A relação credor-devedor como base do capitalismo

Publica-se em sequência um texto do autor dos livros cujas capas aparecem na figura abaixo, não sem acrescentar, após o seu final, uma nota crítica para censurar a sua tentativa pós-moderna de desprezar a economia política e a sua crítica exemplar, que, aliás, ele parece  ignorar.

Autor: Maurizio Lazzarato [1]

A economia da dívida parece ter produzido uma grande mudança em nossas sociedades. Vamos analisar o significado dessa mudança baseando-nos no segundo ensaio de A genealogia da moral, [obra clássica de Friedrich Nietzsche].

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Niilismo, capital, fascismo

Eleutério F. S. Prado [1][2]

Cesse tudo o que musa antiga canta; Que outro valor mais alto se alevanta

A declaração de Nietzsche, feita entre 1884 e 1888, de que a sociedade europeia abrira-se já para a entrada desoladora do niilismo, isto é, da depreciação de todos os valores morais que mantinham os humanos juntos na terra, ainda que com os pensamentos no céu, é desafiadora. Eis precisamente o que ele profetizou; eis como o fez; eis como negou uma causa apontada; eis como explicou o advento do niilismo [3]:

O niilismo está à porta: de onde vem esse mais sinistro de todos os hóspedes?

Ponto de partida: é um erro remeter [essa questão] a “estados de indigência social’ ou ‘degeneração fisiológica’ ou até mesmo à corrupção, como causa do niilismo.

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