Mais uma contradição prospera no capitalismo

Autor: Prabhat Patnaik

Nos Estados Unidos ainda há quatro milhões de pessoas que permanecem desempregadas em relação à situação antes da pandemia; e, no entanto, a tentativa do governo Biden de estimular a economia já entrou em crise com o ressurgimento da inflação não apenas naquele país, mas também em outras partes do mundo capitalista. 

O Federal Reserve Board (o equivalente ao banco central dos EUA) planeja em breve aumentar as taxas de juros (atualmente próximas de zero). Ademais, mesmo a expansão fiscal será difícil de sustentar diante da inflação. Tudo contribui, portanto, para truncar a recuperação que vem ocorrendo. 

Em outras palavras, mesmo no principal país capitalista do mundo, cuja moeda é “tão boa quanto o ouro” e que, portanto, não precisa temer qualquer fuga de capital debilitante, a capacidade do Estado de estimular a atividade dentro de suas próprias fronteiras encontra-se seriamente constrangido.

Esta é uma nova contradição básica que surgiu no capitalismo mundial e que merece atenção séria. Segundo John Maynard Keynes, o mais importante economista burguês do século XX, embora o capitalismo espontâneo fosse um sistema falho que mantinha grandes massas de trabalhadores desempregadas, a intervenção do Estado poderia consertar essa falha. Ora, esse prognóstico já havia sido contraditado pela globalização de finanças. 

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Pulsão da morte e formação do sujeito (nova versão)

Autor: Eleutério F. S. Prado[1]

Esta nota tem por objetivo continuar tentando incorporar criticamente as descobertas da psicanálise na crítica da economia política. Mais especificamente, pretende continuar o questionamento feitos em duas notas anteriores[2], as quais se voltaram também para essa noção central da psicanálise, a noção enigmática de pulsão da morte. Aqui, considerando insuficiente o que foi dito naquela nota, volta-se ao tema, sabendo de antemão que ela tem um papel importante na definição do devir possível da sociedade atual. Aproveitando argumentos apresentados em outros textos, pressupõe-se aqui que o capitalismo está em seu ocaso.

Em resumo, pode-se dizer que se havia chegado à conclusão naquele pequeno estudo que a pulsão da vida era conservativa e que a pulsão da morte, ambas como noções provindas de Freud, era consumativa. Ademais, concluíra-se lá que esse autor atribuirá um caráter unilateral à pulsão da morte; pois, como não há morte sem vida e vida sem morte, vida e morte formam uma contradição. Em consequência, a mesma pulsão poderia ser tomada tanto como pulsão de mais-viver quanto como pulsão de mais-morrer. Ora, a prevalência de uma ou outra dependeria de condições pessoais, familiares e sociais determinadas. 

Nessa ótica, a pulsão da morte, tal como apresentada pelo psicanalista fundador, caracterizaria, na verdade, o sujeito sujeitado a uma compulsão interna e/ou externa que o domina – uma mortificação. Agora, quer-se testar melhor essa hipótese para ver se ela se sustenta. E, para tanto, vai-se comparar aqui interpretações críticas dessa noção: uma delas se encontra no livro Gozando com aquilo que não se tem de Todd McGowan (2013); uma outra se acha no livro O trabalho do gozo de Samo Tomšič (2019); uma terceira ainda é apresentada no livro O que é sexo? de Alenka Zupančič. Um texto de Slavoj Žižec será também usado para compreender melhor a questão. 

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Pulsão da morte e formação do sujeito

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Esta nota dá continuidade à anterior (publicada neste blog em 19/12/2021) que tratou do tema Pulsão da morte – Compulsão do capital, com o objetivo de buscar incorporar criticamente as descobertas da psicanálise na crítica da economia política. Aqui, considerando insuficiente o que foi dito naquela nota a respeito da noção freudiana de pulsão da morte, volta-se ao tema. A conjugação desses dois saberes afigura-se importante para compreender o devir possível da sociedade.

Em resumo, pode-se dizer que se havia chegado à conclusão naquele pequeno estudo que a pulsão da vida era conservativa e que a pulsão da morte, ambas como noções provindas de Freud, era consumativa. Ademais, concluíra-se lá que esse autor atribuirá um caráter unilateral à pulsão da morte; pois, como não há morte sem vida e vida sem morte, vida e morte formam uma contradição. Em consequência, a mesma pulsão poderia ser tomada tanto como pulsão de mais-viver quanto como pulsão de mais-morrer. Ora, a prevalência de uma ou outra dependeria de condições sociais determinadas. 

Nessa ótica, a pulsão da morte, tal como apresentada pelo psicanalista clássico, caracterizaria, na verdade, o sujeito sujeitado a uma compulsão interna e/ou externa que o domina – uma mortificação. Agora, quer-se testar melhor essa hipótese para ver se ela se sustenta. E, para tanto, vai-se comparar aqui interpretações críticas dessa noção: uma delas se encontra no livro Gozando com aquilo que não se tem de Todd McGowan (2013) e a outra se acha no livro O trabalho do gozo de Samo Tomšič (2019). Um texto de Slavoj Žižec será também usado para corroborar a tese contida nesta nota.   

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Karl Marx: o papel alienação na compreensão do capitalismo

Marcello Musto

Autor: Marcello Musto[1]

A compreensão inovadora de Marx da alienação do trabalho é parte inestimável de seu pensamento. Para Marx, a alienação era fundamental para a compreensão do capitalismo e sua superação.

A alienação foi uma das questões mais importantes e debatidas do século XX e a teoria do fenômeno proposta por Karl Marx teve um papel fundamental na construção do conceito. No entanto, ao contrário do que se possa imaginar, a própria teoria da alienação não se desenvolveu de forma linear e a publicação de textos inéditos em que Marx analisou o conceito, marcou um momento significativo na transformação de sua teoria e na sua disseminação no uma escala global.

Nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844, com a categoria de “trabalho alienado”, Marx não apenas estendeu o escopo do problema da alienação da esfera filosófica, religiosa e política para a esfera econômica da produção material, mas também converteu este último em condição indispensável para compreender e superar o primeiro. No entanto, essa primeira elaboração, escrita aos 26 anos, foi apenas o esboço inicial de sua teoria. Embora muitas das teorias marxistas posteriores de alienação tenham sido erroneamente fundadas nas observações incompletas dos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 – que superestimam o conceito de “auto-alienação” (Selbst-Entfremdung) – não devemos esquecer que duas décadas ou mais de pesquisas que Marx fez antes de publicar O Capital produziram uma evolução considerável em seus conceitos.

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Subsunção da pulsão de morte ao capital

Introdução: Eleutério F. S. Prado

Apresenta-se em sequência mais um trecho do livro Gozando com o que não se tem – o projeto político da psicanálise (Enjoying we don’t have – the political Project of psychoanalysis, 2013), de Todd McGowan. Assim como no anterior, busca-se nesta nova postagem continuar apresentado as conexões entre a psicanálise em sua versão não conformista e a crítica da economia política que vem de Karl Marx. Eis que esta última vem de Sigmund Freud, passa por Jacques Lacan e chega a autores como Slavoj Zizec.  

A tradução do trecho escolhido é literal, mas aqui se propõe que a sua noção central, pulsão de morte, seja lida criticamente. Segundo a psicanálise contemporânea – note-se –, a pulsão em geral – e não o mero instinto – é uma característica do ser humano justamente por que ele é um ser de linguagem. Ora, essa pulsão mora no inconsciente, mas se manifesta no consciente na forma do desejo em todas as formas de sociedade. Nem sempre do mesmo modo.

Como ocorre no capitalismo? Como esse modo de produção está baseado na subsunção do trabalho ao capital e na subsunção do sujeito à lógica do capital, o desejo das pessoas fica subsumido a um mandamento acumulativo. Eis que o superego reafirma constantemente ao “sujeito” o modo de ser do próprio capital que, como bem se sabe, move-se segundo a lógica do mau infinito. Tem-se, em consequência, um desejo insaciável que se dirige também para a acumulação. Assim, o capitalismo captura os desejos do sujeito oferecendo-lhe satisfação supostamente possível, mas lhe entrega, ao fim e ao cabo, apenas insatisfação. E isso será bem explicado no texto traduzido.

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