Da libido, por meio do desejo

Autor: Eleutério F. S. Prado [1]

Como se tentou mostrar criticamente no texto O humano segundo Freud aqui publicado, esse autor pensa o humano com um ser reativo regido pela inércia orgânica, ou seja, pela tendência de conservar a quantidade de excitação no nível mais baixo possível – e não como um ser proativo que busca a excitação e a mantém em nível alto até o momento em que sente a necessidade de descansar.

Numa linha de argumentação semelhante, aqui se buscará entender como Sigmund Freud pensa o desejo humano com o fim de criticá-lo por não o tomar como uma força produtiva, na verdade, como a força produtiva primordial do sujeito social possível. Com esse fim se lerá, para dela se apropriar, a crítica feita por Gilles Deleuze e Félix Guattari em O anti-édipo – capitalismo e esquizofrenia. Para apresentá-la de um modo bem compreensível, se empregará aqui não o texto original, mas a explicação contida no livro Capitalismo, desejo e política – Deleuze e Guattari leem Marx, de Rodrigo Guéron.[2]

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Eis como o G7 se desindustrilizou

Richard Baldwin [2] – 01/09/2026

Introdução

Talvez o evento mais importante da história econômica moderna tenha sido a industrialização dos países do G7 e sua ascensão ao domínio da economia mundial. Sete gráficos mostram como a velha dominância industrial foi perdida [1]

Durante os séculos XIX e XX, as economias do G7 se industrializaram de forma rápida, crescendo mais rápido do que a média global. Isso fez com que passassem a gerar cerca de dois terços da produção manufatureira e do PIB globais, apesar de conterem apenas 13% da população mundial (5,2 bilhões). Assim, apenas um terço da renda mundial era distribuída entre os outros 4,5 bilhões restantes, habitantes do planeta.

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Um socialismo para os novos tempos

Autor: Denis Colin [1]La-sociale – 03/10/2025

Introdução

Os partidos produzem programas, sem se preocupar muito se isso se sobrepõe às preocupações dos cidadãos. É para isso que serve um partido: criar programas, ser eleito e ter seu grupo parlamentar. Sobre o resto, veremos depois!

Os mais antigos ainda se lembram do programa do congresso de Metz do Partido Socialista em 1979 (a ruptura com o capitalismo) e das 101 propostas de François Mitterrand, que levaram exatamente ao oposto do prometido. No lugar do socialismo, tivemos Tapie, a liquidação da indústria do aço e um espaço claro para os “mercados” e o dinheiro em todos os níveis.

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