A IA está aí; mas, e depois?

Autor: Cédric Durand – Sidecar – 15 de janeiro de 2026

O valor de mercado das ações de empresas associadas a IA aumentou dez vezes na última década. Como recentemente John Lanchester observou na London Review of Books, todas, exceto uma, das dez maiores empresas do mundo estão associadas ao valor futuro a ser proporcionado pela inteligência artificial. Todas, exceto uma, são americanas; juntas, elas têm um valor igual a mais da metade da economia dos EUA.

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O socialismo após a IA

Autor: Evgeny Morozov [1]

Fonte original: Jacobina – 19/12-2025 – Tradução Pedro Silva

Evgeny Morozov faz aqui uma crítica do esboço de economia moderna multicriterial de Aaron Benanav, apresentada aqui por meio da tradução de três partes de seus dois artigos publicados na NLR (eiso primeiro; eis o segundo; eis o terceiro). Ele analisa por que as tecnologias do capitalismo não devem ser consideradas meramente como ferramentas que o socialismo poderia usar de forma mais eficaz. Isso é especialmente relevante quando falamos de Inteligência Artificial (IA), que, em sua implementação, cristaliza e até cria valores e desejos. Eis o seu texto:

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O impacto da IA na sociedade

Autor: Michael Roberts – The next recession blog – 6/06/2024

Abordei já a questão do impacto da inteligência artificial (IA), assim como dos novos modelos inteligentes de aprendizagem, tais como o Copilot, o ChatGPT etc., nos empregos e na produtividade do trabalho.

A previsão padrão sobre os efeitos da IA veio dos economistas do Goldman Sachs, o principal banco de investimentos dos Estados Unidos.  Eles avaliaram que, se a tecnologia cumprisse sua promessa, ela traria um “abalo significativo” no mercado de trabalho, pois afetaria o equivalente a 300 milhões de trabalhadores em tempo integral nas principais economias, já que exporia à automação os seus empregos.

Advogados e pessoal administrativo estariam entre os que correm maior risco de serem demitidos (assim como, provavelmente, os economistas!). Eles calcularam que cerca de dois terços dos empregos nos EUA e na Europa são passíveis em algum grau de serem automatizados por meio de IA. Chegaram a tal conclusão com base em dados sobre as tarefas normalmente executadas em milhares de ocupações. 

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Inteligência artificial: bem público ou privado?

Michael Roberts – The next recession blog – 21/11/2023

O que fazer?

A demissão chocante de Sam Altman, o fundador da OpenAI, pelo próprio conselho da empresa que fora criada por ele, revela as contradições emergentes no desenvolvimento desse tipo de tecnologia. A crise atinge a ChatGPT, mas também outros empreendimentos de “inteligência artificial generativa”, os quais estão impulsionando a atual revolução no campo da inteligência artificial (IA).

Será que a IA e esses modelos de aprendizagem de idiomas (também chamados de LLM) trarão benefícios novos, maravilhosos, para as nossas vidas, reduzindo as horas de trabalho e elevando nosso conhecimento a novos patamares de esforço humano? Ou a IA generativa levará ao aumento do domínio da humanidade pelas máquinas, assim como a uma desigualdade ainda maior de riqueza e renda, à medida que os proprietários e controladores da IA se tornam “vencedores que levam tudo”, enquanto o resto da humanidade é “deixado para trás”?

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Para a crítica da Inteligência Artificial (AI)

Ora ameaça, ora apenas ferramenta, é ilusório ver a IA como externa a nós. Ela é fruto do mesmo aparato que reduz nossa subjetividade a um fluxo previsível. É hora de desertar da linha do tempo e reaver o tempo múltiplo – onde podemos ter voz própria

Largue a mão da IA, agarre o inconsciente

Autora: Veridiana Zurita [1] – Outras Palavras – 23/06/2023

Desde o lançamento do ChatGPT [2] em novembro de 2022, o debate sobre Inteligência Artificial (IA) reacendeu nas redes. Falar sobre IA está na ordem do dia. Debatemos sobre suas potências e limites, nossos deslumbramentos e medos frente a um sistema, supostamente, inteligente. As análises sobre o tema variam entre a ameaça de sermos dominados por “Alexas” e “Siris” e a impossibilidade de tal domínio, afinal nossa inteligência humana seria única, insuperável. De toda forma, o tom do debate coloca nós (humanos) versus ela (inteligência artificial). Dominados ou superiores, debatemos a IA inebriados por tal dualidade – aliás, característica de uma certa “inteligência humana”.

De um lado a IA é percebida como entidade tecnológica, uma aparição-mágico-maquínica que no futuro próximo dominaria o humano, superando sua inteligência e causando a temida extinção. Do outro, a IA é analisada como “não-inteligência”, como artificialidade-maquínica, que prevê comportamentos a partir de cálculos que jamais poderiam sistematizar aquilo que conhecemos como afetos, amor, ética e moral humana. Poderíamos dizer que as duas versões são e não são possíveis. O famoso é e não é dialético. 

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