A IA está inflando uma bolha?

C.P. Chandrasekhar [1] e Jayati Ghosh [2]

A febre dos investimentos financeiros desencadeada pela oferta pública inicial da SpaceX é um sinal de que o boom dos investimentos em IA é uma bolha.[3]

Os mercados financeiros dos EUA estão em êxtase. Algumas empresas estão batendo recordes de ofertas públicas iniciais (IPO), transmitindo a impressão de uma transformação do papel dos mercados de ações no capitalismo americano. A tendência começou com a SpaceX, a megacorporação criada ao converter a plataforma de mídia social Twitter, renomeada X, no player de inteligência artificial xAI, e depois fundi-la com o operador de satélites e gigante das telecomunicações.

Continue lendo

O problema dos três corpos do capitalismo

Autor: Romaric Godin

Tradução do subtítulo: Sobre a gestão autoritária do desastre (e os meios para lidar com ele).

Publica-se abaixo uma tradução da introdução do livro de Romaric Godin, a qual foi disponibilizada no sítio da própria editora La découverte, em francês. Como o texto é extenso, a sua publicação encontra-se abaixo na forma de pdf que pode ser baixado pelos interessados. Segue-se o endereço do sítio da editora para os eventuais interessados: https://www.editionsladecouverte.fr/2

Subprodução dos EUA causa superprodução da China?

Eis aqui duas frases em que uma diz o mesmo que a outra de movo invertido: “A superprodução chinesa causou o déficit comercial dos Estados Unidos” e “A subprodução dos EUA causou o superávit da China”. Ambas estão erradas, mas é preciso explicar o porquê.

Richard Baldwin [1] – Blog no Substack – 11/06/2026

Introdução

Nota para mim mesmo: não se pode estabelecer causalidade a partir de uma identidade. Todo mundo sabe disso; ora, absolutamente todo mundo sabe disso – e com certeza.

A China está produzindo produtos manufaturados em excesso e isso gera um enorme superávit comercial que o resto do mundo é obrigado a absorver. Leve-se isso em conta: se a China tem superávit comercial, alguém precisa manter um déficit comercial.

Será que ao se apontar para “todo mundo” não se está colocando a carroça na frente dos bois ao invés dos bois em frente da carroça? Será? Com certeza?

Continue lendo

Não é neofeudalismo, mas capitalismo político

O blogue publicou um artigo de Stphen Maher criticando Dylan Riley, Aqui vai a sua resposta. Note-se, porém, que o termo “capitalismo” denota o sistema da relação social – contraditória – de capital. Note-se, por isso mesmo, que o capitalismo desde sempre dependeu do Estado para existir. Nesse sentido, ele nunca foi não-político, Ademais, nele sempre existiu o uso do poder político, assim como de outros poderes, para extrair renda. Contudo, o termo “capitalismo político” consiste num oxímoro já que nega aquilo que o capitalismo é em essência, ou seja, um sistema se alevanta sobre “relações sociais de coisas”.

Autor:  Dylan Riley [1]

A forma de capitalismo em que vivemos atualmente é aquela em que a extração de riqueza depende cada vez menos do poder de mercado e mais de manobras políticas.

Segundo a minuciosa reportagem de David Kirkpatrick na revista The New Yorker, Donald Trump e sua família teriam acumulado US$ 4 bilhões desde o início de seu mandato por meio de uma vertiginosa gama de esquemas, a maioria dos quais parece ter sido concebida para inflar o valor de seus ativos (criptomoedas, clubes de golfe, hotéis etc.).

Continue lendo

Queda do domínio do dólar

Sem dívida conjunta em grande escala e mercados de ativos seguros, além de mais profundos, o euro não será capaz de capitalizar o ataque de Trump à credibilidade do dólar. [O gráfico abaixo mostra a evolução das reservas internacionais globais. Se o ouro dominou na maior parte do período, a partir de 1980 o dólar ganhou cada vez mais espaço; contudo começou a perder esse espaço no fim do período. Note-se que a posição do euro está em azul e do rebimbe em cinza.]

Continue lendo

Piketty e o problema econômico do mundo

Michael Roberts – The next recession blog – 09/06/2026

No último fim de semana, o World Inequality Lab (WIL) promoveu a sua terceira edição da Conferência mundial sobre desigualdade (World Inequality Conference – 2026), realizada na Escola parisiense de Economia (Paris School of Economics).

Esse laboratório hospeda e mantém um banco de dados mundiais sobre desigualdade (World Inequality Database) de acesso aberto. Provavelmente os mais famosos membros da equipe desse laboratório sejam os seus diretores Thomas Pikkety e Gabriel Zucman, sendo o primeiro muito conhecido devido a sua obra-prima Capital no século XXI , assim como em razão dos livros subsequentes.

Continue lendo

O amanhecer de um mundo eletrificado

Por Kate Mackenzie e Tim Sahay – Policrises – 05/08/2026

Ondas de choque globais da guerra ao Irã estão acelerando a transição energética

Petróleo e gás — a base dos sistemas globais de energia e produção — não estão mais disponíveis de forma confiável onde e quando são necessários a preços suportáveis. Duas guerras em quatro anos desencadearam uma mudança permanente no regime de risco. Não importa o quão desigual e incerta seja a reação imediata dos mercados e governos, a lição do atual choque energético é inevitável: as condições geopolíticas que antes estabilizaram a logística baseada em carbono do mundo moderno não podem mais ser garantidas, e a eletrificação oferece uma saída estrutural da instabilidade.

Continue lendo

As consequências econômicas da guerra no Irã

O choque de Hormuz está novamente levantando o espectro da inflação. O que os bancos centrais trarão em resposta para as economias da América Latina?

Fernando Rugitsky – Fenomenal World – 15/05/2026

Quem ganha com a guerra?

À medida que as negociações e um chamado cessar-fogo frágil colocam a guerra contra o Irã em um padrão de destruição e miséria, pode parecer equivocado focar nos efeitos econômicos para sociedades distantes do conflito. Mas as perspectivas de interromper uma escalada adicional podem depender dos interesses afetados pelo crescente raio de devastação econômica — incluindo as classes dominantes no núcleo capitalista.

Continue lendo

Choque chinês na agricultura extensiva do Brasil e dos EUA

Adam Tooze – Blog do autor – 3 de maio de 2026

A integração da China à economia mundial mostrou ser o desenvolvimento mais dramático da história econômica moderna. No que diz respeito aos “desequilíbrios globais”, esta é uma história de superávits comerciais líquidos e do crescente poder chinês na indústria. Mas o outro lado disso são as importações de matérias-primas, energia e alimentos. Na agricultura, a China passou por uma “abertura” altamente incomum.

O comércio global de alimentos ocorre entre blocos, nos quais produção e consumo se desenvolveram sob regulação governamental rigorosa e uma economia política dominada por grandes interesses corporativos incumbentes – os chamados “regimes alimentares” (termo atribuído a Harriet Friedmann e Philip McMichael). A agricultura foi um dos setores originais a experimentar o que Karl Polanyi chamou de “duplo movimento”, de “abertura” de mercado seguida de uma reação coletiva regulatória.

Continue lendo

A IA e o futuro do capitalismo

Branko Milanovic – 15/05/2026 – Blog Substack

Quais seriam os prováveis efeitos de uma introdução massiva de inteligência artificial na economia, do ponto de vista neoclássico e marxista? Curiosamente, essa pergunta, pelo que sei, não foi feita. [N. T. Será que é uma pergunta inteligente? Será preciso ler até o final.]

A princípio, as implicações para a teoria do valor do trabalho de Marx parecem contraditórias com os fatos ou nossas expectativas. IA implica a introdução de técnicas de produção extremamente intensivas em capital, ou, usando terminologia marxista, de processos com uma composição orgânica de capital muito alta. Em outras palavras, IA implica uma relação c/v muito alta. Essa é a razão entre o capital constante (c) e o capital variável, ou seja, aquele necessário para contratar força de trabalho (v).

Continue lendo