Um socialismo possível para o futuro

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui. O segundo artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Primeiros passos

Como uma economia moderna poderia funcionar se fosse movida por múltiplos objetivos sociais em vez de ser regida pela busca do lucro privado? A primeira parte desta contribuição discutiu as formas como a tradição socialista clássica enfrentou essa questão, desde os utopistas do século XIX aos industrialistas da Rússia Soviética, passando pelos planejadores da Viena Vermelha, pelos socialistas guildas da Grã-Bretanha eduardiana e pelos arquitetos do estado de bem-estar social do pós-guerra. Um grande problema que essa tradição não conseguiu resolver foi como projetar instituições capazes de entreter múltiplos objetivos determinados democraticamente – eis que esses fins variados precisariam ser articulados e compostos a partir da alocação adequada dos recursos limitados.

Continuar lendo

Um futuro possível para o socialismo

Autor: Aaron Benanav [1]

O primeiro artigo está aqui.

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Quais conclusões devem ser tiradas da longa história do socialismo? Primeiro, a luta por uma ordem econômica governada por objetivos mais amplos do que apenas a busca pelo lucro, tão incansavelmente reimaginada de Thomas More à Étienne Cabet e à William Morris, só pode ser bem-sucedida se for capaz de compreender toda a complexidade das sociedades capitalistas contemporâneas. Karl Marx pensou tardiamente sobre esse problema, mas (…) não deu atenção suficiente aos problemas da transição para um sistema econômico pós-capitalista, especialmente no que diz respeito ao investimento.

Continuar lendo

Para ir além do capitalismo

Autor: Aaron Benanav [1]

Título original: Beyond capitalism – Groundwork for a multi-criterial economy [2]

Poucos discordariam de que existe, por trás da turbulência política atual, um profundo mal-estar econômico. As taxas de crescimento nas economias avançadas são baixas. Quando são impulsionadas por gastos públicos, os ganhos se concentram, desproporcionalmente, nas faixas de renda alta. Empresas oligopolistas ocupam o topo das cadeias globais de valor, mantendo direitos de propriedade sobre uma variada gama de produtos, ao mesmo tempo em que terceirizam os processos de produção para licitantes com menores custos já que estão forçados a competirem entre si.

Continuar lendo

IA: uma quebra anunciada

Ernst Lohoff [2]O boom do mercado de ações de IA[1]

O setor de IA mobiliza somas astronômicas de capital financeiro. Não se trata de um negócio lucrativo para as empresas de tecnologia que estão investindo, mas as suas ações continuam a alcançar níveis recordes. Os alertas sobre uma bolha de IA que pode estourar em breve estão crescendo. Faz-se muitas vezes uma comparação com a bolha das ponto-com ocorrida no final dos anos 1990. No entanto, a estrutura do mercado e a dinâmica de depreciação nestes dois casos diferem significativamente.

Continuar lendo

Por que a economia dos EUA ainda não caiu?

Jeffrey Frankel[1] – Project Syndicate – 29 de dezembro de 2025

Título original: Por que as tarifas de Trump não derrubaram a economia dos EUA?

Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo em janeiro passado, a maioria dos economistas temia o que aconteceria se ele aumentasse as tarifas. A expectativa era que, à medida que os novos impostos elevassem os preços dos bens de consumo e dos insumos – afetando famílias e empresas, respectivamente – a inflação em alta e a queda da renda real se seguiriam. Como se teria um choque de oferta, o Federal Reserve não poderia fazer muito para compensá-lo.

Continuar lendo

A nova riqueza “do” Imperador

Paul Krugman – Blog do autor no Substack – 7/01/2026

Óleo no Cinturão do Orinoco

Quando George W. Bush invadiu o Iraque em 2003, ele afirmou que o objetivo era estabelecer um regime democrático. Membros de sua administração podem até ter acreditado nisso, mas muitos críticos de esquerda insistiam que tudo girava em torno de tomar o petróleo do Iraque.

Embora eu fosse um opositor declarado daquela guerra e profundamente cético em relação às motivações do governo Bush, nunca acreditei na história de que aquela “guerra era pelo petróleo”. A principal motivação para aquela guerra, ainda acredito, foi sacudir o imaginário popular — usar uma vitória militar vistosa para garantir a reeleição do então presidente dos Estados Unidos. Segundo alguns cientistas políticos, esse foi um objetivo que a guerra, de fato, alcançou.

Continuar lendo

Carga tributária no Brasil

Diversos autores [1]

Resumo

Este estudo emprega microdados administrativos de cobertura populacional para fornecer novas estimativas da desigualdade de renda e das alíquotas efetivas por grupo de renda no Brasil, abrangendo toda a renda e todos os tributos.

Os dados permitem conectar empresas a seus respectivos sócios e acionistas e, assim, alocar os lucros das empresas e os tributos a elas incidentes aos correspondentes sócios e acionistas pessoas físicas. Os resultados levam a uma revisão acentuada das estimativas oficiais de desigualdade: o 1% mais rico concentra 27,4% da renda total em 2019, um dos níveis mais elevados registrados no mundo.

Continuar lendo

A Venezuela e o petróleo “dele”

Michael Roberts – The next recession blog – 01/05/2026

Poucas horas após os ataques militares dos EUA à Venezuela e a captura de seu presidente, Nicolás Maduro, o presidente Trump proclamou que “grandes empresas petrolíferas americanas entrariam, gastariam bilhões de dólares, consertariam a infraestrutura gravemente quebrada e começariam a gerar dinheiro para o país.” 

Ora, Trump não escondeu que uma das principais razões para o ataque e sequestro de Maduro tinha como objetivo colocar os EUA no controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela, descritas por Trump como “nosso” petróleo.

Continuar lendo

Há trabalhadores que são capitalistas?!

Eleutério F. S. Prado [1]

Uma definição e um resultado

Sim, e não se trata do fato de que muito capitalistas trabalham… De qualquer forma que fique registrado logo de início que o termo “trabalhador” contém uma ambiguidade; talvez tenha sido por essa razão que Marx empregou o termo “proletário”.

Yonatan Berman e Branko Milanovic acham que sim, que tais trabalhadores existem e que são bem numerosos na sociedade contemporânea. Eles pensam que essa condição social é tão importante que um nome na língua de Aristóteles foi criado para denominá-la: homoploutia. Formada pela composição de dois termos, homo (igual) e ploutia (riqueza), essa palavrona chama a atenção. Com ela, querem designar gente que ganha muito dinheiro tanto com base no trabalho tanto com base na propriedade de riqueza capitalista acumulada ou em processo de acumulação.

Continuar lendo

O espetáculo de Trump na Venezuela

A imagem atual não possui texto alternativo. O nome do arquivo é: 2017-05-20t162129z-329964984-rc1da73c69c0-rtrmadp-3-venezuela-politics.webp

Guerra, crise e a política como encenação permanente

Por José Paulo Guedes Pinto[i] – 03 de janeiro de 2026

Vivemos uma época em que a política já não se organiza prioritariamente em torno da resolução de problemas concretos, mas da produção incessante de narrativas. Guy Debord chamou esse momento histórico de sociedade do espetáculo: um mundo em que a experiência direta é substituída por imagens, versões e encenações, e onde o falso se perpetua como verdade socialmente aceita, interrompida apenas por raros momentos de realidade.

Continuar lendo