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Sobre Eleutério F S Prado

Professor da Universidade de São Paulo Área de pesquisa: Economia e Complexidade

Um socialismo para os novos tempos

Autor: Denis Colin [1]La-sociale – 03/10/2025

Introdução

Os partidos produzem programas, sem se preocupar muito se isso se sobrepõe às preocupações dos cidadãos. É para isso que serve um partido: criar programas, ser eleito e ter seu grupo parlamentar. Sobre o resto, veremos depois!

Os mais antigos ainda se lembram do programa do congresso de Metz do Partido Socialista em 1979 (a ruptura com o capitalismo) e das 101 propostas de François Mitterrand, que levaram exatamente ao oposto do prometido. No lugar do socialismo, tivemos Tapie, a liquidação da indústria do aço e um espaço claro para os “mercados” e o dinheiro em todos os níveis.

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A IA está aí; mas, e depois?

Autor: Cédric Durand – Sidecar – 15 de janeiro de 2026

O valor de mercado das ações de empresas associadas a IA aumentou dez vezes na última década. Como recentemente John Lanchester observou na London Review of Books, todas, exceto uma, das dez maiores empresas do mundo estão associadas ao valor futuro a ser proporcionado pela inteligência artificial. Todas, exceto uma, são americanas; juntas, elas têm um valor igual a mais da metade da economia dos EUA.

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O socialismo após a IA

Autor: Evgeny Morozov [1]

Fonte original: Jacobina – 19/12-2025 – Tradução Pedro Silva

Evgeny Morozov faz aqui uma crítica do esboço de economia moderna multicriterial de Aaron Benanav, apresentada aqui por meio da tradução de três partes de seus dois artigos publicados na NLR (eiso primeiro; eis o segundo; eis o terceiro). Ele analisa por que as tecnologias do capitalismo não devem ser consideradas meramente como ferramentas que o socialismo poderia usar de forma mais eficaz. Isso é especialmente relevante quando falamos de Inteligência Artificial (IA), que, em sua implementação, cristaliza e até cria valores e desejos. Eis o seu texto:

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Um socialismo possível para o futuro

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui. O segundo artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Primeiros passos

Como uma economia moderna poderia funcionar se fosse movida por múltiplos objetivos sociais em vez de ser regida pela busca do lucro privado? A primeira parte desta contribuição discutiu as formas como a tradição socialista clássica enfrentou essa questão, desde os utopistas do século XIX aos industrialistas da Rússia Soviética, passando pelos planejadores da Viena Vermelha, pelos socialistas guildas da Grã-Bretanha eduardiana e pelos arquitetos do estado de bem-estar social do pós-guerra. Um grande problema que essa tradição não conseguiu resolver foi como projetar instituições capazes de entreter múltiplos objetivos determinados democraticamente – eis que esses fins variados precisariam ser articulados e compostos a partir da alocação adequada dos recursos limitados.

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Um futuro possível para o socialismo

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Quais conclusões devem ser tiradas da longa história do socialismo? Primeiro, a luta por uma ordem econômica governada por objetivos mais amplos do que apenas a busca pelo lucro, tão incansavelmente reimaginada de Thomas More à Étienne Cabet e à William Morris, só pode ser bem-sucedida se for capaz de compreender toda a complexidade das sociedades capitalistas contemporâneas. Karl Marx pensou tardiamente sobre esse problema, mas (…) não deu atenção suficiente aos problemas da transição para um sistema econômico pós-capitalista, especialmente no que diz respeito ao investimento.

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Para ir além do capitalismo

Autor: Aaron Benanav [1]

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Poucos discordariam de que existe, por trás da turbulência política atual, um profundo mal-estar econômico. As taxas de crescimento nas economias avançadas são baixas. Quando são impulsionadas por gastos públicos, os ganhos se concentram, desproporcionalmente, nas faixas de renda alta. Empresas oligopolistas ocupam o topo das cadeias globais de valor, mantendo direitos de propriedade sobre uma variada gama de produtos, ao mesmo tempo em que terceirizam os processos de produção para licitantes com menores custos já que estão forçados a competirem entre si.

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IA: uma quebra anunciada

Ernst Lohoff [2]O boom do mercado de ações de IA[1]

O setor de IA mobiliza somas astronômicas de capital financeiro. Não se trata de um negócio lucrativo para as empresas de tecnologia que estão investindo, mas as suas ações continuam a alcançar níveis recordes. Os alertas sobre uma bolha de IA que pode estourar em breve estão crescendo. Faz-se muitas vezes uma comparação com a bolha das ponto-com ocorrida no final dos anos 1990. No entanto, a estrutura do mercado e a dinâmica de depreciação nestes dois casos diferem significativamente.

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Por que a economia dos EUA ainda não caiu?

Jeffrey Frankel[1] – Project Syndicate – 29 de dezembro de 2025

Título original: Por que as tarifas de Trump não derrubaram a economia dos EUA?

Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo em janeiro passado, a maioria dos economistas temia o que aconteceria se ele aumentasse as tarifas. A expectativa era que, à medida que os novos impostos elevassem os preços dos bens de consumo e dos insumos – afetando famílias e empresas, respectivamente – a inflação em alta e a queda da renda real se seguiriam. Como se teria um choque de oferta, o Federal Reserve não poderia fazer muito para compensá-lo.

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A nova riqueza “do” Imperador

Paul Krugman – Blog do autor no Substack – 7/01/2026

Óleo no Cinturão do Orinoco

Quando George W. Bush invadiu o Iraque em 2003, ele afirmou que o objetivo era estabelecer um regime democrático. Membros de sua administração podem até ter acreditado nisso, mas muitos críticos de esquerda insistiam que tudo girava em torno de tomar o petróleo do Iraque.

Embora eu fosse um opositor declarado daquela guerra e profundamente cético em relação às motivações do governo Bush, nunca acreditei na história de que aquela “guerra era pelo petróleo”. A principal motivação para aquela guerra, ainda acredito, foi sacudir o imaginário popular — usar uma vitória militar vistosa para garantir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos. Segundo alguns cientistas políticos, esse foi um objetivo que a guerra, de fato, alcançou.

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Carga tributária no Brasil

Diversos autores [1]

Resumo

Este estudo emprega microdados administrativos de cobertura populacional para fornecer novas estimativas da desigualdade de renda e das alíquotas efetivas por grupo de renda no Brasil, abrangendo toda a renda e todos os tributos.

Os dados permitem conectar empresas a seus respectivos sócios e acionistas e, assim, alocar os lucros das empresas e os tributos a elas incidentes aos correspondentes sócios e acionistas pessoas físicas. Os resultados levam a uma revisão acentuada das estimativas oficiais de desigualdade: o 1% mais rico concentra 27,4% da renda total em 2019, um dos níveis mais elevados registrados no mundo.

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