa ser quebrada, por dois motivos. A primeira é que a pesquisa ainda está sendo feita.

A segunda é que surgiu algo mais atual para ser discutido. Eis que o Stone Center on Socio-Economic Inequality realizou seu workshop anual e ele versou sobre os números da desigualdade. O seminário contou com apresentações de pesquisadores e estudiosos mais jovens, mas também de alguns com mais idade. Aquele que aqui escreve foi convidado a dar uma palestra, relativamente não técnica, sobre coisas que atualmente estão em circulação.

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Uma história da direita política

Autor: Matthew McManus [1] (Terceira Parte – A primeira parte está aqui e a segunda está aqui.

Ao longo da história do pensamento de direita, diferentes figuras tentaram fundamentá-lo de maneiras variadas, algumas das quais são interessantes, contraditórias e às vezes pouco sensatas. Na mesma época em que Leo Strauss e Harry Jaffa estavam ressuscitando o conceito de direito natural e condenando o historicismo, Michael Oakeshott e Lord Patrick Devlin argumentavam que as raízes do conservadorismo britânico estavam no respeito e na veneração de uma longa história de tradições. Isso é precisamente o que tornou tais intelectuais bem  compreensíveis para o “homem no ônibus de Clapham”, já que esse tipo tinha pouco interesse em Platão ou Nietzsche, mas muita vontade de restringir a homossexualidade.

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