Limites do capitalismo

François Chesnais escreveu recentemente um artigo para responder à questão – sem dúvida importante nos tempos atuais – de saber se “o capitalismo encontrou [agora] limites intransponíveis”. Assim, ele pretendeu ir (um pouco) além de Marx na investigação dos limites do capitalismo.

Ora, ele julga que esse pequeno avanço é necessário para que se possa compreender adequadamente o próprio desenvolvimento do capitalismo da segunda metade do século XX em diante e principalmente após a virada do milênio. A partir da interpretação de certos trechos do próprio Marx, ele chega a uma conclusão forte: sim, o capitalismo enfrenta agora, de fato, um limite interno e um limite externo, os quais não conseguirá mais ultrapassar.

Na nota que vai em anexo apresenta-se um comentário crítico desse artigo: A questão dos limites do capitalismo

 

 

Uma certa economia política neoliberal

O neoliberalismo é um sistema normativo que pretende estender a lógica da concorrência capitalista para todas as relações sociais. Os neoliberais estão convencidos de que o mercado fornece um paradigma de sociabilidade adequado para a sociedade como um todo. Em consequência, esforçam-se continuamente mudar as instituições existentes de tal modo que elas passem a incentivar a lógica competição. Em sua perspectiva, por exemplo, os governantes e os governados devem se comportar como se fossem empresas.

Esta postagem discute um pouco como os neoliberais querem enfrentar o baixo crescimento da economia capitalista no Brasil. Para eles, ela cresce pouco porque as suas instituições – especialmente estatais – não favorecem a busca do auto interesse, a concorrência e o esforço produtivo. Para mudar essa situação, propõem uma série de políticas sociais e econômicas. E elas são do seguinte tipo: conter o crescimento das despesas primárias do governo; reduzir a carga tributária; desregular o mercado de força de trabalho; encurtar a cobertura da previdência social; abrir a economia para a competição internacional; garantir melhor o direito de propriedade etc.

Na nota que se está publicando junto dessa postagem, indica-se que essas propostas não só abrem caminho para a normatividade da competição desenfreada, mas também – e de modo central – buscam obter uma elevação da taxa de lucro por meio do aumento do aumento da eficiência do capital industrial na apropriação e na retenção de mais-valor. Ao examiná-las, busca-se mostrar aqui que essas políticas podem, sim, ter algum resultado no sentido de elevar a taxa de crescimento do PIB. Porém, elas terão efeitos deletérios na sociedade brasileira: reduzirão os salários reais, diminuirão os gastos sociais do Estado, piorarão a repartição da renda, agravarão as tensões sociais, produzirão barbárie, fortalecerão as alternativas fascistas.

O texto da nota está aqui: Uma certa economia política neoliberal

Dinheiro fictício III

A questão do dinheiro na obra madura de Marx tem sido objeto de grandes controvérsias. E estas parecem não chegar a bom termo.  Aqui se faz um esforço para esclarecer a confusão entre o dinheiro como “medida de valor” e o dinheiro como “padrão de preços”. Eis que esse quiproquó – crê-se – está no origem da tese segundo a qual a teoria do dinheiro desse autor tornou-se anacrônica.  Por um lado, julga-se que, para Marx, o dinheiro configura-se sobretudo, necessariamente, como uma mercadoria real, ouro por exemplo. E que o dinheiro-papel, por não ser mais do que um representante do dinheiro-ouro na circulação, deve ser oficialmente nele conversível. Por outro, vê-se que o meio circulante hoje afigura-se como puramente fiduciário, ou seja, como não conversível em ouro. O artigo em anexo sustenta não só que essa opinião está errada, mas também que as defesas apresentadas de Marx estão em geral equivocadas.

O artigo se encontra aqui: Da confusão entre medida de valor e padrão de Preços

Curso sobre O capital

Em comemoração aos 150 anos de O capital, a Boitempo realiza em São Paulo, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a quinta edição do Curso Livre Marx-Engels. Essa edição será dedicada à obra máxima de Karl Marx e transcorrerá nos dias 6, 7, 8 e 14 de junho de 2017. Nesse curso, organizado por Marcelo Carcanholo, será feita uma apresentação do conteúdo de O capital por meio de quatro aulas. A primeira, que versará sobre a estrutura da obra e sobre o método, será dada por Eleutério Prado. A segunda, que tratará da teoria do valor contida nessa obra, será dada por Leda Paulani. A terceira, que discutirá o capital e o fetichismo, assim como a historicidade, as classes sociais e a luta de classes, será oferecida por Marcelo Carcanholo. Finalmente, a última, que trata das leis tendenciais – capital, acumulação e crise, será dada por Jorge Grespan.

Os slides da apresentação de Eleutério Prado podem ser encontrados aqui: Estrutura da Obra e Método de O Capital

Demanda e oferta para incompetentes

Na maior parte do mundo e mesmo nos países ditos socialistas se ensina a microeconomia tal como foi img074desenvolvida pela teoria neoclássica. Ademais, grande parte do que se leciona sob o rótulo de macroeconomia funda-se também no modelo de equilíbrio geral que a cientificidade dominante põe como o arquétipo da boa teoria econômica. Ora, assim, se passa a pensar o sistema econômico real com base em uma noção positiva de equilíbrio que se caracteriza por afirmar o estado de repouso como o estado normal (pelo menos como forte tendência) de seu funcionamento.

Mas nem sempre, entretanto, foi assim. A teoria clássica e Marx, bem ao contrário, afirmam antes a anarquia e o desequilíbrio como o estado constante de seu evolver turbulento, um evolver complexo que põe uma certa ordem por meio apenas de permanente desordem. Por isso, essas teorias empregam noções negativas de equilíbrio: eis que permitem pensar o sistema num estado puro que ele só produz como resultado de intermináveis oscilações irregulares que se compensam ao longo do tempo.  

Aqui se desafia esse consenso e se busca mostrar que teoria neoclássica, mesmo se se apresenta como uma construção teórica que pode reivindicar a exatidão formal, não é rigorosa – ao contrário, sustenta-se numa pequena nota que até mesmo as suas noções usuais de oferta e demanda são artificiosas e mal fundamentadas.

A nota se encontra aqui:  Oferta e demanda para incompetentes

Método de “O Capital”

Imagem do MarxFinalmente, depois de muito procurar, o autor deste blog encontrou um texto muito importante de Marcos Lutz Müller sobre o método de Marx. Eis o que diz o seu primeiro parágrafo: “A progressiva perda de especificidade metodológica do conceito de dialética, paralela à generalização do seu uso e à sua ampliação semântica, desembocou, hoje, nas versões não ortodoxas ou humanistas do marxismo, numa comprometedora diluição teórica do conceito, reduzido, muitas vezes, a um adjetivo pleonástico que qualifica um substantivo inexistente, ou, no marxismo-leninismo convertido em visão de mundo, no seu alinhamento ideológico, que evita voluntariamente aquela diluição pela invocação dogmática das três leis de Engels, reabilitadas em 1956.” Para ajudar a difundi-lo, a partir de agora, este texto está também publicado aqui: Muller – Exposição e Método Dialético em Marx